A temporada do Thunder acabou. O que vem agora pela frente?

Luís Araújo

Não durou muito a caminhada do Oklahoma City Thunder nos playoffs em 2017. A série contra o Houston Rockets acabou em cinco jogos, sendo que a única vitória da equipe só foi confirmada depois que um arremesso de James Harden bateu no aro.

Não dá para dizer que foi uma surpresa. O Rockets era tão favorito que o fato de a série não ter ido além do quinto jogo é algo completamente dentro dos conformes. Foi um entretenimento e tanto a primeira temporada deste novo Thunder, sem Kevin Durant e comandado por um mordido Russell Westbrook. Não faltaram elementos interessantes e curiosos ao longo do caminho, como a caça ao recorde histórico de triplos-duplos.

Mas essa trajetória deu onde tinha que dar mesmo. Era difícil imaginar que a caminhada fosse muito além disso. Agora que a temporada chegou ao fim, é hora de Westbrook descansar enquanto os holofotes vão para cima do gerente-geral Sam Presti. É claro todo time passa pelo processo de reavaliação das peças e ajustes do elenco entre um campeonato e outro, sempre de acordo com a direção que a franquia está disposta a seguir. Só que a situação de Presti pode ser considerada das mais desafiadoras.

Mesmo que a escolha do Thunder seja a de manter a identidade construída nos últimos meses, ainda que isso continue significando poucas chances de lutar em condições de igualdade com as grandes potências da NBA (vai saber, né?), algumas questões importantes precisarão ser resolvidas. Se a ideia for a de buscar fortalecer o grupo para tentar torná-lo um verdadeiro concorrente ao título, aí a missão será muito mais complicada.

O motivo para isso é a folha salarial engessada. Durante a atual temporada, com o teto para todas as equipes em US$ 94 milhões, a soma dos salários dos jogadores do Thunder foi de US$ 91,3 milhões. Acontece que esse valor subirá para US$ 110,5 milhões em 2017/18, ao passo que o teto está projetado para US$ 102 milhões. E esse aumento ainda nem leva em conta três jogadores que serão agentes livres a partir de julho: Nick Collison, Taj Gibson e Andre Roberson.

O primeiro jogador deste trio é um dos favoritos da torcida local pelo tempo de casa. Os dois últimos foram titulares e, cada um à sua maneira, importantes demais para a campanha do Thunder. Opção mais sólida do elenco para fazer companhia a Steven Adams nos dois lados da quadra, Gibson tem salário de aproximadamente US$ 9 milhões ao longo da temporada 2016/17. Responsável por marcar quase sempre as armas mais perigosas dos adversários, Roberson será agente livre restrito — ou seja, que poderá permanecer caso o time cubra alguma oferta que aparecer por ele. Acontece que muito provavelmente essa oferta será superior aos cerca de US$ 2,2 milhões anuais do atual acordo.

Um texto especial para assinantes publicado há alguns meses mostrou mais detalhadamente como as demais peças do elenco se encaixavam em volta de Westbrook e colaboravam para as coisas boas que a equipe fazia em quadra. Sobre Roberson, o que dá para dizer basicamente é que se trata de um defensor de primeira linha, capaz de causar impacto no jogo de transição com essa qualidade e que até consegue esconder suas enormes limitações ofensivas quando se movimenta mais e chuta menos de longe.

Caso deixe Roberson ir embora, o Thunder economizaria uma grana e, muito provavelmente, evitaria assumir uma responsabilidade contratual longa. Mas além do déficit técnico que essa decisão representaria, pouca coisa mudaria em termos de flexibilidade financeira. Afinal de contas, o time já tem US$ 110,5 milhões comprometidos em salários para a próxima temporada, o que já está acima daquilo que deverá ser o novo teto da liga. Em outras palavras: não daria para perseguir grandes agentes livres.

Boa parte da explicação para essa situação passa por duas extensões que foram acertadas no ano passado e que passarão a valer a partir de julho: as de Steven Adams e Victor Oladipo. Eles tiveram salários de aproximadamente US$ 3 milhões e US$ 6,5 milhões, respectivamente, na temporada 2015/16. Na próxima, verão esses valores subirem para mais de US$ 20 milhões anuais.

Vale observar que ambas as extensões foram feitas por quatro anos, o que significa que o comprometimento do Thunder com a dupla irá até o fim da temporada 2020/21. Já Enes Kanter recebe cerca de US$ 17 milhões e tem contrato até julho de 2018, mas pode exercer a sua “player option” e permanecer por mais um ano, fruto da decisão da franquia de cobrir aquela oferta que o Portland Trail Blazers fez em 2015, quando o pivô turco era agente livre restrito.

Quem também tem acordo até julho de 2018 e a possibilidade de decidir se vai ampliar ou não o atual acordo por um ano mais é Westbrook. Motivado pela saída de Durant, ele falou bastante em lealdade e em retribuir todo o apoio da cidade na entrevista coletiva que deu para anunciar a extensão com o Thunder. Se isso for 100% verdade, então Presti não deveria estar tão preocupado assim em correr contra o tempo para montar um grupo com calibre para lutar pelo título e mostrar à sua grande estrela que não precisa ir a lugar algum para ser campeão. Mas será que dá para confiar totalmente nisso? Vai saber.

São esses fatores todos que tornam os próximos meses bastante interessantes de se acompanhar com relação ao que será do Thunder. As decisões que deverão ser tomadas sobre o futuro de dois titulares e a folha salarial engessada dão uma boa reduzida no leque de possibilidades. Algumas soluções criativas deverão ser encontradas.

Sam Presti que se vire. A bola agora está com ele.

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