Nomes para se ficar de olho no Draft de 2018 – Parte 1

Luís Araújo

Tradição é tradição, não é mesmo? A exemplo do que vem acontecendo nos últimos anos, o Triple-Double reuniu alguns dos principais nomes da safra de 2018 do Draft para apresentá-los a quem ainda não conhece esses jovens tão bem e deseja entender melhor as características deles.

O especial foi dividido em duas partes. Vamos à primeira, mas não sem antes deixar um aviso importante: as comparações do “nbadraft.net” aparecem por aí apenas por motivos de curiosidade, não por costumarem acertar em cheio os prognósticos. Longe disso, aliás.


Luka Doncic

Posição: armador/ala
Idade: 19 anos
Altura: 2,03m
Peso: 102 kg
De onde vem: Real Madrid (Espanha)
Comparações do nbadraft.net: Toni Kukoc/Hedo Turkoglu
O que dizem sobre ele: a maturidade do esloveno é algo que chama a atenção há tempos. Desde 2015, quando fez sua estreia no elenco profissional do Real Madrid, aos 16 anos. O prêmio de MVP da Euroliga e da Liga ACB, bem como os títulos que conquistou em ambas as competições às vésperas do Draft, dão uma pista do quanto ele tem sido dominante em território europeu antes mesmo de completar 20 anos. Enquanto escreveu essa história, Doncic desenvolveu uma série de qualidades ofensivas, sobretudo em situações com a bola nas mãos. Sua característica que mais chama a atenção é a capacidade de criação de jogadas. É um ótimo passador, que muitas vezes ainda consegue usar a vantagem de estatura para enxergar melhor e fazer passes por cima dos defensores. Esse tipo de coisa aparece tanto em transições quanto em situações de meia-quadra, chamando jogadas de “pick and roll”, nas quais ele também se vira muito bem mantendo o seu marcador nas costas para atacar a cesta.

Doncic também se destaca pelos recursos técnicos com a bola nas mãos para encarar adversários no um contra um e criar chutes para si mesmo — seja batendo para dentro do garrafão, onde absorve muito bem o contato antes de finalizar, ou descolando “stepbacks” para chutar. Defensivamente, o esloveno mostra ser capaz de encarar trocas de marcação, mas ainda sofre quando se vê envolvido em “pick and rolls”. A velocidade lateral e o fato de não ser tão explosivo assim são duas fraquezas que também merecem cuidado. Outro ponto a ser melhorado é o arremesso em situações de “catch and shoot”. Mas, de acordo com o “The Ringer”, há indícios de que isso pode se tornar uma força em um futuro próximo.


DeAndre Ayton

Posição: pivô
Idade: 19 anos
Altura: 2,13m
Peso: 119 kg
De onde vem: Arizona (NCAA)
Comparações do nbadraft.net: Shawn Kemp/David Robinson
O que dizem sobre ele: o “nbadraft.net” o resumiu como um pivô que já tem o corpo pronto para a NBA, com um porte físico que parece ter sido desenhado de maneira ideal para se jogar basquete. Ayton é alto, forte e consegue correr a quadra de um lado para o outro tranquilamente, sem ficar para trás. São características que já o tornariam um prospecto interessante, mas o que realmente o coloca como um jovem com potencial de se tornar um jogador especial dentro de alguns anos é o leque de recursos que apresenta para colocar a bola dentro da cesta. Ayton é capaz de pontuar ao redor do aro com as duas mãos, acerta arremessos de média distância, tem desenvolvido movimentos de “post-up” e dado sinais de evolução na linha de três. No “pick and roll”, ele não só leva perigo ao girar para a cesta como também mostra saber reconhecer para onde fazer o passe caso a ajuda da defesa apareça para congestionar o garrafão.

A grande fraqueza tem sido a defesa. Por mais que tenha as ferramentas físicas necessárias para entregar um bom trabalho, Ayton parece derrapar neste sentido com alguma frequência. De acordo com uma observação do “The Ringer”, o pivô “fica perdido vezes demais na marcação, o que levanta dúvidas se apenas precisa ser melhor treinado ou se tem instintos realmente pobres”. Um comentário assinado por Ben Parker no “nbadraft.net” até pondera que a proteção de aro dele melhorou no último ano, mas afirma que Ayton “precisa saber se virar melhor na hora de marcar um ‘pick and roll'”.


Marvin Bagley

Posição: ala-pivô/pivô
Idade: 19 anos
Altura: 2,11m
Peso: 106 kg
De onde vem: Duke (NCAA)
Comparações do nbadraft.net: Chris Bosh
O que dizem sobre ele: outro jogador desta safra de 2018 que parece ter um corpo pronto para a NBA. O “The Ringer” o classifica como um “prospecto complicado” por ter “habilidades de um pivô atlético, mas um arremesso nada confiável e um corpo de um ala”. A capacidade atlética o torna uma peça muito atraente em transições. A velocidade lateral bem acima da média para alguém deste tamanho faz dele alguém com potencial para se tornar um defensor versátil, capaz de se virar com trocas de marcação no perímetro. No “pick and roll”, Bagley pode ser perigoso tanto atacando o garrafão com a bola nas mãos quanto recebendo pontes aéreas depois de executar um bloqueio. Se um dia tiver um arremesso consistente, então, vai levar ainda mais dores de cabeça aos adversários.

O problema é justamente esse: o desenvolvimento de um chute confiável, o que o afeta até mesmo na linha do lance livre. Na hora de finalizar, a mão direita costuma ser um problema. Como observa o “The Ringer”, Bagley mostra um elevado grau de dependência da canhota. Outro ponto fraco passa pela defesa. Por mais que tenha o porte físico para aguentar trocas no perímetro e que apresente uma combinação de leitura e tempo de bola para aparecer de surpresa e contestar finalizações no garrafão, ele às vezes parece um passo atrasado nas coberturas.


Michael Porter

Posição: ala
Idade: 19 anos
Altura: 2,11m
Peso: 95 kg
De onde vem: Missouri (NCAA)
Comparações do nbadraft.net: Kevin Durant/Joe Johnson
O que dizem sobre ele:

em condições normais, certamente apareceria melhor cotado para ser a primeira escolha do Draft de 2018. De acordo com o “nbadraft.net”, ele apresenta uma “combinação única de tamanho, capacidade atlética e habilidades avançadas”. A envergadura de Porter é equivalente à que se mediu em Anthony Davis em 2012, antes do Draft daquele ano. Do ponto de vista técnico, o grande trunfo dele é a versatilidade enquanto pontuador, tornando-o uma ameaça nos três níveis: no garrafão, na média distância e atrás da linha de três.

Apesar de se demonstrar mais confortável criando com a bola nas mãos, Porter também parece ser capaz de atuar de maneira eficiente no ataque sem ela — correndo por bloqueios e usando a boa leitura da quadra para aparecer com espaço, seja cortando para a cesta no momento certo ou aparecendo como opção para o arremesso de longe. A defesa ainda não chega a ser uma especialidade, mas o “The Ringer” observa que ele tem potencial para virar um marcador versátil graças a seu tamanho e agilidade, caso desenvolva um pouco mais os fundamentos. Mas é claro que existem alguns pontos de desconfiança em meio a tudo isso. A seleção de arremessos em determinados momentos dos jogos, o desempenho fraco enquanto reboteiro, a impressão de que procura evitar o contato e a falta de uma visão de quadra mais apurada para descolar passes são alguns deles. Mas a grande preocupação mesmo passa pela cirurgia nas costas que o tirou de praticamente toda a última temporada da NCAA.


Jaren Jackson Jr

Posição: ala-pivô/pivô
Idade: 18 anos
Altura: 2,11m
Peso: 106 kg
De onde vem: Michigan State (NCAA)
Comparações do nbadraft.net: Jermaine O’Neal
O que dizem sobre ele: para o “The Ringer”, trata-se de “uma das apostas mais seguras” desta safra de calouros. Defensivamente, Jackson não só se mostra capaz de dar tocos com as duas mãos — com uma combinação excelente de tempo de bola e velocidade para contestar as finalizações dos adversários — como também pode encarar também trocas de marcação contra oponentes mais baixos longe da cesta. Em situações de “post-up”, não costuma morder fintas com tanta facilidade, permanecendo com os pés plantados no chão durante a maior parte do tempo e sem dar margem para acumular faltas desnecessárias.

Do outro lado da quadra, o “nbadraft.net” o classifica como um “ótimo condutor de bola para alguém tão alto”, além de apontar “boa condição para finalizar ao redor do aro com as duas mãos” e “arremessos consistentes de várias regiões”. Resta saber como esses tiros mais afastados serão levados para a NBA, principalmente pela questão envolvendo a mecânica de chute. Além disso, Jackson parece ainda bem cru quando precisa criar alguma jogada qualquer contra as defesas adversárias. Mas talvez o ponto mais crítico seja a inconsistência nos rebotes, o que passa ainda por uma certa incapacidade de resistir a contatos mais fortes e manter a posição perto da cesta.


Mohamed Bamba

Posição: pivô
Idade: 20 anos
Altura: 2,13m
Peso: 102 kg
De onde vem: Texas (NCAA)
Comparações do nbadraft.net: Rudy Gobert
O que dizem sobre ele: as comparações do “nbadraft.net” não podem ser levadas tão a sério assim, mas não chega a ser difícil entender por que Rudy Gobert foi apontado neste caso. Bamba não só é muito alto como tem braços bem longos, o que o leva a ter uma envergadura monstruosa. E como se isso não fosse o bastante, a velocidade também faz parte do seu leque de virtudes. As ferramentas físicas estão todas lá, mas não é só isso que desperta comparações com o francês do Utah Jazz. Bamba se mostrou um protetor de aro de primeiro nível na NCAA e tem a mobilidade necessária para encarar desafios também longe do garrafão. A leitura e o tempo de bola impecáveis de defender “pick and roll” que Gobert desfila na NBA há alguns anos não deve ser algo que aparecerá de imediato, mas existem motivos para se acreditar que Bamba um dia chegará lá se for bem lapidado.

No ataque, dá para imaginá-lo aparecendo mais para completar pontes aéreas por trás das coberturas defensivas ou recebendo passes a partir de um “pick and roll”. Entretanto, o “The Ringer” faz duas ponderações interessantes. Uma delas é que o pivô pode ser considerado um passador sólido, capaz de fazer leituras dos espaços que se abrem na quadra e tomar decisões corretas a partir disso. A outra é que existem sinais de que os chutes de regiões mais afastadas podem virar uma virtude de Bamba em algum ponto do futuro. Para isso, porém, será necessário fazer ajustes na mecânica de arremessos. Outros pontos fracos dizem respeito aos bloqueios que são feitos para os companheiros, o que prejudica seu desempenho no “pick and roll”, e à incapacidade de manter a posição perto da cesta em batalhas diante de adversários mais fortes.


Kevin Knox

Posição: ala/ala-pivô
Idade: 18 anos
Altura: 2,05m
Peso: 97 kg
De onde vem: Kentucky (NCAA)
Comparações do nbadraft.net: Tobias Harris
O que dizem sobre ele: se as coisas caminharem de um jeito positivo, pode virar um pontuador de destaque na NBA em algum momento da carreira. Knox deu pistas na NCAA de ser habilidoso para finalizar ao redor do aro, utilizando ambas as mãos para isso. Com a bola nas mãos, pode incomodar no “pick and roll” de várias maneiras: em “pull-up shots” (que são arremessos nos quais o jogador para de bater bola e chuta), atacando o aro ou tirando proveito de trocas que o deixem diante de oponentes mais baixos. E sem a bola, segundo o “The Ringer”, Knox consegue ajudar a abrir a quadra demonstrando um bom senso para quando cortar para o garrafão e quando permanecer aberto como opção de chute.

Acontece que Knox não é lá um passador muito bom, o que pode gerar problemas nas vezes em que os adversários conseguirem incomodá-lo. Ele também não é considerado um bom reboteiro, o que pode prejudicar formações mais baixas que o coloquem na posição quatro. Outra questão importante diz respeito a uma certa falta de consistência. Quando as bolas estão caindo, maravilha. Mas em caso contrário, de acordo com uma observação do “nbadraft.net”, Knox “pode acabar desaparecendo completamente”. O aspecto defensivo também preocupa. Ele até tem algumas características que podem levá-lo a se tornar um marcador versátil um dia, mas ainda é visto como alguém que cochila demais, que falha bastante na hora de contestar chutes e que é muito mais versátil na teoria do que na prática — por ainda não ser rápido o suficiente para conter os armadores mais rápidos da NBA e também não ser forte o bastante para encarar os jogadores de garrafão da liga.


Wendell Carter Jr

Posição: pivô
Idade: 19 anos
Altura: 2,08m
Peso: 113 kg
De onde vem: Duke (NCAA)
Comparações do nbadraft.net: Juwan Howard/Al Horford
O que dizem sobre ele: mais um que tem o corpo considerado como pronto para a NBA. O “nbadraft.net” aponta que “ele se mostrou, de maneira consistente, um pontuador eficiente contra o nível mais alto de competição dentro da NCAA, conta com um trabalho de pés muito ágil e sabe se virar muito bem de costas para a cesta”. O “The Ringer” ainda elogia a habilidade de pegar passes complicados, o que o torna um alvo interessante no “pick and roll”, além de destacar que Carter consegue finalizar pontes aéreas quando tem espaço, mesmo não sendo um atleta de elite. Um aspecto interessante de um prospecto que aparenta estar pronto para atuar como pivô na NBA é o chute de três. O arremesso de longe de Carter é considerado bom em situações de “catch and shoot”. Outro ponto forte que muitos especialistas apontam nele é a leitura de jogo, que costuma ser rápida e precisa, o que o favorece a dar bons passes para companheiros com espaço.

Os rebotes e a proteção de aro também são considerados virtudes dele. A marcação longe da cesta é que ainda não está no mesmo nível. Carter precisará trabalhar bastante em cima disso e também sobre as fintas em que adora cair. Mas o grande ponto de interrogação é mesmo a capacidade atlética. Ele consegue finalizar pontes aéreas quando tem espaço, é verdade, mas não é exatamente alguém que se destaca pela habilidade de jogar acima da linha do aro. Que tipo de impacto isso pode causar na adaptação do seu jogo ao nível profissional? Limitar os desperdícios de posse de bola também será um desafio importante para a vida dele na NBA.


Trae Young

Posição: armador
Idade: 19 anos
Altura: 1,88m
Peso: 81 kg
De onde vem: Oklahoma (NCAA)
Comparações do nbadraft.net: Stephen Curry/Mike Bibby
O que dizem sobre ele: os arremessos de longe são o cartão de visitas dele, seja a partir do drible ou em situações nas quais apenas recebe o passe e finaliza em seguida. Mas não é só isso. Foi também pela coleção de dribles, mudança de direção, movimentos de hesitação e capacidade de descolar infiltrações a partir da combinação disso tudo que muita gente levantou comparações com Stephen Curry. Com a bola nas mãos, Young também mostrou boa visão de quadra para encaixar passes precisos depois dos espaços que abria nas defesas. A leitura do “pick and roll” também é um ponto muito forte da sua lista de características — e que, consequentemente, exponencia ainda mais o seu potencial de colocar pulgas atrás das orelhas dos seus marcadores.

Mas é claro que nem tudo são flores. A seleção de arremessos nem sempre foi a ideal — longe disso. E embora ele tenha certa facilidade para abrir espaços e bater para dentro, Young vai precisar desenvolver seu desempenho enquanto finalizador ao redor do aro — e a falta de explosão poderá ser uma barreira importante neste sentido. Mas nenhum destes problemas chega a ser tão grande quanto o que se vê do outro lado da quadra. Segundo uma observação do “The Ringer”, Young não só tem um porte físico baixo, o que naturalmente já é uma adversidade, como é um “defensor de pouco esforço”.


Mikal Bridges

Posição: ala
Idade: 21 anos
Altura: 2,01m
Peso: 95 kg
De onde vem: Villanova (NCAA)
Comparações do nbadraft.net: Otto Porter/Robert Covington
O que dizem sobre ele: tem toda a pinta de que pode se tornar um “3 and D” na NBA um dia. O “The Ringer” observa isso e ainda o classifica como “um jogador altruísta, que faz a bola continuar a se mexer em quadra”, além de “eficiente arremessador em situações de ‘catch and shoot’ e com alcance em nível de NBA”. Esse tipo de coisa já o faria entrar na liga como uma peça capaz de ajudar a abrir a quadra pela simples presença em um canto do ataque. Mas parece existir potencial para mais. Bridges é visto como alguém de boa leitura de jogo, capaz de se aproveitar de “mismatches” no poste baixo e que vem se desenvolvendo enquanto criador de jogadas. Algo que o tornaria uma ameaça ainda maior e mais completa em jogadas de “pick and roll”.

Do outro lado da quadra, apresenta postura bastante segura. Não é comum, por exemplo, vê-lo dando botes secos em busca de roubos de bola. O “nbadraft.net” o considera “capaz de percorrer bastante espaço na defesa e dificultar a vida dos adversários na hora de conseguir chutes livres”. Bridges é rápido para encarar armadores e tem uma estatura muito boa para combater alas. O grande ponto de interrogação diz respeito à força física. Mesmo em nível universitário, ele já passou por alguns problemas neste sentido. Na NBA, o buraco será mais embaixo.

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