Nomes para se ficar de olho no Draft de 2017 – Parte 1

Luís Araújo

Como já vinha acontecendo nos últimos anos, o Triple-Double reuniu alguns dos principais nomes da safra de 2017 do Draft para apresentá-los a quem ainda não conhece esses jovens tão bem e deseja entender melhor as características deles.

A primeira parte traz jogadores que devem aparecer nas escolhas mais altas. Vamos a eles.


Markelle Fultz

Posição: armador
Idade: 19 anos
Altura: 1,93m
Peso: 86kg
De onde vem: Washington (NCAA)
Comparação no nbadraft.net: James Harden/D’Angelo Russell
O que dizem sobre ele: é considerado por muita gente o melhor jogador desta safra, não à toa aparece na primeira posição de praticamente todas as projeções. Do ponto de vista físico, ele chama a atenção principalmente pela envergadura, e capacidade de absorver contato durante as jogadas. Mas a grande característica talvez seja mesmo a habilidade para pontuar de maneira consistente de praticamente todos os lugares da quadra. O nbadraft.net o classifica como “alguém que pode muito bem virar um cestinha de elite na NBA” e, mais importante ainda, pode fazer isso tendo a bola nas mãos ou não. Fultz não é visto ainda como um excepcional arremessador nas situações de “catch and shoot”, mas há a crença de que ele pode chegar lá. Além de saber pontuar, também pareceu tomar boas decisões na hora de encontrar passes, sobretudo a partir do “pick and roll”. A defesa tem bastante potencial, mas precisa continuar a ser lapidada. E a tendência a acumular desperdícios de posse de bola é o grande item a ser melhorado em seu jogo.

Um texto publicado no DraftExpress e assinado por Mike Schmitz resume Fultz da seguinte maneira: “Ele não corta as defesas de maneira tão agressiva quanto James Harden. O chute dele não é tão puro quanto o de D’Angelo Russell. Mas a produção dele como um todo, seu perfil físico, a condição atlética única, o pacote de habilidades polidas e a criação de arremessos como um armador moderno na NBA são de primeiro nível em relação ao resto da classe de 2017. Ele é capaz de pontuar em três níveis (chutando de três, de média distância e cortando para a cesta), é um facilitador altruísta e pelo menos tem as ferramentas necessárias para se tornar um bom defensor.”


Lonzo Ball

Posição: armador
Idade: 19 anos
Altura: 1,98m
Peso: 86kg
De onde vem: UCLA (NCAA)
Comparação no nbadraft.net: Jason Kidd
O que dizem sobre ele: esse tipo de comparação vira e mexe acaba virando motivo de piada, mas o próprio Jason Kidd chegou a admitir que vê em Ball algumas semelhanças bem fortes em relação aos seus tempos como jogador. Principalmente pelos passes e pela visão de quadra. “Ele não só demonstra habilidade em entregar passes com uma precisão excepcional como também tem um senso impecável de quando ele deve levar a bola para o outro lado da quadra e quando deve entregar essa tarefa a um companheiro”, descreveu o nbadraft.net, que ainda elogiou as rápidas tomadas de decisão, o excelente controle de bola e a capacidade de manter todo mundo ao seu redor envolvido nas jogadas de ataque. A altura privilegiada para alguém da sua posição certamente o ajuda na hora de enxergar os passes e também o torna mais difícil de ser marcado, especialmente pelo bom arremesso de longe que apresentou na NCAA e também pelos “stepbacks” que parece gostar de dar. A mecânica de chute causa alguma estranheza, e vale a pena ficar de olho se isso irá afetá-lo na NBA, mas os resultados foram bons até agora.

Além desta questão relacionada à mecânica dos arremessos, um outro fator que desperta preocupação nele é a investida para a cesta. De acordo com o que observou o The Ringer, Ball “não é capaz e atacar o aro de maneira consistente e sempre procura evitar os contatos quando faz isso”. Uma outra grande interrogação — e que o faz não se parecer tanto assim com Jason Kidd — é a defesa. Mike Schmitz fez a seguinte avaliação sobre isso no DraftExpress: “Kidd foi um grande defensor em praticamente todos os estágios pelos quais passou no basquete e o seu impacto na hora de marcar foram a grande razão para seus times serem tão dinâmicos em transição. Ball parece mais que será um defensor mediano na NBA e talvez nunca desenvolva essa mesma mentalidade que Kidd tinha.”


Josh Jackson

Posição: ala/ala-armador
Idade: 20 anos
Altura: 2,03m
Peso: 93kg
De onde vem: Kansas (NCAA)
Comparação no nbadraft.net: Kawhi Leonard/Jimmy Butler
O que dizem sobre ele: destaca-se principalmente pela capacidade atlética e pela defesa. A especialidade na marcação é a versatilidade para se virar no perímetro, mas o The Ringer também elogia a capacidade dele de sair do lado fraco, aparecer na ajuda e dar tocos. O DraftExpress adiciona que Jackson “demonstra um orgulho muito grande em poder anular os seus oponentes no ataque” e que usa a velocidade lateral muito bem ao ponto de, vez ou outra, forçar faltas ofensivas.

A lista de qualidades dele não se resume a um só lado da quadra. O nbadraft.net destaca que Jackson tem “uma primeira passada muito sólida e uma habilidade para controlar a bola e passar pelos seus marcadores que pode muito bem continuar se destacando na NBA”. Além disso, o classifica como dono de um “QI de basquete muito alto, que o permite ter noção de onde seus companheiros estão em quadra”. O The Ringer aponta até que ele pode virar um pontuador de elite na liga, mas não deixa de ressaltar também aquele que parece ser mesmo o grande problema do ala: o arremesso, que tem mecânicas que precisam urgentemente de ajustes e, até por isso, é considerado fácil de contestar.


Jayson Tatum

Posição: ala
Idade: 19 anos
Altura: 2,03
Peso: 93kg
De onde vem: Duke (NCAA)
Comparação no nbadraft.net: Allan Houston/Danny Granger
O que dizem sobre ele: é considerado um “atleta de boa fluidez”, de boa envergadura e com potencial para se tornar na NBA um jogador extremamente confiável nos dois lados da quadra. De acordo com o nbadraft.net, Tatum é ótimo em transição sem a bola nas mãos, com um entendimento preciso da direção em que deve correr e de como conseguir se colocar em posição para ser acionado para fazer as cestas fáceis. Mas pontuar em situações de meia-quadra também não é um problema. Ele já deu sinais de que pode apresentar bons resultados nos três níveis (cortando para a cesta, chutando de média distância e de longe). Ainda segundo o nbadraft.net, Tatum é um pontuador excepcional para alguém de 19 anos e funciona melhor na média distância, onde consegue criar espaços e chutar por cima dos seus marcadores. O chute de três ainda não é tão confiável assim, mas deu sinais de melhora ao longo da última temporada na NCAA.

A capacidade de executar “pick and roll” também é algo que ainda não está pronto, mas que aparenta alguma evolução. O DraftExpress, no entanto, ressalta que existe uma cerca preocupação com relação ao jogo ofensivo dele no sentido de partir para a infiltração nas vezes em que é marcado por atletas semelhantes. A base que sustenta essa tese é a observação sobre como Tatum muitas vezes tirou vantagem de marcadores mais lentos atuando por Duke, algo que na NBA não deve ser tão comum assim. Mas o grande ponto a ser desenvolvido mesmo é a defesa. Até há um consenso sobre o potencial dele de um dia virar um bom marcador, o problema é a falta de foco apresentada em nível universitário. O The Ringer aponta que Tatum “perde a concentração quando marca fora da bola e é facilmente parado nos bloqueios que sofre”.


De’Aaron Fox

Posição: armador
Idade: 19 anos
Altura: 1,91m
Peso: 77kg
De onde vem: Kentucky (NCAA)
Comparação no nbadraft.net: John Wall/Dennis Schroder
O que dizem sobre ele: é um armador extremamente rápido, explosivo e que pode usar isso para se tornar uma ameaça gigantesca para os rivais no jogo em transição. Além de usar isso muito bem para atacar o aro com frequência, Fox sabe fazer uso da mudança de velocidade. “A habilidade de sair do jogo devagar para o rápido é uma grande parte do que torna tão difícil para os defensores permanecerem na frente dele”, observa o nbadraft.net. No jogo de meia-quadra, mostra-se muito à vontade para criar jogadas a partir do “pick and roll”. No um contra um, domina “crossovers” e movimentos de hesitação que o ajudam a criar espaços para o chute com certa facilidade. O problema é justamente conseguir aproveitar essas finalizações mais afastadas da cesta. Os arremessos de média e longa distância precisam melhorar urgentemente, ao ponto de pelo menos não dar às defesas a chance de passar sempre por trás dos bloqueios.

Defensivamente, Fox também tem qualidades. “Sua velocidade lateral o permitiu colocar pressão no homem da bola de maneira impressionante ao longo da última temporada”, destaca o DraftExpress. Mas existem pontos que despertam preocupação: “Às vezes ele perde o foco e deixa de lutar para manter a defesa no ‘pick and roll’, além de sofrer na base da força para defender armadores maiores. Ele tem ferramentas para ser um defensor muito útil na NBA, graças à combinação de velocidade e altura, mas a capacidade de ficar mais forte e essa questão de se esforçar de maneira consistente vão determinar o quando ele poderá ser bem-sucedido.”


Jonathan Isaac

Posição: ala/ala-pivô
Idade: 19 anos
Altura: 2,08m
Peso: 95kg
De onde vem: Florida State (NCAA)
Comparação no nbadraft.net: Rashard Lewis/Kevin Durant
O que dizem sobre ele: versatilidade talvez seja a palavra mais encontrada nas descrições sobre ele. Seja pela possibilidade de jogar em até três posições, dependendo do quanto sua equipe estiver disposta a espaçar a quadra, seja pelas maneiras de pontuar. “Ele pode passar por cima de marcadores menores ou partir para o corte diante dos mais altos”, define o The Ringer, que ainda elogiou a capacidade de arremessar quando recebe a bola parado — apesar da “mecânica inconsistente” — e o quanto ele é eficiente principalmente atacando sem a bola nas mãos, finalizando pontes aéreas ou mesmo sendo acionado a partir de “handoffs”. O chute de três, no entanto, ainda não chega a ser uma especialidade.

O jogo em transição passa longe ainda de ser um ponto forte, e o porte físico magro pode impor algumas dificuldades consideráveis diante de oponentes mais físicos na NBA. A seleção de arremessos também é algo que precisa melhorar. De qualquer maneira, essa habilidade de se deslocar fácil pela quadra mesmo sendo tão alto é o que o leva a ser classificado como “um caso interessante” pelo DraftExpress: “Ele tem uma combinação de altura, capacidade atlética, criação de jogadas e versatilidade que não se encontra toda hora. Esse tipo de coisa, especialmente se ele desenvolver um chute de três consistente para fazê-lo abrir mais a quadra, é de grande valor para os times, especialmente na medida em que os técnicos estão cada vez mais querendo trocar toda a marcação após bloqueios no perímetro.”


Malik Monk

Posição: ala-armador
Idade: 19 anos
Altura: 1,91m
Peso: 91kg
De onde vem: Kentucky (NCAA)
Comparação no nbadraft.net: Louis Williams/Eric Gordon
O que dizem sobre ele: é bastante explosivo e usa essa característica pra brilhar em transição. Mas o The Ringer também reconhece as virtudes dele no jogo de cinco contra cinco, o classificando da seguinte maneira: “Arremessador de elite, mesmo levando em conta a distância da NBA, que está sempre em busca do seu chute. Pode finalizar recebendo a bola parado, depois de bloqueios que recebe ou mesmo a partir do drible.”

Entre as coisas que Monk ainda precisa desenvolver, estão a tomada de decisão, as investidas em direção ao aro em situações de meia-quadra, a defesa fora da bola e o passe. Principalmente se realmente tiver de se transformar em um armador na NBA, já que é baixo para alguém da posição dois. Algo que a análise do DraftExpress demonstra certa confiança de que pode dar certa: “Enquanto não restam dúvidas sobre o talento de Monk, especialmente como arremessador, será a sua habilidade de se transformar em um pontuador mais versátil e em um jogador mais completo que irá determinar seu sucesso na NBA. Muitos jogadores como ele conseguiram virar armadores competentes e importantes na liga, e Monk parece ter uma vantagem em relação a boa parte deles por causa da sua tremenda capacidade atlética, o que pode fazê-lo desenvolver uma identidade de armador pontuador.”


Frank Ntilikina

Posição: armador
Idade: 18 anos
Altura: 1,96m
Peso: 86kg
De onde vem: Strasbourg (França)
Comparação no nbadraft.net: Dante Exum
O que dizem sobre ele: um armador alto para a posição, dono de ótima capacidade atlética, rápido, com bom deslocamento lateral e potencial para ser bastante útil na defesa a partir desta combinação de fatores. Além de saber lutar contra bloqueios, demonstra atenção para marcar fora da bola e ajuda nos rebotes também. O DraftExpress observa que ele apresentou melhora nos últimos meses como um arremessador, o que abre a possibilidade para que seja usado ao lado de um outro armador que fique mais com a bola nas mãos nas construções de jogada no ataque.

Mas a habilidade de criar o próprio chute ainda deixa a desejar, assim como as tomadas de decisão. Algo que não o faz despertar totalmente a confiança como armador principal. “O garoto de 18 anos não é, de jeito nenhum, um incapaz como organizador de jogadas, pois consegue sentir o jogo, navega pelo ‘pick and roll’ com eficiência, sabe usar o seu tamanho para passar e consegue chegar ao aro com mudanças de velocidade. O desafio para Ntilikina neste estágio da carreira é que ele não é explosivo com a bola nas mãos, bate a bola muito alto, comete alguns erros e nem sempre consegue se livrar de defensores mais privilegiados fisicamente”, classifica o DraftExpress.


Dennis Smith

Posição: armador
Idade: 19 anos
Altura: 1,88m
Peso: 88kg
De onde vem: NC State (NCAA)
Comparação no nbadraft.net: Baron Davis/Steve Francis
O que dizem sobre ele: explosivo, dono de uma capacidade atlética impressionante e que não tem medo de usar essa combinação de fatores para atacar o aro constantemente, encontrando oportunidades de cesta ou mesmo atraindo faltas que o coloquem na linha do lance livre. O The Ringer o vê até como alguém que “tem potencial para se tornar um pontuador de elite na NBA por criar espaços com certa facilidade, mas que nem sempre acerta esses chutes”, o que indica o quanto o arremesso de fora do garrafão ainda não é uma arma extremamente confiável no arsenal dele.

Essa facilidade para criar espaços, de acordo com o nbadraft.net, pode ser vista em jogadas de isolação ou em “pick and rolls”, onde Smith consegue se aproveitar dos buracos que se abrem para fazer bons passes vez ou outra. Mas essa tomada de decisão parece passar longe de ser uma qualidade dele. Assim como a defesa. Segundo o The Ringer, falta esforço: “Ele pode até entregar bom trabalho na marcação individual quando está focado, mas tende a ficar preso com facilidade nos bloqueios e a perder a concentração nas vezes em que marca fora da bola.”


Zach Collins

Posição: pivô
Idade: 19 anos
Altura: 2,11m
Peso: 104kg
De onde vem: Gonzaga (NCAA)
Comparação no nbadraft.net: Brad Daugherty
O que dizem sobre ele: um pivô bem útil e capaz de fazer várias coisas boas nos dois lados da quadra. O jogo ofensivo é classificado pelo nbadraft.net como “versátil, que reúne ações de costas para a cesta, habilidade para atacar de frente para o marcador e chutes de média distância”, o que o torna interessante para finalizar tanto no “pick and roll” como no “pick and pop”. Na defesa, também chama a atenção por poder se virar bem tanto perto como longe da cesta. “Collins tem bastante mobilidade, consegue deslizar os pés pela quadra para cobrir seu espaço de maneira impressionante. Não é sempre que consegue contestar uma finalização, mas oferece uma boa versatilidade independentemente disso, graças à habilidade de trocar a marcação em cima de jogadores mais baixos”, observa o DraftExpress.

Apesar de a mobilidade de alguém com esse tamanho de fato ser rara, uma coisa que ainda desperta dúvida no jogo dele é saber se terá a mesma eficiência para atacar de costas para a cesta contra adversários na NBA, onde tem tudo para encontrar oponentes mais altos e mais fortes do que aqueles que viu pela frente na NCAA. De qualquer maneira, há pelo menos outros dois fatores que despertam ainda mais desconfiança. Um deles é a tendência a cometer erros bobos nos momentos em que precisa descolar passes com a bola nas mãos. O outro passa pela mentalidade. “Ele fica visivelmente frustrado quando as coisas não saem da maneira que ele deseja, o que o leva a perder o foco”, destaca o The Ringer.

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