Guia da temporada 2017/18 da NBA – Los Angeles Clippers

Luís Araújo

Todos os times serão analisados antes do início da temporada 2017/18 da NBA. Para ver tudo o que já foi publicado nesta série de prévias, basta clicar aqui.

Na temporada anterior

Campanha: 51 vitórias e 31 derrotas

Classificação: 4º lugar da Conferência Oeste – caiu na primeira rodada dos playoffs para o Utah Jazz


Elenco para a temporada 2017/18

Provável time titular: Patrick Beverley, Austin Rivers, Danilo Gallinari, Blake Griffin e DeAndre Jordan

Reservas: Milos Teodosic, Jawun Evans (armadores), Lou Williams, Sindarius Thornwell (alas-armadores), Sam Dekker, Wesley Johnson, Jamil Wilson (alas), Montrezl Harrell, Brice Johnson e Willie Reed (alas-pivôs)

Técnico: Doc Rivers


O que merece atenção

O time de Blake Griffin

Ninguém perde um dos melhores armadores que o basquete Chris Paul, é de se imaginar que o time entregue de uma vez por todas o comando do ataque nas mãos de Blake Griffin, um dos jogadores mais dinâmicos da liga ofensivamente e que se desenvolveu ao ponto de virar um ótimo passador. Se antes a presença de Paul limitava as oportunidades dele de ter a bola nas mãos para tomar decisões, a tendência é que isso agora apareça de maneira frequente. Não chega a ser difícil imaginá-lo dando ainda mais assistências do que nas temporadas anteriores.

Além desta capacidade de organizar o jogo, Griffin também melhorou bastante o arremesso com o passar dos anos. Os chutes de média distância já estão caindo em um bom ritmo há algum tempo, o que já não permite que as defesas adversárias fiquem totalmente confortáveis em deixá-lo receber fora do garrafão. E na temporada passada, pela primeira vez na carreira, ele teve média de mais de um tiro de três tentado por partida — na verdade, foi 1,9 por jogo, o que significa que foram quase dois. O rendimento nestas bolas foi de 33,6%. É um número que passa longe de ser impressionante, mas também não é um desastre e que tem boa chance de ficar maior.

Griffin vai continuar completando pontes aéreas, fazendo bloqueios para os companheiros e brigando por rebotes, mas também deverá ter oportunidades como nunca, por exemplo, chamar o “pick and roll” para poder criar a partir disso. Com o volume de jogo que deverá ter, é de se imaginar que ele tenha o maior índice de eficiência da carreira — máximo até agora foi de 23,9, registrado em 2013/14, que também foi a última em que atingiu a marca de 80 jogos. A não ser que Milos Teodosic se adapte tão bem e tão rápido na NBA ao ponto de ocupar totalmente o espaço deixado por Chris Paul, algo que será difícil.

Não quer dizer que não existem alguns pontos de interrogação nesta história. Griffin precisa voltar a se manter saudável durante toda uma temporada. E é claro que as coisas vão precisar mudar sem o caminhão de qualidades que Chris Paul tem e que fazem falta para qualquer equipe. Isso sem falar na baixa de JJ Redick, que não só ameaçava na linha de três como era perfeito jogando sem bola neste time, com movimentações sempre muito importantes para fazer o ataque funcionar. Mas essa é a chance de ver Grififn se soltar e render tudo o que seu potencial permitir.

A rotação entre os armadores

O quinteto formado por DeAndre Jordan, Blake Griffin, Luc Mbah a Moute, JJ Redick e Chris Paul foi o terceiro de toda a NBA na temporada passada em minutos jogados e apresentou “Net Rating” (diferença entre pontos feitos e tomados a cada 100 posses de bola) de 15,8 pontos. Para se ter uma boa ideia do quanto esse resultado foi impressionante, basta apontar que só um outro quinteto dentre os 20 mais utilizados teve número maior: o titular do Warriors, que registrou 23,1 pontos.

Deste quinteto muito bem-sucedido do Clippers, só Jordan e Griffin ficaram. A vaga de Mbah a Moute será naturalmente ocupada por Danilo Gallinari, que tem ótimo arremesso de longe, consegue cavar faltas infiltrando e tem um excelente aproveitamento em lance livre, além de poder funcionar também na posição quatro em formações mais baixas. Quando saudável, o italiano pode acrescentar muita coisa. Resta saber como os minutos das outras duas posições, que eram preenchidas por Paul e Redick, serão preenchidas pelas opções que há no elenco hoje.

Dá para dizer com alguma segurança que Patrick Beverley é o número um nesta corrida. É um dos melhores defensores da NBA, pode levar a bola, mas pode também perfeitamente jogar sem ela e é uma ameaça na linha de três. Foi assim, aliás, que passou a temporada passada no Houston Rockets, vendo James Harden armar na maior parte do tempo e assumindo essa tarefa nos minutos em que o companheiro ia para o banco.

Essa versatilidade de Beverley pode fazê-lo render tanto na posição um quanto na dois e o tornam um ótimo encaixe neste time de qualquer jeito. A dúvida seria em como preencher a outra lacuna. No primeiro jogo de pré-temporada, Doc Rivers resolveu colocar Austin Rivers, que também pode tanto levar a bola e chamar “pick and rolls” como jogar como um ala. O filho do treinador vem da melhor temporada da carreira, com médias de 12,0 pontos, 2,8 assistências e 2,2 rebotes em quase 28 minutos por jogo, além de 37,1% de aproveitamento na linha de três e de um índice de 51,8% em eficiência de arremessos — números todos que foram os mais altos desde que ele entrou na NBA.

Nas outras duas partidas, Doc Rivers resolveu começar com Milos Teodosic, que já vinha sendo um dos melhores armadores do mundo fora da NBA havia algum tempo e que agora terá a chance de mostrar toda a magia que é capaz de produzir com a bola nas mãos, especialmente nas jogadas de “pick and roll”.

Pouco depois de o sérvio ter assinado contrato com o Clippers, foi publicado por aqui um texto para assinantes com comentários e vídeos sobre o que ele pode oferecer dentro de quadra. Foi destacado que os chutes de três pontos, pelo menos na Europa e nas competições internacionais, vinham sendo uma força também. Então não é que daria para abandoná-lo quando estivesse sem bola, nada disso. Mas também foi ressaltado que a defesa dele já era um problema e que poderia se tornar ainda mais preocupante em uma liga de gente ainda mais atlética.

Dá para entender tudo o que Doc Rivers tentou fazer até agora. Mantendo Teodosic em quadra ao lado de Beverley, daria para ter a esperança de que a defesa do sérvio pudesse ser escondida. Mas ele é o tipo de jogador que não faria sentido algum pedir para não ter a bola nas mãos, então talvez pudesse ser mais interessante deixá-lo em quadra durante o descanso de Griffin — ou então reduzir a quantidade de minutos dos dois juntos.

Ao mesmo tempo, Austin Rivers é um defensor melhor e no ataque não vai precisar ter a bola nas mãos, o que iria ao encontro da ideia de usar Griffin como principal facilitador ofensivo. Mas isso também poderia fazer com que a maior parte dos minutos de Teodosic em quadra fossem ao lado de Lou Williams, que realmente deve ser usado na segunda unidade nesta equipe, mas que também gosta de ter a bola nas mãos.

Começar o jogo ou não é o de menos. Mas pensando no quinteto principal do Clippers, aquele que vai passar mais tempo em quadra, daria para compreender a escolha por Austin Rivers mesmo, pelo menos neste começo de temporada. Mas dá para pensar em prós e contras para qualquer uma das opções que o técnico tem. Quando chegar a hora de fechar um jogo e for preciso deixar os cinco melhores em quadra mesmo, Teodosic tem tudo para ser a melhor pedida. Mas dependeria muito da capacidade dele de não ser um fator completamente nulo na defesa.

O banco

Durante muito tempo isso foi um problema sério para o Clippers em termos de quantidade e de possibilidades para se tentar variações táticas. Jamal Crawford saiu, mas Lou Williams pode fazer mais ou menos o papel dele como principal pontuador vindo do banco. E quem não estiver em quadra entre Austin Rivers e Milos Teodosic pode ser considerado um reserva confiável também

De resto, restam duas esperanças. Uma é de que Wesley Johnson seja capaz de se consolidar como um bom “3 and D” durante o tempo em que precisar ser usado. A outra, a principal delas, está nas peças que vieram do Houston Rockets na troca por Chris Paul. Sam Dekker e Montrezl Harrell podem não ter entrado muito em quadra durante os playoffs, mas deram pinta de que não só conseguem ficar em quadra em uma partida da NBA como podem ser úteis para possíveis variações táticas. Pode ser que nada disso funcione, mas parece que esse elenco está um pouco mais profundo do que em anos anteriores.


Abre aspas

“Seremos um time diferente. É natural que isso aconteça depois da chegada de tantos jogadores novos. Mas vejo isso como algo bom. Tivemos algum sucesso tem temporadas regulares, mas ainda não tivemos sucesso de verdade. Agora é um bom momentos para seguirmos em frente. Mas vai levar tempo para o entrosamento de todos os caras novos. Será papel de quem já está aqui há mais tempo ajudá-los neste sentido e mostrar como são as coisas por aqui. Seremos um time divertido de se acompanhar.”

A declaração é de Blake Griffin, agora líder deste novo Clippers sem Chris Paul.


Grau de apelo no League Pass (de 1 a 5)

4 (alto) – Mesmo sem Chris Paul, esse time tem tudo para continuar entregando um entretenimento de ótimo nível ao longo da temporada. Será bem interessante acompanhar Blake Griffin com liberdade total para comandar o ataque, explorando ao máximo as suas habilidades enquanto passador e facilitador. Isso sem falar em Milos Teodosic. Durante os minutos em que ele permanecer em quadra, haverá sempre o risco de testemunharmos alguma jogada genial.


Palpite para a temporada

Se as coisas derem muito certo…

… o novo Clippers não sente a menor falta de Chris Paul, se classifica aos playoffs entre os quatro melhores da Conferência Oeste e chega à segunda fase dos playoffs. Isso tudo com Milos Teodosic produzindo uma infinidade de highlights, é claro.

Se as coisas derem muito errado…

… a campanha fica beirando os 50%, o Clippers bate na trave e acaba fora da zona de classificação aos playoffs. Algo que não acontece desde 2011.

E então?

É um time que tem tudo para continuar muito divertido, acumular mais vitórias do que derrotas e com capacidade de fazer bons duelos contra as maiores potências da liga. Não deverá brigar pelas primeiras posições do Oeste e muito possivelmente cairá na primeira rodada dos playoffs, mas tem enormes chances de se classificar.

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