Guia da temporada 2017/18 da NBA – Atlanta Hawks

Luís Araújo

Todos os times serão analisados antes do início da temporada 2017/18 da NBA. Para ver tudo o que já foi publicado nesta série de prévias, basta clicar aqui.

Na temporada anterior

Campanha: 43 vitórias e 39 derrotas

Classificação: 5º lugar da Conferência Leste – caiu na primeira rodada dos playoffs para o Washington Wizards


Elenco para a temporada 2017/18

Provável time titular: Dennis Schroder, Kent Bazemore, Taurean Prince, Ersan Ilyasova e Dewayne Dedmon

Reservas: Malcolm Delaney, Tyley Dorsey (armadores), Marco Belinelli, DeAndre Bembry (alas-armadores), Nicolas Brussino (ala), Luke Babbitt, Mike Muscala (alas-pivôs), John Collins e Miles Plumlee (pivôs)

Técnico: Mike Budenholzer


O que merece atenção

Nova direção e novos líderes

DeMarre Carroll, Al Horford, Jeff Teague e Kyle Korver já tinham deixado Atlanta nos anos anteriores. Desta vez, quem saiu foi Paul Millsap, que assinou com o Denver Nuggets e acabou definitivamente com o quinteto titular daquele time do Hawks que entrou para a história da franquia em 2015 ao atingir a marca de 60 vitórias em uma temporada.

Mas em relação à equipe do ano passado, outras baixas importantes aconteceram. Tim Hardaway Jr recebeu uma proposta tão boa — e até certo ponto maluca — do New York Knicks que dá até para dizer com segurança que o Hawks fez bem em não optar por cobrir. Dwight Howard foi trocado com o Charlotte Hornets e Thabo Sefolosha assinou com o Utah Jazz. Na verdade, o atual elenco conta com apenas sete remanescentes da temporada anterior, sendo que só dois três deles tiveram média superior a 20 minutos por jogo: Dennis Schroder e Kent Bazemore.

Essas mudanças todas estão relacionadas com duas metas que o novo gerente-geral do Hawks, Travis Schlenk, traçou para a temporada. Uma delas já foi atingida: a flexibilidade financeira, já que a solha salarial está abaixo do teto e só dois jogadores (Schroder e Miles Plumlee) têm contrato garantido para daqui a dois anos. A outra é o desenvolvimento das jovens peças, algo que só vai dar para saber quando essa equipe entrar em quadra.

Mas antes de falar destes recém-chegados à NBA, vale a pena passar por esses dois remanescentes importantes que serão uma espécie de liderança neste elenco. Schroder vem da sua primeira temporada como titular absoluto da carreira e mostrou evolução em diversas área, inclusive nos arremessos, seja em finalizações ao redor do aro ou em tiros de longa distância.

Já dá, por exemplo, para ele chamar um “pick and roll” e tentar mais arremessos a um passo dentro da linha de três, região em que ele teve o maior crescimento em termos de desempenho. Não é o ideal, claro, pois seria muito melhor se ele fosse capaz de dar chutes de três, que valem mais. Mas pelo menos já é alguma coisa.

De qualquer maneira, o carro chefe no jogo de Schroder é mesmo a explosão para atacar a cesta e criar jogadas a partir dos espaços que consegue abrir com sua agressividade. Característica que deve ser ainda mais importante para os planos ofensivos que Budenholzer busca colocar em prática.

Já Bazemore deu um passo para trás na última temporada em relação ao que já mostrou em Atlanta mesmo nos dois lados da quadra, mas não foi uma queda tão grande assim ao ponto de torná-lo um problema. Ainda é alguém que pode ajudar na defesa e que talvez possa entregar arremessos certeiros de longe.

Parece difícil. Mas se o Hawks conseguir surpreender e ter algum sucesso nesta temporada, provavelmente isso vai passar pelo bom desempenho que esses dois terão agora em um papel maior.

As peças jovens

Quem já era assinante do Triple-Double durante os playoffs deve se lembrar de como Taurean Prince ganhou um tópico só para ele no texto que analisou a série entre Hawks e Washington Wizards, pela primeira rodada do Leste. Além de causar impacto imediato na defesa com uma versatilidade que o permite encarar múltiplas posições, confirmando todo o potencial que se esperava dele desde os tempos de universitário, o ala também já tinha mostrado durante a temporada regular que de fato pode virar um bom arremessador de três em situações de “catch and shoot”.

Mas nestes confrontos com o Wizards, Prince chamou muito a atenção pela movimentação sem bola, dando opção de passe e ajudando a abrir espaços ao cortar para a cesta pelas costas do seu marcador para receber e finalizar. As tomadas de decisão nos momentos em que precisou colocar a bola no chão também animaram. É por isso tudo que será muito curioso vê-lo em ação nesta próxima temporada, em que deverá receber uma parcela maior de minutos na rotação.

Diferentemente dele, DeAndre Bembry não teve tanto espaço assim como novato. Foram só 371 minutos de ação durante a temporada regular, número inferior aos de outros 13 jogadores do elenco. Mas agora ele também deverá ter mais espaço no time para mostrar serviço. O próprio Mike Budenholzer já sinalizou isso ao declarar que o considera capaz de causar impacto na defesa contra qualquer um que tiver de marcar, ao mesmo tempo em que o vê com explosão e qualidade o suficiente para infiltrar e descolar passes no ataque.

Tem ainda John Collins, ala-pivô que saiu de Wake Forest para ser escolhido na primeira rodada do Draft. Neste Hawks em formação e disposto a dar espaço para jovens, ele pode até não ser titular na vaga de Ersan Ilyasova, mas muito provavelmente terá uma quantidade razoável de minutos neste primeiro ano para começar a se desenvolver. Os passes, a leitura de quadra e a defesa são alguns pontos considerados problemáticos no jogo deste calouro de 19 anos, mas a capacidade de pontuar dentro do garrafão chama a atenção.

A velha defesa e o novo ataque

O grande trunfo do Hawks na temporada passada foi a defesa, a quarta mais eficiente da temporada. Foi só por causa dela que a campanha foi tão boa ao ponto de garantir a quinta melhor campanha do Leste. Acontece que, por mais que o sistema como um todo tenha funcionado bem, o rendimento apresentava considerável nas vezes em que o time não contava com Paul Millsap. Que agora está bem longe de Atlanta.

De todo jeito, até há motivos para nutrir esperanças de que esse time do Hawks consiga entregar uma boa defesa. Pode não ser uma das cinco mais eficientes da liga, como foi na temporada, mas não seria absurdo nenhum se flertasse com um lugar entre as dez primeiras neste ranking. Material humano para isso há.

Dos citados há pouco, Prince já é uma realidade neste sentido e Bembry tem potencial grande para fazer o mesmo. Mike Budenholzer está bem confiante na capacidade dele de ser usado em um sistema agressivo para forçar erros e gerar contra-ataques. Além deles e da dupla Schroder e Bazemore, vale ainda destacar Dewayne Dedmon, que tem a proteção de aro como sua grande virtude.

O grande problema do campeonato anterior foi o ataque, o quarto menos eficiente da NBA. De acordo com o que Budenholzer declarou, a intenção agora é colocar em prática um sistema ofensivo com ações mais concentradas no perímetro, que atraia os pivôs adversários para longe da cesta, e que tenha agressividade o tempo todo dos alas e armadores quando tiverem a bola nas mãos.

A ideia é abusar das movimentações rápidas, bloqueios sem bola e cortes para o garrafão. Ou seja: todo mundo se mexendo o tempo todo para abrir espaços no garrafão para quem estiver com a bola poder ver um corredor livre para infiltrar e, assim, finalizar com bandeja ou soltar a bola para arremessos de longa distância. Algo que se der certo pode tornar Ersan Ilyasova e Luke Babbitt bem úteis. Resta saber quando — e se — será alcançado o grau de entrosamento necessário para fazer isso tudo sair do papel e virar algo prático.


Abre aspas

“Se você aproveitar e abraçar o processo de verdade, seja conquistando títulos, ganhando 60 jogos na temporada ou em um estágio diferente em sua organização na qual você está desenvolvendo a fundação para algo que pode ser um dia realmente especial, esse processo pode ser incrivelmente recompensador. Não só para os técnicos e jogador, mas para todo mundo envolvido nisso de alguma maneira. Se você está apenas focado no resultado, provavelmente irá se frustrar ao longo do ano. Mas dá para tirar muita coisa positiva se você realmente abraçar a maneira como vai trabalhar todos os dias neste processo.”

É assim que Mike Budenholzer prefere encarar o “tank” em Atlanta.


Grau de apelo no League Pass (de 1 a 5)

1,5 (mínimo para baixo) – Pode ser bom acompanhar vez ou outra o que Dennis Schroder está fazendo. Ou como Taurean Prince está continuando a se desenvolver depois de um bom primeiro ano na liga. Mas isso tudo só de vez em quando mesmo. Já estará de ótimo tamanho ver jogos do Hawks só quando não tiver mais nada acontecendo no League Pass.


Palpite para a temporada

Se as coisas derem muito certo…

… Dennis Schroder tem o melhor ano da vida, as peças jovens se desenvolvem muito mais rápido do que se poderia esperar, Mike Budenholzer consegue deixar as coisas bem organizadas nos dois lados da quadra e o Hawks morde uma das duas últimas vagas nos playoffs.

Se as coisas derem muito errado…

… derrotas atrás de derrotas e lanterna do Leste, o que significaria a primeira ausência nos playoffs desde 2007. Ao menos isso poderia render uma boa escolha no Draft de 2018, o que seria mais uma ótima oportunidade de adicionar algum jovem de potencial ao elenco.

E então?

O Hawks pode até não ser o lanterna, mas não deverá ir aos playoffs também. Tem tudo para ser mais um dos times do Leste com campanha negativa e que não passarão de figurantes na temporada.

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