Guia da temporada 2017/18 da NBA – Miami Heat

Luís Araújo

Todos os times serão analisados antes do início da temporada 2017/18 da NBA. Para ver tudo o que já foi publicado nesta série de prévias, basta clicar aqui.

Na temporada anterior

Campanha: 41 vitórias e 41 derrotas

Classificação: 9º lugar da Conferência Leste – fora dos playoffs


Elenco para a temporada 2017/18

Provável time titular: Goran Dragic, Dion Waiters, Justise Winslow, James Johnson e Hassan Whiteside

Reservas: Tyler Johnson, Derrick Walton (armadores), Rodney McGruder, Josh Richardson, Wayne Ellington (alas-armadores), Jordan Mickey (ala), Kelly Olynyk, Okaro White, Udonis Haslem (alas-pivôs), Bam Adebayo e AJ Hammons (pivôs)

Técnico: Erik Spoelstra


O que merece atenção

Defesa e bolas de três

Foram duas coisas que funcionaram muito bem para o time na temporada passada, especialmente na segunda metade, quando as vitórias se tornaram frequentes e quase resultaram na ida aos playoffs. A defesa foi a quinta mais eficiente da liga, com média de 104,1 pontos sofridos a cada 100 posses de bola, atrás apenas de San Antonio Spurs, Golden State Warriors, Utah Jazz e Atlanta Hawks — times que se classificaram aos playoffs.

Ajuda ter um protetor de aro como Hassan Whiteside, que tem facilidade em dar tocos e que altera as finalizações ao redor da cesta mesmo que não encoste na bola? Claro. Mas somente isso não funcionaria se não fosse pelo trabalho dos marcadores no perímetro, com bastante agressividade tanto para colocar pressão em cima da bola como para dificultar as linhas de passe.

Mas talvez os arremessos de longe tenham tido influência ainda maior na transformação da campanha do Heat, que teve 30 vitórias nos últimos 41 compromissos do campeonato. Depois do “All-Star Game”, a equipe passou a tentar em média 3,5 chutes de três a mais por jogo. O aproveitamento melhorou também: passou de 35,6% (18º melhor) para 38,3% (quinto).

O que contribuiu para isso? Em parte, a saída de Justise Winslow, que perdeu mais da metade da temporada por causa de uma cirurgia que precisou passar no ombro. Não é que ele não tenha qualidades, muito pelo contrário. Mas os arremessos não fazem parte disso. O aproveitamento nos tiros de longe foi só de 20%, o que é extremamente baixo.

Mas é claro que não dá apenas para colocar na conta do rapaz. Com o tempo, o Heat passou a executar melhor seu sistema ofensivo, baseado em bloqueios do pivô para quem estiver com a bola no perímetro enquanto o resto dos jogadores se espalham para abrir a quadra. Dependendo da reação da defesa, Whiteside recebia com espaço no garrafão para girar e finalizar. Ou acontecia isso, ou então esses espaços apareciam para os tiros de longe.

E, claro: movimentação rápida, tanto das peças quanto da bola, contra defesas ainda desequilibradas também ajudou.

Não chega a ser surpresa que Goran Dragic, visivelmente mais confortável no papel de condutor de bola primário depois da saída de Dwyane Wade, voltou a ter aproveitamento de 40% nas bolas de três. E que Dion Waiters tenha registrado rendimento de 39,5% nestes chutes, o mais alto da carreira

As caras novas

O Heat usou a escolha de primeira rodada do Draft para selecionar Bam Adebayo, pivô de Kentucky que é considerado bastante atlético e que mostrou isso de maneira clara durante suas atuações na Summer League. É um jovem interessante do ponto de vista atlético, que corre muito bem a quadra, mas que ainda tem um longo caminho a se desenvolver do ponto de vista técnico. A defesa perto da cesta e a busca pelos rebotes apresentam falhas, mas a agilidade para se deslocar lateralmente o permitem encarar marcações em regiões mais distantes da cesta.

Depois do Draft, Erik Spoelstra elogiou essas virtudes físicas, a ética de trabalho, e exatamente por isso, declarou acreditar que o céu é o limite para Adebayo. Enquanto esse desenvolvimento acontece, é de se esperar que ele não tenha tanto tempo de quadra assim. É difícil imaginá-lo dividindo a quadra com Hassan Whiteside, e o treinador tem sinalizado que pretende testar formações que tenham no lugar de seu pivô titular alguém bem diferente das características dele.

Como Kelly Olynyk, por exemplo. Uma novidade do elenco que deverá ter papel muito maior na rotação da equipe nesta temporada. O canadense foi muito importante para o Boston Celtics em vários momentos, principalmente na série contra o Washington Wizards pelas semifinais do Leste — algo que rendeu um texto mais detalhado por aqui na época. Mas a busca para abrir espaço na folha salarial para poder contratar Gordon Hayward impediu o time de tentar mantê-lo. Então o Heat apareceu para fisgá-lo no mercado de agentes livres.

Spoelstra já falou algumas vezes nas últimas semanas sobre como pretende explorar ao máximo as qualidades de Olynyk, que costumava jogar como armador no colégio, antes de crescer demais. Então é de se imaginar que ele fique nos ataques com a bola nas mãos atrás da cabeça do garrafão, alimentando companheiros cortando sem bola para a cesta. Além, é claro, de oferecer arremessos de longe a partir do “pick and pop”.

E o mais interessante é que faz parte dos planos do treinador dar minutos para Olynyk não só na posição quatro, mas também na posição cinco. Atendendo, assim, a ideia de ter alguém na vaga de Whiteside que apresente características totalmente distintas. Se vai dar certo ou não é uma outra história. Mas será curioso acompanhar de qualquer jeito o encaixe do canadense, que tem tudo para ser um bom encaixe nesta equipe.

Um lugar entre os titulares e a segunda unidade

Goran Dragic é inquestionavelmente o maior talento do elenco, Hassan Whiteside é uma presença forte embaixo da cesta, Dion Waiters e James Johnson vêm do melhor ano de suas carreiras. Os quatro são certezas no quinteto principal. Sobra uma vaga, que poderia ser preenchida por Rodney McGruder, Josh Richardson ou Justise Winslow. Ou mesmo Kelly Olynyk, se Spoelstra resolver voltar a colocar Johnson no que teoricamente seria a posição três.

Durante a arrancada na temporada passada, McGruder foi o titular. A tendência é que ele seja mantido aí mesmo. Não chega a ser um especialista em bolas de três, mas também não chega a ser uma negação. Mais importante do que isso é o fato de ele não precisar da bola e de saber se movimentar muito bem sem ela, além de entregar um nível de energia e de defesa elogiado com alguma frequência por Spoelstra.

McGruder é um bom encaixe entre os titulares. Assim como Winslow, Richardson e Olynyk dentro daquilo que pode ser considerada uma ideia de segunda unidade cheia de versatilidade da equipe para a temporada. Nos últimos anos, não foi difícil ver o treinador experimentando, em determinados momentos dos jogos, quintetos sem pivôs e com todo mundo espalhado pela linha de três pontos para abrir a quadra.

Uma coisa quase que sem posições definidas, apostando em infiltração, passe, infiltração e passe, até que uma boa oportunidade de definição apareça. Essa experiência deu as caras em alguns momentos da pré-temporada e certamente será colocada mais vezes em prática quando o campeonato começar para valer.


Abre aspas

“Eu queria poder voltar no tempo e comandar o time naquele primeiro ano de maneira um pouco diferente, especialmente nos sete jogos daquela série. Não consigo ficar duas semanas sem pensar naquilo. Não deve ser algo saudável. Mas acho que era uma experiência pela qual eu precisava passar.”

Esse foi um desabafo de Erik Spoelstra sobre a eliminação para o Atlanta Hawks nos playoffs de 2009, logo em sua temporada de estreia como técnico, algo que ele ainda não conseguiu superar nem mesmo depois de tantos anos e dois títulos.


Grau de apelo no League Pass (de 1 a 5)

3 (médio) – Ainda que consiga ir para os playoffs no Leste, não é um time com tantos atrativos quanto algumas outras potências da liga. Não há tanta estrela assim em comparação a algumas outras equipes, que certamente irão parecer mais atraentes em dias de rodada gorda no League Pass. Mas o Heat é treinado por Erik Spoelstra, o que costuma ser sinal de organização e de jogadores atuando no máximo de suas capacidades. Vai valer a pena acompanhar em dias mais tranquilos.


Palpite para a temporada

Se as coisas derem muito certo…

… o Heat mostra para toda a NBA que a ascensão da segunda metade da temporada passada era para valer e conquista um lugar nos playoffs sem sustos, podendo até sonhar com o mando de quadra na primeira rodada.

Se as coisas derem muito errado…

… o Heat passa por algo mais ou menos parecido com o que aconteceu há alguns anos com o Phoenix Suns, que viveu seu melhor momento quando construiu uma campanha bastante surpreendente com o elenco que tinha, mas acabou batendo na trave e ficando em nono na conferência. Aí, quando era de se imaginar que iria forte no ano seguinte em busca de uma vaga nos playoffs, decepcionou e nem passou perto disso.

E então?

Talvez o ritmo de aproximadamente três vitórias a cada quatro jogos da segunda metade da temporada passada não se sustente, mas o Heat deverá aparecer nos playoffs nesta temporada. Pelo menos no campo da teoria, o time melhorou e o nível geral da conferência caiu.

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