Guia da temporada 2017/18 da NBA – Utah Jazz

Luís Araújo

Todos os times serão analisados antes do início da temporada 2017/18 da NBA. Para ver tudo o que já foi publicado nesta série de prévias, basta clicar aqui.

Na temporada anterior

Campanha: 51 vitórias e 31 derrotas

Classificação: 5º lugar da Conferência Oeste – caiu na semifinal de conferência para o Golden State Warriors, depois de passar pelo Los Angeles Clippers


Elenco para a temporada 2017/18

Provável time titular: Ricky Rubio, Rodney Hood, Joe Ingles, Derrick Favors, Rudy Gobert

Reservas: Dante Exum*, Raulzinho (armadores), Donovan Mitchell, Alec Burks, Thabo Sefolosha (alas-armadores), Joe Johnson, Eric Griffin, Royce O’Neale (alas), Jonas Jerebko, Ekpe Udoh, Joel Bolomboy (alas-pivôs) e Tony Bradley (pivô)

* Desfalque por tempo indeterminado por lesão no ombro

Técnico: Quin Snyder


O que merece atenção

A força do sistema defensivo

O Jazz teve a terceira defesa mais eficiente da última temporada, limitando os adversários a uma média de 102,7 pontos a cada 100 posses de bola. Só San Antonio Spurs e Golden State Warriors, que passaram da marca de 60 vitórias e tiveram as duas melhores campanhas da liga, tiveram rendimento superior.

Será que dá para manter essa força e fazer essa defesa aparecer novamente entre as cinco primeiras no ranking de eficiência desta temporada? A resposta desta pergunta tem tudo para ser muito importante para saber se esse time continuará ou não entre os oito mais fortes de um Oeste ainda mais competitivo. Mesmo tendo perdido George Hill e — sobretudo — Gordon Hayward.

O esquema de Quin Snyder é sólido e o elenco não mudou tanto assim em termos de quantidade, o que favorece a manutenção do entrosamento necessário para esse sistema dar certo. Na verdade, as novidades têm até algumas questões grandes a resolverem do outro lado da quadra, mas são jogadores capazes de manter uma defesa em alto nível.

Thabo Sefolosha pode não ser mais exatamente o mesmo de outros tempos, mas em minutos reduzidos tem condições de entregar uma defesa semelhante ao que se acostumou a apresentar em sua melhor fase e tem uma versatilidade que tem tudo para cair bem ao lado de Joe Ingles. Donovan Mitchell brilhou com a bola nas mãos na Summer League, mas também causou impacto na hora de marcar. Aliás, os olheiros que o acompanharam com mais atenção em Louisville destacaram mesmo o quanto ele vinha desenvolvendo a capacidade de defender múltiplas posições, além de usar a capacidade atlética para agredir as linhas de passe. É claro que isso tudo precisa se traduzir agora na NBA, mas os sinais até agora são bem positivos.

Tem Ricky Rubio ainda, é claro, que deve representar até uma melhora em termos de defesa em relação a George Hill, que já era muito bom. Além de ser um dos marcadores individuais mais competentes da NBA, o espanhol é um terror para os oponentes na hora de ler e contestar as linhas de passe. Sabendo agora que tem alguém como Rudy Gobert pronto para fazer a cobertura e proteger o aro de quem resolver se infiltrar, Rubio deverá ter uma postura ainda mais agressiva na hora de defender, algo pode gerar uma série de contra-ataques.

Por falar em Gobert, não foi à toa que ele apareceu na corrida pelo prêmio de melhor defensor da NBA. Considerando só os momentos em que ele esteve em quadra na temporada passada, o Jazz teve um saldo de 8,1 pontos a cada 100 posses de bola contra seus adversários. Sem o francês, o time tomou em média 2,9 pontos a mais a cada 100 posses de bola. Uma parte enorme desta diferença de resultados passa pelo impacto de Gobert na hora de defender, usando sua combinação de altura, agilidade, tempo de bola e leitura de jogo para proteger o garrafão.

Como se isso tudo ainda não fosse o bastante, o Jazz foi buscar Ekpe Udoh, um pivô que já passou pela NBA e que aprimorou a defesa de garrafão. O tempo de bola dele para dar tocos é excelente e a agilidade também é um ponto muito forte, o que talvez até o permita trocar a marcação e encarar gente mais baixa se for o caso.

Peças para manter uma defesa de elite não é problema em Salt Lake City. Não seria nenhum absurdo ver esse time emplacar um sistema tão bom quanto o da temporada anterior ou até melhor. É claro que há muito o que ser ajustado no outro lado da quadra, mas se isso funcionar bem já é mais do que meio caminho andado para brigar forte por um lugar nos playoffs do Oeste. Até porque cresceriam as chances de atacar em transição, contra adversários ainda desequilibrados.

Donovan Mitchell

Usando uma moeda de troca em uma posição que parecia carregada e talvez até vislumbrando que poderia perder Gordon Hayward, como realmente aconteceu, o Jazz decidiu enviar o ala-pivô Trey Lyles ao Denver Nuggets na noite do Draft para conseguir uma escolha de loteria. Tudo para poder selecionar Donovan Mitchell, em um movimento que foi bastante elogiado por quem acompanha os universitários de maneira mais próxima.

Mitchell tem uma envergadura lateral que impressiona e a usa muito bem junto da sua capacidade atlética para causar impacto na defesa. É justamente pelos braços longos que também consegue marcar jogadores um pouco mais altos. Na Summer League, despertou bastante a atenção em uma partida contra o Boston Celtics em que anulou Jayson Tatum. Isso somado ao instinto ofensivo que mostrou o fez despertar a sensação de que talvez as outras equipes tenham dormido no ponto ao não selecioná-lo.

É um novato que tem algumas ferramentas para contribuir imediatamente e que, a julgar pelo o que se viu na pré temporada, pode até ganhar a preferência de Quin Snyder para compor os quinteto com mais minutos ao longo do campeonato. Como arremessador, tem um potencial bem intrigante. Pelas virtudes físicas, pode explorar mais as infiltrações e os cortes sem bola em direção à cesta para manter as defesas ocupadas e as confundir. Se melhorar as tomadas de decisão com a bola nas mãos, o Jazz terá nas mãos alguém com chances de virar realmente especial.

Como esse ataque pode funcionar

Enquanto a defesa do Jazz foi brilhante, o ataque não passou de um nível mediano. Isso contando com uma estrela do nível de Gordon Hayward, que agora não está mais à disposição. Será curioso observar que tipo de impacto essa baixa vai causar ou como essa baixa de algum jeito será remediada para não fazer o sistema ofensivo cair tanto.

A saída de George Hill também é um fator importante para essa equação. Era um armador que podia levar a bola se precisasse, mas que sabia se comportar como um ala e se posicionar como opção para o chute de três, algo que fazia bem e que, por isso, ajudava a abrir espaços na quadra. Era um encaixe muito bom para se ter quando Hayward ou Rodney Hood tinham mais a bola nas mãos.

O titular agora da armação será Ricky Rubio, que tem um estilo de jogo bastante diferente. Algumas mudanças provavelmente acontecerão, portanto. O espanhol deverá ficar mais com a bola nas mãos, buscando entrar no meio das defesas e circular até quebrar a defesa e achar Rudy Gobert embaixo da cesta ou algum arremessador com espaço. O que não será um problema para o Jazz, que tem Joe Ingles, Joe Johnson, Rodney Hood e até Donovan Mitchell como ameaças na linha de três. É bem possível também que o ritmo de jogo da equipe fique mais rápido.

Os passes e a visão de jogo nunca foram um problema para Rubio. A grande deficiência até hoje foi o chute de longe. Mas ele apresentou uma evolução na reta final da temporada passada e disse ter trabalhado bastante em cima disso nos últimos meses. Será que ele finalmente vai fazer as defesas pagarem caro por darem espaço para os tiros de longe? Seria muito bom também para poder deixar um pouco a bola com outros jogadores capazes de criar nestas situações, como Joe Ingles.

Uma dúvida importante que surge e que está mais relacionada à ausência de Hayward é sobre quem teria capacidade de improvisar e criar o próprio arremesso em jogadas quebradas ou em finais de partidas apertadas. Joe Johnson foi extremamente importante nos playoffs ao mostrar que ainda sabe fazer seus truques quando recebe a bola e tem a oportunidade de trabalhar em jogadas de isolação, mas o time não pode depender só de um veterano que vai sair do banco para receber minutos limitados.

É aí que entra Rodney Hood. Seria audacioso demais tentar dizer que ele pode se tornar o que Hayward foi para o Jazz, mas ele é capaz de atuar como opção de arremesso pronto para receber o passe e já mostrou flashes interessantes como criador primário, chamando o “pick and roll” e criando oportunidades para definir a partir disso. Se conseguir se manter saudável e oscilar um pouco menos, tem tudo para dar um salto que ainda não deu na carreira e deixar o Jazz mais forte em meio à concorrência pesada do Oeste.


Abre aspas

“Nós tivemos algumas mudanças, sim. Gordon Hayward foi embora, George Hill também. Temos novos armadores, alas e calouros aqui. É um elenco diferente, mas a nossa identidade segue a mesma. Nós ainda seremos um dos melhores times defensivos da liga. Nossa identidade não mudou, nosso objetivo não mudou.”

A declaração é de Rudy Gobert, minimizando as baixas no elenco que foi semifinalista do Oeste na última temporada.


Grau de apelo no League Pass (de 1 a 5)

4,0 (alto) – É um time que até deve continuar sendo competitivo e capaz de fazer duelos parelhos contra qualquer uma das potências da liga que aparecerem pela frente durante a temporada. Esse fator e a possibilidade de ver passes de Ricky Rubio justificam a atenção que o Jazz pode receber vez ou outra, em dias um pouco mais tranquilos. Mas em rodadas gordas, aí já fica difícil.


Palpite para a temporada

Se as coisas derem muito certo…

… o Jazz mantém a defesa forte da temporada passada, dá um jeito de não sentir a falta de Gordon Hayward no ataque e volta a se classificar para os playoffs. Se conseguir o mando de quadra na primeira rodada ou ficar perto disso, como foi no ano anterior, pode até pensar em alcançar novamente a semifinal do Oeste, dependendo do cruzamento.

Se as coisas derem muito errado…

… as mudanças no time acabam sendo sentidas, perde terreno na briga por playoffs do Oeste e vira o mês de abril já sem chances de morder a oitava vaga da conferência.

E então?

O Jazz é mais um daqueles times que brigarão pelas últimas vagas do Oeste nos playoffs, mas que podem ficar fora mesmo jogando bem por causa da concorrência pesada na conferência.

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