Guia da temporada 2017/18 da NBA – Oklahoma City Thunder

Luís Araújo

Todos os times serão analisados antes do início da temporada 2017/18 da NBA. Para ver tudo o que já foi publicado nesta série de prévias, basta clicar aqui.

Na temporada anterior

Campanha: 47 vitórias e 35 derrotas

Classificação: 6º lugar da Conferência Oeste – caiu na primeira rodada dos playoffs para o Houston Rockets


Elenco para a temporada 2017/18

Provável time titular: Russell Westbrook, Andre Roberson, Paul George, Carmelo Anthony e Steven Adams

Reservas: Raymond Felton, Isaiah Canaan, Semaj Christon (armadores), Alex Abrines, Terrance Ferguson, Daniel Hamilton (alas-armadores), Jerami Grant, Kyle Singler (alas), Patrick Patterson, Josh Huestis, Nick Collison (alas-pivôs) e Dakari Johnson (pivôs)

Técnico: Billy Donovan


O que merece atenção

Como pode vai funcionar o trio de astros

Na temporada passada, o Thunder usou suas peças de apoio do elenco para fazer tarefas específicas e poder assim ampliar ao máximo o impacto de Russell Westbrook. O sistema defensivo ficou entre os dez mais eficientes da liga preservando o armador o quanto pôde e montando uma estrutura que o permitisse pegar os rebotes para sair correndo imediatamente para o ataque. Isso dava a chance de Westbrook muitas vezes acelerar e infiltrar antes que algum oponente pudesse sonhar em contestá-lo. E quando era preciso criar em situações de cinco contra cinco, o que mais se via eram bloqueios seguidos de bloqueios para abrir corredor para Westbrook. Dependendo da resposta da defesa rival, ele finalizava ou passava para quem surgisse livre.

Foi mais ou menos por isso tudo que ele teve médias de triplo-duplo no campeonato. Mas apesar de essas coisas terem funcionado de certa maneira, não era difícil enxergar algumas deficiências. Algumas bolas que eram distribuídas depois destes ataques à cesta sobravam para o chute de Andre Roberson, que tem um arremesso horrível. Além disso, e mais grave ainda, é que o time parecia morrer nos momentos em que Westbrook saia de quadra para descansar. Não é que ele só tinha cones ao seu redor, muita gente ali cumpria funções importantes para o esquema tático como um todo funcionar. Mas faltava talento ofensivo.

Graças ao trabalho de Sam Presti nos últimos meses, não falta mais. O gerente-geral do Thunder conseguiu fazer Victor Oladipo, Domantas Sabonis, Enes Kanter e Doug McDermott se transformarem em Paul George e Carmelo Anthony. São duas outras estrelas enormes que vão fazer companhia a Westbrook. A concentração de talento geral no elenco é indiscutivelmente maior. O MVP da última temporada terá mais gente ao redor que sabe colocar a bola dentro da cesta e capaz de segurar a onda quando ele precisar descansar no banco. Ao mesmo tempo, porém, isso tudo significa que muita coisa no time vai mudar e que o técnico Billy Donovan terá a missão de descobrir como fazer esse novo grupo funcionar.

Carmelo e Westbrook foram dois dos três jogadores que mais tentaram jogadas de isolação na temporada passada, atrás apenas de James Harden. Para completar, George também ficou entre os dez primeiros nesta estatística. Ou seja: os três astros do Thunder se acostumaram a definir jogadas sozinhos. Existe um risco grande de um deles que estiver com a bola nas mãos cair na tentação de tentar resolver as coisas desta maneira, especialmente em partidas complicadas, enquanto os outros dois apenas assistem.

Durante o tempo em que Kevin Durant ainda estava em Oklahoma, isso acontecia direto. É algo que agora não pode se repetir agora. Não é que as defesas adversárias ficariam totalmente sossegadas se, por exemplo, Westbrook batesse bola e driblasse enquanto os outros dois ficam apenas abertos em quadra como possibilidades de arremesso. Mas seria algo muito menos problemático de se marcar do que se todos eles participassem de maneira mais ativa.

Além disso tudo, seria um desperdício muito grande tirar totalmente a bola das mãos dos outros dois. Carmelo acertou quase 43% das bolas de três que tentou em situações de “catch and shoot” na temporada passada, o que é excelente, mas também pode causar danos se continuar tendo oportunidades de receber no “post-up” para criar oportunidades de ataque. Algo que funcionaria muito bem, por exemplo, se Westbrook aproveitasse para disparar sem bola em direção à cesta, dando opção de passe ao cortar o garrafão. É algo que o armador fez muito pouco na temporada passada, mas que mostrou alguns flashes interessantes e que poderia ter sido feito mais vezes.

Paul George é outro que ameaça bastante nos arremessos de longa distância, mas que não seria o mesmo jogador se não tivesse a chance de comandar o ataque algumas vezes, agredindo a cesta e usando o corpo para finalizar com contato. Ou seja: o desafio de Donovan é conseguir equilibrar situações de bola nas mãos para os três astros, ao mesmo tempo em que os outros dois participem de maneira eficiente sem bola.

A boa notícia é que Carmelo e George renderem muito bem juntos na seleção norte-americana que ganhou a Olimpíada no Rio de Janeiro, ao lado de outros jogadores também acostumados a ter um alto volume ofensivo. É uma experiência que pode ajudar demais o Thunder.

Mas vale ainda ressaltar um ponto: pensando no time que deve ser o titular durante toda a temporada, tão importante quanto esse entendimento entre os três astros será o comportamento dos outros dois jogadores que estarão em quadra com eles. Steven Adams e Andre Roberson fazem sentido neste quinteto pelo o que são capazes de entregar na defesa. No ataque, nem vão precisar tocar muito na bola, mas terão que se movimentar de um jeito que consiga favorecer o espaçamento e que mantenha a marcação adversária preocupada. Pode-se esperar então muitos bloqueios, cortes sem bola para a cesta de Roberson e até passes da cabeça do garrafão de Adams.

Variações de quintetos

Ao contrário do que acontecia em Nova York, Carmelo vai mesmo passar a maior parte do tempo na posição quatro. Em outros tempos, isso poderia até incomodá-lo na defesa. Mas em uma época na qual a NBA está jogando cada vez mais longe da cesta e menos com dois grandalhões tradicionais ao mesmo tempo, são boas as chances que ele tire isso de letra. Até porque, ao contrário do que as vezes se diz por aí, Carmelo não é um completo inútil defendendo. Longe disso: é capaz até de entregar marcações muito boas quando tentam levá-lo perto da cesta.

Será curioso acompanhar isso, é claro. Mas também será curioso ver as coisas que Billy Donovan poderá experimentar ao longo da temporada. Além de Carmelo, a outra opção para a posição quatro, pelo menos no papel, era Patrick Patterson, que tem bom chute longa distância e pode servir como opção para o “pick and pop”.

Tem ainda Jerami Grant, um ala explosivo, que adora cortar para a cesta para pegar pontes aéreas e que vem evoluindo nos chutes de longe. Desde que chegou ao Thunder, também passou a cumprir minutos na posição quatro. Nesta pré-temporada, chegou até a ser testado como cinco, em uma formação que Donovan experimentou com todo mundo aberto no perímetro. Algo que possivelmente veremos algumas vezes mais quando o campeonato começar para valer.

Nos minutos durante o jogo em que Donovan quiser usar um dos seus astros para controlar a bola e cercá-lo de chutadores, Alex Abrines e Isaiah Canaan podem ser ótimas opções. Uma coisa interessante sobre Canaan é ele não ter a necessidade de ficar o tempo todo com a bola nas mãos, apesar de ser armador. O que possibilitaria que isso fosse testado com qualquer um dos astros mesmo.

Traços da velha identidade

A defesa foi tão muito importante para a campanha do Thunder na temporada passada quanto os triplos-duplos de Westbrook. Não é exagero nenhum colocá-la como um dos traços mais fortes da identidade do time que terminou em sexto lugar do Oeste e caiu para o Houston Rockets nos playoffs. Será que isso vai continuar acontecendo agora nesta nova equipe, com duas estrelas a mais?

A resposta desta pergunta é importante, até porque os ajustes no ataque deverão levar um tempo até que as coisas estejam redondas. Mas dá para ter esperanças de que a defesa funcione, sim. Principalmente por causa de Paul George, que já cansou de mostrar o quanto é bom defensor e como pode ser especial em sistemas sólidos como um todo. E Carmelo Anthony pode segurar a onda se estiver suficientemente engajado — o que parece ser o caso, pelo menos por enquanto.

Já um outro traço importante da identidade do time provavelmente acabou de vez no momento em que Enes Kanter foi mandado para o New York Knicks: o uso de dois pivôs ao mesmo tempo para punir os adversários nos rebotes de ataque. O Thunder, aliás, foi quem liderou a NBA em índice de rebotes ofensivos, pegando 27,9% de todos os que disputou. Isso quer dizer que Westbrook e companhia tiveram muitas novas chances de pontuar após arremessos errados graças ao trabalho dos pivôs perto da cesta.

Steven Adams ainda está em Oklahoma, mas é o único grandalhão que restou em um time que dá toda a pinta de jogar cada vez mais longe da cesta e até mesmo sem pivôs. Os rebotes de ataque podem até não virar uma fraqueza do Thunder, mas dificilmente continuarão tendo a mesma força.


Abre aspas

“Eu sempre fui um produto do ambiente em que estou. Dou ao ambiente o que ele pede de mim. Dito isso, essa equipe é diferente das outras em que eu já joguei. Ela me faz lembrar mesmo das grandes seleções olímpicas das quais eu fiz parte.”

É assim que Carmelo Anthony se sente depois de sair do New York Knicks e se juntar ao Thunder.


Grau de apelo no League Pass (de 1 a 5)

4,5 (alto para máximo) – É uma experiência que até pode dar errado? Claro. Mas tem como não ficar curioso para saber como será cada passo deste novo e estrelado Thunder? Na temporada passada já valia ver o máximo de jogo possível deste time para ver a saga dos triplos-duplos de Russell Westbrook. Desta vez, a história é sobre como ele vai jogar e o quanto as coisas vão mudar com outros dois astros ao lado. É tão interessante quanto.


Palpite para a temporada

Se as coisas derem muito certo…

… o Thunder emplaca um ataque mortal, com entrosamento redondo entre as estrelas e as demais peças ao redor, disputa a vice-liderança do Oeste e consegue causar algum incômodo nas vezes em que cruzar com o Golden State Warriors durante a temporada regular pra depois, nos playoffs, alcançar a final de conferência.

Se as coisas derem muito errado…

… o Thunder faz uma campanha não muito diferente do que teve na temporada passada. Bastaria para classificar aos playoffs, mas o ficaria longe da disputa pelas primeiras posições da conferência e acabaria rodando na primeira rodada mesmo.

E então?

O Thunder tem tudo para ficar entre os quatro melhores times do Oeste na temporada regular e conquistar mando de quadra na primeira rodada dos playoffs. Deve passar e chegar à semifinal de conferência. A partir disso, fica muito difícil imaginar o que pode acontecer. Se cruzar com o Golden State Warriors, sai. Não parece ainda ser um time pronto para desafiar os campeões. Mas se enfrentar qualquer outra equipe nesta fase, pode passar. Vai saber.

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