Guia da temporada 2017/18 da NBA – Orlando Magic

Luís Araújo

Todos os times serão analisados antes do início da temporada 2017/18 da NBA. Para ver tudo o que já foi publicado nesta série de prévias, basta clicar aqui.

Na temporada anterior

Campanha: 29 vitórias e 53 derrotas

Classificação: 13º lugar da Conferência Leste – fora dos playoffs


Elenco para a temporada 2017/18

Provável time titular: Elfrid Payton, Evan Fournier, Terrence Ross, Aaron Gordon e Nikola Vucevic

Reservas: Shelvin Mack, DJ Augustin, Kalin Lucas (armadores), Arron Afflalo, Troy Caupain (alas-armadores), Jonathon Simmons, Mario Hezonja, Damjan Rudez, Wesley Iwundu (alas), Jonathan Isaac, Marreese Speights, Adreian Payne, Khem Birch (ala-pivô) e Bismack Biyombo (pivô)

Técnico: Frank Vogel


O que merece atenção

O ataque vai melhorar?

Frank Vogel chegou ao Magic em 2016 com a reputação de construir bons sistemas defensivos. Foi uma habilidade que ficou bastante evidente durante o tempo que passou à frente do Indiana Pacers, mas que ele não conseguiu mostrar muito em seu primeiro em Orlando. A equipe teve uma das dez defesas menos eficiente da temporada passada. Fica a expectativa para ver se Vogel, com um ano a mais de trabalho em um ambiente novo, conseguirá desenvolver alguma melhora neste sentido.

Mas o grande desafio dele será do outro lado da quadra, onde as coisas foram ainda mais caóticas. O Magic terminou a última temporada com o segundo pior ataque em termos de eficiência. A média de 101,2 pontos a cada 100 posses de bola só superou o Philadelphia 76ers nesta estatística. O rendimento até melhorou um pouco depois do “All-Star Game”, em um período no qual já tinha trocado Serge Ibaka por Terrence Ross — movimentação que permitiu deixar a rotação de garrafão um pouco menos congestionada. Mas foi uma evolução bem discreta, nada que tirasse o time das dez últimas colocações.

A equipe foi a segunda pior tanto em eficiência nos arremessos como em “true shooting percentage”, o que ajuda a mostrar a dificuldade de se colocar a bola dentro da cesta. Isso foi reflexo do espaçamento ruim das peças no ataque, que por sua vez passou muito por um elenco bagunçado montado pela diretoria, com jogadores de difícil encaixe precisando dividir a quadra por alguns bons minutos.

Qualquer evolução defensiva já ajudaria bem o time a sair mais vezes para atacar com a quadra aberta, mas é importante que Vogel consiga encontrar uma rotação que o permita montar um sistema ofensivo menos travado e mais capaz de produzir em situações de cinco contra cinco.

Eles vão dar o próximo passo?

Em 2015, quando o Magic veio jogar no Brasil contra o Flamengo, Nikola Vucevic e Scott Skiles, então treinador, falaram sobre como Mario Hezonja era bastante talentoso, mas ainda era tratado como um plano para o futuro. Dois anos se passaram desde então e as coisas não parecem mais tão animadoras assim. O croata recebeu poucos minutos nestas duas temporadas como profissional até agora e mostrou muitos poucos flashes que o pudessem fazer lembrar do jogador que era em Barcelona, na época em que encantou os olheiros internacionais. Nem mesmo o arremesso, que parecia ser a grande qualidade que ele poderia oferecer logo de cara, funcionou — o que também passa, é claro, pelo já citado sistema ofensivo pobre e mal espaçado da última temporada.

É muito justo se questionar sobre como teria sido esse desenvolvimento se estivesse em um time mais organizado, mas o fato é que Hezonja está com as costas contra a parede. É a hora de mostrar alguma coisa e de provar que realmente pertence à NBA. Se isso não acontecer, as chances de ele perder espaço definitivamente no elenco são grandes.

Mesmo ocupando vagas bem maiores na rotação do time nestes últimos anos, há pelo menos outros dois jogadores que iniciam essa temporada 2017/18 despertando uma expectativa se vão explodir ou se vão ficar no que apresentaram até agora. Um deles é Aaron Gordon, muito explosivo, dono de uma defesa de ótimo nível e que funcionou muito melhor durante a temporada passada na posição quatro. Jogando na três, ajudou a prejudicar o espaçamento ofensivo por causa da sua falta de arremesso. Será que Vogel enfim vai deixá-lo na quatro e abortar de vez a ideia de usá-lo como três?

Por falar em ausência de chute, tem Elfrid Payton. Que melhorou muito depois do “All-Star Game”, em uma fase na qual o time passou a jogar com formações mais baixas e tendo Gordon mais vezes na posição quatro. Só durante o mês de março, ele teve 12,7 pontos, 8,4 assistências e 7,6 rebotes por jogo, registrando cinco triplos-duplos neste intervalo. É difícil imaginar que o arremesso dele melhore de uma hora para outra em um nível que faça os defensores hesitarem em passar por trás dos bloqueios. Mas pode ser que algumas coisas perto destes números de março apareçam se ele estiver com a bola nas mãos e com as peças certas ao redor.

A questão é essa: quanto será que Payton terá a bola nas mãos tendo gente ao lado gente como Nikola Vucevic e Evan Fournier, que talvez sejam os maiores talentos ofensivos deste elenco? Isso sem falar em Jonathon Simmons, que não chega a ser alguém que precisa a todo custo ter o controle da bola, mas que mostrou algumas coisas muito interessantes na última temporada desta maneira.

As caras novas e a distribuição dos minutos

Jonathan Isaac foi a escolha do Magic na primeira rodada do Draft. Trata-se de um sujeito de 2,08m que chegou à NBA tendo a versatilidade como ponto forte. Afinal de contas, não é toda hora que se vê alguém tão alto e tão capaz de se deslocar sem bola e de passar por cima de marcadores usado o drible quando a tem nas mãos. Os chutes de três ainda não são uma especialidade, mas pode vir a ser uma arma consistente um dia. Além disso, justamente pela facilidade em se deslocar, pode encarar trocas de marcação.

Entre os agentes livres, a principal aquisição foi Jonathon Simmons, que chamou bastante a atenção nos playoffs com o San Antonio Spurs. Não só pela marcação em cima de James Harden na série contra o Houston Rockets quando Kawhi Leonard virou desfalque como também no ataque, no papel de criação de jogadas no um contra um. Vale também apontar Arron Afflalo e Marreese Speights, que podem sair do banco para colaborar com chutes de longa distância, deficiência do Magic no último ano.

É inegável que todos eles têm suas qualidades individualmente. Resta saber como será a distribuição dos minutos e como usar essas coisas boas de cada um deles para fortalecer o conjunto do time. Isaac vai poder jogar com Gordon? Simmons diminuirá o tempo de quadra de Terrence Ross? Esses dois poderão jogar juntos? Se isso acontecer, como ajustar a utilização de Fournier? Hezonja conseguirá encontrar algum espaço no meio disso aí?

São perguntas demais para um time que ainda parece longe de ter qualquer pista de algo que possa ser considerado seguro.


Abre aspas

“Muitas coisas sobre ele nos impressionam. Eu acho que o primeiro elemento que você olha na hora de contratar um jogador é tentar buscar gente que luta. Você quer ter caras que vão competir pelas vitórias e que fazem os outros ao redor melhorarem. E vemos muito disso em Jonathon.”

A declaração mostra o quanto Jeff Weltman, novo presidente de operações da franquia, ficou empolgado com a chegada de Jonathon Simmons.


Grau de apelo no League Pass (de 1 a 5)

1,5 (mínimo para baixo) – Em um dia sem tanta opção, até vai valer a pena dar uma olhada em como Jonathan Isaac está se virando, no começo de vida de Jonathon Simmons pós-San Antonio Spurs e em algumas eventuais enterradas de Aaron Gordon. Mas é só. Em condições normais, o Magic não deverá ter muita vez, não.


Palpite para a temporada

Se as coisas derem muito certo…

… daria para chegar nos playoffs e até mesmo evitar Boston Celtics e Cleveland Cavaliers na primeira rodada. Por que não? Do jeito que o Leste está, qualquer time que ver as coisas funcionarem um pouco melhor que o previsto corre o risco de dar um salto significante dentro da conferência. Se isso acontecer com o Magic, daria para imaginar Frank Vogel transformando essa defesa em algo mais sólido como conseguiu fazer nos tempos de Indiana Pacers, Aaron Gordon e Mario Hezonja dando um passo além em suas escalas pessoais de desenvolvimento e Jonathan Isaac sendo uma máquina de “mismatch” pela quadra logo no ano de estreia. Se Elfrid Payton melhorar o chute, então, excelente. Mas aí já parece sonhar demais.

Se as coisas derem muito errado…

… o time termina mais uma vez entre os piores da conferência, sem desenvolvimento notável dentro do elenco e depositando todas as fichas de começar a arrumar a casa a partir de uma escolha alta no Draft. Algo que já tem virado rotina para o torcedor do Magic.

E então?

O Magic deverá ter mais vitórias do que na última temporada e terminar acima de outras equipes da conferência que começaram agora a se reformularem e estão dispostas a acumular derrotas — o que pode significar alguma coisa ou absolutamente nada. Até dá para sonhar com uma das últimas vagas em playoffs, mas o mais provável é que isso não aconteça.

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