Guia da temporada 2017/18 da NBA – New Orleans Pelicans

Luís Araújo

Todos os times serão analisados antes do início da temporada 2017/18 da NBA. Para ver tudo o que já foi publicado nesta série de prévias, basta clicar aqui.

Na temporada anterior

Campanha: 34 vitórias e 48 derrotas

Classificação: 10º lugar da Conferência Oeste – fora dos playoffs


Elenco para a temporada 2017/18

Provável time titular: Rajon Rondo, Jrue Holiday, Dante Cunningham, Anthony Davis e DeMarcus Cousins

Reservas: E’Twaun Moore (armador), Tony Allen, Jordan Crawford, Ian Clark, Frank Jackson, Jalen Jones, Charles Cooke (alas-armadores), Solomon Hill*, Darius Miller (alas), Cheick Diallo (ala-pivô), Alexis Ajinca e Omer Asik (pivôs)

* fora da temporada por causa de uma lesão muscular na perna

Técnico: Alvin Gentry


O que merece atenção

Davis e Cousins juntos

DeMarcus Cousins tem contrato até o fim da temporada só. O Pelicans sabia do risco que existia ao trocar por ele em fevereiro. Era uma aposta que precisava mesmo ser feita, não é todo dia que aparece a oportunidade de adicionar ao elenco uma estrela deste tamanho. Mas essa parceria entre Cousins e Anthony Davis precisa dar certo imediatamente.

Depois que a troca foi feita, Cousins e Davis fizeram 25 jogos juntos. Considerando só o tempo em que os dois estiveram em quadra ao mesmo tempo, o Pelicans registrou uma média de apenas 102,5 pontos a cada 100 posses de bola. Para se ter uma ideia do quanto esse resultado é baixo, esse número só supera a eficiência ofensiva de quatro times na última temporada: Atlanta Hawks, Brooklyn Nets, Orlando Magic e Philadelphia 76ers.

Rajon Rondo, uma das novidades do Pelicans para a temporada, ponderou que essas 25 partidas representam uma amostragem pequena. Tanto que ele falou nem levar em consideração o que aconteceu e se disse confiante em ver Cousins e Davis, depois dos últimos meses que tiveram para se ajustarem um ao outro, podem se tornar a melhor dupla de grandalhões da história da NBA.

Não precisa ser a melhor dupla da história, basta que ela funcione ao ponto de realmente elevar o nível da equipe, como se ela de fato tivesse duas grandes estrelas reunidas. Para isso acontecer, é importante que tanto Cousins quanto Davis possam continuar fazendo as coisas que os tornaram tão especiais nestes últimos anos. Eles precisam de liberdade para ter a bola nas mãos longe da cesta ou para colocá-la no chão e partir para o drible, devem chamar bloqueios entre si para o “pick and roll” ou “pick and pop” — já que ambos são capazes de arremessar de longe — e têm de continuar sendo acionados no “post-up”, onde atraem as dobras de marcação com facilidade.

Uma outra grande questão em torno disso é saber como se encaixarão as demais peças ao redor deles. Com dois jogadores tão talentosos com a bola nas mãos e tão capazes de mobilizar as atenções das defesas, o time precisaria ter gente em volta que saiba jogar sem a bola e, principalmente, que consiga ameaçar nos chutes de longa distância. Ninguém no elenco de apoio pode ser considerado um especialista em tiros de três, pelo menos não de acordo com o que produziram até agora em suas respectivas carreiras — E’Twaun Moore talvez seja uma exceção. Por outro lado, eles podem encontrar oportunidades de arremesso com espaço como nunca tiveram até agora. Dependeria do quanto Cousins e Davis desequilibrariam as defesas adversárias.

De qualquer maneira, isso tudo precisa acontecer imediatamente. Não há mais tempo a perder. Se a temporada começar e as coisas não derem tão certo entre os dois logo de cara, os rumores de uma nova troca envolvendo Cousins vão aumentar bastante e o Pelicans certamente passará a considerar essa possibilidade cada vez mais.

Rondo e Holiday juntos

Alvin Gentry pode até mudar de ideia com o tempo, mas já sinalizou que o plano é começar a temporada com esses dois entre os titulares. Com relação a Holiday, não há nenhum tipo de dúvida mesmo. Pode não ser um especialista em arremessos de longe, mas também não é alguém que as defesas vão querer deixar livre, algo valioso para o espaçamento de um time com Cousins e Davis como foco central do ataque.

O problema é saber como Rondo vai se encaixar nisso. São os problemas de sempre: ele continua sendo um gênio em termos de visão de jogo, mas depende demais da bola nas mãos para conseguir produzir no ataque e tem um arremesso bem ruim, que permite às defesas darem passos para trás para congestionar o garrafão e desafiá-lo a chutar.

Durante o tempo em que dividir a quadra com Rondo, Holiday vai jogar na posição dois. O que significa mais tempo sem a bola nas mãos e, possivelmente, mais oportunidades para chutar com liberdade. Até aí, nenhum problema. Ele pode funcionar desta maneira e poderá continuar tomando boas decisões quando receber e continuar movimentando a bola ao invés de finalizar o ataque.

A questão é mesmo saber como funcionaria Rondo. Porque além do próprio Holiday, Cousins e Davis são jogadores que também se sentem confortáveis com a bola nas mãos para comandar um ataque. Tirar isso dos dois não faria sentido, seria uma maneira de podar o que eles fazem de bom e os tornam especiais. Ou seja: Rondo precisaria dar um jeito de não virar um ponto morto no ataque quando não estivesse no controle da bola.

Defesa e velocidade 

Se o ataque teve problemas para render na última temporada, a defesa pode dizer que se saiu bem. O Pelicans ficou em nono lugar no ranking de eficiência defensiva. Será que as coisas vão continuar funcionando neste sentido? Seria importantíssimo para os planos da equipe de finalmente alcançar os playoffs.

Formações que reúnem Davis e Holiday são capazes disso. Tony Allen também pode ajudar bastante nisso. O espaçamento ofensivo provavelmente continuar sendo um problema com ele em quadra, mas é um jogador que pode sair do banco e colaborar com uma marcação mais agressiva, colocando pressão maior em cima da bola e aumentando as chances de forçar erros, o que facilitaria ataques em transição.

Aliás, seria interessante ver Gentry experimentando uma formação que tivesse Allen no lugar de Rondo, com E’Twaun Moore, Holiday, Davis e Cousins. Allen tem um arremesso ainda pior do que Rondo, mas ao menos parece ter uma noção melhor de cortes em direção à cesta sem bola. Além disso, Cousins e Davis são jogadores que amplamente capazes de se movimentar e render fora do garrafão, então daria para dar um jeito de fazer o espaçamento acontecer.

A defesa também ficaria melhor, com a possibilidade de encarar trocas de marcação frequentemente. E qualquer um que pegasse o rebote poderia pegar a bola e puxar o ataque, algo que Gentry já disse que quer ver no time para que o ritmo acelerado continue sendo uma característica marcante.


Abre aspas

“Nós jogamos juntos algumas vezes durante a offseason e foi divertido. É óbvio que jogar ao lado de um armador como ele dá a chance de arremessar mais vezes e até mesmo de ser um pouco mais egoísta. Jogar com Rondo te dá a oportunidade de arremessar livre mais vezes, sendo que alguns chutes de três acabam nem sendo contestados. É com isso que estou animado.”

A declaração é de Jrue Holiday, vendo com bons olhos os minutos que terá em quadra ao lado de Rajon Rondo.


Grau de apelo no League Pass (de 1 a 5)

4 (alto) – Por mais que não dê para colocar o Pelicans no mesmo nível de outros bichos papões do Oeste para essa temporada, é um time com dois grandes craques cercados de peças que tentam se encaixar a eles. Mesmo que a história não dê tão certo assim no fim, vai valer muito a pena acompanhar o desenrolar desta experiência.


Palpite para a temporada

Se as coisas derem muito certo…

… esse time pode até lutar pelo mando de quadra na primeira rodada dos playoffs. É algo que passaria por um entrosamento entre as duas estrelas bem maior do que o apresentado na reta final da temporada passada, abusando das jogadas entre si para criar espaços e destruir as defesas.

Se as coisas derem muito errado…

… o Pelicans fica mais um anos em playoffs, dificilmente evitaria perder DeMarcus Cousins de graça e correria o sério risco de ver Anthony Davis seriamente aborrecido e com vontade de ir embora. Seria um desastre enorme.

E então?

O Pelicans deverá lutar por uma vaga nos playoffs. Mas o nível no Oeste está tão absurdo nesta temporada que chega até a ser difícil imaginar esse time com chances de brigar pela parte de cima da classificação da conferência. Um sétimo ou oitavo lugar pareceria razoável.

Tags: , ,

COMPARTILHE