10 grandes histórias para se acompanhar nos playoffs da NBA de 2018

Luís Araújo

Depois de seis meses de temporada regular da NBA, finalmente chegou a hora de ver os playoffs. As prévias de cada série da primeira rodada foram feitas no podcast. O que aparece a seguir são algumas histórias que prometem ser interessantes ao longo das próximas semanas e que merecem a nossa atenção.


Como o Bucks vai se virar com Antetokounmpo no banco?

Das dez formações que o Bucks mais usou ao longo da temporada, nove contaram com a presença do grego. Todas essas nove apresentaram “Net Rating” positivo — e a menor delas foi de 6,0 pontos, o que é um ótimo sinal. Considerando todos os minutos em Antetokounmpo permaneceu em quadra, o time teve uma média de 108,8 pontos anotados e 105,4 sofridos a cada 100 posses de bola, o que representa um saldo de +3,5 pontos.

O problema para o Bucks foi segurar as pontas enquanto sua grande estrela precisou descansar no banco de reservas. Sem ele em quadra, a eficiência ofensiva caiu para 105,5 pontos e a defensiva passou a ser de 111,1 pontos, o que dá um “Net Rating” de -5,6 pontos.

Tudo bem que as rotações nos playoffs tendem mesmo a ficar mais enxutas e que haverá um tempo maior de recuperação entre um jogo e outro. Ainda assim, em algum momento, Antetokounmpo precisará de um descanso no banco de reservas. E aí? Como o Bucks vai responder a isso? É importante que o time consiga dar um jeito qualquer de não deixar as coisas fugirem totalmente do controle durante esses minutos. Caso contrário, o preço a se pagar por isso pode ser caro demais.

Durante os últimos meses de temporada regular, o técnico Joe Prunty tentou deixar Jabari Parker jogando mais tempo na vaga de Antetokounmpo e ao lado dos outros quatro titulares, como se fosse o foco principal do ataque. Não foi um desastre, mas também não dá para dizer que a experiência deu lá muito certo porque a defesa ficou muito pior. Vamos ver como será a partir de agora, na parte mais importante da temporada.

Como o Pelicans vai se virar com Anthony Davis no banco?

A mesma preocupação do Milwaukee Bucks nestes playoffs serve para o New Orleans Pelicans. Depois da lesão que tirou DeMarcus Cousins da temporada, Anthony Davis explodiu e garantiu que a vaga nos playoffs não escaparia ao emplacar algumas das melhores atuações da vida. O time passou a explorá-lo muito bem perto da cesta, colocando-o em situações favoráveis para causar estragos imensos nas defesas rivais de trocentas maneiras diferentes.

Só que o Pelicans acabou dependendo demais dele para continuar vencendo. Levando em consideração apenas o que aconteceu depois da lesão de Cousins, Davis participou de 15 as 17 formações mais utilizadas pela equipe. E esses dois quintetos sem ele tiveram resultado negativo em “Net Rating”.

É claro que vale sempre a pena ter em mente que essas estatísticas não dizem tudo. Existe o risco de que essas duas formações sem Davis tenham alguma distorção. Pode ser que tenham sido usadas, em parte, durante trechos de jogos já definidos. De qualquer maneira, o que esses números dizem de forma bem clara é que o técnico Alvin Gentry tem pouquíssimas alternativas para tentar fazer o time funcionar sem seu principal jogador em quadra. E que essas raras alternativas ainda passam longe de despertar alguma segurança.

Chris Paul finalmente jogará uma final de conferência?

O Houston Rockets teve sua melhor campanha da história ao ganhar 65 partidas. Se forem considerados apenas os jogos em que James Harden, Chris Paul e Clint Capela estiveram juntos em quadra, foram 42 vitórias e somente três derrotas. O sistema ofensivo foi o segundo mais eficiente da NBA, o que ajuda a mostrar o quanto Harden e Paul conseguiram se encaixar muito bem. E a defesa, o que costuma ser o grande ponto de interrogação dos times treinados por Mike D’Antoni, também funcionou. Foi a sexta mais eficiente da temporada e a terceira melhor desde o “All-Star Game”.

Não é à toa que o Rockets tem sido colocado como grande ameaça ao reinado do Golden State Warriors. Como os atuais campeões ficaram com a segunda colocação do Oeste, tudo parece conspirar para que Chris Paul finalmente sinta o gosto de disputar uma final de conferência. O armador bateu duas vezes na trave. Em 2008, quando ainda era jogador do New Orleans Hornets, viu seu time ser eliminado no Jogo 7 das semifinais de conferência pelo San Antonio Spurs. O mesmo aconteceu em 2015, com a diferença de que ele atuava pelo Los Angeles Clippers e o algoz foi o próprio Rockets.

Dá para dizer com alguma segurança que o Rockets desta temporada é o melhor time que Paul já jogou ao longo da carreira. É claro que ainda tem chão, não dá para garantir nada. Mas essa parece ser a maior chance de o armador finalmente quebrar essa barreira e disputar uma final de conferência.

A magia de Brad Stevens

Gordon Hayward quebrou a perna no primeiro jogo da temporada regular. Kyrie Irving machucou o joelho e virou baixa em definitivo às vésperas dos playoffs. Entre um caso e outro, o Boston Celtics teve de lidar com lesões em uma série de outros jogadores do elenco. O técnico Brad Stevens precisou cavar fundo demais no grupo que tinha à disposição, dando minutos a jogadores que em condições normais não teriam tanto espaço assim. E apesar de tudo isso, o time teve a melhor defesa da NBA e conseguiu abocanhar a segunda posição do Leste.

Foi um trabalho incrível por parte de Stevens. Não é fácil lidar com tantos desfalques assim, mudar formações constantemente e, mesmo assim, fazer com que a equipe mantenha um padrão. Ele conseguiu, e por isso é um grande candidato ao prêmio de melhor técnico da temporada. O negócio é saber como será essa história nos playoffs. Sem Hayward e Irving, a concentração de talento do Celtics não é lá essas coisas. Por outro lado, é um time que saberá exatamente o que fazer em quadra. Até que ponto isso será o bastante?

A jornada do Thunder e a novela Paul George

Várias vezes durante a temporada, principalmente nos encontros do Thunder com o Los Angeles Lakers, Paul George foi perguntado sobre os planos para julho. Isso porque ele será agente livre ao final da temporada, e não é segredo para ninguém o seu carinho pela ideia de um dia jogar pelo time que torcia na infância.

Mesmo dizendo que gosta de fazer parte do Thunder, George tem deixado tudo em aberto. “Eu não sei se vou para Los Angeles ou se vou para qualquer outro lugar depois que a temporada acabar. Mas eu posso dizer que estou feliz aqui, jogando com o Russell Westbrook e com o Carmelo Anthony. A direção da franquia tem mostrado o que é capaz de fazer para adicionar peças ao elenco e o quanto trabalha para chegar às vitórias”, ele declarou recentemente ao USA Today.

George também chegou a afirmar que o sucesso do Thunder nos playoffs não vai determinar o seu futuro. Mas vai saber, né? Vamos imaginar que o Thunder surpreenda o mundo todo e conquiste o Oeste, por exemplo. Ou que passe perto disso, caindo na final de conferência após sete jogos. Seria um fator bastante poderoso para a permanência ele em Oklahoma.

Assim como também daria para imaginar o Thunder caindo logo de cara, tendo todos os defeitos expostos pelo Utah Jazz e mostrando o quanto essa equipe passou longe de se encaixar. Seria ruim para quem torce pela renovação de George, sem dúvida.

É verdade que ele já falou que os playoffs não serão determinantes para a decisão que virá a tomar em julho. Mas ele também não disse que será um fator sem influência nenhuma.

O retorno do Timberwolves vai durar mais do que quatro jogos?

O último jogo da temporada regular foi especial: vitória na prorrogação, dentro de casa, diante de um adversário direto, em uma partida na qual a derrota decretaria a eliminação. Seria difícil imaginar um roteiro mais emocionante para um time que buscava encerrar um jejum de participação nos playoffs que já durava 14 anos. Deu tudo certo. Pelo menos até aí.

Mas e depois da festa e de todo o alívio por finalmente ter conquistado uma vaga nos playoffs? Até onde essa equipe será capaz de ir? Se der a lógica, o retorno não dura além da primeira rodada. Afinal de contas, o oponente será o Houston Rockets, dono da melhor campanha da temporada e que tem um ataque extremamente perigoso. Para qualquer time de boa defesa, já seria um desafio e tanto conter esse ataque. Para o Timberwolves, que teve uma defesa muito ruim, a tarefa fica ainda mais complicada.

Neste cenário, não é difícil imaginar que a história do Timberwolves nos playoffs de 2018 fique restrita a quatro jogos. Encontrar respostas para prolongar isso aí será uma missão complicada para Tom Thibodeau e companhia.

O grande teste da evolução do Raptors 

Antes do início da temporada, o técnico Dwane Casey declarou que o grande objetivo que tinha para o Toronto Raptors era a implantação de um novo sistema ofensivo. A ideia dele era deixar as coisas muito mais fluídas, dando liberdade para seus jogadores tomarem decisões com base no que as defesas oferecerem e, principalmente, buscar mais passes e chutes de três pontos.

Deu certo. Mesmo sem grandes mudanças no elenco, o Raptors mostrou-se um time bem mais sólido do que na temporada passada, estabeleceu um novo recorde de vitórias na história da franquia e ficou com a liderança do Leste. Esse novo ataque que Casey tanto queria ver em quadra acabou sendo o terceiro mais eficiente da NBA. E a defesa também funcionou: foi a quinta melhor.

Naquele discurso sobre o novo ataque antes de a temporada começar, Casey falou que a ideia era tornar bem mais difícil o trabalho das defesas na hora de entender o que acontece e de como conter as ações. Chegou a hora de conferir se isso aí irá se sustentar nos playoffs, em uma época em que os oponentes terão tempo para tentar encontrar ajustes entre uma partida e outra.

Até onde dá para o “processo” ir?

Ben Simmons, JJ Redick, Robert Covington, Dario Saric e Joel Embiid. Esse quinteto titular do Sixers foi o sexto mais utilizado durante a temporada. Foram 600 minutos em quadra ao todo. Resultado: 117,1 pontos de eficiência ofensiva e 95,7 pontos de eficiência defensiva, o que resulta um saldo incrível de 21,4 pontos. São números impressionantes para um time tão jovem e com peças que se juntaram faz pouco tempo.

Mesmo sem Embiid, que sofreu uma fratura em um osso do rosto, o Sixers manteve a boa fase na reta final da temporada regular e chega aos playoffs embalado por 16 vitórias consecutivas. O adversário na primeira rodada será o Miami Heat. Se passar, pegará o ganhador da série entre Boston Celtics e Milwaukee Bucks.

Pelo o que a equipe vem apresentando nas últimas semanas, uma viagem à final de conferência virou um objetivo completamente alcançável. Principalmente se Embiid voltar logo. Seria uma história e tanto para uma franquia que tanto apanhou nos últimos anos e que precisou se agarrar na esperança de que um dia o “processo” renderia bons frutos. Em algum lugar, Sam Hinkie provavelmente sorri e diz que sempre teve razão.

A continuação do conto de fadas de Quinn Cook

O retorno de Stephen Curry é um ponto importante para essa caminhada do Golden State Warriors nos playoffs. Isso está previsto para acontecer só na segunda rodada. Não é difícil imaginar o time chegando lá mesmo sem o armador, mas valerá a pena ficar de olho em como ele voltará. Dois anos atrás, aconteceu algo semelhante: Curry lesionou o joelho e só foi entrar em quadra nas semifinais de conferência, mas dando pinta de que não estava no melhor da sua forma. Então é natural que alguns pontos de interrogação cercam essa ausência dele.

Enquanto isso, uma das histórias mais legais da temporada ganhará alguns capítulos a mais durante os playoffs. O protagonista dela atende pelo nome de Quinn Cook. Depois de ter passado batido pelo Draft de 2015, o armador foi jogar na G-League e até teve experiências com Dallas Mavericks e New Orleans Pelicans, mas nada que fosse além de dez jogos.

Em outubro, chegou a treinar com o Atlanta Hawks, mas acabou sendo dispensado ainda na pré-temporada. Não era lá uma situação muito animadora. Aí ele assinou um “two-way contract” com o Warriors e passou a ter chances de entrar em quadra na medida em que as lesões foram aparecendo para assombrar as principais peças do elenco.

Durante a ausência de Curry na reta final da temporada regular, teve atuações sólidas o bastante para conquistar a confiança de Steve Kerr e ser contratado de vez, assinando por dois anos com os campeões. No dia 29 de março, durante uma derrota do Warriors para o Milwaukee Bucks, teve uma atuação de 30 pontos, quatro rebotes e três assistências. Foi a melhor da carreira. Será curioso agora observar como ele irá se comportar nos playoffs.

Teremos um novo Cavs x Warriors na final?

Essa é a grande pergunta dos playoffs, não tem jeito. Já são três finais consecutivas entre as duas equipes. Não seria nenhum absurdo se isso acontecesse mais uma vez nesta temporada. Longe disso, aliás. Mas pelo menos dá para entrar nos playoffs esperando que tanto Cavs quanto Warriors encontrem caminhos mais desafiadores em suas respectivas conferências, depois de terem passeado pelos rivais com os quais cruzaram no ano passado.

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