Guia da temporada 2017/18 da NBA – Portland Trail Blazers

Luís Araújo

Todos os times serão analisados antes do início da temporada 2017/18 da NBA. Para ver tudo o que já foi publicado nesta série de prévias, basta clicar aqui.

Na temporada anterior

Campanha: 41 vitórias e 41 derrotas

Classificação: 8º lugar da Conferência Oeste – caiu na primeira rodada dos playoffs para o Golden State Warriors


Elenco para a temporada 2017/18

Provável time titular: Damian Lillard, CJ McCollum, Moe Harkless, Noah Vonleh e Jusuf Nurkic

Reservas: Shabazz Napier (armador), CJ Wilcox, Archie Goodwin (alas-armadores), Evan Turner, Al-Farouq-Aminu, Anthony Morrow, Pat Connaughton (alas), Jake Layman, Caleb Swanigan (alas-pivôs), Ed Davis, Meyers Leonard e Zach Collins(pivôs)

Técnico: Terry Stotts


O que merece atenção

A defesa e o impacto de Jusuf Nurkic

O Blazers teve a décima defesa menos eficiente da última temporada, permitindo aos rivais uma média de 107,8 pontos a cada 100 posses de bola. Mas se for considerado só o período depois da troca que resultou na chegada de Jusuf Nurkic, esse número foi de 105,6 pontos, o que foi o 11º melhor índice da liga ao longo deste trecho do campeonato.

Poderia ser um sinal de que a presença perto da cesta de Nurkic causou um impacto importante no desempenho defensivo do Blazers, mas as estatísticas avançadas mostram que o rendimento dos adversários finalizando ao redor do aro não foi tão diferente assim com o bósnio em quadra. O que realmente mudou para melhor foi a defesa na linha de três pontos, pois os oponentes passaram a chutar menos de longa distância e com aproveitamento menor.

E aí? Será que esse tipo de situação irá se sustentar durante a próxima temporada, com o pivô saudável, ou essa diferença defensiva não passou de uma coincidência? Será curioso acompanhar a resposta desta questão, que pode influenciar bastante a competitividade da equipe na Conferência Oeste.

De qualquer maneira, foi do outro lado da quadra que as contribuições de Nurkic foram mais visíveis. Com ele em quadra, o time ganhou uma arma opção confiável de pontos perto da cesta, o que praticamente não existia até então. Mas não é só isso. O pivô também se mostrou importante para a arrancada do Blazers aos playoffs com seus passes e, principalmente, pela capacidade de emplacar bloqueios extremamente eficientes para Damian Lillard e CJ McCollum terem ainda mais espaço para operarem. A habilidade em receber a bola girando para a cesta e de causar danos a partir destas situações o tornaram uma alternativa bem interessante no “pick and roll” para os dois armadores.

Esse impacto todo que causou enquanto jogou pelo Blazers na temporada passada já faria de Nurkic um ponto importante a ser observado no time ao longo dos próximos meses. Mas, para deixar as expectativas ainda mais altas, ele tem jurado que está na melhor forma física da carreira e que ficou mais rápido. Vamos ver se essa evolução atlética será real mesmo e, se for, como a equipe poderá se aproveitar disso.

A briga por duas vagas no quinteto

Damian Lillard, CJ McCollum e Jusuf Nurkic são certezas no quinteto principal do Blazers — não necessariamente o titular, mas aquele que Terry Stotts vai acabar deixando mais tempo em quadra durante os jogos. Resta saber como serão definidas as duas outras vagas.

Considerando só o período da última temporada em que o time contou com Nurkic, a formação mais utilizada pelo Blazers teve Moe Harkless e Noah Vonleh ao lado dos outros três. Esse quinteto, aliás, foi disparadamente o que mais ficou em quadra. Foram 229 minutos, enquanto que nenhum outro recebeu mais do que 81.

Stotts pode resolver resgatar isso para começar a temporada, colocando em quadra dois jogadores que tiveram 35% de aproveitamento em bolas de três e que também colaboraram para a evolução defensiva que se acentuou depois do “All-Star Game”. Mas ele tem dito, pelo menos por enquanto, que está mantendo a cabeça aberta para experiências usando a versatilidade das peças que tem à disposição.

O que acentua ainda mais a briga por essas vagas é a lesão de Vonleh, que deverá perder o primeiro mês da temporada por causa de uma lesão no ombro. Stotts pode manter Harkless e colocar Al-Farouq Aminu, por exemplo, repetindo uma estratégia que chegou a ser usada por muito tempo antes da chegada de Nurkic e que é vista com bons olhos pelo treinador pela versatilidade defensiva de ambos, o que os permite trocar marcação.

Evan Turner chegou a ser testado durante a série contra o Golden State Warriors nos playoffs. É um bom defensor e que pode até encarar a missão de marcar alguns armadores. No ataque, também precisa se parecer com um armador porque gosta de ter a bola nas mãos e não é uma ameaça nos chutes de longe. O Blazers o contratou pensando em ter alguém para tirar um pouco de Lillard e McCollum a missão de conduzir a bola para o ataque e organizar as jogadas.

Será que o time funcionaria bem por uma grande parcela de tempo desta maneira, o que significaria deixar Lillard e McCollum menos vezes com a bola nas mãos antes dos chutes? Será que isso interessaria mesmo? As qualidades de Turner e essas características do elenco em volta o tornam ideal para o papel de comandante da segunda unidade. Mas Stotts parece inclinado à ideia de deixá-lo ao lado dos principais jogadores do time em quadra para ver o que acontece.

Aminu pode até entrar na lista de consideração para a posição três, mas deve ganhar minutos mesmo na quatro enquanto Vonleh não volta. Stotts, aliás disse considerar a decisão sobre essa lacuna em especial no time mais importante que tem a fazer para o início da temporada. Meyers Leonard, muito graças à capacidade de abrir a quadra com o chute de longa distância, também está nesta briga. Ed Davis e o novato Caleb Swanigan correm por fora.

Quanta falta Allen Crabbe vai fazer?

O Blazers aceitou a proposta do Brooklyn Nets por Allen Crabbe e o mandou para lá a fim de aliviar um pouco a situação financeira. Como a folha salarial estava bem pesada, não fazia muito sentido segurá-lo mesmo e continuar pagando multas cada vez mais altas para a NBA. Foi uma negociação que rendeu uma boa economia. Mas isso não significa que o ala não vai fazer falta.

Na temporada passada, ele acertou 44% das bolas de três que tentou. Dentre os que tiveram média de pelo menos um chute de longe arriscado por partida, foi ele quem teve o melhor aproveitamento do elenco. Um outro dado curioso sobre Crabbe é que o Blazers venceu 28 dos 40 jogos nos quais ele tentou quatro ou mais arremessos de três, o que ajuda a mostrar o quanto ele era capaz de abrir espaços na quadra.

A pergunta que fica é: como isso será compensado em um time que ficou em sétimo lugar em chutes de três na temporada passada? Para quem tanto pretende utilizar o “pick and roll” entre Nurkic e um dos armadores, cairia bem demais ter alguém na linha de três com aproveitamento na casa dos 40%, pronto para punir se a defesa resolver se mobilizar demais após o bloqueio feito pelo pivô.


Abre aspas

“Na temporada passada, nós sofremos para provocar desperdícios de posse de bola dos adversários. Será que conseguiremos forçar mais desta vez? Acredito que podemos forçar mais vezes esse tipo de coisa com uma pressão maior na bola. Mas talvez podemos evoluir também se formos melhores no lado fraco. Se tivermos mais foco e senso de alerta quando em posição de ajuda, forçando o ataque do oponente a precisar ler a jogada e a reagir a partir disso. “

A declaração é de Terry Stotts e ajuda a mostrar a preocupação dele em ver seu time defendendo melhor nesta temporada.


Grau de apelo no League Pass (de 1 a 5)

4 (alto) – CJ McCollum e, principalmente, Damian Lillard já mostraram nos últimos anos que podem pegar fogo de uma hora para a outra e fazer o Blazers vencer na marra. Quando as coisas começam a dar muito certo para eles, esse time fica tão legal de se assistir quanto praticamente qualquer outro. Mas as partidas mais interessantes na temporada passada vieram depois da chegada de Jusuf Nurkic, que caiu muito bem em Portland. Foi fogo de palha ou dá mesmo para esperar que essa equipe atue um nível mais alto com o pivô em quadra? Será curioso poder descobrir essa resposta.


Palpite para a temporada

Se as coisas derem muito certo…

… o Blazers mostra que o crescimento na reta final da última temporada, depois da chegada de Jusuf Nurkic, foi real e conquista classificação para os playoffs sem sustos. O que no Oeste já é um grande feito.

Se as coisas derem muito errado…

… o Blazers perde terreno na briga com os outros times fortes do Oeste e fica fora dos playoffs pela primeira vez desde 2013

E então?

Se seus principais jogadores continuarem inteiros, esse time tem condições de brigar pelo sétimo ou oitavo lugar do Oeste e participar dos playoffs mais uma vez. Ir além da primeira rodada seria algo difícil de se imaginar. Mas o problema é que há outras equipes fortes o suficiente no Oeste brigando pela mesma coisa. A conferência está tão concorrida que fatalmente veremos algum time bom se despedindo ainda na temporada regular. Pode sobrar para o Blazers.

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