Guia da temporada 2017/18 da NBA – Indiana Pacers

Luís Araújo

Todos os times serão analisados antes do início da temporada 2017/18 da NBA. Para ver tudo o que já foi publicado nesta série de prévias, basta clicar aqui.

Na temporada anterior

Campanha: 42 vitórias e 40 derrotas

Classificação: 7º lugar da Conferência Leste – caiu na primeira rodada dos playoffs para o Cleveland Cavaliers


Elenco para a temporada 2017/18

Provável time titular: Darren Collison, Victor Oladipo, Bojan Bogdanovic, Thaddeus Young e Myles Turner

Reservas: Cory Joseph, Joe Young (armadores), Lance Stephenson, Damien Wilkins (alas-armadores), Glenn Robinson III, Alex Poythress (alas), Domantas Sabonis, TJ Leaf (alas-pivôs), Al Jefferson e Ike Anigbogu (pivôs)

Técnico: Nate McMillan


O que merece atenção

O começo de vida após Paul George

O Pacers ficou em 15º lugar no ranking de eficiência ofensiva na temporada passada, produzindo em média 106,2 pontos a cada 100 posses de bola. Esse resultado mediano foi alcançado quando Paul George e Jeff Teague ainda faziam parte da equipe. Como serão as coisas agora, depois das saídas de um dos melhores jogadores da NBA e de um outro que também já chegou a passar pelo “All-Star Game”? Será que esse ataque vai dar um jeito de não despencar em termos de rendimento mesmo com uma concentração de talento menor no elenco? E como será o rendimento da defesa, que ficou entre as dez melhores?

Essas e outras tantas dúvidas que cercam o primeiro ano deste Pacers sem Paul George passam pelo o que os rostos novos serão capazes de entregar. Pouco antes de a pré-temporada começar, o gerente-geral da franquia, Kevin Pritchard, afirmou em uma roda com jornalistas que acreditava que todos eles veriam alguns jogadores explodirem antes do que se imagina. Isso foi dito pela mesma pessoa que trocou Paul George por Victor Oladipo e Domantas Sabonis, sem escolha de Draft envolvida, o que talvez pode afetar um pouco a credibilidade do julgamento. Mas vai saber. Não custa nada aguardar para ver.

Promessas para o garrafão

Kevin Pritchard não citou nomes, mas é difícil não imaginar que TJ Leaf não tenha passado pela cabeça dele. Escolha de primeira rodada no Draft de 2017, o produto de UCLA causou boa impressão nos treinos e já ouviu Nate McMillan o garantir vaga na rotação. É natural que ele seja usado como reserva de Thaddeus Young, mas existe também a chance de receber minutos na posição três. O treinador disse que pretende ir com calma para não deixar o garoto muito acumulado com tarefas neste começo de carreira na NBA, mas também falou que o vê como alguém muito inteligente em quadra e capaz de encarar isso rapidamente.

Leaf é um jogador rápido e que apresentou qualidades ofensivas notáveis em UCLA, pontuando de diversas maneiras tanto dentro como fora do garrafão. Há esperança de que o chute de três se torne uma arma confiável no jogo dele, o que o tornaria bastante perigoso e ampliaria as alternativas de ataque da equipe em quadra, mas a defesa segue sendo um problema a ser resolvido.

Uma experiência que parece mais madura na cabeça de McMillan envolve outra novidade para o garrafão: usar Domantas Sabonis como pivô reserva. O que reduziria ainda mais o espaço de Al Jefferson, que não saiu do banco durante os quatro jogos da série contra o Cleveland Cavaliers nos playoffs e que não dá muita pinta de que irá mudar isso.

No ano de novato, Sabonis aproveitou as infiltrações de Russell Westbrook para chutar de longa distância. Os resultados não foram tão consistentes assim, mas parece que existe algo ali que dá para ser lapidado. A questão é saber se ele terá no Pacers a mesma condição que tinha ao lado do MVP de receber a bola com tanta liberdade para o arremesso. Fora isso, vale a pena ficar de olho naquilo que vinha sendo sua força no basquete universitário: as ações de costas para a cesta, seja para finalizar ou para fazer passes para quem cortar o garrafão. Algo que ele fazia pouco no Oklahoma City Thunder, mas explorava bem quando fazia.

Mas ninguém é tão promissor quando Myles Turner. Prestes a entrar em sua terceira temporada na liga, o pivô já tem se mostrado um defensor de elite, principalmente perto da cesta. A combinação de capacidade atlética e tamanho também faz a diferença do outro lado da quadra, onde ele ainda apresenta um bom chute de longe.

Por falar nisso, Turner treinou bastante os tiros de três pontos durante as férias. Ele disse que não deseja que isso vire o carro-chefe do seu jogo, mas pode usar isso para dar um salto importante em termos de eficiência ofensiva, trocando os arremessos longos de dois, tipo de finalização mais comum dele na última temporada, pelos de três.

O impacto de Victor Oladipo e as opções ao redor

Quando estava no Orlando Magic, Oladipo parecia não estar totalmente dentro de sua zona de conforto quando dividia a quadra com Elfrid Payton, o que o forçava a jogar mais sem a bola. No Oklahoma City Thunder, esse tipo de coisa obviamente não aconteceu com menor frequência porque ele passou a maior parte do tempo ao lado de Russell Westbrook.

Em Indiana, isso pode ser um pouco mais diferente. Mesmo que divida a quadra com Darren Collison no quinteto titular, Oladipo deverá receber maior responsabilidade ofensiva e provavelmente terá mais chances de ser agressivo com a bola nas mãos, algo que parece combinar melhor com ele.

Não seria um espanto McMillan apostar em quintetos que tenham Oladipo junto de Cory Joseph, que está acostumado a jogar sem a bola no ataque e que teve aproveitamento de 41,7% em situações de “catch and shoot” na temporada passada. Foi, inclusive, o que o levou muitas vezes a aparecer em quadra em retas finais de jogos apertados do Toronto Raptors. Ao mesmo tempo, ele tem tudo para ser um ótimo encaixe na segunda unidade com Lance Stephenson, que é outro que funciona melhor com a bola nas mãos e que deve continuar sendo armador reserva, depois de ter vivido bons momentos assim na reta final da última temporada, especialmente nos playoffs.

Também vale citar um outro jogador de perímetro que deve dividir bastante a quadra com Oladipo: Bojan Bogdanovic, que pode ajudar muito com os chutes de longa distância. Em algum momento, ele terá espaço na equipe um pouco mais equilibrado com Glenn Robinson III, dono de uma ótima defesa e que também arremessa de maneira eficiente de longa distância. Coisas que McMillan seguramente sentirá falta neste início de temporada.


Abre aspas

“Muita gente nos vê como um time jovem e que está se reconstruindo, mas nós somos um time jovem tentando competir. Nós temos muitos jogadores que podem trazer impacto imediatamente. Eu espero que a gente esteja nos playoffs neste ano.”

É isso o que Myles Turner, sem medir a empolgação, disse esperar para a temporada.


Grau de apelo no League Pass (de 1 a 5)

2 (baixo) – Myles Turner parece cada vez mais interessante e pode vir a ser um jogador especial um dia, mas dá para espiar os próximos passos do desenvolvimento dele em dias de poucos jogos ou quando o time estiver em ação no final de uma rodada. Em condições normais, é difícil imaginar que alguém vá perder muita coisa se deixar de ver os jogos do Pacers.


Palpite para a temporada

Se as coisas derem muito certo…

… Victor Oladipo e Bogdan Bogdanovic jogam o melhor basquete de suas vidas, Domantas Sabonis tem muito mais espaço para mostrar serviço do que no ano de novato e Myles Turner fica mais perto de virar uma estrela. Aí o Pacers faz campanha mais ou menos perto dos 50% e entra nos playoffs.

Se as coisas derem muito errado…

… o Pacers vira um desastre nos dois lados da quadra, acumula derrotas atrás de derrotas, faz uma campanha pior do que na temporada 2009/10, quando venceu só 32 vezes, e fica na lanterna do Leste. Ao menos isso significaria uma escolha alta no Draft e, consequentemente, uma ótima oportunidade de adicionar uma boa dose de talento ao elenco.

E então?

O Pacers não deverá se classificar aos playoffs, mas é capaz de terminar nem tão longe assim do oitavo colocado. À frente de alguns outros times ainda mais fracos do Leste.

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