Beal se diz “confiante para fazer mais coisas em quadra” e vê Leste “sem dono”

Luís Araújo

O “All-Star Game” de 2018 foi o primeiro de Bradley Beal e apareceu para coroar o melhor momento da carreira dele. As médias de 23,6 pontos, 4,5 rebotes, 4,2 assistências por partida na atual temporada são as mais altas desde que ele chegou à NBA. Terceira escolha do Draft de 2012, o ala-armador de 24 anos sabe que o Washington Wizards ainda é o time de John Wall, mas também se vê como um líder deste time. De uma maneira que antes não via.

“John é o nosso franchise player. Meu jogo tem superado as expectativas de muita gente ultimamente, mas o principal jogador do nosso elenco continua sendo ele. De qualquer maneira, sinto que agora ambos somos as estrelas desta equipe”, disse Beal, em uma entrevista por vídeo com veículos de imprensa do mundo todo da qual o Triple-Double fez parte antes do “All-Star Game”.

Ao que parece, as tensões entre os dois, que chegaram a admitir publicamente que não eram tão chegados assim um no outro, ficaram para trás. “Esse certamente é nosso melhor ano juntos. É uma pena que ele esteja machucado agora, mas sinto que ambos somos líderes do time. Nós dois colocamos as coisas nos nossos ombros e nos desafiamos a sermos melhores. Estamos melhorando juntos. Estamos mais velhos, mais sábios e creditamos nosso sucesso um ao outro”, afirmou Beal.

Essa lesão de Wall a qual Beal se referiu foi no joelho esquerdo, o levou à cirurgia e o manterá fora das quadras por mais algumas semanas. Antes da pausa para o “All-Star Game”, o Wizards disputou nove partidas sem o armador e ganhou sete. Durante esse período, conseguiu se manter entre os dez times mais eficientes da NBA nos dois lados da quadra: oitavo melhor ataque (111,4 pontos feitos a cada 100 posses de bola ) e nona melhor defesa (105,0 pontos). E talvez o que mais chama a atenção é o fato de 71,5% de todas as cestas feitas nestes nove jogos terem sido produzidas a partir de assistências, o que coloca a equipe em primeiro lugar nesta estatística e consideravelmente à frente da marca de 66,3% do Golden State Warriors, que aparece na segunda posição.

De uma forma geral, trata-se de um rendimento superior ao que o Wizards, tão instável e pouco confiável até então, vinha apresentando ao longo da temporada. “Todos sentiram que precisavam aparecer mais a partir do momento em que John saiu”, disse Beal.

“Ele se machucou e isso nos machucou também, mas nós nos unimos e entendemos que precisávamos dar um jeito de jogar bem. Lesões acontecem mesmo, então a gente tinha que se virar. Cada um teve de dar um passo a mais neste momento, e eu me incluo nisso. Sei que uma parcela ainda maior da liderança do time caiu nos meus ombros a partir desta ausência dele. Mas confio nos meus companheiros e na nossa capacidade de nos unir para encontrar maneiras de conquistar vitórias”, continuou.

Uma grande parcela desta boa fase do Wizards durante a ausência de Wall pode ser atribuída a Beal. A evolução dele em relação às temporadas anteriores sob vários aspectos além do chute, principalmente no papel de criador de jogadas com a bola nas mãos, que já estava clara antes disso, ficou ainda mais evidente nestes últimos jogos. Responder melhor nestas situações, aliás, é algo que ele considera ter sido decisivo para levá-lo a ser um “all-star” pela primeira vez.

“Essa temporada tem sido diferente para mim porque eu me sinto mais confiante para fazer mais coisas em quadra. Trabalhei bastante durante as férias em situações de controle de bola para poder funcionar mais na função de comandar o ataque, chamar o pick and roll ou mesmo tentar achar espaços em jogadas de isolação. Melhorar nisso aí me fez conseguir encontrar mais os meus companheiros”, contou Beal.

Mas ele também fez questão de ressaltar dois companheiros em especial para essa série positiva do Wizards sem Wall. Um deles é um reserva que já vinha sendo útil desde a temporada passada para um elenco de banco enxuto e que vem dando sinais animadores de progresso ao longo dos últimos meses: Kelly Oubre. O outro é o tcheco Tomas Satoransky, que se mostrou bem instável como novato, mas que parece bem mais adaptado à NBA neste segundo ano, especialmente neste trecho da temporada sem Wall, revezando com Beal a tarefa de levar a bola ao ataque e se virando muito bem, com bastante movimentação, nos momentos em que precisa atuar sem ela nas mãos — como ajuda a mostrar o vídeo abaixo.

“Os dois melhoraram muito neste ano e têm sido muito importantes. Satoransky está jogando com extrema confiança. E Oubre está em processo de se desenvolver em uma estrela. Agora eles precisam continuar neste ritmo porque o céu é o limite para eles. Se mantiverem a humildade e o trabalho duro, terão muito sucesso na nossa equipe”, opinou Beal.

A melhora individual e as outras coisas boas que apareceram durante a lesão do Wall renderam ao Wizards o momento mais estável da temporada. Para alguém que chegou a declarar há alguns meses que seu time era o melhor do Leste, é o que basta para alimentar como nunca as esperanças de se alcançar o topo da conferência.

“Sinto que apresentamos uma defesa realmente boa nos últimos jogos, o que nos levou a conquistar vitórias. Sabemos que não teremos vida nem um pouco fácil ao longo deste resto de temporada, mas vejo o Leste bastante aberto neste ano, sem um dono muito claro”, analisou Beal.

“Sinto que podemos chegar lá. Ficamos a um jogo da final de conferência no ano passado. Se mantivermos uma defesa boa, acredito que mais uma vez teremos chances de decidir o Leste”

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