Defesa, Varejão e experiência a jovens: as preocupações de Petrovic para a seleção

Luís Araújo

Enquanto Paulistano e Flamengo se enfrentavam em São Paulo pelo NBB, o novo técnico da seleção brasileira masculina acompanhava atentamente do lado de fora. Esse tipo de situação deverá se repetir bastante ao longo da temporada com Aleksandar Petrovic, em meio a um processo de assimilar a maior quantidade de informações possível sobre os atletas que atuam dentro do país para aumentar o leque de convocáveis.

“Sei muita coisa sobre o basquete brasileiro de maneira geral, mas nos próximos meses eu vou assistir a mais e mais jogos para poder colocar mais nomes na lista de convocados a partir da segunda janela das Eliminatórias para o Mundial”, disse Petrovic, que conversou com o Triple-Double no intervalo do duelo entre Paulistano e Flamengo.

A caminhada rumo a uma vaga no Mundial de 2019 começa para o Brasil já neste fim de mês de novembro com uma partida contra o Chile fora de cada e outra diante da Venezuela no Rio de Janeiro. A Colômbia é a outra seleção que faz parte deste grupo, um dos quatro das Eliminatórias das Américas. Os três melhores de cada chave avançam para a segunda fase.

Em seguida, esses 12 sobreviventes se dividem em dois outros grupos. Os três primeiros colocados destas novas chaves garantem classificação. E a sétima vaga será decidida entre em um confronto entre as seleções que ficarem em quarto lugar em cada um destes dois novos grupos.

“Eu espero que a gente se classifique sem muitos problemas para o Mundial, mas neste meio tempo, principalmente antes da estreia, nós vamos nos preparar do jeito que der”, comentou Petrovic. “Em três dias é muito difícil fazer muitas coisas, mas depois teremos tempo para trabalhar bastante até o Mundial da China”, completou, referindo-se ao período que terá para trabalhar com o grupo antes da estreia nas Eliminatórias.

O tempo é curto neste começo de caminhada, mas ele já sabe por onde começar. “Não tenho muitos treinos para desenvolver várias coisas em termos ofensivos neste momento, mas vamos tentar usar essas atividades antes da estreia para colocar mais intensidade na defesa e tentar fazer as coisas funcionarem a partir daí”, explicou.

Ao comentar sobre a meta de estabelecer um sistema defensivo mais intenso e eficiente, principalmente para reagir ao “pick and roll”, o comandante da seleção brasileira citou dois nomes como peças fundamentais para o que pretende colocar em prática: Augusto Lima e Anderson Varejão. O primeiro pediu dispensa para resolver problemas pessoais e não participará dos dois primeiros compromissos das Eliminatórias. Mas o outro estará à disposição do treinador e conta com a confiança total dele, mesmo estando sem time há alguns meses.

“O Varejão está bem, tem treinado muito”, disse Petrovic. “É claro que ele anda meio fora de ritmo de jogo, mas pelas características dele, não interessa tanto se os chutes estão caindo ou não. O importante mesmo é estar em um bom condicionamento físico, o que é o caso. Ele está muito bem neste sentido.”

Além desta recuperação de Varejão e da fixação por um entrosamento defensivo o mais rápido possível, o técnico da seleção falou de mais dois objetivos para se colocar em prática com o passar do tempo. Um deles é o de colocar os jogadores nas melhores regiões da quadra, o que passa por um alto grau de conhecimento das características dos atletas à disposição para saber onde e em quais situações de fato eles podem produzir melhor. A outra passa pela lapidação de jovens.

Já consta nesta convocação para a primeira janela das Eliminatórias o nome de Yago, armador do Paulistano que tem 18 anos e está só em sua segunda temporada como profissional. Não demorou para que o técnico se encantasse, mesmo tendo assumido o cargo na seleção brasileira há pouco tempo. “Estou muito satisfeito com esse garoto. Ele não joga muitos minutos. Mas quando joga, vejo coisas muito boas”, comentou.

Mas a ideia para o médio e longo prazo é que isso seja só o começo e que mais e mais jovens possam acompanhar Yago. “Tenho um plano para julho que consiste em colocar 15 ou 16 jogadores entre 18 e 24 anos para disputar alguns jogos internacionais. Assim, eles ganham rodagem e confiança neste tipo de situação”, afirmou Petrovic.

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