Guia da temporada 2017/18 da NBA – Brooklyn Nets

Luís Araújo

Todos os times serão analisados antes do início da temporada 2017/18 da NBA. Para ver tudo o que já foi publicado nesta série de prévias, basta clicar aqui.

Na temporada anterior

Campanha: 20 vitórias e 62 derrotas

Classificação: 15º lugar da Conferência Leste – fora dos playoffs


Elenco para a temporada 2017/18

Provável time titular: D’Angelo Russell, Caris LeVert, DeMarre Carroll, Trevor Booker e Timofey Mozgov

Reservas: Jeremy Lin, Spencer Dinwiddie, Isaiah Whitehead, Milton Doyle, Jeremy Senglin (armadores), Rondae Hollis-Jefferson, Sean Kilpatrick (alas-armadores), Allen Crabbe, Joe Harris (alas), Quincy Acy (ala-pivô), Tyler Zeller e Jarrett Allen (pivôs)

Técnico: Kenny Atkinson


O que merece atenção

Mais talento e mais possibilidades

O que mais chamou a atenção no Nets desde o fim da última temporada foi a maneira como Sean Marks tirou coelhos da cartola para tentar um pouco mais de talento a esse time. O gerente-geral aproveitou-se do amplo espaço que tinha na folha salarial e do desespero de algumas equipes apertadas financeiramente para tentar acelerar um processo de reconstrução que tinha tudo para demorar bastante — tendo em vista o quanto aquela troca com o Boston Celtics em 2013 envolvendo Paul Pierce e Kevin Garnett acabou por comprometer as perspectivas da franquia.

Timofey Mozgov custa caro e ninguém tem certeza do quanto ainda pode render na NBA? Tudo bem para o Nets, desde que a chegada dele significasse também a de D’Angelo Russell, segunda escolha do Draft de 2015. DeMarre Carroll e Allen Crabbe estavam sendo pesados para as folhas de Toronto Raptors e Portland Trail Blazers, respectivamente? Sem problemas. Em Brooklyn eles podem ser úteis demais sem que seus salários sejam um fardo.

Russell passou por alguns altos e baixos em Los Angeles e, quando saiu, teve a maturidade questionada por Magic Johnson. A mudança de ares pode fazer bem para ele, que transpareceu tranquilidade ao falar sobre isso quando foi apresentado pelo Nets. Pelo menos o discurso mostra que o Lakers ficou para trás. Mas o que também tem tudo pra beneficiá-lo agora é o fato de estar em uma equipe que tem buscado colocar uma filosofia ofensiva de muita velocidade e chutes de três, que vai mais ao encontro do que o armador tem de bom. É um cenário bem diferente, por exemplo, do que ele teve no ano de estreia na liga, sob o comando de Byron Scott.

Pode ser que Russell não dê em nada? Claro. Mas é só um garoto de 21 anos, o Nets tem mais é que apostar nele mesmo. Se conseguir se mostrar um arremessador de longe ainda melhor do que nos dois primeiros anos de carreira, ótimo. Mas ele também vai precisar desenvolver a capacidade de quebrar as defesas e tomar boas decisões a partir disso para fazer a bola rodar e possibilitar que mais gente consiga aparecer em boas condições. Se isso acontecer, Allen Crabbe e DeMarre Carroll poderão se beneficiar bastante.

Caris LeVert teve flashes interessantes como pontuador na última temporada e tem tudo para continuar evoluindo nesta equipe. Mas vale ainda ficar de olho no desenvolvimento nos minutos em que Russell dividir a quadra com Jeremy Lin, que teve bons momentos na última temporada quando saudável e que já correspondeu bem em situações do tipo nos tempos de Charlotte Hornets, quando passava boa parte dos jogos ao lado de Kemba Walker.


Quanto “small-ball” veremos?

Se há muitas possibilidades a serem testadas entre os alas e armadores, no garrafão o negócio parece mais complicado, tanto em termos de qualidade como de quantidade mesmo. Se Mozgov conseguir render algo próximo ao que rendeu no primeiro ano em Cleveland, maravilha. Se o novato Jarett Allen for capaz de entregar minutos sólidos na rotação logo de cara, excelente. Ainda assim, parece existir uma carência para o garrafão neste elenco, principalmente para a posição quatro.

O que pode levar Kenny Atkinson a lançar mão de formações mais baixas por longos minutos ao longo das partidas. DeMarre Carroll pode muito bem ser usado por ali e, dentre as opções para a função, é quem melhor arremessa — apesar da queda que teve na última temporada, depois de ter flertado com os 40% de aproveitamento em bolas de três nas duas anteriores. Rondae Hollis-Jefferson passa longe de ser uma ameaça nestes chutes, mas é versátil o suficiente, especialmente na defesa, para também receber minutos na posição quatro.

Alias, nem seria uma coisa nova Atkinson recorrer a formações mais baixas. Na última temporada, o quinteto do Nets que mais minutos permaneceu em quadra teve justamente Hollis-Jefferson teoricamente na posição quatro, tendo ao lado só um pivô (Brook Lopez) e outros três jogadores abertos (Jeremy Lin, Randy Foye e Caris LeVert).

Filosofia

Não foi o Houston Rockets, nem o Golden State Warriors. Quem teve o ritmo de jogo mais acelerado da última temporada foi justamente o Nets. Foram mais de 101 posses de bola por partida. Além disso, a equipe ficou entre as cinco que mais tentaram bolas de três pontos por confronto. Os problemas? O índice de 14,7% de desperdícios de posse de bola só não superou o do Philadelphia 76ers. E o desempenho nos chutes de longe foi o quinto pior da liga.

Dá para esperar que as coisas melhorem um pouco neste sentido. Há mais jogadores capazes de acertar chutes de três, mas o mais importante será mesmo a capacidade de o sistema ofensivo fazer a bola rodar sem que erros sejam cometidos e que a definição seja feita em boa condição. Crabbe, por exemplo, vem de uma temporada na qual teve aproveitamento superior a 44% nas bolas de longe. É um reforço animador, sem dúvida, mas agora ele não terá mais Damian Lillard e CJ McCollum abrindo espaços para ele finalizar com mais liberdade. E aí? Como serão as coisa agora em Brooklyn?

Do outro lado da quadra, o Nets apresentou a oitava defesa mais eficiente da última temporada considerando apenas o trecho após o “All-Star Game”. Não é uma amostragem grande e distorções em várias estatísticas podem aparecer nesta época do campeonato, às vésperas dos playoffs. Sabemos disso. Ainda assim, vale a pena ficar de olho nisso. Pode não ser nada, mas pode ser sinal de alguma coisa. E, assim como acontece no ataque, o material humano à disposição é melhor e muito mais capaz de entregar resultados superiores.


Abre aspas

“Eu quero que os outros times nos odeiem. Essa equipe sofreu muito nos últimos anos. Os outros times estavam acostumados a virem a Brooklyn e tiraram uma noite de folga. Eu quero reconstruir isso e transformar e fazer daqui um lugar que os adversários pensem: ‘Temos a torcida deles contra a gente, estamos em Nova York.'”

Esse é o plano que D’Angelo Russell traçou para a próxima temporada.


Grau de apelo no League Pass (de 1 a 5)

2,5 (baixo para médio) – Não será aquela coisa totalmente desinteressante da temporada passada. Vai valer a pena espiar vez ou outra a resposta que D’Angelo Russell dará nesta nova etapa da carreira, o quanto as demais novidades contribuirão e em que nível estarão os jovens que já estavam na franquia. Ainda assim, principalmente em dias de rodadas cheias, continuará havendo opções bem mais atraentes do que o Nets no League Pass.


Palpite para a temporada

Se as coisas derem muito certo…

… daria para pensar até mesmo em playoffs. É difícil, mas há mais times no Leste que estão dispostos a perder jogos do que no Oeste. Como não terá a sua escolha de primeira rodada no próximo Draft, o Nets não tem por que entrar nesta de acumular derrotas de propósito. Já é alguma coisa. Aí, se as novas caras renderem um pouco melhor do que se imagina e o resto das equipe ruins forem realmente fracas, um oitavo lugar na conferência não seria tão absurdo assim.

Se as coisas derem muito errado…

… então sorte do Cleveland Cavaliers, que terá uma escolha alta no Draft de 2018.

E então?

As coisas têm tudo para serem melhores do que na temporada passada. Será o segundo ano de Kenny Atkinson e da cultura que a franquia tem tentado implementar. Além disso, a concentração de talento é muito maior. Tudo isso leva a crer que o Nets será um time melhor, capaz de vencer mais e de impor maior resistência mesmo quando perder. Mas ainda é muito difícil imaginar um salto grande o suficiente para lutar por playoffs.

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