A diversão de JaVale McGee

Luís Araújo

JaVale McGee foi a única mudança que o técnico Steve Kerr fez no quinteto inicial do Golden State Warriors para o Jogo 2 das finais da NBA. Se na primeira partida o pivô tinha atuado por apenas seis minutos, desta vez recebeu 17. Saiu de quadra com 12 pontos e aproveitamento de 100% nas seis finalizações que tentou, além de dois rebotes, um toco e a sensação de ter vivido uma noite realmente especial na carreira.

“Foi incrível. Foi muito divertido, mais do que qualquer coisa. Foi a maior diversão que já tive no basquete”, disse McGee. “Ninguém está focado em você. Os adversários estão preocupados com Draymond Green encontrando jogadores com espaço e dando assistência para todo mundo. Estão preocupados com Klay Thompson, Kevin Durant e Steph Curry pontuando. E isso tudo torna as coisas muito mais fáceis para mim”, completou.

McGee tem um anel de campeão para chamar de seu. Ele fez parte da campanha do título da temporada passada, mas só somou 22 minutos ao longo das cinco partidas das finais de 2017, sendo a maior parte disso em trechos de jogos já definidos. Número que ele já superou nos dois primeiros confrontos da decisão deste ano, o que foi resultado de algumas coisas que Kerr observou no duelo anterior.

“Queria mais pontuação por parte de quem estivesse nesta posição do nosso time”, explicou o treinador. “JaVale é explosivo demais. E só pela maneira como corre a quadra já nos oferece um bom ritmo de jogo. Nos dá energia também. Acredito que fez um ótimo trabalho”.

Alguns lances em especial mostram muito bem o impacto de McGee para o ataque do Warriors a partir de algumas fragilidades gritantes que o Cavs tem apresentado na defesa ao longo da série. Um deles aconteceu logo na primeira posse de bola do confronto.

McGee correu na direção de JR Smith e fez um falso bloqueio, o que foi suficiente para fazer a marcação bater cabeça no lance. Kevin Love tentou se adiantar para dar o bote em Stephen Curry, enquanto Smith ficou completamente perdido, sem saber para onde ir. Resultado: McGee foi acionado livre dentro do garrafão e teve toda a tranquilidade do mundo para enterrar.

As tentativas de bloqueios sem trocas do Cavs são realmente um problema. São em jogadas assim — e também nas ações de Steph Curry a partir de um “mismatch”, que serão analisadas por aqui em um outro momento — que o ataque do Warriors consegue abrir espaço com maior facilidade.

Um outro exemplo disso pode ser observado a seguir. Curry entregou a bola nas mãos de Durant e correu em direção a onde o companheiro estava. Nem houve bloqueio, mas foi uma movimentação que bastou para complicar as tomadas de decisão dos defensores do Cavs. Por imaginar que deveria trocar a marcação e ficar em cima de Curry, Smith não acompanhou Durant. Só que Thompson escolheu fazer outra coisa: não fazer a troca e continuar perseguindo Curry. Aí Durant entrou livre no garrafão, atraiu a ajuda de Kevin Love e soltou para McGee enterrar sozinho.

Os melhores momentos defensivos do Cavs nesta série têm sido quando as trocas são bem executadas, sem que nenhum dos envolvidos nos bloqueios — ou nas ameaças de bloqueios — se perca pelo caminho e tome uma decisão errada. Acontece que até mesmo nestas horas o Warriors tem recursos para tirar proveito, e McGee se mostrou uma boa ferramenta para isso.

Neste lance a seguir, os defensores do Cavs trocaram a marcação a cada bloqueio sem bola que foi feito enquanto Durant armava o jogo. Assim que cruzou a quadra recebendo um bloqueio de McGee, Thompson passou a ser acompanhado por Kevin Love no perímetro e não teve tanto espaço assim para ser acionado. Enquanto isso, George Hill grudou em McGee dentro do garrafão. Mas aí bastou um passe pelo alto para que o pivô explorasse a vantagem de estatura para colocar a bola dentro da cesta.

Depois de praticamente não ter participado da série contra o Houston Rockets, McGee deixou bem claro neste Jogo 2 da decisão o quanto pode ser útil como o “quinto elemento” do Warriors em quadra, ao lado dos outros quatro astros do time. A defesa do Cavs até vem fazendo um bom trabalho no combate das linhas de passe e em alguns confrontos individuais. Mas enquanto ela continuar batendo cabeça na hora de encarar o “pick and roll” ou cedendo espaços perto da cesta após os bloqueios falsos do ataque rival, a ideia de utilizar McGee por mais minutos continuará fazendo sentido.

Tags: , , ,

COMPARTILHE