“Abençoado” em Miami, Haslem lembra que não contrariou prognósticos à toa

Luís Araújo

Muitos jogadores chegaram e se foram do Miami Heat ao longo da última década, mas dois resistiram às mudanças e permaneceram por lá esse tempo todo. Um deles é Dwyane Wade, adquirido no Draft 2003 com status de candidato a estrela da NBA no futuro, algo que de fato se concretizou. O outro é Udonis Haslem, de quem pouca gente esperava alguma coisa na época.

Depois de quatro anos na Universidade da Flórida, o ala-pivô passou batido no recrutamento de 2002. Até ganhou a oportunidade de treinar com o Atlanta Hawks, mas foi dispensado do elenco antes do início da temporada 2002/03. Os 2,03m o colocavam em posição de inferioridade diante dos outros atletas de garrafão da NBA. Além disso, Haslem pesava mais de 135 kg e tinha como reputação entre os olheiros a incapacidade de pegar rebotes. Parecia que a carreira no basquete não engataria. Não nos Estados Unidos, pelo menos.

Mas as coisas começaram a mudar no ano seguinte. Depois de boas atuações na liga francesa e 30 kg a menos, fruto de uma reeducação alimentar, Haslem ganhou uma chance de mostrar serviço com o Heat na Summer League de 2003. Não desperdiçou. Assinou contrato com a equipe e ganhou espaço na rotação aos poucos.

O resto todo mundo sabe. Hoje, ele é um dos grandes ídolos da franquia em todos os tempos. Três vezes campeão da NBA e recordista em rebotes, justamente aquele que era considerado seu ponto fraco no início de trajetória entre os profissionais.

É uma história e tanto de superação, mas que não virou realidade à toa. “Eu me sinto abençoado, mas me custou muito trabalho duro e dedicação para chegar onde cheguei”, disse Haslem, em conversa com o Triple-Double durante a viagem ao Brasil para o jogo de pré-temporada do Heat contra o Cleveland Cavaliers.

Ele também falou sobre como se reinventou em quadra para ser sempre uma peça útil ao Heat, adicionando chute de média distância ao seu jogo de costas para a cesta, e da conquista do título de 2006, o primeiro com a franquia.

Veja a entrevista abaixo:

Triple-Double – Em 2002, depois de não ser escolhido no Draft da NBA, você acreditaria se alguém te dissesse que você estaria onde está hoje?

Udonis Haslem – Não. Nunca imaginei que seria o líder em rebotes desta franquia ou com os três títulos que conquistamos. Tudo isso representa um sonho que virou realidade. Eu me sinto abençoado, mas me custou muito trabalho duro e dedicação para chegar onde cheguei.

Triple-Double – Ao longo destes anos todos, o que você sentiu que precisava mudar no seu jogo?

Udonis Haslem – Todo ano é diferente. O elenco muda, jogadores novos chegam, e você precisa adicionar mais ferramentas ao repertório pessoal para ajudar o time.

Triple-Double – Como o arremesso de média distância, por exemplo?

Udonis Haslem – Sim, acredito que essa seja uma colaboração enorme de minha parte. Neste tipo de chute, acho que sou um dos melhores da liga. Se tenho a oportunidade de fazê-lo, tento aproveitar para deixar o time em melhor condição de vencer a partida.

Triple-Double – Você já é mais baixo que a maioria dos alas-pivôs da NBA, mas chegou até a atuar como pivô em determinados momentos. Como foi se adaptar a isso?

Udonis Haslem – Foi uma experiência diferente, mas tive de treinar ainda mais duro do que em anos anteriores e me cobrei mais para conseguir encarar caras bem mais altos do que eu. De uma maneira geral, os pivôs de 7 pés (2,13m) de altura são os confrontos individuais mais difíceis para mim. Sempre me exige muito esforço ter de marcar esse tipo de gente.

Triple-Double – O quanto aquele time do primeiro título do Heat, em 2006, era diferente do que ganhou os dois últimos?

Udonis Haslem – Aquele time tinha mais força, jogava de maneira muito mais física. As coisas passavam bastante por Shaquille O’Neal lá embaixo da cesta. Agora o jogo mudou. As equipes em geral usam mais o “small ball”, chutam mais de três, definem as posses de bola em um ritmo mais acelerado. Naquele Heat que foi campeão pela primeira vez, jogávamos um pouco mais devagar.

Triple-Double – Uma das atuações mais marcantes que você teve foi no sexto jogo da decisão de 2006, contra o Dallas Mavericks. Foram 17 pontos e dez rebotes na partida que decretou o título. O quanto você sente ter ajudado a mudar a história daquela série?

Udonis Haslem – Acredito que fui muito importante. Dirk Nowitzki estava jogando bem demais nos playoffs. Eu e caras como James Posey, por exemplo, deixamos todas as energias que tínhamos em nossos corpos na quadra para tentar detê-lo, nos revezamos na marcação dele. Dirk é um jogador muito talentoso. É alguém de 7 pés (2,13m) de altura capaz de arremessar e fazer outras coisas com a bola como se fosse um armador. É muito técnico. Encará-lo naquela oportunidade foi um grande desafio.

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