Guia da temporada 2017/18 da NBA – Dallas Mavericks

Luís Araújo

Todos os times serão analisados antes do início da temporada 2017/18 da NBA. Para ver tudo o que já foi publicado nesta série de prévias, basta clicar aqui.

Na temporada anterior

Campanha: 33 vitórias e 49 derrotas

Classificação: 11º lugar da Conferência Oeste – fora dos playoffs


Elenco para a temporada 2017/18

Provável time titular: Dennis Smith Jr, Seth Curry, Wesley Matthews, Harrison Barnes, Dirk Nowitzki

Reservas: Yogi Ferrell, JJ Barea, Devin Harris (armadores), Dorian Finney-Smith (ala), Dwight Powell, Josh McRoberts (alas-pivôs), Nerlens Noel, Jeff Withey e Salah Mejri (pivôs)

Técnico: Rick Carlisle


O que merece atenção

Dennis Smith Jr

Se as coisas saírem como planejado, o próximo grande líder do Mavericks para depois que Nowitzki se aposentar já está em Dallas. Existe uma expectativa enorme sobre o futuro do armador, selecionado na nona escolha do Draft. Mas também se espera que ele seja capaz de dar alguma contribuição importante logo de cara e brigar forte pelo prêmio de melhor novato da temporada.

Durante o tempo na universidade, ele chamou a atenção pela explosão e pela facilidade em desequilibrar defesas e criar espaços a partir dos ataques constantes ao aro, seja explorando o “pick and roll” ou mesmo apostando no drible. Se for capaz de arremessar de fora do garrafão de maneira consistente, terá tudo para se tornar um pontuador bastante eficiente na NBA. E se um dia vier a adicionar o tiro de três pontos ao seu arsenal, melhor ainda.

O desempenho na Summer League causou uma excelente primeira impressão. É claro que existe um abismo entre o nível técnico desta competição e o que ele vai encontrar na NBA, mas o potencial ficou evidente. Além disso, Smith teve o comportamento no dia a dia de trabalho elogiado por Rick Carlisle, que se disse impressionado com a capacidade atlética, com as jogadas espetaculares que tem visto e com maneira como um garoto de 19 anos tem aprendido tanta coisa em tão pouco tempo.

Resta só ver como essa relação entre os dois vai se desenrolar. Se tem uma posição em que é difícil jogar com Carlisle é a de armador. O treinador gosta de chamar a jogada a ser executada do lado de fora da quadra em toda santa posse de bola, o que limita o poder de decisão de quem estiver armando. Além disso, o esquema tático da equipe costumava pedir constante movimentação de bola no perímetro, sem que alguém a dominasse por muito tempo. Será que o comandante vai se dobrar a Smith e mudar um pouco a sua postura com relação a isso?

Small-ball

É uma das duas ideias de Carlisle para a temporada que chamam muito a atenção — a outra será abordada no próximo tópico. Não é algo que chega a chocar quem acompanhou o Mavericks recentemente. Em determinados momentos da temporada passada, quando ainda havia chances de classificação para os playoffs, o Mavericks testou uma formação bem baixa que deixava Dirk Nowitzki na posição cinco, Harrison Barnes na quatro e outros três jogadores abertos.

Era uma tentativa de esconder um pouco mais as limitações defensivas de Nowitzki, ainda mais evidentes aos 39 anos, ao mesmo tempo em que se corria o risco de ver os adversários punindo no “mismatch” perto da cesta. Mas em uma época em que o jogo perto da cesta não tem sido tão explorado assim, o treinador entendeu que a aposta valia a pena e agora parece convencido a abrir a nova temporada desta maneira.

Esse risco defensivo vai sempre existir e Nowitzki vai continuar precisando dar um jeito de não comprometer quando for envolvido por pivôs adversários em bloqueios longe da cesta. Mas também é preciso ressaltar que Barnes está acostumado a entregar um bom trabalho na defesa, tanto longe da cesta como até mesmo perto dela, desde os tempos de Golden State Warriors, que o time vai ficar bem mais rápido e com possibilidades ofensivas interessantes.

Não será nem um pouco confortável para os adversários, por exemplo, quando Nowitzki fizer jogadas de “pick and pop” com Smith, arrastando assim o pivô para longe da cesta, abrindo caminho para a infiltração do armador e ainda oferecendo a possibilidade de chutar de longe se a defesa resolver centrar esforços em combater Smith. Especialmente com uma outra ameaça em tiros de três como Seth Curry aberto no lado da quadra como opção de passe, dificultando a ajuda.

Também dá para imaginar Nowitzki recebendo a bola e a colocando no chão para atacar contra um pivô desequilibrado longe da cesta, o que poderia continuar quebrando ainda mais a marcação rival. Foi algo que apareceu na temporada passada e proporcionou alguns resultados interessantes. Sem falar que Nowitzki ainda consegue receber a bola na média distância e criar espaço para a finalização, mesmo com jogadores da posição cinco o marcando. Será curioso isso acontecendo enquanto os companheiros se movimentam para dar opção de passe e sem um pivô perto da cesta para proteger o aro, já que esse pivô estará o acompanhando.

É uma experiência que pode dar muito certo ou muito errado. Mas não dá para dizer que não será curioso acompanhar o que vai acontecer.

Pressão quadra inteira

É a outra ideia ousada de Carlisle para a temporada. A intenção é que a defesa seja uma característica forte do time nesta temporada e que essa formação mais baixa, de jogadores teoricamente mais velozes, consiga fazer a agilidade se tornar uma vantagem contra seus oponentes e pressioná-los desde os primeiros segundos de posse de bola.

Carlisle falou que a diferença de tamanho pode virar uma desvantagem a partir do meio da quadra, quando o time precisar defender em situações equilibradas de cinco contra cinco, e que não se importa em correr o risco de ver seus jogadores marcando oponentes mais altos no “post-up”. Mas ponderou que a rapidez e a habilidade de poder cobrir a quadra toda na hora de defender pode colocar muita pressão em cima dos armadores das outras equipes.

Para isso ter alguma chance de dar certo, o treinador vai precisar confiar no elenco e usar uma rotação profunda, já que ninguém vai ter fôlego para manter esse tipo de defesa durante o jogo todo. Também vai precisar que o ataque realmente funcione — o que costuma acontecer nas equipes de Carlisle, mas vai saber, né? Afinal de contas, é muito melhor tentar emplacar essa pressão quando o adversário vai cobrar o fundo bola do que após um rebote defensivo ou um roubo de bola.

Cabe aqui o mesmo comentário sobre o “small-ball’: é uma experiência que pode dar muito certo ou muito errado, mas não dá para dizer que não será curioso acompanhar o que vai acontecer.


Abre aspas

“Se eu perder de novo 30 ou 40 jogos seguidos, daí, obviamente, seria um sinal de que não dá para continuar. Mas se eu permanecer saudável como no final da temporada passada, quando considero que me movimentei bem em quadra e fiz algumas boas partidas, então talvez eu continue por mais duas temporadas. Vamos ver o que acontece.”

A declaração é de Dirk Nowitzki, prestes a começar a sua vigésima temporada como profissional.


Grau de apelo no League Pass (de 1 a 5)

3 (médio) – Não é um time que será tão competitivo assim no Oeste, mas vai valer a pena dar uma olhada sempre que possível no que Dirk Nowitzki ainda consegue entregar, nos primeiros passos do promissor Dennis Smith e nas experiências com formações baixas que Rick Carlisle parece disposto a fazer.


Palpite para a temporada

Se as coisas derem muito certo…

… o time belisca uma das últimas vagas aos playoffs. Não dá para pensar em nada muito além disso, mas tudo bem. Já seria uma vitória e tanto, tendo em vista que o Mavericks não ficou entre os oito melhores da conferência na temporada passada e o Oeste ficou bem mais selvagem em termos de competitividade. E se isso acontecesse mesmo, provavelmente Dennis Smith Jr seria um fortíssimo candidato ao prêmio de melhor novato.

Se as coisas derem muito errado…

… a campanha será recheada de derrotas e ficará entre as piores da liga. Não que isso seja um segredo de outro mundo ou algo que ninguém tenha imaginado antes, mas Mark Cuban falou abertamente sobre como o Mavericks resolveu abraçar o “tank” na temporada passada a partir do momento que se viu sem chances de playoffs. Então não seria absurdo isso acontecer de novo, já que o time não parece estar entre os favoritos a uma vaga entre os oito do Oeste. Mas o pior de tudo mesmo, muito além dos resultados, seria se Dennis Smith Jr não conseguisse corresponder às expectativas e despertasse dúvidas sobre o sucesso na NBA nos próximos anos.

E então?

O Mavericks não deverá entrar para os playoffs, mas tem tudo para ser um time interessante de se ver e parece ser capaz de vez ou outra fazer bons duelos contra fortes concorrentes. E por parecer que tem mais qualidade do que algumas outras equipes do Oeste, só deverá aparecer entre os lanternas da conferência se fizer um “tank” muito forte mesmo.

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