Como cada time sai da “trade deadline”

Autor Convidado

* Texto enviado por Paulo Victor Lopes


Mais um ano se passou e é mais um ano em que pedi ao meu querido Luis Araújo um espaço no Triple Double para comentar, analisar e classificar o desempenho de cada equipe da NBA com as trocas da temporada.

Muitos esperavam uma deadline morta, afinal a próxima temporada não tem grandes agentes livres e os times não tinham interesse em liberar contratos para abrir espaço abaixo do teto salarial. O destaque ficou para a já consagrada troca de vendedores e compradores, com vendedores procurando ativos futuros e os compradores procurando melhorar o time para a iminente disputa dos playoffs.

No ano passado, fiz previsões corajosas, como a que o Clippers ainda tinha chances de chegar aos playoffs depois de trocar o Tobias Harris (conseguiu) e que seria o vencedor da deadline se conseguisse trazer um agente livre pelo contrato máximo (também conseguiu trazer Kawhi Leonard). Assim como previ que o New Orleans Pelicans não trocaria o Anthony Davis pro Lakers porque a proposta do Celtics poderia conter Jayson Tatum e seria uma proposta melhor. Erros, acertos, o importante é exercer a futurologia e não tirar o pé por medo de quebrar a cara.

Ainda sobre o ano passado, na “nota” em que dei a cada time, fiz uma piadinha e dei a nota em valor numérico. Neste ano, aproveitando o ensejo, irei relacionar os movimentos de cada time com um integrante específico do Big Brother Brasil 20. Venham comigo.

COMPRADORES

  • Los Angeles Clippers
    Nota: 10
    Seguindo a mesma linha do BBB Guilherme, o Los Angeles Clippers vem com uma base sólida e manteve a estratégia de se reforçar para o resto do jogo.

Trocas:
– Jerome Robinson, Moe Harkless, 1st LAC ‘20, 2nd DET ‘20 por Isaiah Thomas e Marcus Morris Sr.
– Derrick Walton Jr por cash

No ano passado, previa que o Clippers poderia, com o tempo, se tornar o vencedor da última deadline. A minha previsão se confirmou. Neste ano, a franquia menor de Los Angeles usou o resto dos ativos que tinha para vencer a corrida pelo Marcus Morris com o rival da cidade. Muito se cogitou de que o Lakers poderia fazer alguma troca envolvendo Kyle Kuzma para trazer Marcus Morris, mas esse negócio perdeu tração e sobrou pro Clippers a oportunidade de queimar a sua escolha do próximo draft para o adquirir.

Para complementar, sobrou para Washington entrar na troca e adquirir Jerome Robinson e enviar Isaiah Thomas para Los Angeles. Já é o terceiro time na Califórnia e o OITAVO time diferente da NBA que Thomas jogará. Dessa vez, terá a incumbência de auxiliar o banco de reservas quando for acionado. O Clippers já era favorito para o título, agora é ainda mais. É um time com condições de jogar das mais diversas formas, tem defensores e atacantes na lista dos melhores da NBA e consegue ter quintetos sem falhas pelos 48 minutos.

Há de se ressaltar que as Thomas e Morris estão tendo os melhores anos de suas carreiras nos arremessos de 3, com ambos atingindo a marca de 41% de aproveitamento. Jerry West foi múltiplas vezes campeão no Warriors, agora vem seguindo a mesma linha de administração de excelência em seu trabalho como executivo da NBA. O Clippers tem muito a ganhar com isso.

  • Miami Heat
    Nota: 10
    A ginecologista Marcela chegou como quem não queria nada, mas mostrou ao público que é sensata. Suas decisões mudaram seu patamar durante o jogo e a colocaram entre os favoritos.

Trocas:
– Justise Winslow, James Johnson, Dion Waiters por Andre Iguodala, Jae Crowder, Solomon Hill

Os dois times que abriram a postagem tiveram a melhor offseason da liga e agora têm as melhores deadlines da liga. No caso do Heat, mais um crédito para Pat Riley, técnico histórico e gestor pelos últimos vários anos. A franquia se tornou um celeiro de achados, utilizando com maestria a franquia da G-League e tirando leite de pedra, com desenvolvimento técnico e físico somados a uma equipe de olheiros extremamente competente.

Depois de recuperar Dion Waiters e James Johnson após grandes baixas em suas carreiras, tiveram que lidar com um início de temporada conturbado com os dois atletas. Waiters teve reiterados momentos de indisciplina, Johnson foi rebaixado para o time da G-League para aprimorar a forma física. O desenvolvimento de atletas do Heat também foi importante para Justise Winslow, que chegou a ser armador da equipe em momentos que lidavam com lesões de Goran Dragic, além de ter comandado o banco em várias ocasiões.

O encaixe de Winslow não era completamente perfeito com o grupo atual, portanto Miami aproveitou a oportunidade e trocou por Andre Iguodala e Jae Crowder. No ato, reassinou por 15 milhões em dois anos (o segundo com opção do time) com Iguodala. A adição dos dois era o que o Heat precisava para fazer sua defesa, que era uma das melhores da liga, se tornar a melhor da liga. Além de tudo, somou a mentalidade vencedora de Iguodala com a mentalidade assassina patrickbeverlesca de Crowder. Ambos se encaixam perfeitamente na rotação de Miami e eu mal posso esperar para os ver em quadra.

O tempo vai dizer o quanto o Heat subiu de nível, mas como diria o atacante flamenguista Bruno Henrique: “é outro patamar”.

  • Houston Rockets
    Nota: 8
    A blogueira Bianca “Boca Rosa” Andrade entrou no BBB com uma quantidade imensa de seguidores, base muito forte e consolidada, mas, com o tempo, viu que o que estava fazendo ia dar merda e teve que mudar a forma de jogar.

Trocas:
– Clint Capela, Nenê, Gerald Green, 1st HOU ‘20 por Robert Covington, Jordan Bell, 2nd GS ‘24
– Jordan Bell, 2nd por Bruno Caboclo, 2nd

Eu descobri que estou ficando velho em um momento dessa temporada em que fui informado de que James Harden já está em sua OITAVA temporada defendendo o Houston Rockets. Pois é, parece que foi ontem a troca pelo Kevin Martin (!!!!!) que levou a barba mais famosa do mundo para Houston e início da busca incessante por recordes de bolas de 3 tentadas e acertadas por parte do Daryl Morey.

Olhando um pouco pro passado, lembramos que Morey sonhava em ter Dwight Howard como parceiro de Harden. Conseguiu. Um ano depois, percebeu que Clint Capela, um jovem suíço recém draftado, conseguia oferecer números defensivos superiores ao badalado (e caro) pivô. A partir desse momento começou a peregrinação de Howard, antes conhecido por ganhar prêmio de defensor do ano seguidamente, à época desmoralizado pelas estatísticas avançadas. Depois, o Warriors destroçou Houston com a famosa “death lineup” – que ATÉ HOJE sustenta a família do Harrison Barnes – fazendo com que Capela fosse extremamente exposto.

Até esse momento, o ataque do Rockets era baseado correr loucamente, pegar defesas desprevenidas e distribuir arremessos para alas arremessadores e pontes aéreas para Capela, até que as estatísticas avançadas atacaram novamente e evidenciaram que o Rockets conseguiria melhor aproveitamento simplesmente deixando James Harden e Chris Paul fazerem isolações. Desde que Harden virou menos armador e mais pontuador, assim como seu parceiro de armação (Chris Paul em outrora, Russell Westbrook agora), seu número de assistências caiu de 11.2 em 2016-17 para 7.2 na temporada atual.

O Rockets entrou em um dilema: o contrato de Capela é 17 milhões anuais, o time está acima do “teto de luxo”, em que se paga multa maior por estar acima do teto salarial, e o time já percebeu que não vai melhorar com um pivô de estilo defensivo e que só pontua debaixo da cesta. Então, trocou por um dos melhores alas que recebem o selo “3 and D” (bolas de 3 e defesa), com arremessos de 3 consistentes e o currículo de ter chegado até ao time de melhores defensores da liga.

Covington é exatamente o protótipo de jogador que se forem criados 4 clones idênticos dele, todos serão focos do Rockets. Com sua chegada e saída de Clint Capela, veremos o projeto P.J. Tucker levando porrada todos os dias de pivôs diferentes, além de muito James Harden defendendo garrafão. O Rockets deve seguir a linha defensiva de se manter numa zona para evitar que a bola chegue nos pivôs, e isso deve ser potencializado por bons defensores físicos e coletivos. Será uma tarefa árdua tentar reduzir os danos de enfrentar Gobert, Davis, Jokic e Porzingis nos playoffs, mas é o preço que se paga. Além de tudo, Covington permitiu que o Rockets ficasse abaixo do teto de luxo, nada mal para um time que vem pagando multas ano após ano.

  • Utah Jazz
    Nota: 7,5
    Manu Gavassi deu ao BBB 20 nuances de A Fazenda. Expõe em sua passagem na casa mais vigiada do Brasil uma postura madura e conciliadora, sabendo que sua imagem fora da casa vai ser evidenciada, mas não tem chance de ganhar o título.

Trocas:
– Dante Exum, 2nd SA ‘22, 2nd GS ‘23 por Jordan Clarkson

Era esperado que o Jazz viesse para essa temporada como um dos times mais sólidos, mas as trocas de Ricky Rubio e Jae Crowder, para a surpresa de muitos, fez o time cambalear no início. Mike Conley demorou a se integrar com o elenco, diferentemente de Bojan Bogdanovic, que chegou como uma válvula de escape em um ataque que dependia muito de bons dias de Rubio somados à contribuição de Donovan Mitchell.

A troca feita pelo Jazz enterrou o projeto Dante Exum, tão longo e tão interrompido por lesões, e trouxe um pontuador criticado por todo lugar que surgiu. Não por mim. Sou fanboy assumido do Jordan Clarkson e fiquei muito feliz pela troca feita no final de dezembro. Nos primeiros 10 jogos de Clarkson, o Jazz engatou 10 vitórias seguidas.

Um time tão enxuto e sem tantas reposições como o Jazz precisava exatamente de um jogador que pudesse servir como catalisador no banco de reservas, jogando em alguns minutos com os titulares. Clarkson é um ball handler que comanda um quinteto, mas também pode jogar sem a bola. O valor adquirido pelo Jazz foi muito bom.

Desde a chegada de Clarkson, o Jazz tem 14 vitórias e 6 derrotas, sendo 5 seguidas para times do mesmo nível ou superiores. É um momento difícil, mas quem conseguiu 14-1 em 15 jogos pode dar a volta por cima.

  • Dallas Mavericks
    Nota: 7
    Gabi Martins tem seus laços com a deadline do Mavericks por não ter mostrado pra que veio nem se comprometeu muito, mas seguiu os seus anseios, aproveitou as oportunidades que lhe foram oferecidas.

Trocas:
– 2nd UTA 20 por Willie Cauley-Stein

Não tem como falar de Dallas Mavericks sem falar de Mark Cuban. O excêntrico dono da franquia texana viu sua franquia adquirir a coisa que ele mais ama: um pivô. Cuban ressaltou em vários momentos e em várias equipes montadas pelo Mavericks que sempre faltou um pivô. Foi assim tentando arranjar jogadores ano após ano para colocar ao lado de Dirk Nowitzki.

Falando de pivô em Dallas, é um momento de se lembrar a incrível saga em que DeAndre Jordan aceitou assinar um contrato longo pelo time, mas foi SEQUESTRADO em sua própria casa por Blake Griffin e pessoas ligadas pelo Los Angeles Clippers, que o compeliram a renovar por mais anos, até que, finalmente, no fim de seu contrato, terminou em Dallas, mas só pra ser trocado um ano depois pelo Kristaps Porzingis.

O movimento do Mavericks não é mais do que uma reação. Cauley-Stein é um ótimo pivô que não conseguiu o contrato que queria e terminou indo pro Warriors por um contrato de um ano para mostrar seu basquete. As lesões o impediram de mostrar mais, mas o amor de Dallas por pivôs e a necessidade depois da lesão no tendão de Aquiles de Dwight Powell fizeram com que a troca fosse feita.

A vinda de Cauley-Stein para Dallas resolve um problema e dá a oportunidade ao pivô de mostrar serviço junto aos principais jogadores do time. Se ele mostrar ser mais que um pivô que corre e enterra, essa troca que resolve problema no meio da temporada pode se tornar um casamento duradouro.

  • Philadelphia 76ers
    Nota: 2
    Lucas Chumbo chegou como um cara legal, parecia que ia ser popular, coisa e tal. Tomou decisões erradas, deu azar no caminho e suas decisões fizeram com que ele fosse eliminado antes da hora. Será que Elton Brand se inspirou nele?

Trocas:
– 2nd DAL 20, 2nd DEN 21, 2nd TOR 22 por Alec Burks e Glenn Robinson III
– Ennis por 2nd ORL

Eu não gosto da gestão de Elton Brand à frente do Philadelphia 76ers. Nessa época, no ano passado, escrevi o seguinte: “É, com certeza, o maior vencedor da deadline e o time que mais agregou valor durante essa temporada inteira”. Depois disso, o 76ers permitiu a saída de J.J. Redick e de Jimmy Butler, trouxe como compensação Josh Richardson e Al Horford. Com isso, criou o problema que tentou resolver com a troca que fez nessa deadline.

O impacto da saída de Redick foi sentido imediatamente nos primeiros meses da temporada. Sem um arremessador móvel, que cria espaço com e sem a bola, ficou muito mais exposta a dificuldade de usar Ben Simmons e Joel Embiid ao mesmo tempo. Eu sou um ferrenho defensor de que os dois podem jogar juntos, mas isso só pode acontecer caso a equipe tenha em quadra jogadores como Redick, que podem consertar uma jogada usando bloqueios para puxar marcação ou até receber pro arremesso.

Com o espaço deixado por Butler, o Sixers conseguiu trazer um bom jogador com bom contrato em Josh Richardson, mas que não consegue emular a capacidade de arremesso de Redick, e também conseguiu assinar com Al Horford. A vinda do porto-riquenho até agora não fez muito sentido dentro de quadra e muito se cogitou que ele fosse um dos trocados no dia limite, mas a troca não veio e o Sixers vai ter que dar um jeito de encaixar uma galera parecida demais, que não consegue estabelecer um encaixe perfeito.

Como alternativa, Elton Brand usa toda sua genialidade para trocar três escolhas de segunda rodada das milhões que Philadelphia acumulou durante os anos de reconstrução por dois dos destaques do interrompido por lesões Golden State Warriors da temporada atual. Alec Burks foi literalmente chutado do Utah Jazz, excluído da rotação do time da última temporada. Glenn Robinson III veio de uma discretíssima passagem pelo Detroit Pistons. Ambos tiveram chance no catadão do Warriors de jogar muitos minutos, acumularam estatísticas e enganaram o besta.

Se for para entrar em comparação com o que outros times fizeram, o Sixers poderia oferecer coisa parecida do que o Knicks recebeu por Marcus Morris, por exemplo. Mas, ao invés disso, preferiu dois ninguéns.

QUEM ESTÁ PENSANDO NO FUTURO

  • Minnesota Timberwolves
    Nota: 9
    Daniel foi pra casa de vidro, ficou pulando feito um doido, gritando feito um doido, correndo feito um doido. Entrou na casa, continuou feito um doido, rachou homens e mulheres e tornou tudo imprevisível. Quem chegou mudando tudo da mesma forma na NBA? Gersson Rosas dentro de Minnesota.

Trocas:
– Jeff Teague e Traveon Graham por Allen Crabbe
– Robert Covington, Jordan Bell, Keita Bates-Diop, Noah Vonleh, Shabazz Napier por Malik Beasley, Juancho Hernangomez, Evan Turner, Jarred Vanderbilt, 1st BKN ‘20
– Gorgui Dieng por James Johnson
– Andrew Wiggins, 1st MIN ‘21 (protegida de top 3), 2nd MIN ‘21 por D’Angelo Russell, Omari Spellman, Jacob Evans

O Wolves trocou NOVE jogadores. Os únicos dois jogadores que já estavam em Minnesota quando Gersson Rosas assumiu a equipe em maio de 2019 foram Karl-Anthony Towns e Josh Okogie. Não é segredo pra ninguém que sou torcedor do Wolves desde 2011, portanto devo me alongar um pouco mais, ainda mais falando do time que mais fez trocas na temporada.

A primeira coisa que deve ser mencionada é o fato de que o que aconteceu com o Wolves se deve muito pelo erro de ter contratado e conferido amplos poderes a Tom Thibodeau. O desenvolvimento dos jogadores foi interrompido, algumas trocas não deveriam ter acontecido, Minnesota foi pra mídia por coisas absurdas criadas pela loucura de Jimmy Butler. Há males que vêm para o bem. Aprendendo isso, o dono do Wolves contratou Gersson Rosas, colombiano, braço direito de Daryl Morey e ex-general manager do Rio Grande Valley Vipers (time do Rockets na G-League). Rosas trouxe com ele quadros que nem existiam em Minnesota, técnicos de desenvolvimento renomados, bons assistentes técnicos, nerds das estatísticas avançadas, e tudo mais que foi consagrado na boa gestão do Houston Rockets. Uma das grandes adições foi Sachin Gupta, o cérebro por trás das trocas malucas do Rockets. Se as trocas que o Wolves fez tem mentes por trás, a dele é uma delas.

Ryan Saunders foi efetivado como técnico de fato, com o experiente assistente David Vanterpool (ex-Portland Trail Blazers) ao seu lado, Pablo Prigioni e companhia limitada. Vale ressaltar que Saunders é filho do Flip Saunders, lendário técnico do Wolves da época do Kevin Garnett, que retornou para a franquia em 2013 e foi obrigado a se afastar por razão de um câncer que posteriormente ceifou sua vida. A família Saunders tem parte minoritária, portanto o técnico do Wolves também é um dos donos da franquia.

Na offseason, o Wolves tentou usar Karl-Anthony Towns como isca para atrair a assinatura de D’Angelo Russell. Tudo parecia se encaminhar para um acerto, mas a ida de Kevin Durant para o Nets viabilizou a renovação de Russell para uma sign-and-trade que permitiu que ele ganhasse milhões extras, fazendo com que ele fosse para o Golden State Warriors. Desde esse dia, era fato conhecido que o Wolves tentaria trazer Russell via troca. É parte de um esforço da franquia para manter e posteriormente renovar com Towns, trazendo um jogador de quem ele é amigo. Mas, essa troca vem depois. Vamos por partes.

O Wolves percebeu já no início da temporada que não funcionaria com um armador como Jeff Teague, então ele foi movido para o banco e tarefas de armação foram divididas entre Jarrett Culver e Andrew Wiggins. Com o espaço de Teague diminuindo aos poucos, uma troca resolveu esse imbróglio. Teague e Graham deram espaço para Allen Crabbe, que entra melhor no esquema de arremessos de fora montados pelo Wolves. Mas quem arma o time? Wiggins e Culver entraram em uma baixa tremenda. Napier vinha em ascensão.

Dias antes da deadline, com diversos rumores sobre a possível transferência de Robert Covington, se ventilou que o Wolves estaria juntando peças para uma troca que envolvesse Russell. Sempre ele. Conseguiram uma escolha da metade do próximo draft, Juancho Hernangomez e Malik Beasley para renovar em um ano em que ninguém vai ter dinheiro para concorrer e pagar mais do que eles merecem e dois complementos que não devem se manter em Evan Turner e Jarred Vanderbilt. Beasley é o tipo de jogador perfeito para parear com Russell (que conseguiram depois) e Towns pelo preço certo, pode se tornar um belo acerto a longo prazo.

Por fim, provavelmente a maior troca da deadline. A reunião de Kentucky em Minnesota. Sonho antigo e a cara do esquema que Rosas quer implantar, Russell chega no Wolves terminando a era Wiggins e iniciando, de fato, uma nova era. Com dois contratos máximos no elenco e já acima do teto de luxo, mas com vários contratos de expirante no elenco, Minnesota tem o desafio de montar uma equipe de role players para colocar ao lado das suas estrelas. Para isso, terá uma escolha de loteria e uma na metade do próximo draft, além do desenvolvimento interno e scouting que são característica da gestão atual.

De destaque negativo, fica a aposta com o Warriors da escolha de draft cedida no bom draft de 2021. Se o Wolves não for para os playoffs (e, conhecendo a franquia, é o mais provável que aconteça) e a escolha não cair pro top 3 na loteria, a escolha é do Warriors e o Wolves termina levando um baque no final do valor real da troca. Se der tudo certo, não vai fazer falta.

  • Atlanta Hawks
    Nota: 8,5
    Guilherme chegou sendo sincerão, honesto, fez o primeiro casal do BBB com Giselly e não compactuou com as loucuras dos difamados “machos escrotos” da casa, ganhando, assim, respeito do público. Comendo pelas beiradas, vai aproveitando os espaços para enriquecer seu jogo.

Trocas:
– Allen Crabbe por Jeff Teague e Traveon Graham
– Evan Turner, 1st BKN ‘20 por Clint Capela e Nenê
– Jabari Parker, Alex Len por Dewayne Dedmon, 2nd ‘20 e ‘21 SAC
– Dinheiro por Derrick Walton Jr
– 2nd protegida por Skal Labissiere

Trae Young é o tipo de jogador que todo time sonha em pegar no draft. Um talento capaz de comandar uma franquia no primeiro dia em que pisa na quadra. O futuro do Hawks. Sabendo que é só uma questão de tempo e de pontuais melhoras no elenco para que o talento de Young se transforme em vitórias sólidas, o Hawks apostou no que o mercado ofereceu.

A troca com Minnesota deu uma resposta ainda dentro dessa temporada para equilibrar a rotação. Na questão salarial, tanto fez como tanto faz, pois os três envolvidos são expirantes. Pulando pra falar de Capela depois, Atlanta fez uma das trocas mais subestimadas da deadline na minha opinião ao conseguir convencer Sacramento a enviar duas escolhas de segunda rodada e o utilíssimo Dewayne Dedmon pelos refugos Alex Len e Jabari Parker. Dedmon pode ajudar imediatamente nesse e no próximo ano e Atlanta só precisou enviar dois inúteis para a franquia mais disfuncional da NBA (afinal, o Knicks não conta). No final das contas, ainda conseguiu trazer Derrick Walton Jr, do Clippers, e Skal Labissiere, do Blazers, praticamente sem perder nenhum ativo.

A grande troca foi a vinda de Clint Capela. Por um salário bem honesto a preço de hoje na NBA, o Hawks conseguiu adicionar um pivô que vai ajudar a resolver os problemas de defesa de garrafão, ser um foco ofensivo no pick and roll com a estrela do time e tudo isso por preço de banana. O momento foi importantíssimo para que o Hawks conseguisse fechar uma troca por um expirante e uma escolha que hoje é a 16ª do próximo draft, que não é cotado entre os melhores. Basicamente, o Hawks teria a possibilidade de escolher um cara que poderia virar tão bom quanto Capela daqui a uns 4 ou 5 anos, e trocou isso em uma oportunidade de mercado que possibilitou que trouxessem Capela no seu auge físico e técnico.

A grande incógnita é saber como vai funcionar o sistema com John Collins e Clint Capela juntos, mas essa temporada mostrou que Collins vem desenvolvendo seu jogo de perímetro e pode ser um ala de força que tem capacidade de marcar jogadores altos ou baixos.

  • Cleveland Cavaliers
    Nota: 7, com ressalvas
    Pyong Lee foi escorraçado pelos brothers na primeira semana, enfiado no paredão e foi salvo pela prova Bate e Volta. Assim como o Cavs, foi chutado, desamado, esquecido, mas salvo pelo gongo. O gongo é uma renovação do Andre Drummond.

Trocas:
– Jordan Clarkson por Dante Exum, 2nd SA ‘22, 2nd GS ‘23
– John Henson, Brandon Knight, 2nd GS ‘23 por Andre Drummond

O Cleveland Cavaliers, time que LeBron James vai comprar assim que parar de jogar, vem passando por uma reformulação. E vai passar por uma reformulação. Até que o mundo acabe. Os únicos momentos em que Cleveland foi relevante nos últimos DEZESSETE anos foram os momentos em que LeBron James teve o sentimento de David Luiz de dar alegria a seu povo.

Com o fim da última era vencedora (da história) do Cavs, foi-se embora David Griffin e Koby Altman tomou o controle da franquia de Ohio. Altman pouco fez de forma ativa, reagiu mais a movimentos que faziam sentido para os times com quem trocou. Um dos fatos que provam isso é o fato de que no último draft não tinham certeza o que fazer com a 5ª escolha, até que draftaram Darius Garland por saber que o Wolves e alguns times acima tinham interesse nele, em até trocar por ele. No final, não conseguiu um negócio e ficou com Garland na mão, jogador da mesma posição de Collin Sexton, novato do ano anterior.

Outro movimento que mostra que o Cavaliers age mais de forma reativa do que de forma ativa é a primeira troca, que mandou Jordan Clarkson por Dante Exum e duas escolhas de segunda rodada bem ruins. Não piorou o time, também não melhorou. Faz muito mais sentido pro Jazz do que pro Cavaliers. Sentido é uma coisa que falta nos movimentos da franquia desde que LeBron pediu o boné e foi viver a vida maravilhosa de Los Angeles.

Pra calar minha boca e justificar a nota 7 que dei, no apagar das luzes conseguiram trocar dois pedaços de banana amassada, juntos com a pior escolha de draft que eu já vi na vida pelo Andre Drummond. Altman conseguiu trazer um pivô de nível de all-star por 2 mariolas com pouco açúcar. 2 copos de água daquele pequeno da Maratá.

O fato de que o Cavs vá ter a possibilidade de ter um ano do Drummond, caso ele opte por ficar, já vale mais do que qualquer coisa, avalie se conseguirem convencer o cara a ficar lá. Em Cleveland. No frio. Com um monte de perdedor… não que ele não esteja acostumado. Há de se ressaltar que ele pode reassinar, ir para qualquer outro time que possa pagá-lo ou simplesmente ficar por mais um ano por cerca de 25 milhões de dólares. Se eu fosse ele, ficaria, comeria a bola e aproveitaria uma temporada como agente livre em um ano em que todo mundo vai estar frustrado e cheio de dinheiro pra dar. Talvez tenha sido essa a aposta do Altman: fazê-lo ficar um ano e convencê-lo a reassinar, ou trocá-lo em sign-and-trade ganhando mais do que abriu mão para tê-lo.

Outro destaque importantíssimo de se falar sobre Cleveland é o fato de que Kevin Love não foi trocado, e eu sugiro à televisão que coloque uma câmera só nele até o fim da temporada para colher as reações dele nas sapatadas que o Cavs vai tomar e ele ter sido obrigado a ficar por lá. Não tê-lo trocado foi uma sacanagem imensurável por parte de Cleveland, depois dele ter integrado um elenco campeão e pedido de diversas formas e em diversas vezes para ser trocado. Da próxima vez, sugiro que emule o Eric Bledsoe e apenas tuíte “eu não quero estar aqui”.

  • Golden State Warriors
    Nota: 7
    Tiago Leifert saiu do esporte da Globo para dar um tempinho nesse lado da carreira. Agora, no entretenimento da mesma emissora, pode apenas observar de cima uma galera se estapeando em busca de um dinheiro (para a metáfora do Warriors, entenda como título… me ajude) que ele já tem.

Trocas:
– Willie Cauley-Stein por 2nd UTA 20
– Alec Burks e Glenn Robinson III por 2nd DAL ‘20, 2nd DEN ‘21, 2nd TOR ‘22
– D’Angelo Russell, Omari Spellman, Jacob Evans por Andrew Wiggins, 1st MIN ‘21 (protegida top 3), 2nd MIN ‘21

A saúde dos jogadores fez com que o Warriors fosse obrigado a tirar um ano sabático. Lembrou a todos o ano em que David Robinson e todo o San Antonio Spurs perdeu o ano todo com lesões e apenas ficaram tranquilinhos em casa até que, no ano seguinte, tivesse uma escolha de draft boa. Essa escolha foi Tim Duncan, maior jogador da história da franquia e um dos melhores e mais vencedores jogadores da história da NBA. O draft do ano que vem não tem nenhum Duncan, mas o Spurs dessa época também não tinha conseguido ganhar 73 jogos em uma temporada regular. É assim que o Warriors vem… para a próxima temporada.

Em outrora, quando a franquia acreditava que o jogador iria reassinar, mas mesmo assim ele iria para o mercado de agentes livres, se imaginava que em ato contínuo se iria perder o jogador por nada. Hoje não funciona assim na maioria dos casos. Na última temporada, tivemos o caso do Sixers perdendo Jimmy Butler, mas facilitando uma sign-and-trade com ele para que ele pudesse assinar por 5 anos com Miami, desde que houvesse alguma contrapartida, que no caso foi o Josh Richardson. O Warriors fez o mesmo com o Nets, time destino de Kevin Durant. Facilitou sua assinatura e pediu de volta D’Angelo Russell. Bom pro Russell, bom pro Durant, bom pro Nets, menos mau pro Warriors.

Desde o momento a assinatura, ninguém se iludiu com o fato de que o encaixe de Curry, Thompson e Russell daria certo. A coisa mais engraçada que acontece todo ano em alguma franquia diversa é quando dois armadores com nível de titular estão no mesmo time. Perguntam sempre ao técnico ou ao manager: “e aí?” e invariavelmente a resposta é que eles podem jogar juntos. Nunca jogam.

A lesão de Curry nem permitiu que, de fato, os dois tivessem tempo de ver se conseguiriam jogar juntos, mas a intenção também nunca foi essa. Bastava a proposta certa que Russell estaria fora de San Francisco. Eu, particularmente, achava que essa troca não aconteceria antes do fim da temporada atual, simplesmente pelo fato de que o Warriors poderia esperar um momento melhor, mas a proposta que o Wolves montou foi satisfatória o suficiente.

Andrew Wiggins tem um encaixe natural muito melhor com os principais jogadores do Warriors do que Russell tinha. Pode se beneficiar muito de um ambiente vencedor e sem muita pressão de culpa por resultados ruins, como era pra ele em Minnesota. Além disso, o encaixe tático permite que ele tenha espaços muito maiores do que tinha ao jogar ao lado dos dois maiores arremessadores da história da liga. Wiggins e Warriors pode ser um casamento longo e com muitas láureas.

Junto com Wiggins, o Warriors conseguiu uma escolha de primeira rodada em um dos drafts mais comentados dos últimos anos. O Wolves conseguiu encaixar uma proteção no top 3 para o caso de tudo dar errado, mas se isso ocorrer, o Wolves fica devendo a escolha do ano seguinte ao Warriors, sem nenhuma proteção. A aposta vale muito a pena, afinal Minnesota nem melhorou muito o próprio elenco nem tem muito pra onde crescer. No caso de dar muito certo pro Wolves, ainda é uma escolha de primeira rodada. É um seguro interessante. Pra quem poderia perder Durant por nada, Wiggins e uma escolha do Wolves é um belo de um retorno.

Para não deixar as outras trocas em branco, Bob Myers teve um belo de um acerto ao assaltar o 76ers pegando escolhas de segunda rodada em troca dos jogadores de aluguel que ele arrumou na rua pra completar o elenco desse ano. A nota 7 ficou pelo fato de que o Warriors talvez pudesse conseguir algo melhor no final da temporada, ou até parear Russell e a escolha top que terão na próxima temporada por um jogador com mais qualidade do que Wiggins.

  • Memphis Grizzlies
    Nota: 7
    O BBB precisava de influenciadores para fazer aquela parada dos Vips e da Pipoca. Devem ter tentado gente com força, mas, no final tiveram que se contentar com a regional Rafa Kalimann, ex-mulher do Israel e Rodolffo, que só o pessoal de Goiânia conhece (e eu também, porque, como diria minha amada noiva, sou “sertanejeiro”). E com esse espírito de NÃO TEM TU, VAI TU MERMO que o Grizzlies resolveu o imbróglio do Andre Iguodala.

Trocas:
– Iguodala, Crowder, Hill por Winslow, Waiters, Dieng
– Caboclo, 2nd por Bell, 2nd

Eu já vi a mídia dando furo de que algum jogador pediu para ser trocado. Já vi o próprio jogador pedir ou dar a entender que quer ser trocado publicamente, mas acho que é a primeira vez que um elenco inteiro mete pau em um jogador, pedem publicamente para que ele seja trocado e ainda fala que quer que enfrentá-lo ainda nesta temporada. Para quem está curioso, DÓI NO MEU CORAÇÃO dizer que não teremos Grizzlies e Heat se enfrentando outra vez.

Com a ausência de vontade por parte do Iguodala de dar uma moralzinha pro pessoal do Grizzlies, a única coisa que poderiam fazer era mandá-lo para algum lugar e conseguir uma compensação justa em troca. Entre ninguém e Justise Winslow, acredito que ninguém em sã consciência prefira a primeira opção. Winslow chega a Memphis com uma bagagem de quem já foi testado em várias posições e pode quebrar galho de várias formas. Além de tudo, um grande reforço até para o time titular, podendo ser colocado ao lado de Morant, Brooks, Jackson Jr e Clarke (ou Valanciunas, dependendo da timeline que você estiver norteando.

Outro ponto positivo é o fato de que o Grizzlies conseguiu adicionar dois valiosos contratos que expiram na próxima temporada. Por quê? Porque em anos que precedem uma classe muito forte de agente livres, como é o próximo, sobra muita oportunidade de mercado para times com estrelas ou bons jogadores com contratos longos – mas que não vão a lugar nenhum – que querem trocar esses jogadores por contratos que vão expirar, abrindo espaço salarial para o ano seguinte. Memphis não é grande atrativo para jogadores que estão sem contrato, então talvez essa seja uma forma criativa de trazer mais um ou dois jogadores de qualidade que possam ajudar a franquia a dar passos mais largos.

  • Denver Nuggets
    Nota: 5
    Mari Gonzalez, a Baianinha, chegou a ser uma das favoritas do público nos primeiros dias, mas seu desempenho nas tretas deixou os fãs perplexos. Seu desempenho daqui pra frente vai depender de muita coisa, mas é certo que ela poderia ter tomado outros caminhos. Igual ao Nuggets.

Trocas:
– Malik Beasley, Juancho Hernangomez, Jarred Vanderbilt por Gerald Green, Keita Bates-Diop, Jordan McRae, Noah Vonleh, 1st HOU ‘20

É um disparate o fato de que você teve que descer até aqui. O Nuggets deveria estar entre os compradores. O que aconteceu? A única explicação é medo de ser obrigado a pagar uma conta altíssima por manter Malik Beasley e Juancho Hernangomez. Mas será que será uma conta alta mesmo? É a primeira coisa que fica em aberto na troca que o Nuggets fez com Wolves, Rockets e Hawks.

Na minha opinião, quando se tem jogadores valiosos como Beasley e Hernangomez e o time está em uma situação como a do Nuggets, em que dá pra sonhar com voos altos na disputa dos playoffs, é a hora de juntar os ativos, jogadores da periferia da rotação e tudo mais que tiver direito e montar um pacote em busca de mais uma estrela. Muito se cogitou em uma tentativa do Denver Nuggets de trazer Jrue Holiday, mas ao que parece o Pelicans nem deu a oportunidade de chegar ao telefone.

Por que não uma investida em Bradley Beal, ou algum outro jogador de nível mais alto, que pudesse mudar o Nuggets de patamar. Não dá para entender. Na minha opinião, o Nuggets terminou por piorar a periferia de seu elenco, transformando jogadores que já eram habituados em um monte de reserva eterno. O melhor jogador das trocas do Nuggets é… o cara que saiu do Nuggets. Isso é coisa de time que sonha em vencer título? Estranho.

  • Portland Trail Blazers
    Nota: 5
    Babu Santana vive repetindo o mantra que precisa pagar os boletos, e é basicamente o que o Blazers estava pensando quando fez a troca um tempinho antes da deadline.

Trocas:
– Kent Bazemore, Anthony Tolliver e 2 2nds por Trevor Ariza, Wenyan Gabriel e Caleb Swanigan
– Skal Labissiere, cash por 2nd protegida

O Blazers começou a temporada implodindo metade do time. Não é segredo pra ninguém que entra ano e sai ano, mas a equipe de Portland não consegue um ganho realmente substancial para subir a franquia de patamar. O problema era mais profundo ainda, afinal, já estavam atolados acima do teto de luxo, pagando multas potencializadas.

O que fazer? Fazer trocas para diminuir salários. O Blazers conseguiu ficar apenas 5 milhões acima do teto de luxo (ainda é o time que paga mais na NBA), mas foi uma melhora nesse aspecto.

Em quadra, eu não esperava que fosse ser assim, mas o Blazers, que tem recorde negativo nesse momento, conseguiu engatar 5 vitórias e apenas 2 derrotas desde que essa troca foi feita. Trevor Ariza é parte importantíssima atualmente no elenco e, embora tenha se reforçado de dois veteranos em Ariza e Melo, o Blazers começou a dar um caldo.

Não acho que essa sequência tenha uma relação direta de causa e efeito com a troca que trouxe Ariza, mas sim com os números descomunais do Damian Lillard no final do mês de janeiro e início de fevereiro. Apesar disso, a troca ajudou ao menos como ponto de partida para uma sequência em que Portland brigará com Memphis, San Antonio e New Orleans pela oitava vaga do Oeste.

QUEM, COMO SEMPRE, FOI MAL

  • Sacramento Kings
    Nota: 2,5
    Victor Hugo é irrelevante igual ao Kings. É esse o tweet.

Trocas:
– Trevor Ariza, Wenyan Gabriel e Caleb Swanigan por Kent Bazemore, Anthony Toliver e 2 2nds
– Dewayne Dedmon, 2nd SAC ‘20 e ‘21 por Jabari Parker e Alex Len

Como sempre, não dá pra entender qual é a intenção do Kings. Não moveu as peças que teriam bom valor de troca, como Bjelica ou Bogdanovic. Ao mesmo tempo, trouxe porcarias, como Jabari Parker, que vai virar o melhor amigo do Harrison Barnes. Ambos não servem para nada além de roubar dinheiro do Vivek Ranadive.

O Kings tem uma das piores front offices da NBA, liderada pelo Vlade Divac. O mais engraçado é que o dono também é complemente fora da casinha, então provavelmente nem percebe que Divac não tem capacidade para gerir uma franquia. Pro leitor se situar: quando Ranadive era um dos donos do Warriors, ele era favorável a uma troca de Stephen Curry, pelo fato de que um futuro com Monta Ellis seria mais brilhante.

  • New York Knicks
    Nota: 2,5
    Hadson, ex-goleiro do Corinthians, demonstrou seu machismo e idiotice, se tornando o mais odiado pelo público. Tipo o Knicks, que é odiado e eliminado todo ano.

Trocas;
– Morris por Harkless, 1st LAC ‘20, 2nd DET ‘20

Nosso queridíssimo Knickão mais uma vez decepcionou seus adeptos e fez a alegria dos haters. No começo da semana da deadline, contrariando toda a noção de bom senso, demitiu Steve Mills, gestor da franquia. Scott Perry, seu braço direito, assumiu o posto. Tipo quando o Fábio Carille assumiu o Corinthians do Tite, ou o Odair Hellmann virou técnico do Inter. Trocou 6 por meia dúzia e terminou trocando apenas um jogador por um valor extremamente duvidoso.

O Knicks conversou com Lakers e Clippers para enviar Marcus Morris, (único) destaque da franquia novaiorquina nessa temporada. O Lakers se recusou a enviar Kyle Kuzma nos termos do Knicks, então sobrou pro Clippers levar a melhor. O que intriga é o fato de que Morris talvez valesse mais, era possível que o Knicks pudesse descolar algum jogador jovem ou até algum contrato maior, não o expirante contrato de Moe Harkless.

A escolha conseguida pelo Knicks vai estar entre 25ª e 30ª, em um draft que dizem ser ruim. Valeu a pena assinar com Morris e trocar por um quilo de limão taiti? Melancólico.

  • Detroit Pistons
    Nota: 0
    Petrix foi eliminado por mais de 80% dos votos em um paredão quádruplo, e isso porque Hadson estava envolvido. Ambos somaram 99% dos votos. Esse é o tamanho do ódio do Brasil por Knicks e Pistons.

O Pistons poderia fazer várias coisas. Esperar a offseason, para ver se Drummond optava por se manter no contrato, oferecer uma renovação a ele para trocar no futuro, pedir uma sign-and-trade no momento em que ele decidisse sair da franquia. Qualquer coisa. Podia usar o fato de que quase ninguém está abaixo do teto salarial na próxima temporada para apostar em mantê-lo.

Nem tudo são flores. Decidiram trocar o melhor jogador que draftaram nos últimos um trilhão de anos POR NINGUÉM. NINGUÉM. Aliás, por ninguém não. Pelo jogador coadjuvante da enterrada mais humilhante que eu já vi na minha vida, que foi do DeAndre Jordan na cabeça do Brandon Knight. E ele nem entrar em quadra vai.

O Pistons tem um dono horrível, um interventor que a NBA designou para a franquia que é HORRÍVEL e está fadado ao fracasso.

MENÇÕES HONROSAS

  • Los Angeles Lakers

O time do LeBron tinha tudo para trocar Kyle Kuzma por algo que fosse melhorar o time de alguma forma, mas preferiu segurar o atleta. Kuzma e Davis juntos com LeBron fora de quadra acumulam um net rating de -17. Nos playoffs, Davis vai jogar quase 40 minutos por jogo. Foi prudente ter mantido Kuzma no elenco enquanto ele tinha valor?

  • Washington Wizards

O time da capital trocou Jordan McRae por Shabazz Napier, se livrou de Isaiah Thomas, que não era um jogador que teria futuro na franquia, e trouxe Jerome Robinson. Uma deadline apagada, mas sem erros pro Wizards.

  • Boston Celtics

Muito se falou que o Celtics buscaria pivôs mais qualificados. Tristan Thompson, Steven Adams, vários nomes apareceram como possíveis focos de Danny Ainge. Nenhum deles se concretizou e Boston fecha a deadline sem negócios. Em time que tá ganhando não se mexe.

  • New Orleans Pelicans

Teve momento da temporada em que parecia que tudo iria ruir, rumores bombando baseados principalmente em Redick e Holiday. No final das contas, David Griffin preferiu apostar nas vitórias e manter o elenco. O time do Zion vai pra um fim de temporada com calendário fácil, mas muitos jogos atrás da 8ª vaga do Oeste.

  • San Antonio Spurs

Seguindo tradição, a franquia de Pop e Buford não fez gracinha na deadline. Proposta por DeMar DeRozan não faltou, mas o Spurs continua firme na busca do 2084º playoff seguido.

  • Chicago Bulls

Muito se ventilou que Thaddeus Young pudesse ser movido para algum contender, mas também não aconteceu. Chicago quieto na deadline.

  • Phoenix Suns

Se falou do Suns na posição de comprador, buscando Luke Kennard. Assim como também surgiu boato do Suns na posição de vendedor, oferecendo Kelly Oubre Jr. Nenhum dos dois tipos de negócio se concretizou.


Gostou? Sentiu falta de algum time ou algum comentário? Vai no @zonaketchup, vamos conversar!

Agradecimentos a minha namorada Carol e nossas amigas Bianca, Larissa, Rafaella, Raquel pela assessoria para relacionar cada time da NBA com um BBB específico. Sozinho eu cometeria algum tipo de injustiça, com certeza.

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