Guia da temporada 2017/18 da NBA – Boston Celtics

Luís Araújo

Todos os times serão analisados antes do início da temporada 2017/18 da NBA. Para ver tudo o que já foi publicado nesta série de prévias, basta clicar aqui.

Na temporada anterior

Campanha: 53 vitórias e 29 derrotas

Classificação: 1º lugar da Conferência Leste – caiu na final de conferência para o Cleveland Cavaliers, depois de passar por Chicago Bulls e Washington Wizards


Elenco para a temporada 2017/18

Provável time titular: Kyrie Irving, Jaylen Brown, Gordon Hayward, Marcus Morris e Al Horford

Reservas: Marcus Smart, Shane Larkin, Terry Rozier, Kadeem Allen (armadores), Jayson Tatum (ala-armador), Abdel Nader, Semi Ojeleye, Guerschon Yabusele (alas), Daniel Theis (ala-pivô) e Aron Baynes (pivô)

Técnico: Brad Stevens


O que merece atenção

Mais talento, mas muitas mudanças

Muita coisa mudou desde que o Celtics entrou em quadra pela última vez na temporada passada. Amir Johnson, Kelly Olynk, Jonas Jerebko, Gerald Green, Tyler Zeller e mais algumas outras peças menores do elenco não tiveram contrato renovado. O objetivo era abrir espaço para um “all-star” como Gordon Hayward. Algo que acabou acontecendo, mas para que essa contratação fosse mesmo viabilizada, foi necessário mandar Avery Bradley para o Detroit Pistons em uma troca por Marcus Morris.

Quando as coisas pareciam mais calmas, veio mais uma troca. Kyrie Irving queria sair do Cleveland Cavaliers, e o Celtics conseguiu buscá-lo depois de mandar Isaiah Thomas e Jae Crowder, além dos direitos sobre Ante Zizic. O que isso tudo significa? Que só quatro jogadores que terminaram a última temporada em Boston permanecem lá: Al Horford, Jaylen Brown, Marcus Smart e Terry Rozier.

É praticamente um time novo, mas as circunstâncias levaram o Celtics a isso. Não tinha como fazer diferente mesmo. Principalmente porque o resultado final foi um aumento na quantidade de talento bruto do elenco. Hayward é um jogador praticamente completo, que tem uma boa defesa e é capaz de se encaixar de diversas maneiras no ataque, tanto com a bola nas mãos como sem ela. Irving é uma outra estrela que parece estar no melhor da carreira. Ele já mostrou nos últimos anos o quanto pode ser brilhante e decisivo em jogadas de isolação. Poucos sabem dominar a bola e pontuar como ele. São qualidades que treinador nenhum vai querer desperdiçar, seguramente. Mas será preciso também que Irving seja capaz de ser eficiente no ataque sem dominar tanto a bola, dando espaço para gente como Hayward e até Al Horford, que chegou a armar os ataques em determinados momentos da temporada passada.

Pode ser que Irving consiga fazer isso tudo e atinja um novo nível nas mãos de Brad Stevens. Quando contava com Isaiah Thomas, o técnico o uso bastante correndo pela quadra recebendo bloqueios antes de receber a bola, para daí ser acionado em uma posição favorável, em uma vantagem grande contra uma defesa já desequilibrada depois de tanta movimentação. Dá para confiar que alguma solução será encontrada agora com o novo armador. Mas um outro desafio importante será o de fazê-lo se tornar alguém mais capaz de contribuir defensivamente.

Além das chegadas destas duas estrelas e da maneira como elas se adaptam uma à outra, será interessante também acompanhar os primeiros passos de Jayson Tatum, que já deu alguns sinais na pré-temporada de conseguir pontuar em um bom nível na NBA, mas que ainda precisa se consolidar na defesa. Quem o viu em ação com mais atenção na NCAA até costuma dizer que ele tem potencial para virar um bom jogador também neste lado da quadra, mas que ainda perde muito a concentração quando marca fora da bola. De qualquer maneira, é um jovem que obviamente só tem a crescer com o passar dos anos. Parte da decisão do Celtics de negociar Avery Bradley e Jae Crowder passa também pela crença de que Tatum e Jaylen Brown têm condição de um dia virarem peças importantes em um time candidato ao título.

Outra peça nova que provavelmente vai receber bons minutos na rotação é Marcus Morris. É verdade que ele chegou a Boston em uma negociação na qual a grande necessidade era se livrar do contrato de Avery Bradley, mas trata-se de um jogador com capacidade de ajudar nos dois lados da quadra e ser muito mais do que um simples troco nesta transação. Assim que Morris chegou, Brad Stevens comentou o quanto a boa defesa dele e os chutes de média e até longa distância se encaixam dentro da equipe versátil que deseja ver em prática nesta temporada.

Aron Baynes e Daniel Theis correm por fora. São opções capazes de colaborar, principalmente, com rebotes e proteção de aro, respectivamente, e que podem tanto descansar Al Horford como deslocá-lo para o que teoricamente seria a posição quatro do quinteto.

Variações de quinteto

Al Horford, Gordon Hayward e Kyrie Irving são certezas quando se pensa no quinteto base do Celtics — aqueles que vão acabar passando mais minutos em quadra ao longo da temporada. Jaylen Brown também chega perto disso, depois de um ótimo primeiro ano que provavelmente o credenciou a assumir um papel maior na rotação agora. Sobraria, portanto, uma vaga. As diferentes opções para preenchê-la serão um quebra-cabeças para Brad Stevens, mas também podem levar a mudanças bem interessantes de se acompanhar na equipe.

Quando estiver 100% recuperado, Marcus Morris tem chances muito boas de se tornar o titular da equipe pelos mesmos motivos já apontados por aqui que o tornam valioso para esse elenco. Durante a pré-temporada, Stevens chegou a experimentar Aron Baynes nesta vaga em uma oportunidade, construindo assim uma formação mais alta ao lado de Al Horford. Em uma outra ocasião, resolveu escalar Jayson Tatum, em um quinteto bem baixo, rápido, bastante centrado em ações no perímetro e que permite aos jogadores trocarem mais vezes de marcação e guardarem menos posições na defesa.

Uma outra opção para quinteto baixo seria Marcus Smart. A defesa dele não só supera — e muito — a de Tatum como deve ser a melhor do elenco. Não é difícil imaginar que Stevens o teste ao longo da temporada ao lado dos outros quatro para explorar essa qualidade. E se as bolas de longa distância caírem um pouco mais em relação aos anos anteriores, mais ou menos como aconteceu na única vitória do Celtics sobre o Cleveland Cavaliers nos playoffs da temporada passada, melhor ainda. Aí talvez ele até vire o grande favorito nesta corrida.

De qualquer maneira, o que dá para esperar é que o treinador faça muitas experiências. Foi assim na temporada passada, quando chegou aos playoffs ainda testando algumas formações — e descobrindo boas soluções graças a isso. Não deverá ser diferente desta vez.

Tempo de adaptação

Esse time tem muitos motivos para causar animação para o futuro. Pode, sim, vir a ganhar o Leste e até a desenvolver um modelo de basquete que acabe com a dominância do Golden State Warriors na NBA. Mas é uma equipe praticamente nova e recheada de jogadores muito jovens. É normal que os resultados demorem um pouco a aparecer. Dificilmente veremos logo de cara o ataque redondo e a defesa pronta para compensar algumas baixas importantes.


Abre aspas

“Muda toda a dinâmica, toda a cultura da franquia. Vamos ver se será uma mudança boa ou ruim, o tempo vai responder isso. Mas ainda é um pouco estranho para mim, para ser honesto, porque quando eu cheguei aqui me falaram bastante sobre a cultura, o ambiente e o estilo de basquete do Celtics. E agora eu me pergunto o que são ao certo essas coisas. Acho que é uma grande oportunidade para mim, para o Celtics e para Kyrie. É claro que eu amava Isaiah. Ele era um irmão mais velho para mim. Eu o via, o admirava e adorava como ele parecia ter sempre um ponto a provar para os outros em quadra. Eu ainda amo isso. Mantive contato com ele e o parabenizei pela ida ao Cavs. É duro porque faz parte dos negócios em que estamos envolvidos. Concordo com isso? Não necessariamente. Eu realmente acredito que Isaiah tentou fincar bandeira em Boston.”

Foi isso o que disse Jaylen Brown sobre a troca que mandou Isaiah Thomas, além de Jae Crowder e Ante Zizic, para o Cleveland Cavaliers em troca de Kyrie Irving.


Grau de apelo no League Pass (de 1 a 5)

4,5 (alto para máximo) – Vai ser muito difícil passar batido pelo Celtics quando esse time estiver em quadra. Já faz um tempo que esse time tem sido interessante de se observar em quadra pelas coisas que Brad Stevens consegue colocar em prática. Agora, então, com um elenco mais talentoso à disposição, isso só tende a aumentar.


Palpite para a temporada

Se as coisas derem muito certo…

… Hayward e Irving se entrosam rapidamente, Tatum contribui em um ótimo nível logo de cara, o banco funciona e a defesa fica entre as dez melhores da liga. Aí o Celtics enfim coloca um ponto final nesta sequência de LeBron James reinando pelo Leste, vence a conferência e decide o título com quem ganhar o Oeste.

Se as coisas derem muito errado…

… O Celtics até vai para os playoffs. Pode até ficar com vantagem na primeira rodada, mas não passa das semifinais de conferência e fica longe de fazer cócegas na caminhada do Cleveland Cavaliers.

E então?

O Celtics tem tudo para ficar novamente entre as duas melhores campanhas do Leste e voltar a decidir a conferência contra o Cleveland Cavaliers. Pode até não vencer a série, mas deverá mostrar maior resistência.

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