Guia da temporada 2017/18 da NBA – Phoenix Suns

Luís Araújo

Todos os times serão analisados antes do início da temporada 2017/18 da NBA. Para ver tudo o que já foi publicado nesta série de prévias, basta clicar aqui.

Na temporada anterior

Campanha: 24 vitórias e 58 derrotas

Classificação: 15º lugar da Conferência Oeste – fora dos playoffs


Elenco para a temporada 2017/18

Provável time titular: Eric Bledsoe, Devin Booker, Josh Jackson, Marquese Chriss e Tyson Chandler

Reservas: Tyler Ulis, Mike James (armadores), Elijah Millsap, Troy Daniels, Brandon Knight*, Davon Reed (alas-armadores), Jared Dudley, TJ Warren, Derrick Jones (alas), Dragan Bender, Alan Williams (ala-pivô) e Alex Len (pivô)

* fora de toda a temporada por causa de uma lesão no joelho

Técnico: Earl Watson


O que merece atenção

Velocidade, arremessos e defesa

Na última temporada, o Suns correu mais do que Golden State Warriors e Houston Rockets. Só não teve ritmo de jogo mais acelerado do que o Brooklyn Nets. Para um time com elenco muito jovem e que fez questão de manter essa filosofia de apostar no desenvolvimentos dos garotos, é de se imaginar que essa proposta de usar e abusar da velocidade siga firme e forte — talvez ainda mais graças à chegada de Josh Jackson.

Se a definição nos primeiros segundos do relógio de posse de bola parece ser uma certeza, vale observar como serão algumas questões relacionadas à maneira deste sistema ofensivo funcionar. Na temporada passada, por exemplo, o Suns passou longe de usar a bola de três como força: o time foi o terceiro que menos tentou arremessos do tipo e foi o quarto pior em aproveitamento. Alguma mudança vai acontecer neste sentido?

E nem dá para dizer que isso valeu a pena em função de uma aposta em definições mais próximas à cesta. O resultado em “True Shooting Percentage” (índice que leva em consideração todos os tipos de arremessos possíveis em uma partida) foi um dos dez piores da liga. Vale também apontar que o Suns ficou entre as dez piores equipes da NBA em desperdícios de posse de bola.

Do outro lado da quadra, o Suns teve a terceira defesa menos eficiente da temporada. Em parte por causa destes erros todos cometidos pelo sistema ofensivo. Esse tipo de coisa não costuma mudar da água para o vinho de um dia para o outro, especialmente em um ambiente recheado de gente jovem. Mas será que veremos alguma melhora defensiva? É algo que poderia facilitar bastante a produção de pontos dentro desta proposta de jogo da equipe.

O progresso dos jovens

O Suns manteve a paciência para continuar vendo o que a aposta nos jovens vai dar ao longo dos próximos anos, tanto que decidiu bater o pé e não envolver Josh Jackson em uma troca por Kyrie Irving. Selecionado na quarta escolha do Draft, o ala de Kansas chega com a reputação de ser bastante atlético e com bom defensor, mas ainda com ajustes a se fazer ofensivamente, principalmente nos arremessos. Há quem acredite que ele possa virar uma estrela a partir do momento em que confirmar essas coias boas na NBA e começar a acertar arremessos. Pode dar errado, claro, nunca se sabe. Mas é uma aposta intrigante demais, com boa chance de entregar resultados excelentes e que certamente muitos times gostariam de poder fazer.

Enquanto Jackson dá seus primeiros passos na liga, outros jogadores muito jovens terão a missão de mostrarem progresso em relação ao último ano. Dragan Bender, por exemplo, foi usado praticamente o tempo todo como um mero arremessador de longe durante os poucos minutos que recebeu como novato, algo que passou longe de dar certo e que o impediu de mostrar características que eram realmente consideradas forças em seu jogo antes de entrar na liga. Em outras palavras: até teve a bola nas mãos para chutar de longe, mas não para poder colocá-la no chão e tomar outros tipos de decisões.

Também novato na última temporada, Marquese Chriss teve algumas apresentações muito sólidas depois do “All-Star Game”, dando até pinta de que pode se tornar uma ameaça em tiros de longa distância — algo que certamente ajudaria bastante o time a espaçar a quadra. Já TJ Warren, que vai para seu quarto ano como profissional, melhorou em quase tudo no último. Menos nos arremessos, que têm piorado temporada a temporada. Como ele vai contribuir agora? E Devin Booker? Não restam mais dúvidas praticamente de que se trata de um pontuador espetacular e com potencial de castigar nos arremessos quando consegue encontrar um ritmo, mas e defensivamente? Vai apresentar algum salto?

Earl Watson e as dúvidas

Os jovens terão oportunidades para continuar se desenvolvendo. É essa a estratégia da franquia até que já pareça mais claro o que fazer com cada um deles. Nem mesmo Alex Len, que já está ao redor há algum tempo e dá sinais de que não vai ser grande coisa, foi completamente descartado.

Por outro lado, o que será feito com os mais experientes? Eric Bledsoe vem de uma das melhores temporadas da carreira, em que não só jogou bem como conseguiu se manter saudável. Mas o nome dele apareceu o tempo todo em rumores sobre trocas, algo que deverá se repetir neste ano. E aí? Vale a pena se desfazer dele para concentrar minutos e ainda mais responsabilidades em cima dos jovens? A mesma pergunta vale para Tyson Chandler. O Suns vai querer mantê-lo como um veterano, que já teve experiência de ser campeão, em meio a um grupo de gente tão nova? Ou não?

Mesmo que nada aconteça, Watson terá que tomar algumas decisões importantes sobre o desenvolvimento do time como um todo. Um dos pontos fortes na última temporada, por exemplo, foi o rebote ofensivo. O índice de 26% foi o sexto melhor da liga. O treinador vai decidir manter essa característica ou resolverá abrir mão disso em nome de uma transição defensiva menos problemática?

Se Bledsoe ficar mesmo, como será a divisão de bola com Booker, que chegou no final da última temporada explorando mais e mais as situações nas quais chegava ao ataque com a bola nas mãos e com carta branca para decidir o que fazer?

De uma maneira geral, o que pode ser dito é que o desafio de Watson será o de dar uma cara para esse time, sem que pareça simplesmente uma reunião de moleques correndo de um lado para o outro na quadra e esperando que eventualmente algo dê certo. O treinador ainda parece contar com a confiança dos seus superiores, mas vai precisar começar a entregar algum resultado neste sentido para mostrar que é o homem certo para comandar esse processo.


Abre aspas

“Ele tem uma mentalidade agressiva que o faz aceitar qualquer desafio. Ele quer encarar esses desafios. É isso o que os grandes defensores costumam ter. Se você observa Kawhi Leonard jogar, dá para ver esse tipo de mentalidade. Se observar Draymond Green, também verá isso. E acho que Josh tem um pouco disso também. Kawhi ficou muito mais forte e virou dono de um dos melhores portes físicos da liga. Ele não era visto como grande arremessador e se tornou um. Se Josh continuar a desenvolver o arremesso dele, poderá ser capaz de fazer qualquer coisa em quadra. Se virar um arremessador acima da média, acredito que vocês verão um jogador muito, muito especial.”

As palavras são de Ryan McDonough, gerente-geral do Suns, sobre Josh Jackson.


Grau de apelo no League Pass (de 1 a 5)

2,5 (baixo para médio) – Devin Booker já deu mostras de ser capaz de entregar espetáculos especiais, os 70 pontos contra o Boston Celtics que o digam. Vai ser interessante acompanhá-lo vez ou outra, bem como os primeiros passos de Josh Jackson, que falou na noite do Draft em como está motivado a provar para toda a NBA que deveria ter sido selecionado antes da quarta escolha. Mas ainda é um time abaixo da média da liga em termos de competitividade e que tem um bom caminho pela frente para trabalhar sob o ponto de vista coletivo. Em dias de rodada cheia, o Suns dificilmente merecerá atenção.


Palpite para a temporada

Se as coisas derem muito certo…

… o Suns vai se tornar o novo time de jovens mais irresistível do mundo, recebendo um tratamento mais ou menos como Minnesota Timberwolves e Philadelphia 76ers tiveram nos últimos meses. O que passa por Devin Booker dando mais um passo importante rumo ao status de estrela da liga, Josh Jackson causando impacto logo de cara nos dois lados da quadra e Dragan Bender conseguindo mostrar algo de interessante após um primeiro ano muito apagado — o que também passa por Earl Watson saber utilizá-lo da maneira correta.

Se as coisas derem muito errado…

… pior do que continuar na parte de baixo da tabela de classificação do Oeste seria passar a sensação de tempo perdido em tudo o que passou neste processo de renovação até agora. O que passaria por Josh Jackson encontrando dificuldades para traduzir na NBA o impacto que tinha na NCAA, Dragan Bender sem mostrar nada de animador depois de um primeiro ano sem brilho e o sistema defensivo ainda longe de qualquer estabilidade. Daria até para ficar ainda pior: Devin Booker frustrado com a falta de perspectiva e pedindo para ser trocado.

E então?

Dá para imaginar um meio termo. Ainda que a campanha seja negativa, o Suns tem tudo para melhorar como time e ver alguns dos seus jovens crescerem de uma maneira animadora. Mas pensar em qualquer coisa próxima à oitava posição do Oeste ainda é cedo demais. Tem muito chão até lá.

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