Guia da temporada 2017/18 da NBA – Memphis Grizzlies

Luís Araújo

Todos os times serão analisados antes do início da temporada 2017/18 da NBA. Para ver tudo o que já foi publicado nesta série de prévias, basta clicar aqui.

Na temporada anterior

Campanha: 43 vitórias e 39 derrotas

Classificação: 7º lugar da Conferência Oeste – caiu na primeira rodada dos playoffs para o San Antonio Spurs


Elenco para a temporada 2017/18

Provável time titular: Mike Conley, Ben McLemore, Chandler Parsons, JaMychal Green e Marc Gasol

Reservas: Mario Chalmers (armador), Tyreke Evans, Wade Baldwin, Wayne Selden, Andrew Harrison (alas-armadores), James Ennis, Dilon Brooks (alas), Deyonta Davis, Jarrell Martin (alas-pivôs) e Brandan Wright (pivô)

Técnico: David Fizdale


O que merece atenção

Uma nova identidade?

Assim que os treinos começaram, David Fizdale comunicou os jogadores que o time será mais veloz e vai atacar mais rápido na temporada. Era uma ideia que já vinha sendo ensaiada no último ano, mas que sempre acabava caindo por terra quando Zach Randolph entrava em quadra para trabalhar no “post-up”. Aí o Grizzlies voltava aos velhos hábitos e ficava sem apresentar mudança marcante.

Vamos ver se desta vez é para valer. O fato de Randolph não estar mais no elenco pode acabar impulsionando essa transformação definitiva. Fizdale usou os treinos e as partidas de pré-temporada para encorajar os seus jogadores e correr mais a quadra e a definir as posses de bola mais cedo.

Na temporada passada, o Grizzlies usou em média 94,7 posses de bola por partida, o que representa o terceiro ritmo mais lento da NBA. Só Dallas Mavericks e Utah Jazz aceleraram menos. E o resultado nem foi tão bom: a média de 104,7 pontos a cada 100 posses de bola ocupou apenas o 19º lugar no ranking de eficiência ofensiva. De todo mundo que foi aos playoffs, só Atlanta Hawks e Chicago Bulls tiveram ataque pior. O que sustentou mesmo essa equipe entre as oito mais fortes do Oeste foi a defesa, a sétima melhor da liga.

A esperança é que essa nova filosofia que Fizdale tenta implantar pegue de vez e consiga levar o Grizzlies a resultados ofensivos melhores. Para favorecer esse estilo rápido, o treinador tem cobrado que os alas e armadores que estiverem em quadra participem mais da luta por rebotes de defesa, o que facilitaria uma saída rápida para o outro lado da quadra. Mesmo pretendendo ver mais gente ajudando neste sentido, o treinador também desafiou Marc Gasol a ser um melhor reboteiro, algo que o espanhol parece ter entendido ao ponto de declarar que vai levar isso como prioridade para a temporada.

Na esteira disso tudo, vale a pena acompanhar como serão utilizados gente como Tyreke Evans, Chandler Parsons. e até mesmo James Ennis, que afirmou ter passado os últimos meses treinando para ser capaz de ajudar de diversas maneiras com a bola nas mãos. Essa versatilidade deles pode ser importante para um time que busca dividir melhor a tarefa de comandar o ataque, que vinha sendo concentrada demais em Mike Conley e Marc Gasol.

Há ainda mais duas coisas interessantes com relação a essa nova identidade do Grizzlies. Uma delas passa pelas bolas de três. Na temporada passada, o time ficou na zona intermediária tanto em aproveitamento quanto em quantidade de arremesso do tipo por jogo. Já foi um salto em relação ao que se via em anos anteriores, mas será que veremos ainda mais evolução? Outra questão curiosa passa por quintetos mais baixos, com Gasol cercado por quatro jogadores abertos, algo que Fizdale sinalizou nos duelos de pré-temporada que pretende usar.

Chandler Parsons ainda é capaz de ajudar?

Depois de assinar o contrato máximo com o Grizzlies, ele continuou sofrendo com lesões no joelho e entrou em quadra só 34 vezes. Já é um número baixíssimo, que justifica por que o nome dele aparece nas discussões atuais sobre o pior contrato da NBA. O pior disso é que jogou muito mal nestes 34 duelos em que esteve à disposição. Sem conseguir se mexer direito, sem criar e sem arremessar com a competência de outros tempos.

Mas Parsons ainda tem esperança de que pode voltar a ser o que já foi um dia. Ele mesmo admitiu que estava devagar demais na última temporada. O fato de ter tido um tempo maior de recuperação e de ter conseguido depois passar alguns meses só focado em treinar basquete é o que o enche de confiança para o que está por vir.

Se ele realmente voltar a ficar 100%, sem limitação nos joelhos e longe das lesões, Parsons tem tudo para ser uma arma valiosa para esse ataque que o Grizzlies pretende colocar em prática. É um jogador de bom repertório ofensivo, que sabe criar com a bola nas mãos e que arremessa de longe. Seria até mesmo uma boa alternativa para David Fizdale colocar na posição quatro quando quiser escalar um quinteto mais baixo com quatro abertos. E na defesa ele se vira bem também, seria amplamente capaz de se adequar ao bom sistema que existe.

É por isso tudo que não chega a ser exagero algum apontar Parsons como um fator muito importante para as aspirações do Grizzlies. Se estiver inteiro, Conley e Gasol ganham um aliado bastante valioso na missão de manter a equipe entre as mais fortes do Oeste. Caso contrário, as coisas ficariam muito mais complicadas e provavelmente seria preciso que alguma outra peça despontasse de uma hora para outra.

O desenvolvimento de Wayne Selden e outros coadjuvantes

Depois de ter passado batido pelo Draft de 2016 e de uma passagem relâmpago pelo New Orleans Pelicans, Selden foi contratado pelo Grizzlies na reta final da temporada passada. Participou de 16 jogos na fase de classificação. Nos playoffs, foi chamado para assumir uma tarefa que Tony Allen, ausente por lesão, não conseguiria executar: marcar Kawhi Leonard na série contra o San Antonio Spurs.

Não é que ele anulou o craque do outro lado, longe disso. Mas o trabalho dele nestes momentos em que encarou Leonard foi bem interessante. Deu para ver o quanto a combinação de tamanho e capacidade atlética pode incomodar adversários de qualquer posição no perímetro. A julgar pelo o que mostrou ali nos playoffs, Selden tem potencial para se transformar em uma importante arma defensiva para o futuro. É cedo demais para elegê-lo um novo Tony Allen, mas é alguém que pode se consolidar na rotação através desta marcação sobre grandes ameaças adversárias.

Na Summer League, ele andou até fazendo cesta da vitória em jogada de isolação. Será que dá para esperar esse tipo de coisa na NBA? Ou aí já seria demais?

Além dele, vale a pena ficar de olho em outros dois coadjuvantes do Grizzlies. Um deles é Mario Chalmers, que deu pinta na pré-temporada de estar totalmente recuperado da lesão no tendão de Aquiles que o afetou no passado e é um velho conhecido de David Fizdale, com quem trabalhou no Miami Heat. O outro é Ben McLemore, que deverá ficar fora de combate ate dezembro por causa de uma fratura no pé, mas que tem potencial para se firmar como um dos bons “3 and D” da liga quando voltar.


Abre aspas

“Eu sinto como se estivesse novamente em meu ano de estreia, saudável, então estou empolgado. Quando o Grizzlies estava conversando comigo, eles estavam empolgados em ter um jogador como eu para ajudar Mike Conley a criar e ir para a cesta.”

A declaração mostra o quando Tyreke Evans está empolgado com o novo Grizzlies e confiante de que pode voltar aos seus melhores dias na NBA.


Grau de apelo no League Pass (de 1 a 5)

3,5 (médio para alto) – Está longe de ter o mesmo apelo de outros times estrelados do Oeste, mas ainda conta com Marc Gasol e Mike Conley e pretende colocar em prática um novo estilo de jogo. O Grizzlies vai acabar sendo ignorado em dias de rodada cheia, mas merece atenção quando as coisas estiverem um pouco mais tranquilas.


Palpite para a temporada

Se as coisas derem muito certo…

… Chandler Parsons consegue ficar inteiro e render alguma coisa, o novo sistema ofensivo funciona, a defesa dá um jeito de se manter entre as mais eficientes da liga e o Grizzlies se classifica mais uma vez para os playoffs. Sem uma campanha que pudesse fazer frente aos primeiros colocados do Oeste, mas entra sem sustos.

Se as coisas derem muito errado…

… o Grizzlies acaba se perdendo em meio a tantas mudanças e vira um time desorganizado em quadra. No fim das contas, acumula mais derrotas do que vitórias e fica fora dos playoffs, coisas que não acontecem desde 2010.

E então?

O Grizzlies entra naquele bolo de times do Oeste que até devem brigar pelo sétimo ou oitavo lugar, mas que não causariam tanto espanto assim se acabassem fora dos playoffs.

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