Guia da temporada 2017/18 da NBA – Denver Nuggets

Luís Araújo

Todos os times serão analisados antes do início da temporada 2017/18 da NBA. Para ver tudo o que já foi publicado nesta série de prévias, basta clicar aqui.

Na temporada anterior

Campanha: 40 vitórias e 42 derrotas

Classificação: 9º lugar da Conferência Oeste – fora dos playoffs


Elenco para a temporada 2017/18

Provável time titular: Jamal Murray, Gary Harris, Wilson Chandler, Paul Millsap e Nikola Jokic

Reservas: Emmanuel Mudiay, Jameer Nelson, Monte Morris (armadores), Malik Beasley (ala-armador), Will Barton, Torrey Craig (alas), Kenneth Faried, Darrell Arthur, Juan Hernangomez, Trey Lyles e Tyler Lydon (alas-pivôs)

Técnico: Mike Malone


O que merece atenção

A chegada de Paul Millsap e as opções para o garrafão

Depois de estourar e se consolidar como uma estrela da NBA no Atlanta Hawks, Paul Millsap resolveu se mandar para Denver. Pelo o que mostrou nos últimos anos, o Nuggets tem muito a ganhar nos dois lados da quadra com a chegada do ala-pivô.

Na marcação, tem sido há um tempo um dos melhores da NBA em sua posição. A versatilidade para encarar trocas e pressionar os adversários a erros longe da cesta ajudou muito o Hawks a ficar entre os cinco primeiros no ranking de eficiência defensiva. No ataque, é ótimo passador e pode colocar a bola no chão para atacar quando recebe a marcação individual, mas também sabe jogar sem a bola nas mãos e abrir espaço na quadra — mesmo não chegando a ser um especialista em tiros de longa distância. Tem tudo para ser um bom encaixe ao lado de Nikola Jokic.

A chegada de Millsap acabou resultando na saída de Danilo Gallinari, que foi usado na posição quatro nos dois quintetos mais utilizados pelo Nuggets na temporada passada. Os resultados foram positivos. Uma formação, que passou 207 minutos em quadra, teve ele com Emmanuel Mudiay, Gary Harris, Wilson Chandler e Jokic. O “Net Rating” (média da diferença de pontos anotados e sofridos a cada 100 posses de bola) foi de +4,6 pontos. A outra, que só teve como diferença a entrada de Jameer Nelson no lugar de Mudiay e que recebeu 198 minutos, apresentou +3,0 de “Net Rating”.

Gallinari tem um chute de longe melhor e funcionou muito bem com Jokic. Millsap tem tudo para também se entender bem com o pivô sérvio no ataque e, principalmente, representar uma grande evolução defensiva. Se tudo correr dentro do que se imagina, é uma troca que vale muito a pena para o Nuggets. Mas vai saber, né? É bom ficar de olho para ver se isso de fato se confirma.

Além de Millsap, o Nuggets tem como novidades para essa posição o novato Tyler Lydon e Trey Lyles, que veio em uma troca com o Utah Jazz. Isso sem falar em Darrell Arthur e Juan Hernangomez, que receberam mais de 13 minutos por jogo na temporada passada. Hernangomez, aliás, recebeu ainda mais oportunidades e causou muito boa impressão na segunda metade do campeonato. Mostrou que pode ajudar bastante nos rebotes, mas o que o fez chamar mesmo a atenção foi o arremesso interessante em situações de “catch and shoot” e os cortes sem bola para a cesta. Na seleção espanhola, ele chegou a ser usado na posição três. Talvez Mike Malone o teste desta maneira também, mas o mais provável é que ele morda minutos na rotação como ala-pivô.

Sobra Kenneth Faried, que até recebeu mais minutos do que Arthur e Hernangomez na temporada passada e até poderia tentar se encaixar como opção a partir do banco de reservas, mas que chegou a declarar que espera ser titular. Tendo em vista que isso não vai acontecer e toda a quantidade de alternativas que existem no elenco para a posição, fica a dúvida: o que o Nuggets vai fazer com ele? Encaixá-lo em uma troca seria o ideal, resta saber como e com quem isso seria arquitetado.

O que deixa ainda mais pesada essa concorrência por minutos no garrafão é a manutenção de Mason Plumlee, que assinou um novo contrato com o Nuggets e pode manter o padrão de jogo da equipe quando Jokic estiver no banco, já que também é um pivô que tem o passe longe da cesta como ponto mais forte. E nem será algo inédito se Mike Malone deixá-lo jogando alguns minutos ao lado de Jokic, deixando assim dois potenciais passadores que podem operar fora do garrafão, e até liberando o sérvio para chutar mais vezes de longe.

O sistema ofensivo

Foi a coisa que melhor funcionou no Nuggets na temporada passada. A média de 110 pontos a cada 100 posses de bola foi a quinta maior da liga, atrás apenas das de Golden State Warriors, Houston Rockets, Cleveland Cavaliers e Los Angeles Clippers. Mas se for levado em conta só o trecho depois de Nikola Jokic ter virado titular, depois de dezembro, o índice de eficiência ofensiva foi de 113,3 pontos, maior do que o de qualquer outra equipe da NBA.

Não foi coincidência. Jokic mostrou que era bom demais para ficar no banco de reservas e assumiu o papel de foco principal deste sistema ofensivo com sua capacidade única de dar passes. Depois de alguém levar a bola para o ataque, ele era acionado e via seus companheiros se mexerem sem parar até alguém aparecer em boa condição de finalizar — seja na linha dos três pontos ou em cortes para a cesta.

Não era só isso. Precisava de alguém para fazer o “pick and roll” e castigar a defesa depois de girar para a cesta? Sem problemas para Jokic. “Handoffs” simples na linha de três para companheiros continuarem correndo e conseguirem alguma separação em relação aos seus marcadores? Tranquilo. E se ele estivesse com a bola nas mãos e sem uma opção de passe tão clara? Tudo bem, era só bater para cima do seu defensor e fintá-lo antes da finalização, sem drama.

Agora, pela primeira vez, o Nuggets vai começar uma temporada deste jeito, com Jokic sendo o grande arquiteto das jogadas. E aí? Esse nível muito alto de rendimento será mantido? A capacidade de as peças ao redor do pivô continuarem se movimentando e a eficiência dos bloqueios sem bola serão determinantes para isso. Mas também ajudaria muito se as bolas de três caíssem com uma boa frequência. Nas 30 partidas no campeonato passado em que a equipe teve pelo menos 40% de aproveitamento nestes chutes, foram 21 vitórias e nove derrotas. Neste sentido, vale também observar se Danilo Gallinari fará alguma falta.

Um outro ponto interessante na esteira disso tudo passa pela armação. Emmanuel Mudiay ainda não deu certo na NBA e tem um arremesso deficiente. Com Jokic assumindo a função de principal organizador de jogadas e precisando de gente que se encaixe sem bola ao redor dele, vale mais a pena então ter alguém com outro perfil nesta vaga no quinteto principal. É por isso que são boas as chances de Jamal Murray assumir esse espaço e passar mais tempo ao lado de Gary Harris.

Murray chegou à NBA tendo o chute de longe como uma de suas virtudes, tem tudo para melhorar nisso com o passar dos anos e passou a ser mais usado por mais tempo enquanto novato levando a bola para o ataque. E Harris não só se mexe muito sem bola no ataque como vem de uma temporada na qual acertou 42% dos tiros de três que tentou.

A defesa vai funcionar?

Mesmo com um ataque que funcionou tão bem, o Nuggets teve mais derrotas do que vitórias na última temporada e não conseguiu se classificar para os playoffs. O que funcionou mal? A defesa, que foi a segunda menos eficiente da última temporada com média de 110,5 pontos tomados a cada 100 posses de bola. Só o Los Angeles Lakers foi pior e teve um desempenho praticamente igual: 110,6 pontos.

Paul Millsap é um dos melhores defensores da NBA nos últimos anos e deve ajudar bastante enquanto estiver em quadra, mas também não vai fazer milagres sozinho. As peças que já estavam lá terão de mostrar alguma evolução. Será que conseguirão fazer isso? O que Mike Malone vai fazer para facilitar isso?


Abre aspas

“Eu perguntei a Millsap o que ele estava procurando e o que ele queria. Ele me deu uma resposta de uma palavra: ‘funcionalidade’. Aí eu disse para ele: ‘Nós tivemos uma grande temporada, vencemos sete jogos a mais do que na temporada anterior. Mas eu te prometo que você nunca vai se sentir em um ambiente sem funcionalidade por aqui. A cultura mudou. O clima no vestiário mudou nestes anos depois que cheguei.’ Ainda há mais mudanças para acontecer e Paul vai nos ajudar nisso.”

Essa foi a história que Mike Malone contou sobre o encontro que teve com Paul Millsap antes de o ala-pivô assinar com o Nuggets como agente livre.


Grau de apelo no League Pass (de 1 a 5)

4 (alto) – É um time capaz de entregar boas doses de diversão toda vez que entrar em quadra. Uma evolução defensiva só viria a ajudar, é claro. Mas mesmo que isso não aconteça, vai valer a pena ficar de olho no encaixe de Paul Millsap neste elenco e, principalmente, nos coelhos que Nikola Jokic tirar da cartola.


Palpite para a temporada

Se as coisas derem muito certo…

… o ataque mantém o alto nível da temporada passada, a defesa dá uma boa evoluída e o Nuggets volta para os playoffs com alguma tranquilidade, mesmo dentro de um Oeste extremamente concorrido.

Se as coisas derem muito errado…

… o ataque cai, a defesa continua a mesma porcaria e o Nuggets tem mais uma temporada com mais derrotas do que vitórias e fora dos playoffs. Seria a quinta consecutiva.

E então?

É difícil imaginar o Nuggets não dando certo com Paul Millsap e sem melhorar em relação ao ano passado. Ainda não parece ser um time capaz de desafiar as grandes potências da conferência, mas tem tudo para voltar aos playoffs pela primeira vez de 2013.

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