“Mais maduro”, Betinho se diz confortável com maior papel da carreira

Luís Araújo

Betinho foi o único atleta do time brasileiro no Jogo das Estrelas deste ano a não anotar um ponto sequer, mas não tem problema. O que importa mesmo é ter sido selecionado pela primeira vez para participar do evento, algo que vem para premiar a temporada pelo Campo Mourão que ele próprio considera a sua melhor no NBB.

“O papel que tenho no time nesta temporada me proporcionou uma melhora muito grande, como líder e também como pontuador. É um ano que está sendo bem especial pra mim”, disse Betinho ao Triple-Double.

O ala-armador de 28 anos é o segundo cestinha do NBB, atrás apenas de Shamell, com média 19,8 pontos por partida. E de acordo com levantamento do RealGM, ele tem sido usado 32,2% das posses de bola de Campo Mourão. Índice maior do que o de qualquer outro jogador do campeonato.

São números que mostram um pouco do quanto a equipe paranaense deposita as fichas nele e que passam por algumas coisas que conseguimos ver com clareza dentro de quadra, como o fato de Betinho concentrar bastante as definições dos ataques e por ser o responsável por tirar da cartola um arremesso qualquer quando as jogadas quebrarem.

Até por isso o aproveitamento não é dos mais altos. Mas tudo bem, isso faz parte do processo. “Meu técnico e meus companheiros sabem que eu vou errar mais, mas vou continuar tentando fazer o meu papel para o time ganhar. Eles sabem que eu jogo desta forma para o time ganhar, e não pensando apenas em mim”, declarou.

Veja o bate-papo completo a seguir:

Betinho foi ao Jogo das Estrelas pela primeira vez (Fotojump/LNB)

Triple-Double – Essa é a primeira vez que você disputa o Jogo das Estrelas. Concorda que é a sua melhor temporada no NBB?

Betinho – Acho que é a melhor, principalmente olhando os meus números. Em Minas eu também tive um campeonato muito bom. Mas acho que o papel que tenho no time neste ano me proporcionou uma melhora muito grande, como líder e também como pontuador. É um ano que está sendo bem especial pra mim.

Triple-Double – É o maior carga de responsabilidade que você já teve em uma equipe?

Betinho – Sim. É a maior e creio que veio em uma hora certa. Acredito que estou muito mais maduro como jogador e também como pessoa. Tudo vem na hora certa. Depois de dois anos difíceis, isso vem para mostrar que voltei bem e firme.

Triple-Double – Por que esses anos foram difíceis?

Betinho – Tive duas lesões, uma em cada joelho. Foi muito difícil conviver com elas porque tive muita dor e não era nada cirúrgico. Essa situação também me fez ter dificuldades de arrumar um time. O Caxias do Sul apostou no ano passado, e sou muito grato a eles por isso, por terem confiado em mim e ajudado a colocar meu nome de volta no basquete. Em Campo Mourão eu também tenho confiança e respaldo para desempenhar esse basquete que estou mostrando.

Triple-Double – O seu aproveitamento nos arremessos não é tão alto assim quanto o de outros jogadores. Isso passa também por essa maior responsabilidade? Pelo fato de você ter a responsabilidade de definir bolas em jogadas quebradas?

Betinho – Com certeza. O aproveitamento não está entre os melhores, mas eu acabo precisando fazer chutes muito difíceis. Quando a coisa aperta e as jogadas quebram, a bola vai mesmo para as minhas mãos, e eu preciso arrumar um escape. É esse o meu papel no time. E dessa forma eu acabo errando mais, né? Mas é assim mesmo. O que eu preciso fazer é tentar estar quente no fim do jogo para decidir e acertar a maior parte.

Betinho é um dos cestinhas da atual temporada do NBB (Stephan Eilert/Solar Cearense)

Triple-Double – Você se sente confortável neste papel?

Betinho – Sim. Totalmente. Porque eu tenho respaldo do (treinador) Emerson de Souza e de todos os meus companheiros. Eles sabem que eu vou errar mais, mas vou continuar tentando fazer o meu papel para o time ganhar. Eles sabem que eu jogo desta forma para o time ganhar, e não pensando apenas em mim.

Triple-Double – Você tem sido um fator importante, mas o sucesso do Campo Mourão nesta temporada passa muito também pela organização das peças em quadra, não?

Betinho – Temos caras no nosso elenco que ninguém mais apostava nesta temporada. Como o Cauê Verzola, o Douglas Nunes e os dois norte-americanos que quase ninguém conhecia. A gente se juntou e deu liga. Cada um sabe o seu papel dentro da equipe. Para mim, o jogador mais fundamental tem sido o Cauê. Ele é o líder máximo do time, é quem coloca todo mundo em jogo e quem controla o nosso ritmo. O Douglas é fantástico. Estava esquecido no Vasco. Para mim, é um dos melhores da posição quatro no Brasil e está mostrado isso que estou falando. Então a nossa campanha passa pela junção disso tudo e de os jogadores entenderem o que precisam fazer. O Emerson vem sendo fundamental para determinar o papel de cada um e fazer time jogar da maneira certa.

Triple-Double – Do ponto de vista tático, o que você considera que vem chamando mais a atenção no Campo Mourão?

Betinho – Nosso time não desiste de jeito nenhum. A nossa principal característica é essa. Podemos estar bem ou mal, o certo é que vamos lutar até o fim. E somos um time versátil também. O Cauê pode fazer duas posições, eu faço duas ou três, o Douglas e o Pastor são fundamentais fazendo duas também. Essa versatilidade acaba fazendo com que fique mais difícil para o outro time nos encarar.

Triple-Double – E o que mais te incomoda dentro de quadra? 

Betinho – Eu não me sinto muito à vontade quando jogo de armador para levar a bola ao ataque porque geralmente sou marcado por adversários bem mais baixos. Fica mais difícil. Como sou mais alto, eles têm uma facilidade maior para roubar a bola de mim, então eu preciso ir protegendo. Não é bem o jeito que eu jogo. Eu sou muito agressivo, então me incomoda ter de virar para proteger a bola.

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