Guia da temporada 2017/18 da NBA – Sacramento Kings

Luís Araújo

Todos os times serão analisados antes do início da temporada 2017/18 da NBA. Para ver tudo o que já foi publicado nesta série de prévias, basta clicar aqui.

Na temporada anterior

Campanha: 32 vitórias e 50 derrotas

Classificação: 12º lugar da Conferência Oeste – fora dos playoffs


Elenco para a temporada 2017/18

Provável time titular: De’Aaron Fox, George Hill, Buddy Hield, Zach Randolph e Willie-Cauley Stein

Reservas: Frank Mason (armador), Garett Temple,  Malachi Richardson, JaKarr Sampson (alas-armadores), Vince Carter, Justin Jackson (alas), Scal Labissiere, Harry Giles, Jack Cooley (alas-pivôs), Kosta Koufos e Georgios Papagiannis (pivôs)

Técnico: Dave Joerger


O que merece atenção

Vida após DeMarcus Cousins

Ao enviá-lo em uma troca com o New Orleans Pelicans na reta final da última temporada, o Kings decidiu não assumir um compromisso mais longo com aquele que vinha sendo seu grande astro e iniciar uma reconstrução praticamente do zero. A peça central desta nova etapa atende pelo nome de Buddy Hield. De acordo com o que apurou a ESPN dos EUA na época, Vivek Ranadive, proprietário da franquia, acredita que o ala-armador tem potencial para se tornar um novo Stephen Curry, o que acabou sendo um grande fator no desfecho do negócio.

A maior parte das melhores atuações de Hield como calouro vieram depois desta troca, já em Sacramento. Em bolas de três, ele chutava mais vezes em situação de “catch and shoot” e dava mais arremessos estatisticamente considerados “muito abertos” quando estava no Pelicans, o que chega a ser compreensível diante da lembrança de que tinha alguém como Anthony Davis atraindo as atenções das defesas e abrindo um pouco mais de espaços. Mas, de algum jeito, o aproveitamento melhorou em Sacramento: Hield acertou 42,8% dos tiros de longa distância como jogador do Kings, contra 36,9% de rendimento antes disso.

Além desta evolução nos chutes, deu para ver Hield mais vezes com a bola nas mãos, chamando bloqueios e dando início às movimentações ofensivas da equipe. Não é algo que deverá acontecer bastante a partir desta próxima temporada, tendo em vista as novidades no elenco para a armação. Ainda assim, será interessante acompanhar o desenvolvimento desta faceta do jogo dele. Nunca é demais saber colocar a bola no chão e criar em movimento. Dificilmente um novo Curry vai sair disso aí, mas dá para esperar um jogador realmente muito bom ofensivamente e com alguma versatilidade.

Mas essa vida nova do Kings após DeMarcus Cousins vai muito além de Hield. Assim como qualquer processo de reconstrução, há muita gente nova ao redor e que ainda a alguns passos da consolidação na NBA. Isso serve para alguns jovens que já estavam no elenco e também, obviamente, para os novatos que estão chegando — três vieram só na primeira rodada do Draft, o que evidencia o bom trabalho que a franquia fez no sentido de tentar reunir gente nova para lapidar com o tempo. E para não deixar absolutamente tudo nas mãos de jovens sem experiência, foram contratados alguns veteranos acostumados a ganhar jogos na liga e que podem ajudá-los bastante a se desenvolverem no dia a dia de trabalho.

Se esse processo de reconstrução vai dar frutos ou não é uma outra história, mas o Kings ao menos parece saber o que está fazendo. Algo que não dava para dizer quando ainda contava com Cousins.

As caras novas

Não existe garantia de que novato algum vá dá certo na NBA, mas o Kings parece ter muita expectativa sobre De’Aaron Fox e tem mesmo motivos para isso. O armador tem explosão, drible em velocidade e gosta de infiltrar para atacar o aro. É claro que o impacto dificilmente vai ser o mesmo logo de cara em relação aos tempos de Kentucky.

Ele ainda vai apanhar e aprender muita coisa na marra. Principalmente no que diz respeito aos arremessos. A capacidade de derrubar chutes de fora do garrafão vai determinar o quanto as defesas vão optar por passar por trás dos bloqueios na hora de marcá-lo e dar espaço para os tiros de longe. Mas se conseguir usar a velocidade para causar desequilíbrios nas marcações rivais, Fox já terá boa condição de se mostrar um fator importante dentro de quadra já no ano de estreia, sobretudo se estiver cercado de arremessadores e conseguir encontrá-los. Pode ser uma boa, por exemplo, para Buddy Hield, que chutou melhor em Sacramento mesmo tendo menos oportunidades de arremesso completamente livres em relação ao que tinha no New Orleans Pelicans.

Defensivamente, Fox também deu pinta como universitário de que pode se tornar muito bom. O desenvolvimento dele neste sentido seria muito útil para fazer o Kings, junto com Willie Cauley-Stein e George Hill, tentar emplacar um bom sistema de marcação. Algo que se funcionar pode beneficiar uma força no jogo de Fox: as saídas rápidas para atacar com a quadra aberta, contra uma defesa não posicionada.

Com Justin Jackson e Harry Giles, também selecionados na primeira rodada do Draft, as expectativas não passam nem perto de serem iguais com relação a Fox. Mas já estará de ótimo tamanho se os dois ao menos se transformarem em peças capazes de morder minutos na rotação, sem comprometer o rendimento da equipe.

Uma outra novidade que merece atenção no Kings é Bogdan Bogdanovic, que finalmente chega à NBA depois de ter sido campeão da Euroliga com o Fenerbahce e de ter ajudado a Sérvia a alcançar o vice-campeonato do Eurobasket. Vlade Divac já se preocupou em dizer que a tendência é que leve um tempo até que o compatriota consiga se adaptar completamente ao jogo nos EUA. mas o potencial mostrado em competições Fiba é extremamente interessante. Bogdanovic se mostrou um ótimo chutador e capaz também de operar com a bola nas mãos. É uma peça que deverá permitir algumas variações táticas curiosas a Dave Joerger.

Os veteranos

Mesmo já na casa dos 40 anos, Vince Carter teve lá sua utilidade na rotação do Memphis Grizzlies ao longo da última temporada. A tendência é que tenha minutos reduzidos e que atue muito mais fora das quatro linhas, dividindo com os jovens a experiência de alguém que se acostumou a disputar os playoffs. Mas ainda é alguém capaz de ameaçar as defesas durante o tempo que estiver em quadra, principalmente com arremessos importantes em momentos decisivos.

Os outros dois veteranos devem ser ainda mais úteis dentro de quadra. Zach Randolph é um outro velho conhecido de Joerger dos tempos de Memphis e tem tudo para ser um dos principais focos ofensivos no que diz respeito ao volume de definições de jogadas. A habilidade para trabalhar de costas para a cesta deve continuar atraindo as atenções da defesa e ajudando a abrir espaço para os companheiros — e está aí mais uma arma que pode beneficiar Buddy Hield e os demais chutadores. A capacidade de pegar rebotes também tem tudo para cair bem para uma equipe que passou longe de chamar a atenção neste fundamento.

E tem George Hill, que começou no San Antonio Spurs, continuou enfileirando viagens aos playoffs com o Indiana Pacers e fez parte da campanha do Utah Jazz que culminou nas semifinais do Oeste na temporada passada. É um mistério saber o quanto ele conseguirá permanecer saudável, mas trata-se de um armador que defende com extrema competência, principalmente nas jogadas de “pick and roll”, e de muita versatilidade no ataque. Se precisar levar a bola e organizar as jogadas, ele leva. Se precisar correr como arremessador e deixar a armação de fato para De’Aaron Fox ou outro companheiro qualquer, tudo bem também. O índice de 59,9% em “true shooting percentage” na última temporada ajuda a mostrar isso.


 

Abre aspas

“Ele era o cara que nós todos adorávamos. Se tivéssemos a primeira escolha do Draft, seria ele nossa opção. De’Aaron é um vencedor. Ele é como o Lonzo Ball. É capaz de fazer os outros melhorarem. É um armador de verdade e tem um bom tamanho.”

É isso o que Vlade Divac, vice-presidente de operações do Kings, espera de De’Aaron Fox.


Grau de apelo no League Pass (de 1 a 5)

2 (baixo) – Mesmo que alguns passos tenham sido bem dados ao longo dos últimos meses neste processo de reconstrução, o Kings ainda é um time abaixo da média em termos de entretenimento. Vai ser interessante acompanhar De’Aaron Fox tentando se adaptar na NBA e mostrar as coisas que o faziam intrigar na NCAA, Buddy Hield buscando repetir algumas das boas atuações que teve na reta final do ano de calouro, Zach Randolph fazendo o que o levou a conquistar nossos corações em Memphis e Vince Carter dando os últimos passos da carreira. Mas dá para ver isso tudo vez ou outra em dias com poucos jogos ou naquelas partida de fim de noite em que não tem mais nada acontecendo.


Palpite para a temporada

Se as coisas derem muito certo…

… a campanha poderia ficar mais ou menos na marca dos 50% de aproveitamento. O que passaria, entre outras coisas, por De’Aaron Fox se mostrar logo de cara uma espécie de novo John Wall na NBA, Buddy Hield se consolidar como um arremessador consistente, George Hill se mantiver saudável e ajudar a fazer o sistema defensivo melhorar. O jejum de classificação aos playoffs poderia nem terminar, mas já daria para ver que as coisas estariam caminhando bem para o futuro.

Se as coisas derem muito errado…

… ao menos o Kings poderia sonhar com a primeira escolha no Draft de 2018. Mas as derrotas em si nem seriam o grande problema. O que poderia despertar preocupação mesmo é se os jogadores mais novos não demonstrassem um pingo de progresso que seja.

E então?

A não ser que uma enorme zebra aconteça, o Kings vai perder muito mais do que ganhar e aparecer mais uma vez nas últimas posições do Oeste. E tudo bem. Se os mais novos conseguirem aproveitar o laboratório com George Hill, Zach Randolph e Vince Carter, a temporada já vai ter valido a pena.

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