Ganhadores e perdedores da loteria do Draft

Luís Araújo

Pelo quarto ano consecutivo, o time com mais chances de ficar com a primeira escolha do Draft acabou vencendo a loteria. Melhor para o Phoenix Suns, que se encontra nesta posição pela primeira vez em sua história, depois de ter feito a pior campanha da NBA na temporada 2017/18.

Estava na hora mesmo de a sorte sorrir para a franquia. Em 1969, por exemplo, o Suns ficou com a segunda escolha depois de perder o sorteio da primeira posição para o Milwaukee Bucks. Na época, essa definição era feita com um “cara ou coroa”. O Suns selecionou Neal Walk, um ala-pivô que até cumpriu bom papel durante o tempo em que defendeu a equipe do Arizona. Mas nada perto de Kareem Abdul-Jabbar, recrutado pelo Bucks na primeira posição.

Mais gente tem motivos para comemorar o resultado da loteria. Mas antes de prosseguir com isso e de apontar também quem saiu de lá lamentando, é importante dar uma repassada por aqui em como ficaram definidas as posições do Draft:

1 – Phoenix Suns
2 – Sacramento Kings
3 – Atlanta Hawks
4 – Memphis Grizzlies
5 – Dallas Mavericks
6 – Orlando Magic
7 – Chicago Bulls
8 – Cleveland Cavaliers (via Brooklyn Nets)
9 – New York Knicks
10 – Philadelphia 76ers (via Los Angeles Lakers)
11 – Charlotte Hornets
12 – Los Angeles Clippers (via Detroit Pistons)
13 – Los Angeles Clippers
14 – Denver Nuggets

E então? Quem se deu bem? E quem se frustrou?

Ganhadores

Phoenix Suns

Começando pelo óbvio. Apesar de ter um elenco recheado de gente jovem, o Suns já se encontra em um ponto no qual é preciso apresentar evolução e subir alguns degraus na escala de forças a Conferência Oeste. Afinal de contas, não seria nada bom correr o risco de ver alguém com o talento de Devin Booker chegar à conclusão de que precisa se mandar para ter a chance de sentir o gosto dos playoffs.

A contratação do técnico Igor Kokozkov foi o primeiro passo do processo de dar alguma cara a esse time. A primeira escolha do Draft será a sequência disso. É uma chance de ouro de colocar mais um talento jovem ao lado de Booker e também de Josh Jackson — que pode não ter brilhado como outros calouros da safra de 2017 no primeiro ano como profissional, mas que apresentou flashes interessantes e deu pinta de que pode ser muito mais útil em uma equipe arrumada.

Tanto DeAndre Ayton quanto Luka Doncic têm ligações com a franquia. O primeiro era da Universidade do Arizona e pode ser o tipo de pivô que falta ao time. O segundo foi campeão do EuroBasket com a seleção da Eslovênia em 2017 justamente sob o comando de Kokozkov. Qual deles será o escolhido? Aí já é uma outra questão. O fato é que o Suns está em posição de escolher qual direção bem entender.

Sacramento Kings

O Kings era o sétimo time com mais chances de vencer a loteria. A probabilidade de ficar com uma das três primeiras escolhas era de 18,3%. Portanto, ter subido tanto ao ponto de garantir a segunda posição do Draft foi uma vitória gigantesca. Especialmente para uma franquia que está há anos tentando voltar aos trilhos e que não terá escolha de primeira rodada em 2019.

O desafio agora é tirar proveito disso e colocar mais um jovem de talento ao lado de gente como De’Aaron Fox, Bogdan Bogdanovic e Buddy Hield. A tendência é que o escolhido seja quem sobrar entre Luka Doncic e DeAndre Ayton, o que estaria de ótimo tamanho. A chance de se recrutar uma futura estrela nesta posição do Draft é muito boa.

Vamos dar algum crédito ao Kings? Depois de anos fazendo bobagem, a franquia trabalhou bem na última “offseason”. Os moleques que estão em Sacramento parecem interessantes, especialmente Fox e Bogdanovic, e o time até teve algumas boas apresentações ao longo da última temporada. Um outro acerto com essa segunda escolha do Draft de 2018 pode deixar essa fundação para o futuro bem mais sólida.

Atlanta Hawks

Assim como o Kings, também subiu de posição após a loteria e acabou com uma das três primeiras escolhas do Draft. Trata-se de uma vitória, é claro. Como DeAndre Ayton e Luka Doncic deverão ser selecionados antes disso, o Hawks terá a oportunidade de abrir uma espécie de “novo Draft”, definindo com quem ficar dentre todos os outros que sobrarem.

Luka Doncic e DeAndre Ayton

A pouco mais de um mês do Draft, parece certo que os dois serão as duas primeiras escolhas. Conforme dito em um dos tópicos acima, ambos podem ser selecionados pelo Suns por terem algum tipo de ligação com a franquia e, claro, por serem extremamente promissores. Mas também não seria nem um pouco difícil imaginar cada um deles em Sacramento. De qualquer maneira, tanto Doncic quanto Ayton parecem a caminho de bons cenários para iniciarem a carreira na NBA.

Philadelphia 76ers

A escolha do Los Angeles Lakers poderia ter ido para o Boston Celtics se tivesse ficado em qualquer região do Draft entre a segunda e a quinta posições. Teria sido melhor para o 76ers se essa escolha fosse a primeira? É claro que sim. Mas pelo menos é uma escolha a mais de primeira rodada que a franquia terá. Algo que poderá render mais um bom jogador jovem para uma equipe já muito competitiva ou, pelo menos, uma valiosa moeda de troca.

Los Angeles Clippers

O time terá duas escolhas de loteria, algo que nem chega a ser surpreendente. Afinal, a escolha do Detroit Pistons — fruto da troca que envolveu Blake Griffin — só não seria enviada se ficasse em uma das três primeiras posições. O risco era minúsculo, mas não deixa de ser uma vitória para o Clippers. Na hora de decidir o que fazer ao certo na “offseason” para montar o time, é muito melhor ter duas escolhas altas do que uma só.

Boston Celtics

A escolha do Los Angeles Lakers ficou com o Philadelphia 76ers, mas ainda assim dá para citar o Celtics por aqui. O motivo: a troca que resultou na chegada de Kyrie Irving. Adquiri-lo por um bando de jogadores que nem está mais em Cleveland e mais a oitava escolha parece um negócio muito mais vantajoso do que se essa escolha tivesse sido uma das três primeiras.

Perdedores

Boston Celtics

O motivo pelo qual o Celtics também aparece na seção dos perdedores é óbvia: não ficou com a escolha do Lakers. O resto da NBA agradece, especialmente quem faz parte do Leste. Esse time já é finalista de conferência sem duas estrelas. Na temporada que vem, Kyrie Irving e Gordon Hayward estarão de volta. Tudo o que os rivais não precisariam é que essa lista de reforços para Brad Stevens incluísse também uma escolha Top 5.

Memphis Grizzlies

Antes da loteria, o Grizzlies era o segundo time com mais chances de conquistar a primeira escolha e tinha uma probabilidade de 55,8% de ficar no Top 3. Está claro, portanto, o quanto essa quarta posição no Draft representa o azar da franquia nesta história.

Em outras palavras, isso significou o fim do sonho de ter Luka Doncic ou DeAndre Ayton. É claro que ainda resta a esperança de que algum outro jovem talentoso seja recrutado com essa quarta escolha e se transforme em um grande jogador para o Grizzlies. O problema é que o grau de incerteza agora é bem maior. Algo que definitivamente não é nem um pouco animador para uma franquia que tem feito um trabalho tão ruim em Draft nos últimos anos. Dillon Brooks na segunda rodada de 2017 pode até ser considerado um acerto, mas é também um ponto fora da curva na história recente do Grizzlies.

Como a esperança é a última que morre, a conta do Grizzlies no Twitter tratou de lembrar o que aconteceu na última vez em que a franquia teve a quarta escolha de um Draft.

Dallas Mavericks

Em comparação ao Atlanta Hawks, que terminou a temporada 2017/18 com campanha idêntica, o Mavericks tinha a mesma probabilidade de abocanhar uma das três primeiras escolhas e 0,1% a mais de chance de conquistar a primeira. No fim das contas, ficou com a quinta posição na ordem do recrutamento, o que deve ser uma grande frustração para uma franquia que abraçou o “tank” e não escondeu isso de ninguém — inclusive com declarações públicas do proprietário, Mark Cuban.

O sentimento de azar foi muito bem expressado através de um tuíte de Dirk Nowitzki.

Orlando Magic e Chicago Bulls 

O Magic era o quinto time com mais chances de conquistar a primeira escolha. O Bulls, o sexto. A subida do Sacramento Kings fez com que as duas franquias caíssem uma posição cada, ficando em sexto e em sétimo na ordem de seleção do Draft. É claro que ambas continuam em uma situação na qual é perfeitamente possível acertar a mão e adicionar uma boa dose de talento aos seus elencos, mas a missão ficou um degrau mais complicada.

Detroit Pistons

Não que seja completamente um perdedor, já que precisava terminar entre as três primeiras posições para manter a sua escolha e isso seria uma zebra muito grande. A chance de isso acontecer era de apenas 2.5%. O negócio é que essa confirmação dificulta ainda mais a vida do Pistons, que passa a ter um ativo a menos e que continua com uma folha salarial engessada.

Nick Gilbert

A reputação dele na loteria não é mais a mesma. O filho de Dan Gilbert, proprietário do Cleveland Cavaliers, costumava levar sorte para a franquia. Foi com o pé quente dele que o Cavs abocanhou a primeira escolha em 2013 e em 2014. Desta vez, no entanto, não deu para ele. Não foi possível transformar levar a escolha vinda do Brooklyn Nets para acima da oitava escolha.

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