Guia da temporada 2017/18 da NBA – Houston Rockets

Luís Araújo

Todos os times serão analisados antes do início da temporada 2017/18 da NBA. Para ver tudo o que já foi publicado nesta série de prévias, basta clicar aqui.

Na temporada anterior

Campanha: 55 vitórias e 27 derrotas

Classificação: 3º lugar da Conferência Oeste – caiu na semifinal de conferência para o San Antonio Spurs, depois de passar pelo Oklahoma City Thunder


Elenco para a temporada 2017/18

Provável time titular: Chris Paul, James Harden, Trevor Ariza, Ryan Anderson e Clint Capela

Reservas: Demetrius Jackson (armador), Eric Gordon (ala-armador), PJ Tucker, Luc Mbah a Moute, Troy Williams (alas), Chinanu Onuaku (ala-pivô), Nenê, Qi Zhou e Tarik Black (pivôs)

Técnico: Mike D’Antoni


O que merece atenção

Chris Paul e James Harden juntos

Assim que o Rockets foi eliminado pelo San Antonio Spurs e deu adeus à temporada passada, Daryl Morey, gerente-geral da equipe, afirmou que tinha uma carta na manga para tentar acabar com o reinado do Golden State Warriors no Oeste. Pouco depois disso, veio a bomba: a chegada de Chris Paul, em troca de Patrick Beverley, Sam Dekker, Montrezl Harrell e mais uns trocentos jogadores que foram mandados para o Los Angeles Clippers para bater salários e viabilizar o negócio.

A qualidade de Paul dispensa apresentações. É incontestavelmente um craque, um dos grandes gênios que passaram pela NBA nos últimos tempos. Mas é também um armador acostumado a ter a bola na mão para criar o ataque, mesma situação que James Harden viveu na temporada passada, quando quase acabou com o prêmio de MVP. Portanto, por mais que em termos de talento bruto essa troca tenha deixado o Rockets mais rico, será preciso que os dois consigam se encaixar ao lado um do outro para fazer essa equipe funcionar, o que inevitavelmente vai passar pela capacidade deles de mudar um pouco como vinham jogando.

O técnico Mike D’Antoni chegou a declarar que quanto mais armadores um time tiver em quadra, melhor. A colocação dele certamente levou em conta a possibilidade de ter em cada ataque uma opção extra de jogador capaz de reorganizar uma jogada que não deu certo, que tenha um bom passe e que vai saber o que fazer quando a tiver em mãos. Mas tão ou mais importante do que isso é a maneira como os dois vão se comportar quando não estiverem no controle da bola. Será que eles vão apenas assistir ao outro trabalhar ou vão realmente se colocar em uma posição na qual incomode a defesa adversária?

A boa notícia é que Paul é um ótimo arremessador de longa distância em situações de “catch and shoot”. Na temporada passada, o aproveitamento dele em chutes nos quais recebeu parado e só teve o trabalho de chutar foi de 50%. Isso além da inteligência que tem para enxergar as ações e entender como deve se mexer de acordo com o desenrolar delas. Harden também funciona como arremessador e pode se virar de outras maneiras sem bola, o que é muito importante porque nenhum time vai querer limitar as oportunidades de Paul conduzindo o “pick and roll” com maestria.

Vai depender de os chutes deles caírem, mas também de cada movimento que fizerem quando não estiverem com a bola nas mãos e da leitura rápida do que está acontecendo para reagir de acordo com isso. Para ficar redondo mesmo, será necessário um bom grau de entrosamento entre os dois. Algo que pode quebrar bastante as defesas adversárias e levar a muitas finalizações livres dos companheiros. Gente como Ryan Anderson, Trevor Ariza e Eric Gordon poderão deitar e rolar nos chutes para longe, ao passo que Clint Capela completará pontes áreas atrás de pontes aéreas.

Em Houston, ninguém parece duvidar que isso será alcançado. D’Antoni e Morey falam até em construir o ataque mais eficiente de todos os tempos na NBA. Pode ser que não chegue a tanto? Claro. Mas de qualquer jeito será curioso observar o que sai desta experiência.

Defesa

O ataque foi uma potência na última temporada e, se tudo sair como se espera em Houston, será ainda mais capaz de trucidar quem aparecer pela frente. É claro que isso já é muito mais do que meio caminho andado para ser um time competitivo na NBA. Mas se os planos de D’Antoni e Morey — pelo o que eles mesmos disseram — for o de realmente desafiar o topo do Oeste e não se contentar com uma nova terceira colocação, ajudaria demais se a defesa desse um salto.

A média de 106,4 pontos a cada 100 posses de bola na colocou o Rockets em 18º lugar no ranking de eficiência defensiva da última temporada. Não chega a ser um desastre, mas também não é bom. O que é, sim, desastroso é um outro dado: os adversários acertaram 68,9% das finalizações que tentaram ao redor do aro contra esse time, número que foi o mais alto da liga.

Isso não significa necessariamente uma deficiência dos protetores de aro em si. Se o sistema como um todo não funciona, esse tipo de coisa está sujeita a acontecer mesmo. Então será fundamental para as pretensões do Rockets que as reações ao “pick and roll” e as coberturas forem mais eficientes.

Pensando no material humano para colocar isso em prática, Patrick Beverley, que era o melhor defensor do time, foi embora. Mas Chris Paul é um outro jogador capaz de entregar uma defesa de elite no homem da bola toda vez que entra em quadra. Quanto a isso, sem problemas. E as aquisições de PJ Tucker e Luc Mbah a Moute podem ser consideradas bem animadoras neste sentido.

Experiências com o banco

PJ Tucker e Luc Mbah a Moute são dois ótimos defensores e que se mostraram capazes também de acertar bolas de três na última temporada. Tucker teve aproveitamento de 40% depois que foi para o Toronto Raptors, enquanto que Mbah a Moute teve 39% durante todo o campeonato — o que foi sua marca mais alta da carreira.

Qualquer “3 and D” é um encaixe fácil e cai muitíssimo bem pra qualquer time da NBA. Neste Rockets, então, talvez ainda mais. É tudo o que D’Antoni precisaria mesmo para rechear o elenco. Ambos devem ser usados como reservas, mas provavelmente terão boa parcela de minutos na rotação e serão testados pelo treinador em algumas experiências com formação ao longo da temporada.

Uma destas experiências passaria por usar Tucker ou Mbah a Moute no lugar de Ryan Anderson, mantendo Trevor Ariza em quadra e permitindo mais trocas na defesa. Também daria para jogar com os dois juntos, sem Anderson e Ariza.

Tucker poderia ainda receber alguns minutos no que teoricamente seria a posição dois, quando Paul ou Harden for para o banco. Mas para essa função o Rockets também tem Eric Gordon, que foi eleito o melhor reserva da temporada passada. Se bem que não foi raro ver D’Antoni sem o menor pudor de deixar Gordon, Beverley e Harden juntos em quadra. Não deverá ser rato também agora vê-lo usar o trio Gordon, Paul e Harden.

Um outro reserva bastante confiável é Nenê, que vinha sendo ótimo nos playoffs até se machucar e precisar sair de ação pelo restante da temporada passada. Não é um pivô que vai pular tanto como Clint Capela. O vigor físico não é o mesmo, mas a inteligência está em um nível mais alto, os movimentos de costas para a cesta são mais apurados e a capacidade de fazer passes é muito melhor. À sua maneira, é também uma arma eficiente para girar no “pick and roll” e um defensor muito sólido.

Se mais gente neste banco conseguir aparecer para dar minutos de confiabilidade a D’Antoni, ótimo. Mas essas quatro opções já são bem sólidas e capazes de fazê-lo explorar muita coisa em termos de formação ao longo da temporada.


Abre aspas

“Não dá para parar o ataque do Golden State Warriors. Isso não vai acontecer. Mas eles também não vão nos parar. Será divertido.”

É isso o que pensa Mike D’Antoni sobre como podem ser os jogos entre seu time e os atuais campeões.


Grau de apelo no League Pass (de 1 a 5)

5,0 (máximo) – James Harden e Chris Paul estão juntos em um time que já foi muito divertido de se acompanhar na temporada passada, com muito espaçamento ofensivo e bolas de três. Se der certo, o Rockets fica ainda mais interessante de se acompanhar. Se der errado, será curioso tentar entender o que se passa. De qualquer jeito, vai ser difícil passar batido por essa equipe quando ela estiver em ação.


Palpite para a temporada

Se as coisas derem muito certo…

… Chris Paul e James Harden se entendem perfeitamente, o Rockets registra níveis históricos em bolas de três e em eficiência ofensiva, acaba com o reinado do Golden State Warriors no Oeste e avança para conquistar o seu terceiro título.

Se as coisas derem muito errado…

… o esquema com Chris Paul e James Harden apresenta mais buracos do que se imaginava em Houston e dá um passo atrás em relação à temporada passada. Ainda assim, é tanto talento neste elenco que o time ainda chega aos playoffs e, dependendo do cruzamento, passa da primeira rodada. Mesmo passando a sensação de decepção.

E então?

Ainda é difícil imaginar o Rockets desbancando o Warriors, mas o mais provável é que esse time lute pela segunda posição do Oeste durante a temporada regular e por uma vaga na final de conferência — algo que nem dá para se exigir em uma conferência que ficou extremamente competitiva. E se conseguir ao menos colocar algumas pulgas atrás da orelha dos atuais campeões nas vezes que se cruzarem, melhor ainda.

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