Alex lembra como “lição de vida” em San Antonio o ajuda até hoje

Luís Araújo

Um dos principais nomes do basquete brasileiro nos últimos anos, Alex Garcia já disse algumas vezes durante a carreira que se inspirou em Scottie Pippen, algo que fica evidente na defesa agressiva que demonstra toda vez que está em quadra. Mas o ídolo do Chicago Bulls não foi a única figura que serviu de modelo para o jogador que o ala de Bauru virou. A passagem pela NBA também o influenciou demais.

Essa história começou depois da disputa do Pré-Olímpico com a seleção brasileira em Porto Rico, quando foi convidado a se juntar ao San Antonio Spurs, em setembro de 2003. Durante os treinos e as partidas de pré-temporada, foi desafiado a jogar em muitos momentos como armador.

“Foi algo que me ajudou muito no controle de bola, a ver da melhor maneira o que acontece em quadra e até na forma de encarar o jogo”, disse Alex ao Triple-Double. “Acrescentei muitas características que levo comigo até hoje.”

Mas não dá para dizer que deu tudo certo para ele nos Estados Unidos. Antes mesmo do início da temporada 2003/04, o brasileiro fraturou o pé esquerdo. Ainda assim, seguiu no elenco e teve a chance de aparecer em dois jogos no início de janeiro de 2004. Mas uma lesão no joelho direito logo em seguida o impediu de mostrar serviço mais vezes.

“Essas contusões acontecem. Deve ter sido até excesso de treino, já que tinha 23 anos na época e 100% da minha energia para gastar”, lembrou o jogador, dispensado pelo Spurs ao final do campeonato. “Quando se lesiona em um time desse, é lógico que o pessoal fica com o pé atrás em te segurar. Mas se pudesse voltar no tempo e fazer as mesmas coisas, tendo até as mesmas lesões, eu voltaria.”

Alex não pensa assim só por causa dos benefícios obtidos a partir da experiência como armador. A oportunidade de trabalhar com um técnico vencedor como Gregg Popovich não aparece todos os dias.

“Ele é sensacional. Pela televisão, as pessoas podem ter a impressão de que é bravo, mas não é bem assim. Ele é rígido e gosta das coisas do jeito dele, mas o dia a dia ao lado dele é muito gostoso. É muito paizão, tem um jeito bem tranquilo, te ensina e está sempre disposto a conversar sobre qualquer assunto. É o melhor treinador com quem já trabalhei na vida, tem boa relação com todo mundo. Mas, na hora do trabalho, ele sabe mudar a chave do paizão para o técnico exigente”, elogiou.

Depois de deixar o Spurs, Alex ainda foi aproveitado no New Orleans Hornets. Participou de oito partidas pela equipe, três delas como titular, antes de ser dispensado novamente, em dezembro de 2004. Mas é de San Antonio que ele carrega as melhores lembranças.

“Foi uma lição de vida. Cheguei a uma equipe que tinha acabado de chegar a uma equipe que tinha acabado de ser campeã da NBA e não falava inglês. O Manu Ginóbili me ajudou muito nisso. Tentei fazer o meu melhor dentro de quadra e fui aprendendo a língua aos poucos. Fui muito bem acolhido. Posso dizer que foi uma passagem feliz, apesar das lesões”, refletiu.

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