Guia da temporada 2017/18 da NBA – Philadelphia 76ers

Luís Araújo

Todos os times serão analisados antes do início da temporada 2017/18 da NBA. Para ver tudo o que já foi publicado nesta série de prévias, basta clicar aqui.

Na temporada anterior

Campanha: 28 vitórias e 54 derrotas

Classificação: 14º lugar da Conferência Leste – fora dos playoffs


Elenco para a temporada 2017/18

Provável time titular: Markelle Fultz, JJ Redick, Robert Covington, Ben Simmons e Joel Embiid

Reservas: TJ McConnell (armador), Nik Stauskas, Jerryd Bayless, Timothe Luwawu-Cabarrot (alas-armadores), Robert Covington, Justin Anderson, Furkan Korkmaz (alas), Amir Johnson, Dario Saric, Richaun Holmes, James Michael McAdoo (alas-pivôs) e Jahlil Okafor (pivô)

Técnico: Brett Brown


O que merece atenção

Os próximos passos de Embiid

Joel Embiid só não foi eleito o melhor novato da última temporada porque passou a maior parte do tempo fora de quadra. Mas nos 31 jogos que disputou, teve médias de 20,2 pontos, 7,8 rebotes e 2,5 tocos, além de um aproveitamento de 36% nas bolas de três pontos.

São ótimos números para um calouro, mas que se tornam ainda mais impressionantes diante da lembrança de que a produção toda foi feita em apenas cerca de 25 minutos por partida. Fazia parte da estratégia da franquia limitar esse tempo e impedir atuações em dias seguidos, a fim de preservar um jovem que fora selecionado no Draft de 2014 e que demorou tanto tempo para estrear na liga justamente por causa de lesões.

O mais importante nesta história toda é que o Sixers teve 13 vitórias e 18 derrotas com Embiid em ação. Apesar de ser uma campanha negativa, é proporcionalmente bem superior em relação ao que foi registrado no final da temporada. O time foi muito melhor com ele nos dois lados da quadra. Na defesa, teve nele um protetor de aro eficiente demais, com uma boa leitura e um tempo de bola preciso para tomar decisões na hora de contestar arremessos. No ataque, ganhou uma dose generosa de talento.

Muito da produção ofensiva de Embiid veio em situações nas quais foi utilizado como o definidor após fazer o bloqueio no “pick and roll” e no “pick and pop”, aproveitando o bom chute de longa distância. Também deu para vê-lo bastante de costas para a cesta, seja buscando usar os movimentos para girar em direção ao garrafão ou mesmo arremessando de média distância. E não foi raro vê-lo com a bola nas mãos longe da cesta, com liberdade para usar sua combinação de técnica e mobilidade para criar o ataque como se fosse um armador.

Tudo isso apareceu por apenas 31 jogos, mas foi muito especial enquanto durou. É um conjunto de qualidades que podem levá-lo rapidamente ao status de estrela da liga. Resta saber como será o impacto das novidades ao redor dele nesta temporada e, principalmente, se as lesões enfim desaparecerão.

A divisão da bola

Embiid pode até continuar tendo esse tipo de liberdade com a bola nas mãos vez ou outra, mas a prioridade do Sixers com relação a isso será outra ao longo da temporada: dividir essa tarefa com Ben Simmons e Markelle Fultz da melhor maneira possível e fazer com que um não se torne completamente inutilizável enquanto o outro estiver armando.

As coisas podem mudar ao longo da temporada, mas a ideia inicial de Brett Brown é usar  Simmons como o armador de fato da equipe no ataque. Pode parecer estranho para um time que se movimentou para ter a primeira escolha do Draft justamente para selecionar Fultz, que é armador. Mas além da confiança nas habilidades do australiano e nos estragos que podem ser causados a partir da capacidade de enxergar o jogo por cima dos marcadores, essa decisão do treinador pode também ser encarada como um sinal de que ele espera ver a experiência de Fultz sem bola dar certo, algo que funcionou na NCAA.

Foi na Summer League, é verdade, mas o vídeo abaixo mostra um arremesso de três certeiro de Fultz. Mais do que a cesta em si, é interessante reparar em como ele observar a ação do companheiro com a bola nas mãos e se desloca para onde consegue virar uma boa opção de passe e finalizar.

Fultz mostrou-se confortável atacando em situações nas quais é acionado em movimento, depois de se mexer sem a bola nas mãos na ação ofensiva. Se esses arremessos de longe no “catch and shoot” caírem com frequência, melhor ainda para abrir espaços nas defesas rivais. De qualquer maneira, muito do que o levou a ser o calouro número 1 desta safra de 2017 foi a habilidade para produzir pontos sobretudo com a bola nas mãos, especialmente em  ataques a partir do “pick and roll”, quebrando as marcações e tomando decisões a partir disso.

Por melhor que seja a experiência com Simmons levando a bola, é difícil imaginar que o Sixers queira tirar totalmente Fultz desta função. O que leva a uma dúvida importante: será que o australiano conseguirá desenvolver maneiras de ser útil para o time e de continuar ameaçando as defesas rivais nas vezes em que não tiver a bola nas mãos?

Se Fultz e Simmons conseguirem coexistir independentemente de quem estiver no comando, então o céu será o limite para sistema ofensivo do Sixers. Ainda mais pelo fato de os dois terem a companhia de um recém-contratado como JJ Redick, que não só é um especialista em tiros de longa distância como também sabe ler os deslocamentos da defesa para se movimentar sem bola como poucos na liga.

Robert Covington titular, Dario Saric banco

Vale repetir: muita coisa pode mudar ao longo da temporada, as impressões iniciais dos treinadores podem simplesmente não se mostrarem sustentáveis e levá-los a mudar de ideia. Mas além da questão envolvendo a armação, Brett Brown também já adiantou que pretende fazer Robert Covington não só começar os jogos, mas também terminá-los.

O fato de Covington ser um encaixe mais fácil ao resto do time titular em relação a Dario Saric pesa muito nesta questão. É um jogador que não precisa ter a bola nas mãos e que funciona melhor desta maneira para abrir a quadra para os companheiros. O aproveitamento nas bolas de três na última temporada foi de 33%, o que passa longe de fazer saltar os olhos, mas também não é desastroso. De qualquer maneira, ele já chutou melhor do que isso e pode ter números ainda superiores se a movimentação ofensiva funcionar tão bem ao ponto de deixá-lo mais vezes com liberdade para os tiros.

Mas a grande vantagem mesmo dele é no outro lado da quadra. Enquanto Saric se vira melhor marcando oponentes da posição quatro, Covington é muito superior na marcação do perímetro. A combinação de tamanho e agilidade faz dele versátil o suficiente para encarar as trocas longe da cesta, algo especialmente valioso na NBA dos dias de hoje.

Já Saric terá de se adaptar mesmo ao papel de sexto homem. Por mais que a segunda metade do ano de calouro tenha sido realmente muito boa, é compreensível que o croata tenha um espaço menor na equipe e assuma esse tipo de função específica nos minutos que receber. No comando da segunda unidade, ele continuará tendo a chance de ser o líder ofensivo que foi na temporada passada, com liberdade para levar a bola e comandar a criação. A diferença é que isso vai acontecer por menos tempo.

Mas também é de se imaginar que Brett Brown mescle as formações para quebrar um pouco a dupla Simmons e Fultz. O que significa que Saric não vai passar todos os seus minutos em quadra sem ter ao seu lado um outro jogador que gosta de ter a bola nas mãos. É bom ele se acostumar com isso então o mais rápido possível.


Abre aspas

“Vamos falar sobre o que vimos nos treinos por aqui. É mais ou menos o que o mundo inteiro viu na LSU e no tempo limitado em que ele jogou na Summer League. Com a bola nas mãos, existe uma linha de visão para um sujeito da altura dele que TJ McConnell não tem. Enxergar as coisas a partir desta linha e ter o intelecto que ele tem para ver as coisas um pouco mais rápido do que os outros é uma combinação poderosa para um jogador de basquete. Quando eu o vejo em ação, seja com a quadra aberta ou em situações de meia-quadra, essas duas coisas imediatamente chamam a atenção e o tornam um passador de elite.”

A declaração é de Brett Brown, claramente entusiasmado com Ben Simmons.


Grau de apelo no League Pass (de 1 a 5)

4 (alto) – É um time com muito talento jovem reunido, vai saber quantas estrelas irão sair daí nos próximos anos. Se os resultados desta experiência forem bons logo no começo, ótimo. Aí o Sixers seria uma ótima pedida em muitas noites ao longo da temporada. Se não der tão certo assim, não deixará de ser interessante acompanhar o desenvolvimento de tantos novatos promissores. Isso tudo, é claro, desde que as lesões passem longe.


Palpite para a temporada

Se as coisas derem muito certo…

… o Sixers não só se garante nos playoffs como luta até pelo mando de quadra na primeira rodada. É uma projeção bem ousada, mas se Embiid e os novatos desenvolverem um bom encaixe juntos e transformarem isso em vitórias logo de cara, dá para sonhar bem alto em uma conferência na qual as coisas parecem bem abertas abaixo de Boston Celtics e Cleveland Cavaliers.

Se as coisas derem muito errado…

… vem mais um ano com muito mais derrotas do que vitórias e ausência nos playoffs para o Sixers. O resultado em si nem seria tão desastroso assim para um time tão jovem, que tem a base formada por gente que acabou de entrar na NBA. Preocupante mesmo seria se esse núcleo desse pistas de que não consegue funcionar junto, com Markelle Fultz e Ben Simmons batendo cabeça, espaçamento ofensivo problemático e Dario Saric insatisfeito pelo papel bem menor em relação à temporada anterior. Ou pior ainda: se alguém se lesionasse.

E então?

É um time promissor, cheio de talento bruto e que vai usar a temporada para lapidar isso da melhor maneira. Pode chegar aos playoffs, até porque as coisas no Leste não andam tão desafiadoras assim como no Oeste, mas o principal mesmo será o de construir dentro de quadra a base para o futuro e melhorar em relação aos anos anteriores. O que pode ser representado por um número maior de vitórias ou simplesmente por uma capacidade maior de impor resistência diante das grandes potências da liga.

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