Entenda a lesão que Kevin Durant sofreu nas finais da NBA

Autor Convidado

* Texto enviado pelo Dr. João Hollanda

O tendão calcâneo, popularmente conhecido como tendão de Aquiles, é o tendão mais espesso e mais forte do corpo humano, sendo capaz em condições normais de suportar forças superiores a 450 Kg. Localizado no calcanhar, o tendão é responsável entre outras coisas pelo movimento de impulsão do tornozelo durante saltos. A inflamação do tendão de Aquiles é comum em atletas corredores e saltadores, principalmente a partir dos 30 anos, e pode levar a degradação gradual do tendão.

Apesar de raro, quando ocorre um nível alto de degradação, há o risco de o tendão se romper, fazendo com que o atleta sinta um estalo (muitas vezes descrita como a sensação de ter levado uma pedrada) seguido de uma dor aguda que inviabiliza a continuidade da atividade física.

A lesão ocorre com mais frequência em esportes que envolvem corrida, salto, arranques e paradas repentinas, como o basquete. A infiltração com corticoide, muitas vezes utilizada para reduzir a dor e inflamação e permitir o retorno mais rápido ao esporte, pode enfraquecer os tendões e tem sido associada com ruptura do tendão de Aquiles quando realizada mais de duas a três vezes por ano.

A lesão geralmente ocorre na região do tendão que é menos vascularizada, localizada entre 2 e 6 cm do ponto em que se fixa ao osso do calcanhar. Este local pode estar predisposto à ruptura devido ao menor fluxo de sangue, o que prejudica a sua capacidade de cicatrização.

O tratamento da lesão do tendão de Aquiles em atletas de alto rendimento envolve cirurgia para o reparo do tendão. O prognóstico para o retorno esportivo é incerto. Segundo estudo publicado no American Journal of Sports Medicine em 2017, entre 86 atletas profissionais operados por lesão no tendão de Aquiles (incluindo 25 jogadores da NBA), 30% deles não foram capazes de retornar ao esporte profissional até dois anos após a lesão.

Entre os que retornaram, o número de jogos realizados na segunda temporada após a lesão foi 25% menor do que na temporada anterior à lesão. Agora é aguardar a recuperação e torcer para que em breve possamos voltar a assistir as grandes performances de Kevin Durant dentro da quadra.

Dr. João Hollanda é médico ortopedista especialista em cirurgia do joelho e traumatologia esportiva. Trabalha atualmente como médico da seleção Brasileira de Futebol Feminino. Maiores informações em www.ortopedistadojoelho.com.br

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