Guia da temporada 2017/18 da NBA – Toronto Raptors

Luís Araújo

Todos os times serão analisados antes do início da temporada 2017/18 da NBA. Para ver tudo o que já foi publicado nesta série de prévias, basta clicar aqui.

Na temporada anterior

Campanha: 51 vitórias e 31 derrotas

Classificação: 3º lugar da Conferência Leste – caiu na semifinal de conferência para o Cleveland Cavaliers, depois de passar pelo Milwaukee Bucks


Elenco para a temporada 2017/18

Provável time titular: Kyle Lowry, DeMar DeRozan, Norman Powell, Serge Ibaka e Jonas Valanciunas

Reservas: Fred VanVleet (armador), Delon Wright, KJ McDaniels, Lorenzo Brown (alas-armadores), CJ Miles, OG Anunoby, Bruno Caboclo, Alfonso McKinnie, Malcolm Miller (alas), Pascal Siakam (ala-pivô), Lucas Bebê e Jakob Poeltl (pivôs)

Técnico: Dwane Casey


O que merece atenção

O novo ataque

As coisas no sistema ofensivo do Raptors vão funcionar de maneira diferente nesta temporada. Pelo menos é isso o que Dwane Casey pretende e jura que vai acontecer uma hora ou outra no decorrer dos próximos meses, ainda que o começo deste processo de transformação seja um pouco problemático e tenha jogadores batendo cabeça.

A ideia de Casey é que o ataque seja mais fluído, que possa fazer as defesas adversárias não saberem para onde a bola vai, impedindo-as de se antecipar às jogadas. A meta é deixar o sistema menos previsível, que troque mais passes e que tenha mais finalizações de três pontos. O desejo do treinador, segundo o que ele próprio falou, é que a equipe tenha na temporada de 25 a 30 bolas de três tentadas por jogo.

Na última temporada, o Raptors foi o time que menos usou assistências para produzir pontos: elas apareceram só em 47,2% das cestas que fez. E com relação às bolas de três tentadas por partida, foram 24,3 em média, a nona mais baixa da liga. Esses números são reflexo de como DeMar DeRozan, principal cestinha da equipe e responsável pela maior quantidade de chutes, funcionava quando estava em quadra. Era recebendo a bola em uma região de média distância, driblando, encarando dupla marcação e dando um jeito de finalizar. Quase nunca atrás da linha de três.

A pré-temporada não vale absolutamente nada, serve de parâmetro para muitas poucas coisas e durou só duas semanas neste ano. Cada time jogou apenas quatro vezes. Mesmo com todas essas ressalvas, não deixa de ser curioso notar que o Raptors teve uma média de 43,0 arremessos de três pontos ao longo dos quatro jogos de exibição que disputou. Para se ter uma ideia do quanto isso é bastante: só o Houston Rockets tentou mais (49,3). O aproveitamento é que não foi lá essas coisas: 32,6%, o sexto pior dentre os times da NBA.

Será que isso vai se manter para a temporada? DeRozan vai passar a tentar mais chutes de três também ao invés de tantas bolas longas de dois? E o quanto esse ataque vai conseguir funcionar trocando mais passes? São perguntas que levantam algumas boas curiosidades em torno da campanha desta equipe, que parece ter percebido que precisava de algum fator de novidade para realmente competir pelo topo do Leste — conferência que pode até ser muito mais fraca que a outra, mas que viu os dois finalistas da última temporada se fortalecerem ainda mais.

Se isso tudo funcionar, Casey imagina que verá um sistema ofensivo menos estático e menos difícil de os outros times se prepararem para jogar contra. Ele parece ter ciência de que os resultados não deverão aparecer logo de cara. Mas será que os jogadores terão essa mesma tranquilidade e irão confiar no processo? Ou vão voltar aos velhos hábitos no meio do caminho?

O que restou do crescimento após o “All-Star Game”

Considerando apenas os jogos disputados depois do “All-Star Game” na temporada passada, o Raptors teve campanha de 18 vitórias e sete derrotas. Ajudou muito para isso o fato de ter sofrido em média 102,3 pontos a cada 100 posses de bola. Número que representa a quarta defesa mais eficiente da NBA. Um outro ponto que funcionou muito bem neste trecho do campeonato foi o rebote: a equipe canadense ficou entre as cinco melhores tanto nos de ataque como nos de defesa.

Se fossem mantidos, esses fatores poderiam alimentar as esperanças do Raptors de sonhar com o topo da conferência. O fato de Serge Ibaka começar uma temporada do zero também só ajudaria. O problema é que é impossível usar as formações que levaram àquelas coisas todas como base para agora. Em primeiro lugar, porque Kyle Lowry estava machucado e só voltou praticamente nos playoffs. É um jogador importante que seguramente terá muitos minutos, é claro, mas que não colaborou para o que aconteceu depois do “All-Star Game”.

Não é só isso. A formação do Raptors que ficou mais tempo em quadra nesta reta final de temporada reuniu Jonas Valanciunas, Serge Ibaka, DeMarre Carroll, DeMar DeRozan e Cory Joseph, que ficaram em quadra por 233 minutos. A segunda teve PJ Tucker na vaga de Carroll e recebeu 87 minutos. E a terceira colocou Tucker com Jakob Poetl, Patrick Patterson, Norman Powell e Delon Wright.

O que isso significa? Que nenhum quinteto permaneceu intacto. Carroll foi mandado para o Brooklyn Nets, Joseph assinou com o Indiana Pacers, Tucker fechou com o Houston Rockets, Patterson está agora no Oklahoma City Thunder. Nada disso quer dizer necessariamente que o Raptors esteja em apuros, afinal o grosso do elenco ainda está lá e ter Lowry inteiro só ajuda. Mas é um time novo e que pode não retomar logo de cara aquilo que vinha sendo bem feito na reta final da temporada passada.

Teste de formações

A saída de DeMarre Carroll abriu um lugar no quinteto principal do Raptors. Normal Powell ganhou muito espaço durante os playoffs, sobretudo pela versatilidade defensiva que entregou. Dá até para dizer sem muito medo de errar que foi até mais útil do que Carroll. São boas as chances de ele preencher esse espaço que se abriu. Mas mesmo que isso não aconteça, parece seguro imaginar que ele venha a ter mais minutos nesta sua terceira temporada como profissional. Se mantiver a defesa e conseguir se consolidar como um bom arremessador de três, como fez nos playoffs, esse salto é inevitável.

As duas principais novidades do elenco também podem lutar por essa vaga. O calouro OG Anunoby chega à NBA com a reputação de bom defensor e já tem acertado tiros de longe da zona morta — como mostra o vídeo abaixo. E CJ Miles entregou mais de 40% em bolas de três pontos pelo Indiana Pacers na última temporada o que pode ajudar demais a abrir a quadra. Pelo conjunto da obra, Powell ainda parece à frente na corrida pelo lugar que se abriu no quinteto que deverá ter mais minutos ao longo da temporada, mas esses dois seguramente serão testados por Dwane Casey.

É claro também que o treinador poderá usar os outros três em diferentes experimentos que vier a fazer nas formações. Sobretudo quando resolver colocar Serge Ibaka como pivô e espalhar gente de perímetro ao redor dele. Aliás, quanto disso veremos ao longo da temporada? Seria uma formação que poderia aproveitar um pouco melhor a defesa de Ibaka e que faria mais sentido para o plano ofensivo que deseja-se colocar em prática.


Abre aspas

“Eu sou pintado como um dos melhores jogadores da liga e quero mesmo ser um dos melhores. Então quero continuar fazendo o que venho fazendo até agora. Não quero ser aqueles caras que recebem um bom contrato e pronto. Quero jogar mais do que o tamanho do meu contrato, essa é a minha meta.”

A declaração é de Kyle Lowry, que renovou com o Raptors por um contrato no valor de US$ 100 milhões por três anos de duração.


Grau de apelo no League Pass (de 1 a 5)

3,5 (alto) – É um time que manteve seus principais jogadores e tem tudo para se manter competitivo do Leste. A questão sobre o novo sistema ofensivo é um atrativo a mais, mas ainda assim o Raptors não tem o mesmo apelo que as principais potências da liga para se assistir em uma rodada cheia do League Pass.


Palpite para a temporada

Se as coisas derem muito certo…

… o Raptors consegue dar um jeito de fazer uma campanha ainda melhor do que na temporada passada, se enfia no meio de Boston Celtics e Cleveland Cavaliers na disputa pelo topo do Leste e pode até chegar à final de conferência.

Se as coisas derem muito errado…

… as ideias novas de Dwane Casey não causam tanto impacto assim e o time dá alguns passos para trás em relação às temporadas anteriores. O Raptors até se classificaria para os playoffs neste Leste fraco, mas ficaria para trás depois de algumas outras equipes da conferência evoluírem e não passaria da primeira rodada.

E então?

O Raptors deve brigar mais uma vez pelo mando de quadra na primeira rodada dos playoffs e pode voltar a chegar na semifinal de conferência. Mais do que isso, porém, parece improvável. É difícil imaginar essa equipe no nível de Boston Celtics e Cleveland Cavaliers, que devem ser as grandes forças do Leste.

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