É hora de conferir as previsões feitas antes da temporada 2017/18 da NBA

Luís Araújo

No começo da temporada, logo na primeira semana, foi publicado por aqui o já tradicional texto com um apanhado de previsões para o que aconteceria ao longo da competição. O aviso foi dado: alguns chutes tiveram um pouco mais de consciência, mas outros foram tiros completamente no escuro. Então agora é hora de resgatar isso tudo e ver se teve algum acerto.


Previsões aleatórias

Jaylen Brown terá mais de 18 pontos por jogo

Em seu segundo ano de carreira, Brown realmente sustentou uma postura bem mais agressiva em relação à temporada de estreia, algo que ele deu pinta que faria depois da lesão de Gordon Hayward logo na partida de estreia do campeonato. O ala foi o segundo jogador do elenco do Celtics que mais deu arremessos por partida e foi também o segundo cestinha, atrás só de Kyrie Irving em ambos os casos.

Só que essa média de pontos não foi de 18,0 por jogo. Foi de 14,3. Um salto considerável em relação à temporada de estreia, claro. Mas ainda faltou um bocado para alcançar naquela previsão dada no começo do campeonato.

Também é interessante destacar que outros seis jogadores do Celtics, além de Brown e Irving, também tiveram média de pontos por jogo de dois dígitos: Jayson Tatum (13,9), Marcus Morris (13,7), Al Horford (12,9), Terry Rozier (11,3), Greg Monroe (10,3) e Marcus Smart (10,2).

Dois novatos ficarão entre os dez primeiros em assistências por jogo

A aposta era Ben Simmons e Dennis Smith Jr, sob o argumento de que dava para imaginar ambos conseguindo distribuir pelo menos 7,0 assistências por jogo. Esse número não foi aleatório. É que tinha sido exatamente essa a média de Kyle Lowry, do Toronto Raptors, o décimo em assistências por partida no ano anterior.

Nesta temporada, o décimo colocado no ranking de assistências foi Spencer Dinwiddie, com 6,6 por jogo. E entre os nove jogadores que tiveram número superior ao do armador do Brooklyn Nets, só um novato apareceu: Ben Simmons, com média de 8,2 por partida. Já Smith teve 5,2 assistências por confronto nesta primeira temporada na NBA.

Na verdade, teve um outro calouro que conseguiu média superior à de Dinwiddie e que poderia entrar neste Top 10: Lonzo Ball, com 7,2 assistências por duelo. Mas as estatísticas oficiais da NBA não o consideram neste ranking porque ele participou de menos 70% dos jogos da sua equipe — seriam necessárias 58 atuações, e o armador do Los Angeles Lakers só teve 52.

De qualquer maneira, ainda que Ball fosse levado em consideração, a previsão teria sido furada. Já que ficou bem claro no palpite no começo da temporada que a aposta seria em Ben Simmons e também em Dennis Smith Jr.

Jonathan Isaac entrará para o segundo time de novatos

Uau, esse chute passou longe demais, hein? Os times de novatos serão anunciados só ao final da temporada, mas não tem a menor chance de isso acontecer. Isaac sofreu um bocado com lesões no tornozelo e foi limitado a apenas 27 atuações neste primeiro ano como profissional.

O ala do Magic, portanto, continua sendo um enigma. Recentemente, Rick Carlisle, técnico do Dallas Mavericks, chegou até a declarar que Isaac lembra um pouco Kevin Garnett. “Existem algumas semelhanças entre os dois com relação ao porte físico, estilo de jogo e a técnica para fazer os arremessos”, declarou.

Vamos ver a partir da próxima temporada. Se o tornozelo deixar, claro.

A lanterna do Leste ficará com o Hawks

Finalmente um chute certeiro. O Orlando Magic bem que tentou. Fez um esforço gigantesco para ser pior do que todo mundo no Leste depois de um ótimo começo de temporada, em que deu sinais de que poderia abocanhar uma vaga nos playoffs. Mas o Hawks levou a melhor nesta disputa por uma posição melhor na loteria do Draft.

As 24 vitórias e 58 derrotas representam a pior campanha da franquia desde 2004/05, quando o time venceu só 13 vezes. E foi um episódio que não traz memórias muito animadoras para os torcedores, não. Afinal de contas, com a segunda escolha que teve no Draft de 2005, o Hawks selecionou Marvin Williams. Não que ele tenha sido um fiasco, mas o sentimento de frustração acaba sendo inevitável diante da lembrança que Deron Williams e Chris Paul foram escolhidos logo em seguida.

O Timberwolves terá uma das dez melhores defesas

Não rolou. Dava para imaginar uma melhora neste sistema defensivo com mais um ano de trabalho de Tom Thibodeau e com as chegadas de Jimmy Butler e Taj Gibson, conhecidos do treinador dos tempos de Chicago Bulls. Em determinado momento da temporada, o Timberwolves até deu alguns sinais de que emplacaria uma boa  defesa, mas não passou de um flash incapaz de se sustentar — sobretudo depois da lesão de Butler.

A média de pontos sofridos pela equipe a cada 100 posses de bola foi de 108,4. O que representa a oitava pior eficiência defensiva da temporada — superado apenas Brooklyn Nets, New York Knicks, Denver Nuggets, Chicago Bulls, Sacramento Kings, Cleveland Cavaliers e Phoenix Suns.

Jimmy Butler terá um jogo de mais de 50 pontos

A aposta é que isso aconteceria contra o Chicago Bulls, no ginásio em que jogava até a temporada passada. Butler até teve grande atuação em sua visita ao ex-time. Foram 38 pontos, além de sete rebotes, cinco assistências e quatro roubos de bola. Mas faltaram 12 pontos para os 50. E o Timberwolves ainda perdeu aquele confronto.

A melhor marca dele na temporada foi 39 pontos, registrados contra o Denver Nuggets em dezembro. Do elenco do Timberwolves, quem alcançou a cada dos 50 pontos foi Karl-Anthony Towns, que estabeleceu um novo recorde histórico da franquia com os 56 que anotou diante do Atlanta Hawks.

O Phoenix Suns será o lanterna do Oeste

Outro palpite certeiro. A série de 15 derrotas consecutivas na reta final de temporada foi para espantar de vez qualquer outro time no Oeste que tinha planos de ficar com essa lanterna aí.

No fim das contas, foram só 21 vitórias em 82 jogos. Foi a segunda pior campanha da franquia em todos os tempos, superando apenas a de 16 triunfos em 1968/69, no ano de estreia do Suns na NBA. Pelo menos isso vai render chances maiores do que qualquer outra equipe de vencer a loteria do Draft. Resta saber se as bolinhas no sorteio serão camaradas.

O Pelicans não vai para os playoffs

Errado. Mesmo sem DeMarcus Cousins desde fevereiro, o Pelicans conseguiu se manter entre os oito melhores do Oeste e garantiu vaga nos playoffs depois de dois anos de ausência. Graças a Anthony Davis.

A previsão por aqui no começo da temporada dizia que Davis e Cousins até funcionariam melhor juntos, mas que ainda assim não seria o bastante para o time se classificar. Os dois realmente formaram uma parceria muito mais afinada do que na temporada anterior, mas aí Cousins se machucou bem no momento em que o Pelicans dava sinais de que poderia se tornar realmente interessante.

Neste momento, fazia todo sentido não acreditar nas chances de vaga nos playoffs, ainda mais porque a concorrência na conferência já se desenhava extremamente ferrenha. Só que esqueceram de combinar isso com Davis, que deu um jeito de compensar a ausência de Cousins enfileirando algumas das melhores atuações da vida. É justo dizer que o Pelicans se mexeu rápido e fez uma troca com o Chicago Bulls para buscar Nikola Mirotic, que teve lá sua utilidade ao novo time. Jrue Holiday também foi peça importante nesta história. Mas não tem jeito: a grande história por trás desta classificação foi o nível altíssimo apresentado por Davis.

O Thunder ficará em segundo no Oeste

Mais um chute que passou longe demais. Não só porque o Thunder ficou longe do topo da conferência durante praticamente toda a temporada, mas também porque o palpite colocava o Houston Rockets fora das duas primeiras colocações. Uma furada dupla, portanto.

Enquanto o Rockets passou — por muito — das 60 vitórias e fez a melhor campanha de sua história, o Thunder teve dificuldades para encontrar o melhor encaixe durante toda a temporada e intercalou altos e baixos demais. A lesão no meio do caminho de Andre Roberson só complicou ainda mais as coisas. Tudo bem, ele não sabe arremessar, mas tinha um impacto gigantesco no sistema defensivo, que era uma das forças da equipe e que caiu consideravelmente de rendimento depois disso.

O Warriors não vai ganhar 70 vezes

Os campeões não chegaram nem a 60 vitórias, algo que ainda não tinha acontecido desde a chegada de Steve Kerr à franquia. O foco, por vezes, foi um problema. Algo que já era de se esperar em uma equipe que vinha de três decisões consecutivas. Mas o maior obstáculo mesmo foi a série de lesões nas principais peças do elenco. Algo que ainda incomoda, já que Stephen Curry continua se recuperando de uma contusão no tornozelo e será desfalque por toda a primeira rodada dos playoffs.

Nick Young terá o melhor ano da carreira

A previsão dizia que Young dificilmente bateria os 17 pontos por jogo, coisa que chegou a fazer em duas temporadas na carreira em que teve mais de 30 minutos por partida. E também que a média a cada 36 minutos não alcançaria a de 2014, que foi de 22,8 pontos. Mas o palpite sobre esse ser o melhor ano da carreira dele passava pelo índice de eficiência nos arremessos.

Não foi o que aconteceu. O índice de Young nesta estatística foi de 53,8%, o segundo maior da carreira até hoje — atrás dos 56,4% registrados na temporada anterior. Isso passa, em grande parte, pela queda no aproveitamento em bolas de três. Depois de acertar 40,4% de duas tentativas em seu último ano no Lakers, o ala-armador teve 37,7% de rendimento pelo Warriors.

O Thunder vai vencer o Warriors

A previsão era de que isso aconteceria pelo menos uma vez ao longo da temporada regular. Dito e feito. O Thunder, na verdade, ganhou dois dos quatro confrontos que fez com o Warriors. Mas nenhuma destas vitórias teve triplo-duplo de Russell Westbrook — algo que apareceu na previsão por aqui da época.

Teremos a mesma final pelo quarto ano seguido

Ainda não dá para saber. É perfeitamente possível que isso aconteça. Mas o sentimento às vésperas dos playoffs é que as estradas de Warriors e Cavs até um novo encontro na final serão muito mais desafiadoras do que vimos no ano passado. Não seria absurdo o Houston Rockets engrossar as coisas contra os atuais campeões e até vencer o Oeste, principalmente pelo mando de quadra. E no Leste, não seria exagero afirmar que esta é a vez em que o reinado de LeBron James se encontra mais ameaçado desde 2011.

Prêmios individuais

MVP: Kawhi Leonard (San Antonio Spurs)

Os prêmios individuais só serão anunciados ao final da temporada, naquela cerimônia que a NBA inventou e resolveu colocar no mês de junho. A tendência é que James Harden enfim leve o troféu, depois de bater na trave nos dois anos anteriores. Mas ainda que tenha alguma zebra, essa surpresa não será Kawhi Leonard de jeito nenhum. Uma lesão na perna direita o limitou a apenas nove jogos disputados.

Melhor defensor: Rudy Gobert (Utah Jazz)

Esse chute tem boas chances de dar certo. O Utah Jazz teve uma das três defesas mais eficientes da temporada, ao lado de Boston Celtics e Philadelphia 76ers. Mas se for considerado apenas os jogos realizados após o “All-Star Game”, não teve para ninguém: o time de Salt Lake City teve de longe a melhor defesa da NBA neste período, segurando seus oponentes em uma média de 95,7 pontos a cada 100 posses de bola. Essa evolução não é coincidência. O Jazz virou um outro time — muito mais poderoso e consistente — depois que Gobert superou de vez as lesões. O impacto dele para o sucesso desta defesa é enorme.

Melhor reserva: Kelly Olynyk (Miami Heat)

Ele realmente foi muito útil para Erik Spoelstra em vários momentos ao longo da temporada. Não foi raro vê-lo terminando os jogos, deixando Hassan Whiteside cuspindo marimbondos de raiva no banco de reservas. Mas é difícil que ele desbanque Lou Williams, que teve a melhor temporada da carreira, foi o maior responsável por manter o Los Angeles Clippers vivo por tanto tempo na briga por playoffs, teve sua participação no “All-Star Game” defendida por muita gente e que começou jogando só em 19 oportunidades. É o favoritaço para ganhar, mais uma vez, esse prêmio de melhor reserva.

Melhor técnico: Brad Stevens (Boston Celtics)

É um nome forte na briga por esse prêmio, sem dúvida nenhuma. Afinal de contas, os problemas com lesões do Celtics não deram um tempo depois que Gordon Hayward quebrou a perna logo no primeiro jogo da temporada. Pelo contrário. Várias outras lesões foram aparecendo em outras peças, o que o obrigou a cavar fundo no elenco e a colocar em quadra jogadores que não teriam tanto espaço assim em condições normais. Dá para dizer com tranquilidade que nenhum outro técnico sofreu mais com desfalques na temporada do que Stevens. E mesmo assim, o Celtics continuou apresentando uma defesa de nível muito alto e manteve-se entre os líderes do Leste. O que é impressionante.

Melhor novato: Ben Simmons (Philadelphia 76ers)

Mais um palpite com boas chances de se confirmar. Por mais que a classe de 2017 seja realmente muito talentosa, por muito tempo pareceu que ninguém seria capaz de tirar o prêmio das mãos do australiano, que na verdade foi a primeira escolha de 2016. Mas Donovan Mitchell cresceu demais durante a segunda metade do campeonato com o Utah Jazz, tornou-se o primeiro novato a liderar uma equipe de playoffs em pontos por jogo desde Carmelo Anthony e passou a receber a consideração de muita gente nesta corrida. É o único que pode desbancar Simmons.

Jogador que mais evoluiu: D’Angelo Russell (Brooklyn Nets)

Não vai rolar. Russell sofreu um bocado com lesões e nem evoluiu tanto assim neste seu primeiro ano com o Nets. Sua comparação nem se compara à de Victor Oladipo, grande favorito na disputa por esse prêmio. E nem mesmo dentro da própria franquia o armador foi dono da grande história de evolução nesta temporada. Esse papel coube a Spencer Dinwiddie.

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