A era de negócios da WNBA

Autor Convidado

* Texto enviado por Roberta Rodrigues

O Draft de 2017 foi a consolidação de toda essa nova visão de liga que Lisa Borders tem para a WNBA. Nos anos anteriores, o processo de seleção foi realizado, na maioria das vezes, no estúdio da NBA TV em Secaucus, New Jersey (1997 a 2005, 2009 e 2010). De 2011 a 2013, a ESPN sediou o evento em seus “headquarters”, na cidade de Bristol, Connecticut. De 2014 a 2016, a casa do Draft foi a Mohegan Sun Arena, ginásio do Connecticut Sun.

Somente em 2006, 2007 e 2008 o evento se deu fora desses locais: em 2006 (Boston, Massachussets), 2007 (Cleveland, Ohio), e 2008 (Tampa, Florida). O que essas cidades tiveram em comum em cada um desses anos foi a realização do Final Four da primeira divisão de basquete feminino da NCAA. As escolhas pelos times profissionais foram realizadas exatamente no dia seguinte à decisão do torneio universitário.

2017 foi a primeira vez que a WNBA realizou o Draft em um local sem qualquer relação com basquete ou esporte no geral. O Samsung 837 é um espaço gerenciado pela empresa de eletrônicos com o objetivo de promover eventos e ações com a mais alta tecnologia que a marca pode oferecer: um painel eletrônico de dois andares em seu auditório, uma sequencia de cadeiras com realidade virtual, uma cabine de câmera 360 graus, além de ter todos os seus mais novos produtos expostos.

Um dia antes do Draft, quem estava no local era a dupla The Chainsmokers, lançando seu novo álbum. O youtuber, empresário e publicitário Casey Neistat mostra o espaço com frequência em seus vídeos diários no YouTube. A topmodel Karlie Kloss também é presença marcante no hub da marca. Ou seja, sua visibilidade é abrangente e alcança os públicos mais variados.

Lisa Borders não pestanejou em correr o risco de alterar o tradicional local e formato do Draft da WNBA para atuar em parceria com um dos parceiros mais poderosos da liga, por mais que isso significasse deixar alguns torcedores decepcionados. E foi um risco que vale a pena, pois só fortalece o laço do campeonato com a empresa de eletrônicos.

Por três temporadas, a Samsung foi a patrocinadora das maiores premiações individuais da WNBA: MVP, Rookie of the Year, Most Improved Player, Sixth Woman of the Year, Defensive Player of the Year, Player of the Month e Rookie of the Month. As últimas receptoras do MVP foram Nneka Ogwumike (2016), Elena Delle Donne (2015) e Maya Moore (2015). Só com elas, já são mais de meio milhão de seguidores no Instagram impactados com a marca. Em termos de Rookie of the Year, Breanna Stewart (2016), Jewell Loyd (2015) e Chiney Ogwumike (2014) foram as vencedoras, o que significou um alcance de quase 300 mil internautas.

Ter a Samsung como principal patrocinadora de um dos mais importantes eventos do basquete feminino foi uma jogada de mestre realizada pela presidente, que tem como uma de suas marcas registradas a ousadia para levar o basquete feminino a novos horizontes.

Com isso tudo, a WNBA marca uma nova fase na modalidade. Até então, devido à baixa visibilidade do esporte feminino, a liga não corria riscos, para não perder os espectadores que já colecionava há anos. Agora, a mentalidade é a de ser o mais arriscado possível, o que já gerou resultados positivos (como os índices de ibope mencionados acima).

A temporada de 2017 da WNBA começa no dia 13 de maio, e promete ser uma das melhores de toda a sua história.

Tags: , ,

COMPARTILHE