Guia da temporada 2017/18 da NBA – Detroit Pistons

Luís Araújo

Todos os times serão analisados antes do início da temporada 2017/18 da NBA. Para ver tudo o que já foi publicado nesta série de prévias, basta clicar aqui.

Na temporada anterior

Campanha: 37 vitórias e 45 derrotas

Classificação: 10º lugar da Conferência Leste – fora dos playoffs


Elenco para a temporada 2017/18

Provável time titular: Reggie Jackson, Avery Bradley, Tobias Harris, Anthony Tolliver e Andre Drummond

Reservas: Ish Smith, Beno Udrih, Langston Galloway (armadores), Luke Kennard, Luis Montero (alas-armadores), Stanley Johnson, Reggie Bullock (alas), Jon Leuer, Henry Ellenson, Eric Moreland (alas-pivôs) e Boban Marjanovic (pivô)

Técnico: Stan Van Gundy


O que merece atenção

As caras novas

O Pistons não fez tantas alterações assim no elenco em relação à temporada passada em termos de quantidade, mas as mudanças que aconteceram foram em peças significativas. Kentavious Caldwell-Pope assinou um contrato com o Los Angeles Lakers, Marcus Morris foi mandado ao Boston Cetics em uma troca por Avery Bradley, Luke Kennard foi selecionado na primeira rodada do Draft e tanto Langston Galloway como Anthony Tolliver vieram como agentes livres saindo de Sacramento.

Kennard mostrou muito potencial enquanto pontuador nos tempos de Duke. Nem tanto atacando a cesta, mas principalmente em arremessos de longa distância, que podem ser dados tanto em situações nas quais está parado e só recebe o passe como em movimento, correndo por bloqueios para se desmarcar.

É difícil imaginar o quanto ele terá de espaço neste primeiro ano, principalmente porque Galloway também pode ser usado nas posição dois. Mas vale a pena ficar de olho na contribuição que o calouro entregará nos momentos em que entrar em quadra, especialmente por não ser alguém que precise ter a bola nas mãos o tempo todo e que sabe se movimentar sem ela durante os ataques. Na defesa, tem suas dificuldades, principalmente pela falta de velocidade lateral. Será que isso apareceria bastante ou o time conseguiria esconder essa limitação.

Tolliver vem de uma temporada em que chutou mais de 39% para três e pode ajudar a abrir a quadra na posição quatro. Galloway também teve aproveitamento na casa dos 30% em bolas de três na temporada passada e, como já citado, pode sair do banco para entregar alguns bons minutos ocupando tanto a posição um como a posição dois. Mas a grande novidade deste elenco é mesmo Bradley, que era adorado em Boston e só saiu de lá porque o Celtics não encontrou outra maneira de abrir espaço na folha salarial para viabilizar a contratação de Gordon Hayward.

Bradley é um dos melhores e mais versáteis defensores de perímetro da NBA, totalmente acostumado a marcar o melhor jogador do time adversário. Mas também é justo apontar que ele vem evoluindo cada vez mais no outro lado da quadra. Na temporada passada, assim como Tolliver e Galloway, teve aproveitamento de 39% nas bolas de três. Além disso, ajudou bastante com seus cortes sem bola e no momento certo em direção à cesta, que o permitiam ser acionado com liberdade dentro do garrafão para finalizar se seu defensor tivesse um segundo de desatenção.

Em suma: Bradley é um jogador que entrega praticamente tudo o que Caldwell-Pope fazia e muito mais.

Posição quatro

Enquanto Avery Bradley é mais do que capaz de ocupar o espaço deixado por Kentavious Caldwell-Pope, resta saber ainda quem vai preencher o outro buraco deixado no time que vinha sendo titular do Pistons, após a saída de Marcus Morris. Tendo em mente que Stan Van Gundy está no banco de reservas e que Andre Drummond é o pivô desta equipe, é de se imaginar uma inclinação do treinador a colocar na posição quatro alguém capaz de jogar longe da cesta para ajudar a abrir espaços na quadra.

Os 39% em bolas de três pontos colocam Tolliver como uma possibilidade forte para Van Gundy nesta disputa. Henry Ellenson, talentoso para definir, e Jen Leuer, elogiado pelo comandante pela habilidade em tomar decisões e fazer as jogadas continuarem a fluir, correm por fora. Isso se Tobias Harris for mesmo mantido na posição três, ideia que perde um pouco de força depois da saída de Morris. O treinador pode então deslocar Harris, que passa longe de ser um grande especialista em tiros de longa distância, mas que também não é um sujeito que será tranquilamente abandonado pelas defesas e, principalmente, sabe muito bem como trabalhar quando recebe a bola fora do garrafão.

Assim, Stanley Johnson poderia ganhar a vaga que se abriria na posição três. Mas para isso precisaria dar um alto ofensivo importante em relação à temporada passada, quando até continuou mostrando alguns sinais interessantes na defesa, mas apresentou uma preocupante queda ofensiva e ficou ainda mais longe de se consolidar como uma opção realmente confiável para os dois lados da quadra. Poderia então Luke Kennard, que tem um arremesso muito melhor, se aproveitar desta brecha e ganhar algum espaço por aí? Não seria uma ideia a se descartar.

Espaçamento

De qualquer maneira, independentemente de como resolva escalar o quinteto do Pistons, o espaçamento e a capacidade de ameaçar de longe precisam ser uma grande preocupação de Van Gundy. Especialmente para um time que tanto usa o “pick and roll” entre Reggie Jackson e Andre Drummond. É fundamental nestas horas ter alguém perigoso aberto na linha de três se as defesas resolverem mobilizar um terceiro marcador para tentar conter essa jogada.

Na última temporada, o Pistons teve aproveitamento de apenas 33% nas bolas de três, o terceiro pior da liga, superando só Orlando Magic e Oklahoma City Thunder. Na verdade, o ataque como um todo foi deficiente. O time teve a sexta pior marca em eficiência ofensiva, sofrendo para pontuar tanto em transição como em situações de cinco contra cinco.

Por chutar de três e saber trabalhar de outras maneiras sem bola, Avery Bradley pode oferecer uma boa ajuda a esse sistema ofensivo. Mas o grosso mesmo vai depender de um melhor rendimento dos dois principais jogadores. Tanto de Drummond para aproveitar melhor o corredor que se abrir para finalizar em movimento perto da cesta como, principalmente, de Reggie Jackson tomando decisões melhores com a bola nas mãos.

Um pouco de evolução neste ataque poderia render coisas muito boas para a equipe e aumentar bem as chances de superar a campanha decepcionante da temporada passada.


Abre aspas

“Começar jogando é uma coisa boa, claro, pois mostra que você faz parte da elite do time. Para o que tenho como aspirações para a minha carreira, eu preciso estar na elite do meu time para depois estar na elite da liga. Mas no fim das contas, a grande questão é estar jogando e aparecer em quadra ao lado das pessoas certas nos momentos certos. Se estiver em quadra por 30 ou 40 minutos, eu realmente não vou me importar em ser titular ou não.”

A declaração é de Stanley Johnson, que busca aproveitar a saída de Marcus Morris para conquistar mais minutos na rotação e ver a carreira deslanchar de vez.


Grau de apelo no League Pass (de 1 a 5)

2 (baixo) – Ainda que tenha lutado até o fim por uma vaga nos playoffs, foi um dos times mais chatos de se acompanhar na temporada passada. A chegada de Avery Bradley não parece ser o suficiente para mudar muita coisa. Será preciso que pouca coisa esteja acontecendo no mesmo dia para que o Pistons ganhe atenção no League Pass.


Palpite para a temporada

Se as coisas derem muito certo…

… o Pistons volta a ter campanha acima dos 50% de aproveitamento, entra nos playoffs e até se coloca em condição de sonhar com o mando de quadra na primeira rodada. Ou pelo menos evita as últimas vagas na zona de classificação e foge de um cruzamento com Boston Celtics ou Cleveland Cavaliers, bichos papões da conferência.

Se as coisas derem muito errado…

… repete a campanha da temporada passada, ou algo perto disso, e fica mais um ano ausente dos playoffs. O que seria um grande fracasso neste Leste e inevitavelmente levaria a uma grande reflexão sobre o que fazer para voltar a ver as coisas andarem.

E então?

Em um Leste teoricamente mais fraco em relação à temporada passada, o Pistons tem tudo para vencer mais do que 37 vezes e brigar por uma das últimas vagas aos playoffs.

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