Guia da temporada 2017/18 da NBA – Los Angeles Lakers

Luís Araújo

Todos os times serão analisados antes do início da temporada 2017/18 da NBA. Para ver tudo o que já foi publicado nesta série de prévias, basta clicar aqui.

Na temporada anterior

Campanha: 26 vitórias e 56 derrotas

Classificação: 14º lugar da Conferência Oeste – fora dos playoffs


Elenco para a temporada 2017/18

Provável time titular: Lonzo Ball, Kentavius Caldwell-Pope, Brandon Ingram, Julius Randle e Brook Lopez

Reservas: Tyler Ennis, Briante Weber (armadores), Jordan Clarkson, Vander Blue, Josh Hart, Alex Caruso (alas-armadores), Luol Deng, Corey Brewer (alas), Larry Nance, Kyle Kuzma, Thomas Bryant (alas-pivôs), Andrew Bogut, Ivica Zubac e Stephen Zimmerman (pivôs)

Técnico: Luke Walton


O que merece atenção

Lonzo Ball, Brandon Ingram e as novidades

Não importa o quanto o falatório do pai contribuiu para isso. O fato é que Lonzo Ball chega ao Lakers cercado de muitas expectativas. As exibições na Summer League só ajudaram neste sentido. Vai ser curioso acompanhá-lo para ver se o armador conseguirá repetir na NBA todo o impacto que causou até agora dentro de quadra por onde passou.

Não é uma certeza por que o nível atlético que ele vai encontrar agora é muito maior em relação ao que já viu até hoje. Mas se as coisas se desenrolarem mais ou menos dentro dos conformes, o Lakers terá um armador com habilidade de passe e visão de jogo especiais, pronto para fazer a bola rodar direito e a encontrar os companheiros nas melhores situações.

A defesa é um ponto preocupante, que será um desafio grande para ele e a comissão técnica trabalharem nos próximos anos. Mas também vale a pena ficar de olho nas tentativas de infiltração dele e, sobretudo, nos arremessos. Os “stepbacks” que Ball tanto gostava de dar na NCAA vão funcionar? E os tiros de longa distância? Será que ao menos o tornarão uma ameaça para as defesas, ao ponto de forçá-las a não passar por trás em todo bloqueio que ele chamar com a bola nas mãos e de preocupá-las quando o armador estiver aberto na quadra, esperando para receber um passe?

Seria muito importante se isso acontecesse especialmente por causa de Brandon Ingram. Na verdade, Luke Walton tem dado liberdade para todos os jogadores levarem a bola direto para o ataque e iniciarem as jogadas o mais rápido possível. Não foi raro, por exemplo, ver Julius Randle pegar um rebote de defesa e sair imediatamente batendo bola em velocidade para o outro lado da quadra. Então quanto melhor os jogadores se virarem sem a bola nas mãos, melhor para essa proposta funcionar.

Acontece que Ingram foi várias vezes testado desde que entrou na NBA como armador de fato, tendo a bola nas mãos para criar em situações de meia quadra. Nem sempre os resultados foram bons, mas a intenção parece ser justamente a de deixá-lo aprender na marra como se virar. Será interessante ver como Ball funciona nestas horas, mas também o que Ingram será capaz de entregar. O sonho em Los Angeles é que ele de fato se torne em um pontuador perigoso, capaz de usar a altura privilegiada para criar espaços para os arremessos por cima de seus marcadores, quase sempre mais baixos.

Vale a pena também observar o encaixe de algumas novidades neste sistema ofensivo. Kentavious Caldwell-Pope deve funcionar mais como uma ameaça nos chutes de longe, especialmente se tiver mais condições de receber passes que o encontrem com liberdade para o arremesso, mas também tem vem mostrando ultimamente uma capacidade de chamar o “pick and roll” e organizar com a bola nas mãos.

Já Brook Lopez pode servir como opção no “post-up” e que também chutou bastante de três na última temporada. O pivô passou dos 20 pontos de média nas últimas duas temporadas e está acostumado a ter um papel grande no ataque. Quando ele estiver no banco e for substituído por Andrew Bogut, o Lakers perderá esse chute de longa distância, mas terá alguém com ótimo passe, que sabe funcionar longe do garrafão com bloqueios precisos e que tem enorme conhecimento sobre as ideias que Luke Walton quer colocar em prática.

Quem pode dançar nesta história é Ivica Zubac. Ele até mostrou boas coisas nos minutos que recebeu como novato, mas virou o terceiro pivô desta rotação.

Defesa

Tem sido um problema grande já há algum tempo e não foi diferente na temporada passada. A média de 110,6 pontos sofridos a cada 100 posses de bola deixou o Lakers em último lugar no ranking de eficiência defensiva. Além disso, o time permitiu que os adversários tivessem um índice de eficiência nos arremessos de 54,2%, o mais alto da liga.

É claro que é muito difícil esse tipo de coisa se transformar completamente em tão pouco tempo, especialmente em um elenco tão cheio de gente jovem. Mas é de se esperar que alguma melhora neste sentido seja estabelecida como meta para Luke Walton e companhia nos próximos meses. O primeiro grande obstáculo para isso atende pelo nome de Lonzo Ball. As qualidades com a bola nas mãos e a visão de jogo são algumas das razões que o fizeram ser visto de maneira tão especial enquanto universitário, mas a defesa sempre despertaram preocupação.

Por outro lado, Kentavious Caldwell-Pope tem tudo para ajudar bastante. A versatilidade defensiva sempre foi um ponto forte dele nos tempos de Detroit Pistons e o fez chegar sob muitos elogios de Magic Johnson e Rob Pelinka. Dá para esperar que Luke Walton o coloque bastante para marcar o armador adversário, tentando ao mesmo tempo esconder Ball de alguma maneira.

A quantidade de ajuda de Caldwell-Pope pode influenciar bastante no impacto dos homens responsáveis por proteger o aro. Quanto melhor for o primeiro combate, menor o tamanho do milagre que eles precisariam fazer na hora de contestar uma finalização ao redor da cesta. É aí que entram duas novidades importantes do Lakers para a temporada. Brook Lopez deve ter um peso maior é no ataque, mas é capaz de também se mostrar útil defendendo perto do aro. Andrew Bogut é especialista nisso e pode ser muito útil também como uma espécie de coordenador, lendo as movimentações ofensivas e se comunicando com os companheiros enquanto as coisas acontecem em quadra. O australiano não deverá ser titular, mas tem tudo para ajudar bastante durante os minutos que receber.

Dá para dizer que o Lakers tem condições de apresentar um trabalho na defesa bem superior ao longo desta temporada em relação ao que foi na anterior. E quanto mais o time evoluir nisso e forçar mais erros dos adversários, melhor para um grupo de jogadores com gente rápida e que conta com um passador como Lonzo Ball.

Um ano até 2018

Magic Johnson e Rob Pelinka não estão escondendo de ninguém os planos que têm: o objetivo é contratar pelo menos duas estrelas no mercado de agentes livres em julho de 2018. O que explica por que Kentavious Caldwell-Pope e Andrew Bogut, por exemplo, assinaram contratos de apenas um ano de duração. Se agradarem e tiverem a alguma chance de permanecer daqui a um ano, aí o Lakers vê o que faz. Mas o principal mesmo é criar essa flexibilidade salarial para perseguir LeBron James, Paul George e quem mais for possível.

Até por serem vistos como possibilidades interessantes para o futuro, Lonzo Ball e Brandon Ingram parecem estar um pouco mais seguros no elenco. De resto, qualquer coisa pode acontecer envolvendo qualquer um. Talvez o maior sonho de Magic e Pelinka para os próximos meses seja o de conseguir negociar o contrato gordo de Luol Deng por um outro expirante. Se não der para fazer isso até o fim da temporada, então passa a ganhar força a possibilidade de ele ser dispensado através da “stretch provision“, para baratear um pouco o custo dele para a folha salarial. O que parece certo mesmo é que Deng, de um jeito ou de outro, não dura muito em Los Angeles.

Magic e Pelinka também ouvirão com bastante carinho propostas por Jordan Clarkson e Julius Randle. Clarkson ainda tem contrato até 2020, recebendo um salário na faixa dos US$ 12 milhões por ano. Para seguir à risca o objetivo de chegar a julho de 2018 com chance de assinar com duas estrelas, seria importante mandá-lo para algum canto em troca de algum expirante.

Já Randle é um caso mais intrigante. Falta uma certa consistência, mas ele mostrou coisas muito interessantes nas vezes em que conseguiu jogar realmente bem. É capaz de causar dano ofensivamente perto da cesta e também pode funcionar como passador, especialmente se estiver em quadra cercado de arremessadores de longa distância. Se ele próprio desenvolver um chute mais confiável de regiões mais afastadas, melhor ainda. A questão é que ele vai virar agente livre restrito ao final da temporada. O Lakers vai continuar apostando neste desenvolvimento ou aceitará deixá-lo ir embora de graça em função do sonho das duas estrelas?


Abre aspas

“Vou falar uma coisa: o grande achado deste Draft será Kyle Kuzma. Aquele rapaz é capaz de arremessar, botar a bola no chão e criar tanto para si mesmo como para os companheiros.”

A declaração é de Magic Johnson, presidente de operações do Lakers, mostrando que Lonzo Ball não é o único jogador do Draft que o faz ficar entusiasmado.


Grau de apelo no League Pass (de 1 a 5)

3,5 (médio para alto) – O Lakers não tem ainda o suficiente para vencer a concorrência em dias com muitos jogos ao mesmo tempo, mas tem alguns jovens que podem ser interessantes e um técnico disposto a colocar o tanto de elementos do Golden State Warriors que conseguir. É um time que parece ser mais do que capaz de oferecer bom nível de entretenimento. Especialmente se Lonzo Ball mostrar a liderança e a visão de jogo que demonstrou na NCAA e na Summer League.


Palpite para a temporada

Se as coisas derem muito certo…

… o time fica com campanha na casa dos 50%, passa boa parte da temporada sonhando em beliscar uma vaga nos playoffs, troca Luol Deng para abrir espaço na folha salarial, vê Lonzo Ball causar impacto logo de cara e Brandon Ingram se transformar em um pontuador perigoso e consistente. E o mais importante: constrói uma base sedutora o bastante para atrair as estrelas que ficarem sem contrato em 2018.

Se as coisas derem muito errado…

… aí o Lakers continua entre os lanternas do Oeste, sem a escolha de primeira rodada no Draft e, pior do que tudo isso, com a sensação de que não tem gente confiável o suficiente para o futuro dentre os jovens que acumulou nos últimos anos. Aí o jeito vai ser torcer para que as estrelas disponíveis no mercado em 2018 resolvam, de algum jeito qualquer, se unir em Los Angeles apesar dos pesares.

E então?

Será mais um ano longe dos playoffs para o Lakers e, provavelmente, com mais derrotas do que vitórias. Mas dá para esperar alguns sinais positivos para os próximos anos, tanto no ponto de vista coletivo como no desenvolvimento de alguns dos jovens do elenco.

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