Guia da temporada 2017/18 da NBA – Milwaukee Bucks

Luís Araújo

Todos os times serão analisados antes do início da temporada 2017/18 da NBA. Para ver tudo o que já foi publicado nesta série de prévias, basta clicar aqui.

Na temporada anterior

Campanha: 42 vitórias e 40 derrotas

Classificação: 6º lugar da Conferência Leste – caiu na primeira rodada dos playoffs para o Toronto Raptors


Elenco para a temporada 2017/18

Provável time titular: Malcolm Brogdon, Tony Snell, Khris Middleton, Giannis Antetokounmpo e John Henson

Reservas: Matthew Dellavedova, Gary Payton II, Bronson Koenig (armadores), Gerald Green, Jason Terry, Rashad Vaughn, Sterling Brown (alas-armadores), Jalen Moore (ala), Jabari Parker*, Mirza Teletovic, Spencer Hawes e DJ Wilson (alas-pivôs), Greg Monroe e Thon Maker (pivô)

* Em recuperação de uma cirurgia no joelho esquerdo, só deve voltar no meio da temporada

Técnico: Jason Kidd


O que merece atenção

Time sem posições (ou quase isso)

Tudo bem. Quando John Henson ou Greg Monroe estiverem em quadra, o Bucks terá um pivô mais tradicional, é verdade. Mas uma coisa que chama muito a atenção nesta equipe é a maneira como a maior parte dos jogadores utilizados na rotação de Jason Kidd exploram as suas versatilidades para formarem um time sem posições pré-estabelecidas, com múltiplas opções para levar a bola ao ataque e a possibilidade de fazer trocas na defesa sem grandes dores de cabeça.

Mais ou menos como LeBron James faz há anos, Giannis Antetokounmpo aproveita a sua capacidade atlética muitas vezes levando a bola para o ataque e iniciando as jogadas, como se fosse um armador mesmo. E tudo bem. Em sua caminhada para ganhar o prêmio de melhor novato, Malcolm Brogdon mostrou-se capaz de jogar com a bola nas mãos ou sem ela, seja se movimentando de maneira útil ou arremessando de longa distância. O aproveitamento dele nos tiros de três foi de 40,4%, o que pode ser considerado ótimo.

Tony Snell e Khris Middleton foram outros que tiveram aproveitamento acima dos 40% em arremessos de três na última temporada. É muito bom um time poder contar com gente tão perigosa assim em chutes de longe, que não precisa ter a bola nas mãos, mas que pode disparar para iniciar o ataque depois de um rebote defensivo. Esses dois também se encaixam nos planos de versatilidade do outro lado da quadra, com boa defesa individual e capacidade de encarar trocas.

Thon Maker é um outro gigante que ainda aparenta estar bem cru, mas já deu sinais enquanto novato de que pode fazer tudo isso na defesa e de entregar bolas de longa distância, mesmo escalado na vaga de um pivô, como foi nos playoffs do ano passado. Vale ainda apontar Matthew Dellavedova, um armador que também pode funcionar sem bola como um “spot-up shooter” (arremessador que fica parado, só esperando a bola chegar para definir) e que tem a defesa como uma forte qualidade — mesmo sem ser tão alto quanto os outros e ter braços gigantes.

Tem sido uma experiência interessante quando esses jogadores versáteis todos ficam em quadra juntos. Mas o elenco não é composto só de gente assim, o que torna curiosa a missão de Kidd de encaixar essas outras peças na rotação sem que um aspecto sofra uma queda acentuada. Como, por exemplo, na hora de colocar os pivôs em quadra. Ou então Jabari Parker e Jason Terry. Um deles, que ainda se recupera de cirurgia no joelho e só deve voltar no meio da temporada, é muito bom para pegar a bola e buscar infiltrações. O outro continua sendo um arremessador competente. Mas ambos são deficientes na defesa.

Kidd ainda vai ter um trabalho para equilibrar isso. E também não é que as formações só com gente versátil, sem pivôs tradicionais, sejam uma maravilha. Existem problemas sérios, sobretudo com relação aos rebotes defensivos. Mas não deixa de ser uma coisa curiosa de se acompanhar neste time.

O próximo passo de Giannis Antetokounmpo

A temporada passada teve mais um salto gigantesco deste grego, que passou de um jogador muito bom e bastante promissor a uma estrela de fato. A vaga no “All-Star Game” pela primeira vez na carreira e a indicação para o segundo quinteto ideal da liga ajudam a mostrar isso. É importante ainda registrar que ele liderou o Bucks em todos os fundamentos nas estatísticas, com médias de 22,9 pontos, 8,8 rebotes, 5,4 assistências, 1,9 toco e 1,6 roubo de bola por partida.

A combinação surreal de altura, envergadura e capacidade atlética o tornam uma potência nos dois lados da quadra. Na defesa, é capaz de usar todas essa características físicas para aguentar trocas de marcação no perímetro e incomodar perto da cesta, além de muitas vezes usar toda sua facilidade de deslocamento para sair do lado fraco e aparecer na cobertura para ajudar a contestar arremessos. No ataque, aproveita o bom controle de bola, as passadas largas e a altura para bater para dentro do garrafão na marra e finalizar perto do aro.

É muito por causa disso que o aproveitamento nos chutes em geral foi de 52,1%. Se forem considerados só as finalizações ao redor do aro, esse índice sobe para 70,9%. O que deixa bem claro o quanto faz sentido para as defesas adversárias tentarem congestionar o caminho dele e tentar ao máximo evitar que ele chegue ao aro. Mas se isso for feito dando espaços para os companheiros dele, Antetokounmpo enxergará isso e encontrará alguém em boa posição. O passe também é uma das suas grandes qualidades.

A julgar pelo o que tem acontecido até agora, dá para esperar um novo salto de Antetokounmpo nesta temporada. Como se trata de um sujeito de apenas 22 anos, chega até a ser seguro imaginar que o auge ainda está por vir na carreira dele. Todas as coisas boas que vêm funcionando podem ficar ainda melhores. Mas há uma área no jogo do grego que pode fazê-lo explodir ainda mais ao ponto de se tornar devastador caso consiga apresentar evolução: os arremessos. O aproveitamento nos chutes de três no último campeonato foi de apenas 27,2%. Nos tiros de dois de fora do garrafão, as coisas não foram tão superiores assim. O rendimento ficou na casa dos 35%.

De qualquer jeito, vai ser muito divertido acompanhar os próximos passos da trajetória de um jovem que já é uma grande estrela da liga. Mas se ele desenvolver a capacidade de punir os marcadores que o desafiarem a chutar de fora do garrafão, aí sai da frente. Seria um pesadelo ainda maior para quem tiver a ingrata missão de tentar pará-lo.

Defesa

Na temporada passada, o Bucks terminou em 19º lugar no ranking de eficiência defensiva. Se forem considerados só os 27 jogos disputados depois do “All-Star Game”, o time foi o 12º. As coisas ficaram melhores, em parte por causa do retorno de Khris Middleton, que havia iniciado o campeonato no departamento médico. Ainda assim, não parece um desempenho à altura do que pode fazer uma equipe tão recheada de jogadores atléticos e que são bons marcadores individualmente.

Uma coisa que fica clara nesta defesa é a agressividade para tentar cortar passes ou para roubar a bola, em uma busca para forçar desperdícios ofensivos do outro lado que possam virar contra-ataques. Mas muitas vezes o time ainda bate a cabeça contra adversários que movem bem a bola e acabam permitindo arremessos dos cantos da quadra. Algo que obviamente pode custar muito caro contra equipes realmente boas.

Potencial para ser uma das melhores da NBA essa defesa até parece ter. Mas será que veremos progresso nesta temporada? Se a resposta for positiva, o Bucks pode crescer demais em termos de competitividade.


Abre aspas

“Nós vimos um time que foi o mais novo ou o segundo mais novo da liga na temporada passada. Sabíamos que teríamos à disposição um dos fez melhores jogadores da liga e que ainda teríamos gente extremamente jovem ao redor dele. Então por que deveríamos mudar isso?”

A declaração é de Jon Horst, gerente-geral do Bucks, explicando um pouco a ideia sobre a manutenção do elenco. E o jogador ao qual ele se referiu é Giannis Antetokounmpo, é claro.


Grau de apelo no League Pass (de 1 a 5)

3,5 (médio para alto) – Não tem o mesmo apelo de algumas potências da liga, especialmente no Oeste. Mas vale a pena ver um Giannis Antetokounmpo cada vez melhor e todo mundo ao redor dele sempre que possível, quando não tiver uma rodada gorda e recheada de outras partidas envolvendo as equipes mais fortes.


Palpite para a temporada

Se as coisas derem muito certo…

… o Bucks dá sequência ao crescimento que teve na reta final da última temporada, quando venceu 17 dos 27 jogos que fez depois do “All-Star Game”, vê Giannis Antetokounmpo se colocar de vez na corrida pelo prêmio de MVP, termina em terceiro lugar do Leste — atrás só de Boston Celtics e Cleveland Cavaliers — e alcança a semifinal de conferência.

Se as coisas derem muito errado…

… ao invés de confirmar a boa impressão recente, o time volta a cair de produção, mais ou menos como já tinha acontecido há duas temporadas, e faz uma campanha com mais derrotas do que vitórias. Mas o Leste está tão fraco que, ainda assim, seria difícil imaginar o Bucks fora dos playoffs.

E então?

O Bucks vai brigar pelo mando de quadra na primeira rodada e, dependendo do cruzamento, pode até alcançar a semifinal de conferência. Algo que não acontece desde 2001, quando chegou a ser finalista do Leste e ficou a uma vitória da decisão da NBA.

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