Guia da temporada 2017/18 da NBA – San Antonio Spurs

Luís Araújo

Todos os times serão analisados antes do início da temporada 2017/18 da NBA. Para ver tudo o que já foi publicado nesta série de prévias, basta clicar aqui.

Na temporada anterior

Campanha: 61 vitórias e 21 derrotas

Classificação: 2º lugar da Conferência Oeste – caiu na final de conferência para o Golden State Warriors, depois de passar por Memphis Grizzlies e Houston Rockets


Elenco para a temporada 2017/18

Provável time titular: Dejounte Murray, Danny Green, Kawhi Leonard, LaMarcus Aldridge e Pau Gasol

Reservas: Tony Parker*, Patty Mills, Bryn Forbes (armadores), Manu Ginóbili, Kyle Anderson, Darrun Hilliard, Derrick White, Brandon Paul (alas-armadores), Rudy Gay (ala), Davis Bertans, Matt Costello (ala-pivô) e Joffrey Lauvergne (pivô)

* Ainda se recupera de uma cirurgia na perna e só deve voltar no meio da temporada

Técnico: Gregg Popovich


O que merece atenção

Passes e bolas de três 

Não é um time com tantas mudanças assim em relação à temporada passada. Claro que uma peça ou outra no elenco de apoio mudou, mas a base é idêntica. Os nomes que deverão receber mais minutos de Gregg Popovich serão praticamente todos os já estavam em San Antonio. Sinal de que o Spurs vai continuar competindo pelo topo do Oeste do mesmo jeito? Ou será que veremos alguma coisa diferente?

É claro que representa uma amostragem pequena, mas na pré-temporada chamou a atenção o número alto de bolas de três. De fato, o Spurs parece ter mais opções de arremessadores em relação ao campeonato passado. Rudy Gay, Joffrey Lauvergne e até mesmo Brandon Paul não chegam a ser especialistas em chutes do tipo, mas podem acertar se tiverem liberdade. Esses três novos jogadores estão muito mais acostumados a jogar longe da cesta, abrindo espaços no ataque, do que David Lee, Dewayne Dedmon e Jonathon Simmons, que receberam mais de 15 minutos por jogo na última temporada e que não fazem mais parte da equipe.

O Spurs foi só o 25º time da NBA no campeonato passado em tentativas de arremessos de três — mesmo tendo tido o melhor aproveitamento. Foram só 23,5 por partida, número que tem tudo para ser maior neste ano. O que parece ainda mais certo do que isso é que a equipe terá condição de espalhar mais seus jogadores em quadra, abrindo espaços e aumentando as linhas de passe.

Isso é algo que pode alimentar as chances do retorno do estilo que marcou o título de 2014, de fazer a bola rodar e movimentar as peças em quadra sem parar até surgir um chute livre. Manu Ginóbili chegou a declarar que ele e os jogadores que estão há mais tempo nem pensam muito sobre isso, mas que estão simplesmente mais dispostos a mexer a bola sem parar até que apareça o melhor arremesso possível.

Um outro ponto importante a ser observado no sistema ofensivo é a participação de LaMarcus Aldridge, que chegou a expressar publicamente o seu descontentamento com a maneira como estava sendo usado na última temporada. Mas ele conversou com Gregg Popovich sobre isso e aparentemente os desentendimentos foram reparados. Para completar, o jogador assinou uma extensão de contrato pouco antes do início da temporada.

Então além da possibilidade de mais chutes de três e de um foco maior na movimentação de bola, será curioso observar no ataque do Spurs se o grau de envolvimento de Aldridge vai aumentar e como isso vai acontecer. Além, é claro, de Kawhi Leonard, que de um jeito ou outro continuará sendo a principal peça deste sistema ofensivo e vem se mostrando ano a ano cada vez mais completo.

Os armadores

Tony Parker deve perder boa parte da temporada por causa da lesão que o tirou da série contra o Houston Rockets nos playoffs. Mesmo estando longe dos seus melhores dias, o francês ainda era muito útil para o time pela capacidade de avançar pelo garrafão para criar espaços e por punir os adversários que davam o arremesso de média distância depois do “pick and roll”. Mas, aos 35 anos, é difícil saber ao certo como ele vai voltar. É bom que o Spurs nem conte com isso e aprenda a viver com outras alternativas, até porque vai precisar passar um bom tempo sem o armador mesmo. E se Parker conseguir voltar ainda em boa condição de ajudar, ótimo. Aí o elenco ganha uma arma a mais.

Dá para dizer então que, de qualquer jeito, essa é posição que desperta alguma preocupação em San Antonio. Enquanto Parker não volta, Patty Mills e Dejounte Murray vão dominar os minutos do que teoricamente seria a posição um. Durante a reta final dos playoffs, Mills foi o escolhido para começar os jogos. Mas na pré-temporada, Gregg Popovich sinalizou que vai começar os jogos com Murray. É uma ideia que faz muito sentido enquanto Kawhi Leonard ainda estiver se recuperando de uma lesão muscular na perna esquerda, mas que pode perder força quando ele voltar.

Sem Leonard, o Spurs pode se beneficiar bastante da criatividade de Murray com a bola nas mãos e da capacidade de driblar. O rapaz de 21 anos jogou pouco durante a fase de classificação como novato, mas apareceu mais nos playoffs, quando o treinador sentiu confiança o suficiente para deixá-lo em ação em partidas importantes. Mas quando Leonard voltar, é possível que Mills seja o escolhido para começar por funcionar melhor esperando passes para arremessar de longe.

Na temporada passada, Mills ficou 84 minutos em quadra ao lado dos outros quatro titulares (Pau Gasol, LaMarcus Aldridge, Kawhi Leonard e Danny Green). Resultado: esse quinteto teve 120,2 pontos de eficiência ofensiva e 96,2 de defensiva, o que leva a um “Net Rating” espetacular de +24,0. Não é uma amostragem tão grande, mas de qualquer maneira desperta bastante curiosidade sobre o potencial desta formação na nova temporada.

As novas peças de apoio

Rudy Gay vem de uma lesão no tendão de Aquiles, o que é sempre complicado. É natural que desperte dúvidas sobre sua condição. Mas se estiver bem, pode ser uma boa arma para oferecer pontos na segunda unidade para o Spurs. Vai precisar também que ele deixe alguns velhos hábitos para trás e entenda como movimentar a bola quando preciso. Mas dá para imaginá-lo se ajustando sem maiores problemas.

Uma coisa que chama muito a atenção em Gay é a possibilidade de repetir o que fez bem demais em Mundiais pela seleção dos EUA e exercer a posição quatro, o que seria interessante para quando Gregg Popovich decidir experimentar formações mais baixas, que não tenham LaMarcus Aldridge e Pau Gasol ao mesmo tempo.

Uma alternativa a Aldridge e a Gasol nestas horas é Joffrey Lauvergne, que assinou depois de não ter sido mantido pelo Chicago Bulls. Mesmo tendo jogado relativamente pouco na temporada passada, o pivô francês deu sinais de que pode funcionar bem nas mãos de Popovich com sua capacidade de trabalhar no “pick and roll” fazendo bloqueios, os passes e até os arremessos de longe, além de uma defesa que tem tudo para se adequar tranquilamente no alto padrão que o Spurs vem estabelecendo há anos.

Também vai ser curioso acompanhar como o treinador vai usar Brandon Paul, que estava na Turquia e chega com a reputação de ser muito perigoso com a bola nas mãos, sobretudo na hora de definir a partir do “pick and roll”, mas falha na seleção de arremessos. Isso sem falar em Davis Bertans e Kyle Anderson, que tiveram minutos reduzidos na temporada passada, mas que podem dar um salto na rotação. Principalmente Anderson, que vem melhorando ano a ano como arremessador de longa distância e pode exercer múltiplas posições em quadra, o que deve ajudar nas variações táticas de Popovich.


Abre aspas

“Ele (Gregg Popovich) estava aberto a isso. Eu abri o meu coração sobre como me sentia perante as coisas que estavam acontecendo e como as coisas haviam acontecido. Acho que ele foi pego de surpresa com isso. Eu não acho que ele realmente tenha notado (que eu estava infeliz). Mas uma vez que eu disse aquilo, ele foi muito legal em me ouvir, e foi muito bom a partir daí. Eu senti como se eu não estivesse realmente encaixando no sistema do time da melhor maneira possível. Eu não estava realmente ajudando como eu poderia.”

A declaração é de LaMarcus Aldridge sobre a conversa que teve com Gregg Popovich e como, aparentemente, enterrou as frustrações que tinha em San Antonio.


Grau de apelo no League Pass (de 1 a 5)

4,5 (alto para máximo) – Quantas vezes foi possível nos últimos anos passar os olhos pelo League Pass, ver que tem um jogo do Spurs e não sentir nem uma ponta de vontade de assistir? Pois é. Esse time continua sendo treinado por um gênio, tem um dos jogadores mais brilhantes da atualidade e provavelmente vai se manter na briga pelas primeiras posições do Oeste.


Palpite para a temporada

Se as coisas derem muito certo…

… o Spurs mostra que aquele Jogo 1 das finais do Oeste realmente foi um indício de que dava para ganhar do Golden State Warriors, volta a aparecer na decisão da conferência e, desta vez, vence.

Se as coisas derem muito errado…

… a classificação para os playoffs até acontece, mas o Spurs fica para trás em relação às grandes potências da conferência e não demora muito para pular fora.

E então?

O Spurs deverá lutar pelas primeira posições do Oeste junto de algumas outras equipes que prometem ser potências da conferência. Provavelmente terá o mando de quadra na primeira rodada e vai passar sem sustos. Depois disso, qualquer coisa pode acontecer entre times tão fortes.

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