Guia da temporada 2017/18 da NBA – New York Knicks

Luís Araújo

Todos os times serão analisados antes do início da temporada 2017/18 da NBA. Para ver tudo o que já foi publicado nesta série de prévias, basta clicar aqui.

Na temporada anterior

Campanha: 31 vitórias e 51 derrotas

Classificação: 12º lugar da Conferência Leste – fora dos playoffs


Elenco para a temporada 2017/18

Provável time titular: Ramon Sessions, Courtney Lee, Tim Hardaway Jr, Kristaps Porzingis e Enes Kanter

Reservas: Frank Ntilikina, Jarrett Jack (armadores), Ron Baker, Damyean Dotson, Jamel Artis (alas-armadores), Doug McDermott, Mindaugas Kuzminskas, Michael Beasley, Nigel Hayes (alas), Lance Thomas (ala-pivô), Willy Hernangomez, Joakim Noah e Kyle O’Quinn (pivôs)

Técnico: Jeff Hornacek


O que merece atenção

A vida sem Carmelo Anthony

Depois de muita turbulência na reta final, a trajetória do jogador em Nova York finalmente chegou ao fim. Parece mesmo que não havia mais muito clima para Carmelo e Knicks continuarem juntos. Agora, Carmelo se junta a Russell Westbrook e Paul George em um Oklahoma City Thunder que já é um dos times mais intrigantes da NBA. Mas e a equipe nova-iorquina? Como vai se virar neste começo de vida nova?

A primeira coisa — e o principal ponto desta questão — é que o Knicks será mesmo o time de Kristaps Porzingis. Será curioso acompanhar o rendimento dele agora como líder absoluto, sendo indiscutivelmente o principal foco do ataque, com grau de envolvimento maior nas jogadas e, provavelmente, com mais arremessos. Veremos um aumento considerável na produção dele? Ou ele não conseguirá manter o ótimo nível que mostrou até agora se for mais vezes exigido?

Pelo o que vimos até agora, é fácil imaginar o primeiro cenário, o qual ele dá mais um passo em direção à galeria de grandes estrelas da liga. Não é todo dia que aparece alguém tão alto e tão ágil, capaz de chutar por cima de defensores mais baixos e deixar grandalhões para trás, que pode tranquilamente colocar a bola no chão para criar e com potencial para ameaçar nos arremessos de três. Mas vai saber o que realmente irá acontecer.

Também vale a pena observar com atenção as contribuições dos dois jogadores que chegaram na troca que resultou na saída de Carmelo. Doug McDermott é um ótimo arremessador, daqueles que as defesas adversárias certamente não vão querer que corra o risco de pegar ritmo e esquentar em uma partida. Além disso, teve alguns flashes bem interessantes na temporada passada colocando a bola no chão para definir mais perto do aro. Mas o ala passa longe de ser consistente e ainda é um problema sério na defesa, o que provavelmente o impedirá de ser titular e de morder uma parcela maior de minutos na rotação.

Quem também chegou na troca envolvendo Carmelo foi Enes Kanter, que ofensivamente pode ser colocado tranquilamente entre os melhores pivôs da NBA, com uma variedade interessante de recursos para definir perto da cesta e com um chute cada vez mais decente de média distância. O problema é do outro lado da quadra. Ele até apresentou uma evolução discreta na marcação individual com o Thunder nos últimos anos, mas continuou sendo uma dor de cabeça enorme toda vez que precisava conter um “pick and roll” ou quando era envolvido em qualquer ação que o levava para longe da cesta.

Kanter, aliás, é mais um nome para uma extensa lista de opções para a posição cinco. Willy Hernangomez, por exemplo, teve um ano de novato muito bom, foi uma das poucas notícias animadoras do Knicks na temporada passada. Antes de ir embora, Carmelo Anthony o classificou como “alguém capaz de fazer de tudo em quadra” e até ousou compará-lo a Marc Gasol. Ele ainda está longe disso, mas de fato mostrou muitas coisas interessantes enquanto calouro. Além dele, o elenco conta com outros dois nomes para essa posição: Joakim Noah, que continuou sofrendo com lesões e vem da pior temporada da carreira, e Kyle O’Quinn, que rendeu bem nos minutos que recebeu.

São quatro jogadores para uma única vaga, já que não podem ser encaixados de outra maneira na equipe. Faz sentido, portanto, pensar em uma troca envolvendo pelo menos um deles. O grande sonho do Knicks seria despachar Noah em algum canto, mas o contrato gordo e a falta de produtividade recente fazem com que ele seja muito difícil de ser negociado. É possível, portanto, que um dos outros três seja usado como moeda de troca.

Por fim, um outro aspecto deste Knicks sem Carmelo atende pelo nome de Tim Hardaway Jr. Ele começou a carreira em Nova York, foi negociado com o Atlanta Hawks e voltou agora como o principal investimento do Knicks para a temporada. O contrato de US$ 71 milhões por quatro anos assusta, mas ele teve a melhor fase da carreira na reta final da temporada passada, pontuando bem, registrando um bom aproveitamento em bolas de longa distância e com uma defesa muito melhor em relação àquela que apresentou em sua primeira passagem por Nova York. Não é nenhum absurdo, portanto, imaginar que mais graus de evolução virão por aí.

A armação

É a maior carência do Knicks, indiscutivelmente. Pelo menos para começar a temporada, o mais provável é que Ramon Sessions seja o titular da posição. Aos 31 anos, ele quase sempre foi reserva durante a trajetória na NBA, não tem um chute consistente de longe e não coloca tanto medo em seus ataques à cesta. Jarrett Jack é um outro veterano à disposição para a armação e que, neste momento, parece ainda menos confiável depois de ter atuado em somente dois jogos da última temporada.

A grande esperança do Knicks para o setor é Frank Ntilikina, escolhido na oitava posição do Draft. Ele tem só 18 anos, deve levar um tempo até causar impacto na NBA. Mas é um sujeito muito alto para um armador, atlético e dono de uma defensa versátil, que o permitiria marcar até três posições. Além disso, de acordo com quem o observou na liga francesa, ele deu sinais de ser bom passador, de comandar o “pick and roll” com competência e também de poder render sem bola, seja cortando para a cesta ou até arremessando livre. A questão é saber quando isso tudo vai começar a aparecer em Nova York — se é que um dia vai aparecer mesmo, é claro.

Defesa e velocidade

Na última temporada, o Knicks teve a sexta defesa menos eficiente da NBA. Deu para ver muito durante os jogos o quanto o time aceitava com facilidade as trocas de marcação, que frequentemente ofereciam “mismatches” que os oponentes aproveitavam. Para piorar, foi ainda o pior da liga em rebotes defensivos. Ou seja: além de fazer um trabalho ruim na hora de conter os ataques rivais, permitia novas chances de cesta como ninguém.

E agora? Será que Jeff Hornacek conseguirá promover alguma melhora neste sentido? Os recém-chegados Enes Kanter e Doug McDermott dificilmente oferecerão grande ajuda nisso. Hernangomez também tem seus problemas quando arrastado para longe da cesta. De Noah, é melhor nem esperar nada.

Porzingis até mostrou-se eficiente perto do aro na temporada passada, mas ainda tem alguns passos para se desenvolver marcando fora do garrafão. Tim Hardaway Jr melhorou bastante em Atlanta e Courtney Lee, apesar de não ser mais o mesmo, ainda está acima da média neste elenco. São duas esperanças para ajudar o Knicks a melhorar a defesa. Frank Ntilikina também pode dar sua contribuição se conseguir ganhar espaço considerável na rotação logo neste primeiro ano.

Pelo o que Hornacek falou, a meta é fazer a defesa emplacar um grau de pressão maior em cima dos adversários para forçar erros e poder atacar mais rápido, privilegiando as saídas com a quadra aberta e reduzindo o quanto der as situações de cinco contra cinco.


Abre aspas

“Eu enfrentei altas expectativas por causa desse contrato e realmente não estava me movimentando bem. Passei por diversas adversidades. Sofri com as contusões e realmente perdi a confiança em mim. Mas, agora, preciso voltar e mostrar quem eu sou nesses momentos difíceis. Tenho que mostrar do que sou feito.”

Foi isso o que admitiu Joakim Noah, em entrevista ao podcast Truth Barrell.


Grau de apelo no League Pass (de 1 a 5)

3 (médio) – Kristaps Porzingis é um daqueles jogadores que nunca se perde tempo assistindo. O comportamento dele agora como líder de fato da equipe, o encaixe das peças ao redor e os primeiros passos de um calouro intrigante como Frank Ntilikina serão histórias curiosas de se acompanhar, mesmo se o time não for grande coisa. Mas ainda não elementos sólidos o bastante para fazer o Knicks ganhar a atenção em meio a jogos envolvendo equipes mais competitivas.


Palpite para a temporada

Se as coisas derem muito certo…

… o Knicks vê a defesa dar um jeito de funcionar vez ou outra e volta aos playoffs. Nesta Conferência Leste tão aberta e aparentemente nivelada por baixo, qualquer plano que funcionar um pouco melhor do que o imaginado pode render uma vaga entre os oito primeiros colocados.

Se as coisas derem muito errado…

… o Knicks vê a defesa ser a pior do ranking de eficiência da NBA, deixando os oponentes pontuarem como bem entenderem, e fica entre os piores do Leste. Aí o jeito seria torcer pela primeira escolha do Draft de 2018.

E então?

O Knicks pode até permanecer mais tempo vivo na briga em relação ao que se viu em anos anteriores. Ainda assim, tem tudo para ficar mais um ano fora dos playoffs.

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