Guia da temporada 2017/18 da NBA – Washington Wizards

Luís Araújo

Todos os times serão analisados antes do início da temporada 2017/18 da NBA. Para ver tudo o que já foi publicado nesta série de prévias, basta clicar aqui.

Na temporada anterior

Campanha: 49 vitórias e 33 derrotas

Classificação: 4º lugar da Conferência Leste – caiu na semifinal de conferência para o Boston Celtics, depois de passar pelo Atlanta Hawks


Elenco para a temporada 2017/18

Provável time titular: John Wall, Bradley Beal, Otto Porter, Markieff Morris e Marcin Gortat

Reservas: Tim Frazier (armador), Tomas Satoransky, Jodie Meeks, Sheldon McClean (alas-armadores), Kelly Oubre (ala), Mike Scott, Daniel Ochefu, Chris McCullough (alas-pivôs), Jason Smith e Ian Mahinmi (pivôs)

Técnico: Scott Brooks


O que merece atenção

A produção do banco

O quinteto titular do Wizards foi disparadamente a formação que mais tempo permaneceu em quadra na última temporada, recebendo no total 1.347 minutos. Foram mais de 40 minutos a mais do que qualquer outra formação usada pelos outros times da liga.

O resultado foi bom. John Wall, Bradley Beal, Otto Porter, Markieff Morris e Marcin Gortat registraram médias de 111,9 pontos anotados e 103,8 tomados a cada 100 posses de bola. Isso representa um saldo de +8,1 pontos. Para se ter uma ideia do quanto isso é bom, só três das 25 formações que mais receberam minutos na temporada passada tiveram “Net Rating” maior do que esse do Wizards: os titulares de Golden State Warriors (+23,1), Los Angeles Clippers (+15,8) e Houston Rockets (+15,4).

E durante 200 minutos na temporada passada, Scott Brooks usou Kelly Oubre na vaga de Morris, mantendo os outros quatro titulares. O “Net Rating” ainda melhor: +17,4 pontos.

Isso tudo mostra algumas coisas interessantes sobre o elenco do Wizards. Os cinco titulares são realmente muito bons juntos, mas essa quantidade enorme de minutos que foram deixados em quadra sinaliza o quanto Scott Brooks se sentiu na necessidade de abusar deste quinteto ao longo da última temporada. Os reservas não vinham se mostrando nem um pouco confiáveis. Exceto por Oubre — e, ainda assim, só se estive cercado por outros quatro titulares.

Se o Wizards realmente quiser se colocar em condição de ameaçar Boston Celtics e Cleveland Cavaliers na disputa pelo topo do Leste, será preciso conta com uma produção melhor dos reservas. Nos playoffs, por exemplo, no Jogo 7 da final de conferência, John Wall e Bradley Beal estavam visivelmente exaustos, enquanto o Celtics construía a vitória em uma partida na qual o técnico Brad Stevens explorou as opções do elenco e Kelly Olynyk foi o grande destaque individual.

Contratados no meio da temporada passada como uma tentativa de dar uma encorpada no elenco, Bojan Bogdanovic e Brandon Jennings foram embora. Por outro lado, Tim Frazier, Jodie Meeks e Mike Scott chegaram. São jogadores que podem vir a ser úteis. Frazier tem boa infiltração e deu pinta de que pode comandar o ataque em minutos limitados, principalmente em momentos em que os adversários também colocarem reservas. Meeks e até Scott, que veio de uma temporada ruim, têm capacidade de funcionar abrindo a quadra com seus chutes de longe.

Ao mesmo tempo, existe uma expectativa pelo crescimento e estabilização de Tomas Satoransky, que teve um ano de novato bem instável, e por Ian Mahinmi passar a temporada inteira sem lesões. Tem ainda Jason Smith, que vez ou outra aparece aberto na zona morta para chutar de três quando entra em quadra e ajudaria demais se conseguisse continuar fazendo isso.

Consistência da defesa

Entre o dia 1º de dezembro e a pausa para o “All-Star Game” na temporada passada, o Wizards ganhou 28 dos 38 jogos que disputou. Foi o que levou o time a uma arrancada para as primeiras posições da Conferência Leste, depois de um começo ruim. Durante esse intervalo de tempo, a defesa foi a sexta mais eficiente da liga, tomando uma média de 104,9 pontos a cada 100 posses de bola.

Depois do “All-Star Game”, a defesa caiu demais de rendimento e voltou a parecer aquela do início da temporada. A eficiência de 110,7 pontos foi a quarta pior da liga. No fim das contas, no ranking das defesas ao longo dos 82 jogos do campeonato, o Wizards ficou apenas em 20º lugar. Dentre todos os que foram para os playoffs, só Cleveland Cavaliers e Portland Trail Blazers tiveram desempenho ainda pior.

Será que aquele trecho de boa defesa do Wizards na temporada passada foi apenas um lampejo? Ou esse time é capaz de fazer mais do que fez na reta final mesmo? Passam por essas questões mais um ponto importante para o grau de competitividade desta equipe. E um banco melhor e mais capaz de descansar os titulares só tem a ajudar neste sentido.

Bolas de três

O aproveitamento de 37,2% colocou o Wizards na nona colocação no ranking dos melhores times neste tipo de arremesso. Mas a quantidade de tiros tentados por jogo foi só a 20ª na liga: 24,8.

Se a defesa precisa ser mais consistente e o banco precisa melhorar, essas bolas de três devem continuar caindo se o Wizards quiser ter alguma chance de brigar pelo topo do Leste. A razão por trás disso passa muito por John Wall, que vem da melhor temporada da carreira ao levar para um nível ainda mais alto a sua capacidade de usar os bloqueios eficientes de Marcin Gortat e usar a sua combinação de velocidade, habilidade e visão de jogo para criar espaços para os companheiros finalizarem. Enquanto essas coisas continuarem aparecendo, as chances de alguém ser encontrado com espaço para o tiro de longe será grande.


Abre aspas

“Eu sinto que o Wizards é o melhor time do Leste. É a sensação com que entramos na pré-temporada. Essa franquia toma conta do elenco, tem grandes expectativas, então colocamos muita pressão em nós mesmos. Sinto como se fôssemos a equipe a ser batida, mas sei que precisamos provar isso dentro de quadra.”

Quem falou isso foi Bradley Beal, totalmente confiante de que o Wizards não deve nada a Cleveland Cavaliers ou Boston Celtics.


Grau de apelo no League Pass (de 1 a 5)

4,0 (alto) – Foi um dos times mais legais de se acompanhar na segunda metade da temporada passada, depois que o sistema ofensivo deslanchou de vez e impulsionou a arrancada do Wizards para as primeiras posições do Leste. O banco continua sendo um problema para Scott Brooks e, por consequência, para quem estiver assistindo às partidas desta equipe. Mas nos momentos em que John Wall e Bradley Beal, coisas muito interessantes tendem a acontecer e o Wizards se torna bastante divertido de se ver.


Palpite para a temporada

Se as coisas derem muito certo…

… o Wizards bate a marca das 50 vitórias pela primeira vez desde 1979, ano em que chegou à decisão e foi vice-campeão. Depois de se classificar aos playoffs com uma das duas melhores campanhas do Leste e de passar pelas duas primeiras rodadas, o time dá um jeito de avançar e alcançar a final de conferência.

Se as coisas derem muito errado…

… o número de vitórias cai em relação à temporada passada e o Wizards passa longe de fazer cócegas nas principais forças do Leste. Até vai aos playoffs, mas sem mando de quadra e sem passar da primeira rodada.

E então?

Em termos de resultado, o Wizards tem tudo para repetir o que fez na temporada passada: terminar com uma das quatro melhores campanhas do Leste na fase de classificação. Pode até passar sem sustos pela primeira rodada, mas é difícil imaginar esse time passando da semifinal de conferência se cruzar com Boston Celtics ou Cleveland Cavaliers.

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