6 grandes inspirações que o basquete feminino me deu

Autor Convidado

* Texto enviado por Roberta Rodrigues 

Recebi o convite do Triple-Double para escrever sobre as jogadoras que mais me serviram de inspiração no basquete feminino. Não foi fácil. Há tanta demais com histórias incríveis dentro e fora da quadra que ficou complicado apontar só seis.

A ideia inicial era listar cinco e, claro, contar os motivos para tanta admiração por cada uma delas. Mas no fim das contas a relação teve seis nomes mesmo. Não teve jeito de cortar a sexta jogadora.

Becky Hammon

Além de ter sido a primeira mulher contratada por um time da NBA, Becky tem uma história muito inspiradora para qualquer pessoa. Ela cresceu em South Dakota, onde fez o ensino médio, e jogou o universitário na Colorado State University, ambos sem tradição no basquete. Por isso, mesmo tendo batido todos os recordes por onde passou, não foi selecionada por ninguém no Draft para a WNBA. Mas o New York Liberty resolveu dar uma chance depois. E o resto a gente já sabe.

All-Star, medalhista olímpica, eleita uma das 15 melhores de todos os tempos da WNBA, vários títulos com clubes europeus… até o grande feito de ser contratada por Gregg Popovich. A história de Becky mostra como é importante acreditar nos seus sonhos e não desistir quando as portas se fecham. Tudo culminando com o grande feito histórico trabalhando em um time da NBA.

Tamika Catchings

Sempre foi um dos maiores exemplos de “fairplay” e liderança na WNBA. Foi uma jogadora incrível, campeã da WNBA, MVP, cinco vezes melhor defensora, quatro medalhas de ouro nas Olimpíadas e duas em Mundiais com a seleção dos Estados Unidos. Catchings é uma mistura de excelência dentro e fora de quadra. Não conheço uma pessoa que trabalha com WNBA que não seja apaixonado pelo caráter dela.

Também a admiro muito por ser quase 90% surda de um ouvido. Na escola, tiravam sarro dela por causa disso. E a maneira que tinha para mostrar que não era fraca devido à sua deficiência era sendo boa jogadora de basquete. Hoje ela reverte o que sofreu de bullying para que ninguém passe mais por isso. Em abril de 2017, ela foi contratada pelo Indiana Pacers para o cargo de diretora de programas de jogadores.

Dawn Staley

Não jogou muito tempo na WNBA, teve uma carreira maior no exterior e como jogadora da seleção. A WNBA foi inaugurada em 1999, ela encerrou sua carreira como profissional em 2005. Mas ganhou três ouros olímpicos com os EUA e vem fazendo história como técnica na NCAA. Em 2008, chegou na South Carolina University e mudou totalmente o programa, levando a equipe a quatro torneios nacionais da NCAA seguidos. Como foram campeãs da conferência SEC neste ano, então certamente irão para o quinto torneio. E teve o título do ano passado, enquanto todos acreditavam em mais uma conquista da UConn.

Além de ter sido uma jogadora incrível, Staley não abandonou o basquete feminino mesmo não tendo tido muito tempo para jogar. Hoje ela é muito ativa com as jogadoras da WNBA, sempre presente nas atividades de divulgação da liga.

Érika de Souza

Tenho um carinho muito especial por ela. Tive a oportunidade de acompanhar sua carreira de perto por um tempo e o que as pessoas veem dentro de quadra não chega perto do quão incrível ela é como pessoa. Como jogadora, é sem sombra de dúvidas o nome mais bem sucedido do basquete feminino brasileiro no exterior. As pessoas tentam comparar a carreira da Érika com a da Janeth, que teve quatro títulos na WNBA, mas são casos bem diferentes. E é óbvio que uma não tira o mérito da outra. Gosto de deixar isso claro porque tem gente que gosta de fazer essa comparação para colocar uma abaixo da outro, mas ambas são grandes e importantes.

A Érika está na WNBA há 12 temporadas, sendo 11 delas de maneira consecutiva. É uma consistência que até entre as americanas é difícil de se encontrar. Foi campeã em sua primeira temporada. Alguns anos depois foi responsável pela reestruturação de uma franquia que estava começando, o Atlanta Dream. Ela e Angel McCoughtry foram as responsáveis pela forte presença do Dream na WNBA (3 finais) e são ídolas na cidade. Érika também foi três vezes all-star e está entre as 20 líderes históricas de rebote na WNBA.

Na Europa, Érika já foi campeã na liga húngara, cinco vezes campeã do campeonato espanhol e sete vezes campeã da Copa de Lá Reina (a maior vencedora da história). Além disso, é a maior reboteira da história do campeonato espanhol. Isso sem contar os títulos no Brasil. E tudo que ela tem de grande dentro de quadra ela dá em dobro fora. Família em primeiro lugar, nunca esquece de onde veio e ajuda a quem quer que venha a precisar sem pensar duas vezes.

Adrianinha

Quando eu jogava basquete eu tinha que me inspirar nas armadoras e nas jogadoras mais baixas. Becky Hammon e Adrianinha eram minhas preferidas. Passei a acompanhar mais a Adrianinha porque estava aqui no Brasil. Quanto mais a via, mais admirava sua habilidade e inteligência dentro de quadra. Os passes, os arremessos de três pontos, as bandejas… tudo sempre feito com maestria. O tempo passou e Adrianinha não deixou de ser grande até o último jogo na carreira.

Uma das coisas que sempre me fizeram admira-la muito foi sua dedicação à seleção brasileira. Várias vezes disse que se aposentaria, mas sempre que precisavam que comandasse o elenco nacional ela estava lá. Fora de quadra sempre lutou pelo basquete feminino. Quando ainda atuava profissionalmente, era a primeira a se voluntariar em atividades sociais. Hoje em dia tem um dos poucos projetos sociais para as meninas que querem ser atletas.

Breanna Stewart

Mesmo nova já coleciona títulos com a seleção dos EUA. Sem contar que foi a primeira jogadora a ganhar quatro títulos da NCAA, com a UConn. Fora de quadra é uma das jogadoras mais ativas (entre novatas e veteranas) para falar sobre questões sociais, como igualdade racial e de gênero. Recentemente se abriu sobre os abusos que sofreu por anos na infância por um amigo próximo da família. Escreveu um texto de fazer chorar no The Players Tribune, como mais uma denúncia do “#metoo movement”.

Eu não consigo deixar a Breanna Stewart fora de qualquer lista que faço porque ela é impecável dentro de quadra, nos fundamentos e no trabalho em equipe. E em questão de seu papel como influenciadora é sempre muito consciente e sensata. Sem contar que é extremamente inteligente e desde nova toma decisões importantes pra sua carreira pensando no futuro.

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