Guia da temporada 2017/18 da NBA – Chicago Bulls

Luís Araújo

Todos os times serão analisados antes do início da temporada 2017/18 da NBA. Para ver tudo o que já foi publicado nesta série de prévias, basta clicar aqui.

Na temporada anterior

Campanha: 41 vitórias e 41 derrotas

Classificação: 8º lugar da Conferência Leste – caiu na primeira rodada dos playoffs para o Boston Celtics


Elenco para a temporada 2017/18

Provável time titular: Jerian Grant, Zach LaVine, Paul Zipser, Bobby Portis e Robin Lopez

Reservas: Kris Dunn, Cameron Payne (armadores), Justin Holiday, Denzel Valentine, David Nwaba (alas-armadores), Quincy Pondexter (ala), Lauri Markkanen, Nikola Mirotic (alas-pivôs), Cristiano Felício (pivô)

Técnico: Fred Hoiberg


O que merece atenção

Como Lauri Markkanen vai ficar marcado?

Selecionado na sétima escolha do Draft, o ala-pivô finlandês foi mandado a Chicago naquela troca que envolveu a saída de Jimmy Butler. É muito difícil, portanto, não olhar para ele como alguém em quem o Bulls resolveu apostar quando abriu mão de uma estrela. Pode nem ser justo, mas isso vai acontecer mesmo. Não tem jeito. Essa sombra vai acabar o acompanhando mesmo, pelo menos nos primeiros anos de carreira.

Se conseguir levar bem esse tipo de coisa, ótimo. Pois Markkanen já deu alguns sinais de que pode se tornar um jogador útil na NBA por muito tempo. Durante o tempo que defendeu Arizona na NCAA, o finlandês mostrou os arremessos de longa distância como principal característica, algo especialmente atraente para um sujeito de 2,13m. Esses chutes saíram não só parado, mas também em movimento, em jogadas nas quais ele correu por bloqueios como se fosse um ala ou um armador.

As comparações antes do Draft — aquelas que quase nunca acertam em cheio, mas que ao menos servem para dar alguma ideia do jovem que está a caminho da NBA — o colocavam em um paralelo com Ryan Anderson. Não é nada de outro mundo, muito pelo contrário. Mas pelo menos o nome citado foi o de um jogador que está há um bom tempo na liga e que se valorizou bastante.

Alguns meses depois, essas comparações subiram o nível. Markkanen teve algumas apresentações espetaculares no Eurobasket com a seleção da Finlândia. Fez pontos com facilidade e de maneiras diferentes, pegou rebotes e até apresentou uma defesa de bom nível vez ou outra. Aí o técnico dele, Henrik Dettman, que também chegou a trabalhar com Dirk Nowitzki na carreira, não teve dúvida: declarou que o calouro do Bulls pode vir a atingir o nível do alemão, desde que tenha o mesmo empenho e ética de trabalho.

É claro que as chances de isso acontecerem logo de cara são muito pequenas. Também é evidente que se Markkanen chegar perto de Nowitzki um dia já terá muito a comemorar. E é importante ainda ter em mente que as coisas especiais que ele fez no Eurobasket dificilmente irão se traduzir na NBA neste primeiro ano. O buraco é mais embaixo na liga de basquete mais forte do mundo, contra adversários melhores, mais fortes e mais rápidos.

Mas definitivamente existe algo no calouro que pode render coisas muito boas com o passar do tempo. O talento está ali, isso ficou bem claro. Não é qualquer um que sai por aí fazendo o que ele fez pela seleção da Finlândia em uma competição tão forte de seleções como o Eurobasket. É importante ter paciência, mas será muito interessante acompanhar os primeiros passos dele na liga.


As outras caras novas

Além de Markkanen, o Bulls recebeu outros dois jogadores naquela troca que mandou Butler ao Timberwolves. Um deles é Zach LaVine, que é muito explosivo, tem um arremesso de três bastante respeitável e vinha tendo a melhor temporada da carreira quando sofreu uma lesão no ligamento do joelho. Ainda em recuperação, deve perder o começo da temporada. A grande questão é saber como ele vai voltar. Será que a cirurgia vai causar algum impacto na capacidade atlética, algo tão determinante no jogo dele?

O outro que veio é Kris Dunn, armador que chegou sob muita expectativa a Minnesota após ter sido escolhido na quinta posição do Draft de 2016, mas que teve uma temporada de estreia decepcionante. A defesa até que deu alguns sinais de que pode ser boa, mas no ataque ele abusou dos desperdícios de posse de bola e arremessou muito mal. Começando os jogos ou não, ele terá oportunidades agora em Chicago. Caberá a Dunn mostrar evolução e agarrá-las.

No mercado de agentes livres, o Bulls foi buscar Justin Holiday, que já tinha defendido a equipe no primeiro ano de Fred Hoiberg. Por vê-lo como alguém versátil nos dois lados da quadra e com capacidade de arremessar, o treinador o considera uma peça ideal para se encaixar no que pretende colocar em prática nesta temporada e ajudar no desenvolvimento do resto do elenco.

Além disso, o time de Chicago decidiu apostar em David Nwaba, que despertou interesse pelas atuações que teve nos 20 jogos que disputou com o Los Angeles Lakers na temporada passada. Especialmente pela defesa, que é a grande qualidade dele. No ataque, não tem o chute como ponto forte, mas procura se movimentar bastante sem a bola e parece se sentir confortável cortando para a cesta.

Quem também entra na lista de novidades é Quincy Pondexter. Trata-se de alguém que até pode ajudar com chutes de três pontos se receber minutos, mas que só está em Chicago porque o New Orleans Pelicans precisava abrir espaço na folha salarial e o Bulls aceitou recebê-lo junto de uma escolha futura de segunda rodada.

A disputa na rotação e o estilo Hoiberg

Diante de tanta novidade, é de se imaginar que o técnico Fred Hoiberg faça testes atrás de testes e chegue até a gastar a temporada inteira fazendo experiências na rotação. Pensando no time titular, por exemplo, a única certeza é Robin Lopez — isso enquanto ele não for negociado, ideia que passa a fazer muito sentido para uma equipe em reconstrução.

De resto, está tudo aberto. Tanto Kris Dunn como Jerian Grant terão suas chances na armação e possivelmente irão se revezar na titularidade. Antes de o campeonato começar para valer, fica muito complicado tentar arriscar um palpite sobre qual dos dois vai acabar prevalecendo no quinteto com mais minutos do Bulls. Até porque existe o risco de nenhum dos dois aparecer nisso, caso Hoiberg decida seguir por um outro caminho.

Como a ideia do treinador é ter gente versátil em quadra, com múltiplos condutores de bola para iniciar os ataques, não seria absurdo a equipe passar boa parte do tempo sem alguém considerado tradicionalmente da posição um. Então daria para imaginar LaVine fazendo as vezes de armador com outros alas ao seu redor. Ou mesmo Denzel Valentine, que passou a receber mais minutos na reta final da temporada passada.

Paul Zipser mostrou-se bem útil nos dois lados da quadra e foi uma agradável surpresa em sua temporada de novato, depois de ter sido selecionado no fim da segunda rodada do Draft. É alguém em quem o Bulls parece ter mais confiança para os próximos anos e que parece estar pelo menos um passo à frente dos demais concorrentes por minutos nas alas. Mas Holiday também é tido como uma peça de muito valor pelo treinador e Nwaba certamente terá suas oportunidades para mostrar do que é capaz.

A posição quatro também é uma incógnita. Nikola Mirotic demorou, mas assinou um novo acordo para permanecer em Chicago e até deve ser o escolhido para começar os jogos, pelo menos no começo da temporada. O espanhol ainda esbarra na inconsistência e está longe de ser quem os torcedores esperavam quando saiu do Real Madrid. Ou ele se firma agora, ou perderá espaço de vez para Bobby Portis e Lauri Markkanen, que têm características que agradam Hoiberg.

Mesmo se tudo der certo, serão três jogadores que precisariam aparecer em quadra com regularidade. Para isso, algumas formações teriam de reunir dois deles ao mesmo tempo. O que pode ter impacto na participação de Cristiano Felício, cujo longo contrato que assinou mostra o quanto é considerado um jogador a se manter ao longo deste processo de reconstrução.

São dúvidas que não acabam mais, mas uma coisa parece clara: pela primeira vez desde que assumiu o Bulls, Hoiberg terá a chance de trabalhar com um elenco mais próximo à sua filosofia de jogo. O que o fez se tornar especial em Iowa State e que chamou a atenção da turma de Chicago eram as ideias para o sistema ofensivo, baseado em ritmo acelerado, movimentações incessantes e espaçamento da quadra. Coisas que não tinham nada a ver com aquele elenco da temporada passada, que reuniu Jimmy Butler, Rajon Rondo e Dwyane Wade.

É claro que a concentração de talento agora é muito menor e que muitas das ideias deverão esbarrar nas limitações técnicas das peças que ele tem à disposição. Mas não seria absurdo ver o Bulls, mesmo em meio a muitas derrotas, desenvolvendo um estilo de jogo interessante para ser mantido nos anos seguintes.


Abre aspas

“Muita gente fala coisa ruim demais sobre ele. Eu não acho que essas pessoas deveriam fazer isso. Ele ainda não teve a oportunidade de fazer aquilo que o levou a ser contratado. Espero que deem a ele essa condição agora e que ele tenha um time que funcione com a personalidade dele e com o estilo de trabalho dele e dos seus auxiliares. Eles todos foram ótimos comigo. Eu gosto do Fred.”

Foi isso o que disse Dwyane Wade sobre o técnico Fred Hoiberg logo depois de ter assinado a rescisão contratual com o Bulls.


Grau de apelo no League Pass (de 1 a 5)

1,5 (mínimo para baixo) – As coisas podem até ficar um pouco mais animadoras se Lauri Markkanen jogar como no EuroBasket pela seleção da Finlândia e o time se encaixar mais no estilo de Fred Hoiberg. Mesmo que isso aconteça, o Bulls será um time para se acompanhar quando não estiver acontecendo praticamente mais nada na rodada.


Palpite para a temporada

Se as coisas derem muito certo…

… o sistema ofensivo finalmente começa a parecer aquilo que a direção sonhava quando foi buscar Fred Hoiberg em Iowa State, a defesa mostra alguma organização, Lauri Markkanen e boa parte dos outros moleques do elenco mostram um potencial interessante para os próximos anos e o time morde uma das últimas vagas nos playoffs.

Se as coisas derem muito errado…

… o time se mostra um desastre nos dois lados da quadra, vira um saco de pancadas, termina com a pior campanha do Leste e não dá o menor sinal de estar em um caminho animador para o futuro. A não ser que a loteria do Draft seja camarada e resulte na primeira ou na segunda escolha. Mas aí já é uma outra história.

E então?

Será uma enorme surpresa se esse Bulls não perder muito mais jogos do que ganhar. É algo esperado para quem decidiu negociar seu melhor jogador para iniciar uma reconstrução. Mas não seria nada de outro mundo se o time, mesmo esbarrando na falta de talento individual, demonstrasse algum padrão interessante de jogo — mais ou menos como fez o Brooklyn Nets da temporada passada.

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