Guia da temporada 2017/18 da NBA – Cleveland Cavaliers

Luís Araújo

Todos os times serão analisados antes do início da temporada 2017/18 da NBA. Para ver tudo o que já foi publicado nesta série de prévias, basta clicar aqui.

Na temporada anterior

Campanha: 51 vitórias e 31 derrotas

Classificação: 2º lugar da Conferência Leste – vice-campeão, perdeu para o Golden State Warriors na final, depois de passar por Indiana Pacers, Toronto Raptors e Boston Celtics


Elenco para a temporada 2017/18

Provável time titular: Derrick Rose, Dwyane Wade, Jae Crowder, LeBron James, Kevin Love

Reservas: Isaiah Thomas*, José Calderón (armadores), JR Smith, Kyle Korver (alas-armadores), Iman Shumpert, Cedi Osman (alas), Channing Frye, Jeff Green (alas-pivôs), Tristan Thompson e Ante Zizic (pivôs)

* Ainda se recupera de uma lesão no quadril e deve voltar só no meio da temporada

Técnico: Tyronn Lue


O que merece atenção

Quem fica no lugar de Kyrie Irving 

Desde que vazou o pedido dele par ser trocado, já era de se imaginar que, mais cedo ou mais tarde, alguma mudança significativa aconteceria no Cavs. Não deu outra. Depois de chegarem propostas de boa parte dos times da liga, Kyrie foi mandado para o Boston Celtics em troca de Isaiah Thomas, Jae Crowder, Ante Zizic e a escolha de primeira rodada do Brooklyn Nets no Draft de 2018.

Em condições normais, daria para imaginar Thomas se encaixando muito bem ao lado de LeBron James. A defesa sempre inspiraria problemas, mas no ataque ele teria tudo para funcionar sem a bola nas mãos. Seja correndo por bloqueios para depois receber em movimento — como fazia no Celtics — ou parado mesmo, como opção de chute de longe.

O problema é que as condições em torno dele não estão normais. A lesão que o tirou da reta final dos playoffs vai mantê-lo afastado das quadras por um bom tempo. A expectativa dele é poder voltar em janeiro, já quase na metade da temporada. É um tempo considerável que o Cavs precisará se virar com alguma outra solução. A saída por enquanto tem sido Derrick Rose, que assinou um contrato pelo salário mínimo de veterano pouco antes desta troca que mandou Kyrie para o Boston Celtics.

Desde o começo, nunca pareceu uma boa ideia ter Rose em um mesmo quinteto que LeBron. Isso por causa da dificuldade dele em produzir em bola, o que passa pelo arremesso ruim de fora do garrafão e pela capacidade atlética inferior ao de outro tempos. Faria até mais sentido imaginar Rose assumindo um papel de líder da segunda unidade, atuando em minutos reduzidos e comandando o ataque nos momentos em que fosse necessário descansar LeBron. Mas não como um substituto de Kyrie.

A contratação de Dwyane Wade após a rescisão com o Chicago Bulls também abriu uma outra possibilidade para Tyronn Lue com relação à essa questão: usar o veterano nesta vaga de armador no ataque e, se for o caso, escondê-lo na defesa. Tudo isso para que fosse possível manter JR Smith neste quinteto principal. É claro que se trata de um jogador que tecnicamente não chega aos pés de Wade, mas seria interessante mantê-lo pensando no encaixe, já que ele seria capaz de continuar a contribuir com os chutes de três — algo tão importante para quem divide a quadra com LeBron — e no outro lado poderia ser usado para marcar o homem da bola.

Mas pelo o que tem sido mostrado até agora, Lue parece disposto a tentar fazer Rose e Wade jogarem juntos com LeBron. De fato, são as opções mais talentosas para se ter em quadra, mas não são necessariamente as que vão funcionar melhor. A falta de um bom arremesso de longe — especialmente Rose — será preocupante. Para compensar as limitações de encaixe e fazer com que as qualidades de cada um possam aparecer, será preciso que ocorra muita movimentação sem bola e um bom grau de organização para eles realmente conseguirem abrir espaços na defesa quando estiverem se mexendo.

O novo quinteto e o elenco profundo

Enquanto Isaiah Thomas não voltar, a ideia de Tyronn Lue é ter Derrick Rose ao lado de Dwyane Wade e LeBron James no quinteto principal, deslocando JR Smith para o banco de reservas. Mas uma outra decisão importante foi tomada pelo treinador com relação ao time titular: a entrada de Jae Crowder na vaga de Tristan Thompson, transformando Kevin Love em pivô.

Antes mesmo de os treinos para a temporada começarem, Lue já tinha se reunido com a comissão técnica para analisar vídeos da final e discutir estratégia que pudessem levar a uma vitória em um possível novo cruzamento com o Golden State Warriors na decisão. A ideia de construir essa nova formação apareceu pouco depois disso e sugere ter sido algo pensando já em como bater os atuais campeões, ainda que não venha a funcionar com todos os outros times da NBA.

Love vai precisar dar um jeito de segurar a onda contra gente que tentar tirar vantagem dele perto da cesta e, principalmente, conseguir responder melhor nas vezes em que for envolvido em um bloqueio fora do garrafão. Se isso acontecer, ótimo. Porque a ideia é abrir margem para que um defensor versátil no perímetro como Crowder possa ter mais espaço no time.

Mas a grande motivação por trás disso aí é o ataque. Lue declarou que quer ver o time espaçando a quadra ao máximo, fazendo todo mundo arrastar os adversários para longe da cesta. Love é muito bom arremessador e tem uma série de outras qualidades ofensivas para funcionar neste papel de pivô adaptado. E Crowder vem de uma temporada na qual acertou quase 40% dos chutes de três que tentou.

Ainda que isso acabe não dando tão certo assim ao longo da temporada, dá para dizer que opções não faltar para Lue fazer experiências em busca do que considerar ideal. Além dos agora ex-titulares JR Smith e Tristan Thompson, o banco conta com especialistas em tiros de três como Kyle Korver e Channing Fye, além de gente como Iman Shumpert e o recém-chegado Jeff Green, que podem atuar em múltiplas posições quando em quadra. E não custa lembrar mais uma vez que, se der tudo certo, Isaiah Thomas volta em janeiro.

Em termos de quantidade de peças de boa qualidade, dá para dizer que esse é o melhor elenco que já foi colocado ao redor de LeBron. O desafio agora é encontrar o encaixe certo no meio de tantas opções.

Defesa

Esse foi um problema grande do Cavs durante a fase de classificação, especialmente em transição. Até dava para imaginar que as coisas melhorariam nos playoffs, quando os jogos fossem levados mais a sério. De fato houve uma evolução, mas discreta. No fim das contas, pode-se dizer que o time passou a temporada inteira sem conseguir apresentar uma boa defesa de maneira consistente.

Não foi isso o que evitou o passeio pela Conferência Leste. Mas ficou bem claro na final que seria necessário um sistema defensivo um pouco melhor para aumentar as chances contra o Golden State Warriors. Os lapsos e as falhas de comunicação custavam caro. E se Lue está pensando tanto em maneiras de vencer um adversário que parecia muito acima do resto da NBA na temporada passada, é bom que busque soluções para isso.

Uma coisa que chamou a atenção em alguns momentos durante a pré-temporada foi uma tentativa do Cavs de tentar implantar uma marcação por zona. Não deu muito certo, mas é natural mesmo que isso seja assim no começo. O entrosamento para evitar que buracos se abram no meio do garrafão nestas horas vem com o tempo. Mas pode sr que isso nunca apareça também, é claro. De qualquer maneira, será interessante acompanhar os próximos passos desta experiência.


Abre aspas

“Acho que seremos muito melhores. Temos várias peças diferentes no elenco. Estamos mais profundos. Temos muitos jogadores versáteis e podemos usar muitas formações diferentes. Então vai ser um pouco diferente mesmo, mas imagino que temos uma chance maior.”

A declaração é de Tyronn Lue, confiante de que as novidades no elenco deixaram o Cavs em condição melhor de vencer o Golden State Warriors e voltar a comemorar o título.


Grau de apelo no League Pass (de 1 a 5)

5 (máximo) – O Cavs vem de três finais seguidas, tem o melhor jogador do mundo, fez uma mudança importante na base do que vinha dando certo e deixou o elenco muito mais profundo. Tudo isso admitindo para quem quisesse ouvir que a motivação na temporada é encontrar respostas para lidar melhor com o Golden State Warriors em uma eventual nova decisão. Esse time até costumava levar a fase de classificação nas coxas até o ano passado, mas há motivos para acreditar que desta vez as coisas serão bem mais interessantes.


Palpite para a temporada

Se as coisas derem muito certo…

… Isaiah Thomas volta como se nunca tivesse se machucado, Tyronn Lue vê suas experiências funcionarem e o Cavs não só mantém a dominância no Leste como dá um jeito de acabar com o Golden State Warriors na final, conquistando assim o seu segundo título.

Se as coisas derem muito errado…

… o Boston Celtics (ou o Washington Wizards, ou algum outro time qualquer, vai saber?) vence o Leste e põe um fim em um reinado de LeBron James dentro da conferência que já dura desde 2011.

E então?

O Cavs até deve ser mais desafiado se cruzar novamente com o Boston Celtics, mas ainda é o grande favorito para vencer a Conferência Leste. Mas vencer o Golden State Warriors na decisão continua sendo algo difícil demais de se imaginar.

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