Guia da temporada 2017/18 da NBA – Golden State Warriors

Luís Araújo

Todos os times serão analisados antes do início da temporada 2017/18 da NBA. Para ver tudo o que já foi publicado nesta série de prévias, basta clicar aqui.

Na temporada anterior

Campanha: 67 vitórias e 15 derrotas

Classificação: 1º lugar da Conferência Oeste – campeão sobre o Cleveland Cavaliers, depois de passar por Portland Trail Blazers, Utah Jazz e San Antonio Spurs


Elenco para a temporada 2017/18

Provável time titular: Stephen Curry, Klay Thompson, Kevin Durant, Draymond Green e Zaza Pachulia

Reservas: Shaun Livingston (armador), Patrick McCaw, Nick Young (alas-armadores), Andre Iguodala, Omri Casspi (alas), David West, Kevon Looney, Jordan Bell (alas-pivôs), Damian Jones e JaVale McGee (pivôs)

Técnico: Steve Kerr


O que merece atenção

Motivação

É uma questão que nunca deixa de ser pertinente a times que conquistam o título. Afinal de contas, o grande objetivo já foi alcançado, e por mais que qualquer atleta do mundo sempre queira ser campeão, não é todo mundo que passa por todo o processo de novo com o mesmo apetite. No caso de quem disputou as três últimas finais e ganhou dois títulos, então, essa dúvida sobre motivação pode ser ainda maior.

O discurso dos jogadores do Warriors antes da temporada e até mesmo do técnico Steve Kerr é construir uma dinastia que possa se assemelhar à do Chicago Bulls nos anos 1990. Eles sabem que, para isso, é preciso ganhar mais alguns títulos em sequência. Então parece seguro imaginar que ninguém está satisfeito com o que tem agora. Paralelamente a isso, Klay Thompson andou declarando que aceitaria um corte salarial quando chegar a hora de renovar o seu contrato, tudo para poder permanecer no time. É mais um sinal bastante positivo.

De qualquer maneira, o Warriors tem talento de sobra para continuar sendo o time a ser batido na NBA. Principalmente quando levar os jogos realmente a sério, colocando em quadra toda a disposição do mundo para fazer todas as coisas pequenas que se aliam à qualidade das peças do elenco e que tornam essa equipe tão poderosa. O negócio é saber em que ponto exatamente a temporada isso vai acontecer.

Pode ser que isso só ocorra nos playoffs e, mesmo assim, o Warriors se classificar com o primeiro lugar do Oeste. Esse time é bom o bastante para conseguir fazer isso e, a partir do momento em que estiver realmente focado, dominar qualquer adversário nos dois lados da quadra.

O achado no Draft

Jordan Bell foi selecionado na segunda rodada do Draft pelo Chicago Bulls, mas imediatamente foi negociado com o Warriors em troca de uma quantia em dinheiro. No mesmo dia em que isso aconteceu, já apareceu gente dizendo que o resto da NBA estava dando um jeito de deixar os atuais campeões ainda mais ricos. Afinal de contas, trata-se de um jovem que tem uma versatilidade defensiva impressionante, capaz de encarar trocas na defesa no perímetro e atuar como um protetor do aro em formações mais baixas. Houve até quem o colocasse em um paralelo com Draymond Green.

Depois dos treinos e da pré-temporada, essa impressão positiva sobre o calouro só parece ter aumentado. Foi realmente impressionante ver Bell defendendo e atuando como um passador no ataque, sem a necessidade de fazer pontos. Tanto que o próprio Draymond Green afirmou que precisou garantir que estaria no melhor da sua forma para a partida de estreia na temporada para não perder sua vaga no time titular. Claro que foi um exagero, mas parece mesmo, cada vez mais, que todas as equipes que tiveram a chance de selecioná-lo e o deixaram passar dormiram no ponto.

As outras caras novas

As principais peças do elenco são as mesmas. O que mudou foram algumas peças de menor espaço na rotação. Saíram Ian Clark, James Michael McAdoo e Matt Barnes, que tinha chegado no fim da temporada passada. Essas três vagas foram preenchidas por Bell e por outras duas peças que parecem ser bem interessantes: Nick Young e Omri Casspi.

Young estava no Los Angeles Lakers, passou um tempo no Washington Wizards antes e tem uma reputação de quem ama chutar e mais nada. Nunca foi levado a sério por muita gente, mas as estatísticas avançadas mostram alguns dados extremamente curiosos e que sugerem um ótimo encaixe dele neste Warriors.

De acordo com dados do Synergy, de 216 jogadores que participaram de pelo menos 500 posses de bola ao longo da temporada passada, Young foi o nono melhor em eficiência de pontuação. Além disso, teve 40,5% de aproveitamento em bola de três e foi, ao lado de Stephen Curry e Klay Thompson, um dos três melhores arremessadores em situações de “catch and shoot”. Para sair do banco e colaborar por alguns minutos em uma equipe extremamente organizada, está de ótimo tamanho. O mesmo vale para Casspi, outro arremessador muito bom e excelente passador.


Abre aspas

“Eu arremessaria essa droga. Depois eu chegaria neles e diria: ‘Foi mal, eu não vi vocês livres, pensei que o tempo no relógio estava acabando.'”

Essa foi a resposta que Nick Young deu, dando risada, quando foi questionado sobre o que faria se chegasse no fim do jogo com a oportunidade de arremessar, mas visse Kevin Durant e Stephen Curry com espaço para chutar.


Grau de apelo no League Pass (de 1 a 5)

5 (máximo) – É bom se preparar para acompanhar quantos jogos forem possíveis deste time, que tem quatro grandes estrelas e conquistou o título na temporada passada dominando todo mundo que apareceu pelo caminho. Portanto, qualquer coisa que aconteça em quadra com o Warriors ao longo da temporada será interessante de se acompanhar. Vitória fácil? Vale a pena ver como essa distância foi aberta. Jogo equilibrado ou derrota? Então é bom observar com atenção o que exatamente o outro time conseguiu fazer para resistir em quadra.


Palpite para a temporada

Se as coisas derem muito certo…

… mais um título na conta, com novo recorde de vitórias na fase de classificação e passando o trator por quem vier pela frente nos playoffs. Na temporada passada, o Warriors sofreu uma única derrota na sua caminhada para se tornar campeão — na decisão, diante do Cleveland Cavaliers. Será que desta vez dá para emplacar um histórico 16-0?

Se as coisas derem muito errado…

… a campanha começa devagar, ainda como uma espécie de ressaca do título e das três finais consecutivas, mas emplaca no fim e leva a equipe a mais uma decisão. Na verdade, se as coisas derem errado em um nível ainda pior, o Warriors pode topar com algum adversário nos playoffs que descobrirá um jeito de parar essa máquina que Steve Kerr tem em mãos. Mas é algo tão difícil de imaginar que só vai dar para acreditar quando acontecer, convenhamos.

E então?

É o time a ser batido e favorito disparado para ser campeão em 2018. Não há muito mais o que se dizer aqui.

Tags: , ,

COMPARTILHE