Herrmann jogou pouco na NBA, mas carrega “sensação de orgulho muito grande”

Luís Araújo

Aos 35 anos, o argentino Walter Herrmann pode dizer que já conquistou muita coisa dentro do basquete. Com o Flamengo, sagrou-se campeão da Copa Intercontinental em setembro de 2014. Além disso, ganhou o prêmio de MVP da liga espanhola em 2003, ajudou a seleção do seu país a faturar o ouro olímpico no ano seguinte e chegou a atuar na NBA. Na verdade, a trajetória nos Estados Unidos durou só três temporadas, mas foi ele quem achou melhor assim.

“Joguei bastante durante a minha temporada de novato”, lembrou Herrmann, em uma conversa rápida com o Triple-Double. “Depois, acabei não recebendo tantos minutos assim, e eu sou um cara que gosto de ter tempo de quadra. Como isso não vinha acontecendo, fui procurar outro lugar.”

O argentino assinou com o Charlotte Bobcats para a temporada 2006/07. Participou de 48 partidas no campeonato de estreia e foi 12 vezes titular, atuando quase sempre na posição quatro. As médias de 9,2 pontos e 2,9 rebotes em cerca de 20 minutos de ação por jogo, além de um aproveitamento de 46,1% nas bolas de três, renderam uma aparição no segundo time de novatos da liga.

Mas as coisas começaram a mudar a partir da temporada seguinte. O tempo de quadra caiu bastante, e ele logo foi envolvido em uma troca com o Detroit Pistons. Em um time que brigava entre os líderes do Leste e que alcançou a final de conferência, Herrmann não conseguiu recuperar os minutos que tinha como novato em Charlotte. Situação que o fez se mandar de volta para a Espanha em 2009.

Apesar de rápida, ele tem motivos para dizer que a NBA foi uma etapa especial. “Quando cheguei a Charlotte, meu chefe era Michael Jordan. Você imagina o tamanho da responsabilidade de conviver ao lado dele no dia a dia, não é? Em seguida, trabalhei com Joe Dumars em Detroit, outra lenda. Foi uma sensação de orgulho muito grande”, refletiu.

Como membro do Pistons, o argentino foi companheiro do ala-armador Rip Hamilton, que anunciou a aposentadoria. “Ele foi muito importante em Detroit”, disse Herrmann. “Era capaz de jogar com a bola e sem ela, buscando os espaços para o arremesso. Era muito inteligente e treinava duro todos os dias. Não conheci muitos caras como ele. É o fim da carreira de um jogador brilhante e, principalmente, bastante profissional.”

Mas foi um outro ala-armador que o ala do Flamengo citou quando perguntado qual foi o adversário mais difícil de se marcar dentre todos com os quais já cruzou: Kobe Bryant.

“Além de toda a habilidade que tem, é muito rápido. Não dá para saber o que ele vai fazer. LeBron James também é muito complicado. Tem muita potência, mas seus movimentos são um pouco mais previsíveis. Para mim, dos jogadores que já marquei, Kobe foi o mais imprevisível”, justificou.

Anos depois de deixar os Estados Unidos, Herrmann passou a colocar toda a experiência que acumulou a serviço do Flamengo. Na temporada 2014/15 do NBB, o argentino teve médias de 10,6 pontos e 4,3 rebotes em cerca de 24 minutos por partida. Tempo de quadra bem maior do que dos tempos na NBA.

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