Ganhadores e perdedores da loteria do Draft

Luís Araújo

A exemplo do que já tinha acontecido nos três anos anteriores, a primeira escolha do Draft acabou ficando com quem tinha a maior probabilidade de ficar com ela antes da loteria. O que, neste caso, não quer dizer nada para o Brooklyn Nets, que perdeu mais do que todo mundo durante a temporada regular só para ver o Boston Celtics, que se classificou em primeiro no Leste, se beneficiar disso.

Paciência. É um dos frutos que a franquia nova-iorquina ainda está colhendo por causa daquele negócio que fez em 2013 para tirar Paul Pierce, Kevin Garnett e Jason Terry de Boston, em uma tentativa desesperada de alcançar um título o mais rápido possível. Estratégia que não deu certo na época e que, como se pode observar, até hoje machuca.

Antes de prosseguir com o balanço de quem tanto se deu bem e quem tem motivos para lamentar o resultado da loteria, vale a pena dar uma repassada em como ficaram definidas as posições:

1 – Boston Celtics (via Brooklyn Nets)
2 – Los Angeles Lakers
3 – Philadelphia 76ers (via Sacramento Kings)
4 – Phoenix Suns
5 – Sacramento Kings (via Philadelphia 76ers)
6 – Orlando Magic
7 – Minnesota Timberwolves
8 – New York Knicks
9 – Dallas Mavericks
10 – Sacramento Kings (via New Orleans Pelicans)
11 – Charlotte Hornets
12 – Detroit Pistons
13 – Denver Nuggets
14 – Miami Heat

Acompanhar o anúncio das posições definitivas acabou sendo uma experiência divertida pelas reações de Joel Embiid e Magic Johnson, que foram representar Philadelphia 76ers e Los Angeles Lakers, respectivamente. Espontaneidade e carisma de sobra.

Tanto Sixers quanto Lakers, assim como o já citado Celtics, fazem parte da turma que tem motivos para comemorar o que a loteria definiu. Quem mais se deu bem? E quem se deu mal?

Ganhadores

Boston Celtics

Em um dia, garantiu vaga na final da Conferência Leste. No outro, ganhou o direito à primeira escolha no Draft. Aquela troca com o Brooklyn Nets em 2013 continua rendendo frutos e tornando brilhante o futuro de um time que já aparece entre os mais fortes da liga.

Claro que Danny Ainge vai passar por um processo de tomadas de decisões importantes nos próximos meses, definindo quem será o selecionado e se algum negócio será feito a seguir. Mas é uma ótima posição para se estar. É muito melhor ter um leque amplo de alternativas do que não ter perspectiva nenhuma. O Nets que o diga.

Los Angeles Lakers

Depois de meses de agonia, incluindo aí as vitórias na reta final de temporada regular que melhoraram um pouco a campanha e empurraram o Pheonix Suns para a lanterna da Conferência Oeste, finalmente a torcida do Lakers respirou aliviada. A escolha, que iria para o Philadelphia 76ers caso ficasse fora das três primeiras posições, foi mantida. Por isso Magic Johnson celebrou tanto. Havia mais de 50% de chance de ele voltar para casa de mãos abanando.

As boas notícias para o Lakers não param por aí. Além de poder reforçar o elenco com qualquer nome que sobrar após a seleção do Celtics, algo especialmente animador em um ano no qual a safra de jovens é vista com bons olhos por quem acompanha os prospectos de perto,  o time ainda garantiu a escolha de primeira rodada no Draft de 2019 — que iria para o Orlando Magic caso a deste ano fosse para o 76ers.

Lonzo e LaVar Ball

O clima na casa da família deixa claro o quanto pai e filho se sentiram vitoriosos depois de o Lakers ter ficado com a segunda escolha do Draft. Na cabeça de LaVar Ball, Lonzo já está a caminho de Los Angeles. É só uma questão de tempo.

“Eu disse a ele que ele ia para o Lakers. Vou falar isso para sempre. O Celtics vai pegar Markelle Fultz, que é um bom jogador. Eu acho que ele se encaixa melhor lá em Boston. Mas não dá para levá-lo a Los Angeles, ele não está pronto para isso. Só uma pessoa está pronta para isso, e essa pessoa é o Ball”, disse o pai do rapaz no vídeo abaixo.

“Eu sei que eu devo ser um gênio por planejar tudo desta maneira. Lonzo sempre foi número dois. E adivinha para onde ele vai agora? Para o time da escolha número dois. Para o Lakers. Aí vamos nós”, finalizou.

Sacramento Kings

Corria o risco — ainda que muito pequeno — de perder uma escolha para o New Orleans Pelicans e outra para o Chicago Bulls. No fim das contas, manteve ambas e poderá se reforçar com dois dos dez primeiros selecionados do Draft. É uma grande oportunidade para rechear o elenco de talento jovem, algo fundamental para quem rompeu com DeMarcus Cousins para apostar em uma reconstrução. Resta agora acertar a mão nas decisões e adicionar as peças ideais. Aí já são outros quinhentos.

Sam Hinkie

Ele já não está mais à frente do Philadelphia 76ers, mas deve estar sorrindo em algum canto pelo o que conseguiu quando ainda estava lá. Em 2015, Hinkie bateu o martelo em uma troca com o Sacramento Kings que acabou garantindo, entre outras coisas, o direito de inverter escolhas de primeira rodada em dois Drafts (incluindo o deste ano) e ainda Nick Stauskas, que vem se mostrando útil no Sixers. Para isso, tudo o que precisou fazer foi enviar uma escolha de segunda rodada para a Califórnia. Negócio da China.

Perdedores

Sacramento Kings

Não dá para fazer uma análise, sobre qualquer assunto que seja, só elogiando o Kings, né? Parece que alguma coisa precisa sempre dar errado. O motivo neste caso é a lembrança de que essa quinta escolha poderia ter sido a terceira. Isso se não fosse aquela já citada troca estúpida com o Philadelphia 76ers dois anos atrás.

Brooklyn Nets

Mereceria aparecer por aqui mesmo se o Boston Celtics desse um azar desgraçado e caísse para a quarta escolha. Tudo bem, todo mundo já sabia que o Nets não iria desfrutar da sua escolha de loteria no Draft deste ano. Mas não dá para deixar de incluir a franquia por aqui. É incrível como aquela troca de 2013 parece pior a cada ano que passa.

Phoenix Suns

Depois de tanto esforço na reta final de temporada regular para acumular o máximo de derrotas que fosse possível, acabou caindo duas posições após o sorteio e ficou com a quarta escolha. Ainda é possível fisgar alguém talentoso nesta posição, mas é seguro dizer que não era isso o que Ryan McDonough desejava. A sensação de frustração fica ainda maior para o Suns diante da lembrança de que a primeira escolha ficou com o Celtics, para onde mandou Isaiah Thomas há pouco mais de dois anos em troco de quase nada.

Chicago Bulls

Falando em jogadores úteis trocados por quase nada, é oficial: o Bulls fez um péssimo negócio com Luol Deng em 2014. O ala foi mandado na época para o Cleveland Cavaliers em troca de Andrew Bynum e três escolhas futuras de Draft. Só que Bynum foi dispensado imediatamente porque não tinha contrato garantido — o que permitiria um alívio na folha salarial — e duas destas escolhas eram de segunda rodada.

Sobrava só uma de primeira rodada — que, apesar de ter sido mandada pelo Cavs, pertencia ao Sacramento Kings. Mas havia uma proteção nela, e a única chance de o Bulls utilizá-la neste ano seria fora das dez primeiras posições. Como isso não aconteceu, ela acabou virando uma de segunda rodada no Draft deste ano. Muito pouco pelo o que Deng representava na época. No fim das contas, essa troca serviu só para enfraquecer um time que acabou indo para os playoffs do mesmo jeito e para aumentar o grau de irritação de Tom Thibodeau, técnico na época, com a dupla Gar Forman e John Paxson.

Orlando Magic

Era o quinto time com mais chances de ganhar a loteria e acabou ficando com a sexta escolha. Mas muito pior do que cair uma posição nesta história foi ver o sucesso do Los Angeles Lakers, que mandaria para Orlando a escolha de primeira rodada do Draft de 2019 caso ficasse fora das três primeiras neste ano — ainda referente à negociação envolvendo Dwight Howard em 2012. Ao invés disso, o Magic terá de se contentar com escolhas de segunda rodada do Lakers. É melhor do que nada, mas a sensação de que as coisas poderiam ter sido bem melhores é inegável.

New Orleans Pelicans

Não que seja completamente um perdedor, já que precisava terminar entre as três primeiras posições para manter a sua escolha e isso seria uma zebra muito grande. Até aí, tudo dentro do script. Mas é que agora a pressão cresce ainda mais em cima do Pelicans, que vai precisar fazer a união entre DeMarcus Cousins e Anthony Davis render frutos imediatamente.

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