Nomes para se ficar de olho no Draft de 2019 – Parte 1

Luís Araújo

Já é tradição por aqui: às vésperas do Draft, o Triple-Double reunir alguns dos principais nomes da safra de calouros para apresentá-los a quem ainda não conhece esses jovens tão bem e deseja entender melhor as características de cada um deles. Isso vem acontecendo já nos últimos anos e não será diferente agora em 2019.

O especial foi dividido em duas partes. Vamos à primeira, mas não sem antes deixar um aviso importante: as comparações do nbadraft.net e do The Ringer aparecem por aí apenas por motivos de curiosidade, não por costumarem acertar em cheio os prognósticos. Longe disso, aliás.


Zion Williamson

Posição: ala
Idade: 18 anos
Altura: 1,98m
Peso: 127kg
De onde vem: Duke (NCAA)
Comparações que fazem por aí: Charles Barkley, Blake Griffin (nbadraft.net) / Charles Barkley, Blake Griffin e Julius Randle (The Ringer)

O que dizem sobre ele:

O nbadraft.net começa a defini-li como “um prospecto incrivelmente único do ponto de vista físico”. Do que se viu até agora mesmo, Williamson impressiona pela força física e por como parece extremamente ágil para alguém do seu tamanho. Essa combinação de força e explosão, somada ao bom controle sobre o corpo, o permite infiltrar e finalizar ao redor do aro sofrendo contato. Essas ferramentas físicas todas também fazem dele um sujeito praticamente imparável em jogadas de transição. Além disso, ele pode vir a ser um perigo constante jogando sem bola, reconhecendo espaços nas defesas rivais e cortando para a cesta para surgir como opção de passe.

Um outro aspecto que o nbadraft.net elogia é a capacidade de Williamson de receber um passe e já pegá-la mudando de direção, o que cria ajuda a quebrar as defesas e que ele faz com alguma facilidade, dada a velocidade e explosão que tem para alguém com tamanha força física. Com a bola nas mãos, ele deu mostras de boa visão de quadra e boas tomadas de decisão. O The Ringer destaca a sua capacidade de comandar jogadas a partir do “pick and roll”, além de classificá-lo como alguém “inteligente ao reconhecer dobras e calmo para se livrar delas com passes certos”.

Defensivamente, Williamson tem bons instintos. Ele entrega um trabalho extremamente sólido contestando arremessos de oponentes e agride constantemente as linhas de passe, o que o permite acumular roubos de bola e criar situações de transição. Mas as análises em geral ainda colocam a disciplina defensiva, especialmente do ponto de vista coletivo, como algo ainda a ser desenvolvido. Mas a grande incógnita em torno das características dele é o arremesso. Seja de média ou de longa distância, há um consenso entre quem o acompanhou nos últimos meses de que os tiros ainda demandam maior refinamento.


Ja Morant

Posição: armador
Idade: 19 anos
Altura: 1,91m
Peso: 79 kg
De onde vem: Murray State (NCAA)
Comparações que fazem por aí: DeAaron Fox (nbadraft.net) / John Wall “mais magro”, Donovan Mitchell, Dennis Smith Jr (The Ringer)

O que dizem sobre ele:

“Um prodígio atlético e um inteligente criador de jogadas que precisa desenvolver o arremesso e diminuir os desperdícios para fazer aparecer o seu potencial de se tornar uma estrela”, como define o The Ringer. Talvez seja mesmo uma síntese precisa do que Morant promete em sua chegada à NBA.

A capacidade de criar jogadas, enxergar a quadra e executar passes criativos para encontrar seus companheiros é bastante elogiada. Algo que muitos olheiros universitários classificam como algo já em um nível de elite, pronto para a NBA. O mesmo serve para a velocidade, agilidade e explosão para sair do chão. De acordo com o nbadraft.net, “é muito difícil se manter na frente dele porque ele coloca muita pressão sobre seus defensores com sua velocidade a partir do drible”.

Essa mudança de direção parece mesmo algo fácil para ele, que domina também “crossovers” para criar espaços diante das defesas rivais. O arremesso ainda não é lá uma arma muito confiável, mas está dando sinais de progresso. Se um dia a pontaria estiver calibrada para finalizações a partir do drible, sai da frente. Aí o potencial de Morant cresce consideravelmente. O mesmo vale para os desperdícios de posse de bola, que ainda se acumulam vez ou outra em meio a tanta agressividade para atacar a cesta. Mas talvez o grande ponto a ser observado e corrigido daqui para frente passa pela defesa. Morant tem braços longos e até faz bons trabalhos quando tem de se virar na marcação individual, mas ainda erra rotações e comete vacilos quando precisa defender alguém que não tenha a bola.


RJ Barrett

Posição: ala/ala-armador
Idade: 19 anos
Altura: 2,01m
Peso: 95 kg
De onde vem: Duke (NCAA)
Comparações que fazem por aí: Danny Granger (nbadraft.net) / Jalen Rose, Andrew Wiggins, Harrison Barnes, Rudy Gay (The Ringer)

O que dizem sobre ele:

Um pontuador nato e cheio de energia, dono de um jogo de pés que se mostrou muito eficiente na NCAA e que parece intrigante para a NBA. É agressivo e não tem medo de usar o corpo na hora de finalizar, cavando algumas faltas no processo. O desempenho de Barrett em transição também é bastante elogiado. Uma observação especialmente interessante sobre o potencial dele passa pela certa facilidade que ele apresenta para atacar defesas já desequilibradas e continuar a quebrá-las, o que pode torná-lo uma peça bem interessante para se ter em um time que já tenha um bom iniciador de jogadas.

Ele também dá pinta de que pode ser um ótimo condutor de bola e passador para alguém do seu tamanho, capaz de fazer qualquer tipo de passe a partir do drible. Não é exatamente um criador de jogadas puro, mas pode se encaixar em um esquema tático com múltiplos condutores de bola. Do outro lado da quadra, Barrett é tido pelos olheiros como um jovem que tem tamanho, braços longos e uma boa agilidade lateral para encarar trocas de marcação na defesa.

Apesar de haver algum potencial como arremessador de “catch and shoot”, os tiros em geral precisarão ser bastante trabalhados. Nem mesmo o percentual de Barrett nos lances livres foi bom em nível universitário. Mas os grandes defeitos passam mesmo pelo comportamento sem bola, e em ambos os lados da quadra. Ofensivamente, o The Ringer o classifica como um jogador inativo quando não tem a bola nas mãos: “Ele raramente cortou a marcação ou fez bloqueios em Duke, apesar de que a sua capacidade atlética e versatilidade o tornam uma ameaça em potencial”. E na defesa, o mesmo The Ringer observa o seguinte: “Ele é um mero observador do jogo quando está longe da bola, errando rotações com frequência.”


Darius Garland

Posição: armador
Idade: 19 anos
Altura: 1,88m
Peso: 80 kg
De onde vem: Vanderbilt (NCAA)
Comparações que fazem por aí: Mo Williams (nbadraft.net) / Damian Lillard, Jeff Teague, Nick Van Exel (The Ringer)

O que dizem sobre ele:

Extremamente veloz e capaz de pontuar de qualquer lugar da quadra. Sabe se virar tanto em jogadas de isolação como no “pick and roll” para criar situações de arremesso, principalmente porque tem os chutes a partir do drible como uma virtude em seu leque de características. Parece ter um ótimo tiro de três pontos, que dá para imaginar se traduzindo para os padrões da NBA. E isso serve também para situações de “catch and shoot”, o que o torna uma potencial arma também quando não tiver a bola nas mãos.

Algumas análises observam que essa combinação de velocidade e habilidade faz com que Garland crie algumas situações de passe muito interessantes. Ele parece ter ideias boas e até possui as ferramentas necessárias para abrir espaços nas defesas e encontrar companheiros desmarcados, mas ainda acumula desperdícios de posse de bola vez ou outra.

Defensivamente, ele até deu alguns indícios de que pode fazer um trabalho razoável em situações individuais, com mãos rápidas que podem gerar roubos de bola. Por outro lado, quando não está marcando quem tem a bola, frequentemente faz apostas ousadas demais e dá botes errados nas tentativas de roubar a bola, o que permite espaços a seus oponentes. Isso sem falar no porte atlético: Garland é rápido, mas não necessariamente explosivo. E é franzino. Pode ter muitos problemas na hora que precisar defender armadores outros na NBA.


Cam Reddish

Posição: ala
Idade: 19 anos
Altura: 2,03m
Peso: 95 kg
De onde vem: Duke (NCAA)
Comparações que fazem por aí: Rudy Gay (nbadraft.net) / Paul George, Rashard Lewis, Ben McLemore “mais alto” (The Ringer)

O que dizem sobre ele: 

Um versátil ala com bom arremesso e ferramentas ofensivas em geral. Não tem exímia visão de quadra, mas é capaz de cumprir um papel decente criando jogadas para si próprio ou para os companheiros. Parece confortável fazendo passes a partir do drible. Não é lá muito explosivo, mas parece saber como se comportar de maneira eficiente sem a bola nas mãos no ataque. O chute de três pontos vai precisar ser trabalhado para virar uma arma em nível de NBA, mas parece haver indícios de que isso pode um dia acontecer.

A grande questão em torno de Reddish passa pela atitude. O The Ringer observa que ele não é tão agressivo assim atacando a cesta e que frequentemente evita o contato quando infiltra ou luta pelo rebote. Na defesa, apesar de ter braços longos e demonstrar algum potencial para poder encarar trocas de marcação, parece faltar disciplina para não tomar decisões erradas e cair facilmente em dribles com tanta frequência.


Coby White

Posição: armador
Idade: 19 anos
Altura: 1,96m
Peso: 86 kg
De onde vem: North Carolina (NCAA)
Comparações que fazem por aí: Gilbert Arenas (nbadraft.net) / Jamal Murray, Brandon Knight, Rodrigue Beaubois (The Ringer)

O que dizem sobre ele:

Um armador muito rápido, sem medo de bater para dentro e que tem a pontuação como principal trunfo nesta chegada à NBA, mas que ainda parece meio cru.

White cria muito espaço a partir do drible, especialmente com o “stepback”. Algo que pode torná-lo um pontuador de nível bem alto na NBA se continuar a se desenvolver. Mas ele ainda tem dificuldade em arremessar nestas condições. Os resultados não têm sido muito animadores. Por outro lado, os tiros de longa distância em situações de “catch and shoot” parecem promissores.

Na hora de atacar a cesta, a primeira passada chama a atenção, bem como o controle do corpo para mudar de velocidade e de direção no meio da passada. Ele absorve bem contatos que sofre nestas tentativas de infiltração, mas não chega a ser brilhante nas conclusões. Pelo contrário: não é raro tomar tocos. Essas finalizações ao redor do aro terão de ser desenvolvidas para que ele se torne um armador de bom nível na NBA. Defensivamente, o The Ringer observa que White parece ser esforçado e ter mobilidade o bastante para se tornar um bom jogador, especialmente fora da bola, mas os fundamentos ainda estão precários em termos de trabalho de pés e posicionamento.


DeAndre Hunter

Posição: ala
Idade: 21 anos
Altura: 2,01m
Peso: 102 kg
De onde vem: Virginia (NCAA)
Comparações que fazem por aí: OG Annunoby, Thaddeus Young (nbadraft.net) / Luol Deng, DeMarre Carroll, Jae Crowder (The Ringer)

O que dizem sobre ele:

Tem toda a pinta de “3 and D” capaz de ajudar o time da NBA que o selecionar dentro de pouco tempo. Não é tão explosivo e talvez até tenha dificuldade se precisar ficar diante de alguns dos armadores mais atléticos da liga, mas entrega um trabalho muito bom na marcação individual quando consegue igualar o oponente em termos de velocidade. É ótimo também marcando fora da bola, com boas leituras, rotações precisas e senso apurado de posicionamento para ajudar nas coberturas de “pick and roll”. Até mesmo defendendo no “post-up” ele se sai bem.

Com relação aos arremessos, acertou 42% das bolas de três pontos que tentou na NCAA. É um número muito bom. Claro que não garante nada na NBA, onde a linha de três é mais distante e a questão do espaçamento tende a ser bem mais desafiadora, mas definitivamente é um ótimo sinal nesta transição para o profissional. As situações de “catch and shoot” são as favoritas, o que mostra um pouco sobre como ele funciona bem melhor definindo em um ataque já iniciado do que propriamente criando as ações ofensivas em si.

Está aí, aliás, um problema dele para o decorrer da carreira. Hunter até andou desenvolvendo um pouco esse aspecto de criar mais oportunidades de ataque com a bola nas mãos agredindo a cesta, muitas vezes até levando vantagem sobre oponentes menos rápidos, mas as finalizações ao redor do aro ainda estão bem cruas. Os passes também são considerados um ponto primordial de aprimoramento para ele.


Jarrett Culver

Posição: ala-armador
Idade: 20 anos
Altura: 1,98m
Peso: 88 kg
De onde vem: Texas Tech (NCAA)
Comparações que fazem por aí: Nick Anderson (nbadraft.net) / Khris Middleton, Malcom Brogdon, Jeremy Lamb (The Ringer)

O que dizem sobre ele:

Tem boa condição atlética e altura para jogar nas posições dois e três na NBA. No basquete universitário, mostrou-se um bom pontuador, mas também atuou como condutor de bola primário e distribuidor de ações. Chamou a atenção justamente por poder cumprir várias funções ofensivamente. O trabalho de pés, o domínio dos dribles de hesitação e a capacidade de continuar a desequilibrar defensores durante uma movimentação ofensiva são pontos bastante elogiados por quem o acompanhou mais de perto até agora.

Culver também é considerado muito inteligente, que sabe muito bem se mexer sem a bola nas mãos. Os arremessos de longa distância ainda precisam de algum aprimoramento, mas podem virar uma arma consistente. Aliás, o The Ringer observa que ele “converte arremessos complicados, especialmente de média distância, e se essas bolas de dois puderem se transformar em chutes de três, ele pode virar um pontuador para situações de finais de jogo.

Defensivamente, é considerado um jovem de bons instintos, versátil o bastante para encarar algumas trocas de marcação e que pode ser bem confiável para defender fora da bola, com rotações inteligentes e agredindo as linhas de passe. Mas é considerado um prospecto de potencial limitado neste lado da quadra: ele até pode ficar mais forte, mas a velocidade lateral não parece ser mais do que mediana para encarar outros jogadores de perímetro da NBA no um contra um.


Jaxson Hayes

Posição: ala-pivô/pivô
Idade: 19 anos
Altura: 2,11m
Peso: 100 kg
De onde vem: Texas (NCAA)
Comparações que fazem por aí: Jarrett Allen (nbadraft.net) / Clint Capela, JaVale McGee, Deyonta Davis (The Ringer)

O que dizem sobre ele:

Um pivô de ótima envergadura, que atravessa a quadra rápido para alguém da sua posição e com bom potencial para proteger o aro, seja dando tocos ou simplesmente atrapalhando as finalizações de quem estiver ao seu redor. Essa combinação o tornou um destaque no basquete universitário, e existe uma crença forte entre os olheiros que esse conjunto de habilidades pode também ser levado para a NBA.

De acordo com o nbadraft.net, a mobilidade de Hayes também o permite sair para colocar pressão no perímetro na hora de defender o “pick and roll”, ao invés de apenas se limitar a congestionar a rota de entrada para o garrafão. Esse potencial existe, mas ainda não é algo muito concreto, já que o pivô ainda se confunde nas vezes em que precisa se virar diante deste tipo de jogada dos ataques adversários.

Ainda segundo o nbadraft.net, “a defesa dele talvez seja o que mais chama a atenção agora, mas Hayes tem também um apelo ofensivo como um alvo para pontes aéreas e para completar jogadas em geral ao redor do aro”. Durante a trajetória na NCAA, suas finalizações foram predominantemente assim, e os resultados foram bons. O arsenal ofensivo, ao menos por enquanto, se resume a isso. E para que ele possa levar todas essas boas características para a NBA, imagina-se que será preciso adicionar um pouco mais massa muscular. Outro problema que terá de ser corrigido é a tendência para acumular faltas.


Sekou Doumbouya

Posição: ala
Idade: 18 anos
Altura: 2,06m
Peso: 104 kg
De onde vem: Limoges (França)
Comparações que fazem por aí: Billy Owens, Tim Thomas (nbadraft.net) / Pascal Siakam, Al-Farouq Aminu, Trevor Booker (The Ringer)

O que dizem sobre ele:

Tem braços longos, boa envergadura e algumas outras ferramentas físicas que o permitem jogar frequentemente acima da linha do aro, com potencial para dar tocos de um lado da quadra e enterradas do outro. O The Ringer o resume como um protótipo ainda não polido, mas que pode um dia virar um ala versátil e um pesadelo nos “mismatches” se continuar a se desenvolver.

A grande questão em torno dele é exatamente isso: transformar o que parece promissor, mas que ainda está cru, em realidade. Defensivamente, por exemplo, há uma crença de que a força física, a altura e a mobilidade podem torná-lo uma peça versátil, mas ele demonstra ter bastante a evoluir em termos de foco, leitura e até de fundamentos, que ainda são considerados pobres. Ofensivamente, Doumbouya conta com uma rápida primeira passada e um bom jogo de pés nas tentativas de infiltração, o que pode gerar boas situações de passe. Mas as tomadas de decisão e as execuções dos passes deixam a desejar. Os arremessos são ainda bem inconstantes também.

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