Nomes para se ficar de olho no Draft de 2019 – Parte 2

Luís Araújo

A primeira parte do especial do Draft de 2019 já saiu e pode ser encontrada aqui. Antes da próxima, vale reforçar um aviso importante: as comparações do nbadraft.net e do The Ringer aparecem por aí apenas por motivos de curiosidade, não por costumarem acertar em cheio os prognósticos.

Feita a ressalva, vamos à próxima leva de calouros que merecem atenção nesta safra de 2019.


Rui Hachimura

Posição: ala
Idade: 21 anos
Altura: 2,03m
Peso: 107 kg
De onde vem: Gonzaga (NCAA)
Comparações que fazem por aí: Antawn Jamison (nbadraft.net) / Marcus e Markieff Morris, Jabari Parker, Carmelo Anthony (The Ringer)

O que dizem sobre ele:

Atlético, de ótima envergadura e dono de um conjunto versátil de ferramentas ofensivas. Demonstrou ter um excelente chute de média distância no basquete universitário e teve aproveitamento de 42% nas bolas de três. Claro que conseguir levar esse alcance para a NBA é um desafio, mas é uma situação que parece bem animadora por agora. Ele ainda parece um pouco cru no jogo de um contra um e nas finalizações a partir do drible, mas vem procurando desenvolver esse aspecto. Também demonstra ter um bom instinto para criar oportunidades no “post-up”, tem fundamentos interessantes para finalizar ao redor do aro e sabe se comportar sem bola, cortando em meio à defesa para surgir como opção de passe.

Outro ponto bastante elogiável é a atitude de Hachimura, considerado sempre pronto para jogar para a equipe, com bastante energia e foco toda vez que entra em quadra. Para alguém que começou a jogar basquete apenas aos 14 anos, ele é tido como alguém que absorveu muita coisa do esporte e até mesmo da cultura americana muito rápido. Os olheiros encaram isso como um indício animador sobre a capacidade dele de continuar a se desenvolver e a aprimorar os pontos fracos.

Na defesa, a envergadura e a capacidade atlética de Hachimura até o tornam uma peça sólida para se virar em situações individuais, contestando arremessos dos oponentes com alguma eficiência. O The Ringer observa que ele tem ferramentas para virar um defensor versátil, mas que por enquanto ele ainda lê as ações com lentidão, sendo um alvo fácil no “pick and roll” e ainda um pouco lento para entender rotações e agir nas coberturas. Esse tipo de problema também aparece no ataque, onde  apresenta dificuldade para ler a quadra com rapidez, o que o compromete enquanto tomador de decisões e passador.


Brandon Clarke

Posição: ala-pivô/pivô
Idade: 22 anos
Altura: 2,03m
Peso: 95 kg
De onde vem: Gonzaga (NCAA)
Comparações que fazem por aí: Jordan Bell (nbadraft.net) / Paul Millsap, Pascal Siakam, Kris Humphries (The Ringer)

O que dizem sobre ele:

Um jogador de muita explosão e energia sempre, mas que tem como grande atrativo às vésperas da entrada no mundo dos profissionais a versatilidade defensiva. Há vários relatos de quem o acompanhou de perto nestes últimos meses impressionados com o conjunto de qualidades que ele demonstrou na hora de marcar. Clarke mostrou no basquete universitário uma ótima condição como reboteiro, dando tocos e até mesmo roubando bolas. Tudo isso cometendo poucas faltas, o que torna tudo isso ainda mais marcante. A capacidade atlética, que já é considerada de primeiro nível para a NBA, o ajuda bastante também longe da cesta, defendendo “pick and rolls” e encarando trocas de marcação no perímetro.

Ofensivamente, mostrou-se um forte finalizador ao redor da cesta e alguma habilidade para pontuar a partir do drible vez ou outra. As virtudes atléticas o ajudam a virar uma peça útil também jogando sem bola. E dependendo de quem estiver o marcando, pode agir bem no “post-up”.

Mas é aí que pode existir um grande problema para ele: a altura. Clarke é baixo para quem atua no garrafão e não vai encontrar muita gente da sua posição com o mesmo tamanho. Para piorar, a envergadura também não é grande coisa. Como observa o The Ringer, “a não ser que se desenvolva como arremessador de três que finalize em situações de ‘spot-up’, ele vai precisar jogar como um pivô no ataque, o que pode criar alguns problemas para seu time. O papel ideal para ele seria o de pivô em uma formação mais baixa, mas o tamanho deverá compromete-lo ao marcar grandalhões como Joel Embiid ou Karl-Anthony Towns.


Nassir Little

Posição: ala
Idade: 19 anos
Altura: 1,98m
Peso: 102 kg
De onde vem: North Carolina (NCAA)
Comparações que fazem por aí: Gerald Wallace (nbadraft.net) / Andre Iguodala, Harrison Barnes, Stanley Johnson (The Ringer)

O que dizem sobre ele:

Mais um jogador bem atlético e que aparenta ter a defesa como carro-chefe. Na verdade, o nbadraft.net destaca uma questão que vai até além disso: “ele é orgulhoso na defesa, gosta do desafio de assumir a tarefa mais difícil contra o ataque adversário”. Por outro lado, o The Ringer observa que Little ainda tem alguns pontos a serem bastante lapidados no que diz respeito à defesa fora da bola, pois ainda toma alguns cortes do seu oponente por ficar observando a ação da bola, falha em algumas ajudas e tem dificuldades para correr escapando de bloqueios.

É explosivo finalizando ao redor do aro, capaz de fazer isso com as duas mãos, e com ótima primeira passada. Essas ferramentas atléticas dele também aparecem no ataque no que diz respeito a rebotes ofensivos, que também é uma boa arma dele. Little é descrito como alguém de bom tempo de bola para se antecipar e ajudar a gerar uma segunda chance de ataque para seu time.

Ainda nesta linha, ele é considerado uma ameaça atacando defesas que já foram desequilibradas em um primeiro momento e em pontes aéreas por seus cortes sem bola em direção ao garrafão, e até uma crença de que ele pode se desenvolver como um jogador confiável para fazer bloqueios e girar para a cesta em jogadas de “pick and roll”, graças à explosão e à habilidade de absorver contato na hora de finalizar. O problema maior parece ser quando ele tem a bola nas mãos em situações mais equilibradas e mais longe do aro. Os arremessos de média e longa distâncias estão longe de serem armas confiáveis. A seleção de arremessos e a tomada de decisão também são pontos longe de serem elogiáveis nele.


PJ Washington

Posição: ala
Idade: 20 anos
Altura: 2,03m
Peso: 104 kg
De onde vem: Kentucky (NCAA)
Comparações que fazem por aí: Carl Landry (nbadraft.net) / Taj Gibson, Jerami Grant, Brice Johnson (The Ringer)

O que dizem sobre ele:

Dono de um porte físico muito forte para os padrões universitários e que desenvolveu rapidamente as habilidades enquanto pontuador e passador durante a última temporada na NCAA. Faz bandeja com as duas mãos, joga acima do aro com facilidade, tem uma primeira passada muito rápida e vem desenvolvendo o chute de longa distância, dando pinta de que pode vir a arremessar de três na NBA.

Mas há reservas com relação ao papel no ataque também. O The Ringer observa que Washington precisa diversificar o leque ofensivo, porque ele tenta muitos arremessos arriscados, não tem um jogo de “post-up” muito polido e chega a ser previsível por vezes com seu gancho de direita perto da cesta. Além disso, ele não é tão explosivo assim para finalizar no meio de outros jogadores, o que coloca um ponto de interrogação em seu grau de eficiência como participante do “pick and roll” — pelo menos no papel de fazer o bloqueio e girar para a cesta.

Na defesa, até que faz um papel considerado aceitável na situação individual. Mas fora da bola, tem seus defeitos, principalmente no que diz respeito à concentração para se manter perto do seu oponente. Os rebotes são um ponto fraco também, muito por conta da sua altura: 2,03m não representa um tamanho animador para alguém que pretende jogar nas posições quatro ou cinco na NBA.


Keldon Johnson

Posição: ala/ala-armador
Idade: 19 anos
Altura: 1,98m
Peso: 97 kg
De onde vem: Kentucky (NCAA)
Comparações que fazem por aí: Corey Maggette (nbadraft.net) / Otto Porter, Kentavious Caldwell-Pope, Garrett Temple (The Ringer)

O que dizem sobre ele:

Muito atlético, dono de uma primeira passada explosiva e que sai fácil do chão. Deve ser alguém muito divertido de se ver em ação quando envolvido em jogadas de transição. Desenvolveu um “floater” para finalizar diante de marcadores mais altos que pareceu interessante ao longo do último ano. Os arremessos mais afastados ainda parecem inconstantes. O aproveitamento na temporada passada nas bolas de três foi de 38%, o que não é ruim, mas ele também não teve tantas tentativas por jogo assim. Então ainda há uma incógnita neste sentido, ao passo que alguns olheiros notam que o rendimento em situações de “catch and shoot” precisa melhorar. E o aproveitamento nos lances livres foi de 70%, o que pode ser considerado como algo no limite do aceitável e bem longe de empolgar alguém.

Ainda com relação ao comportamento ofensivo, Johnson parece saber o que fazer para punir marcadores mais baixos no “post-up” e criar situações de finalização a partir daí. Por outro lado, ele é tido como um jogador que se vira muito mal quando precisa absorver contato dentro do garrafão nas investidas para a cesta, além de ser considerado um passador “robótico”, com leitura de jogo ainda limitada.

Na defesa, parece ter um bom potencial. O fato de ter um corpo mais ou menos pronto para a NBA o ajuda demais neste sentido. O nbadraft.net observa que Johnson “tem uma boa combinação de equilíbrio e altura que pode criar problemas para qualquer oponente que tente pontuar diante dele”. Além disso, ele faz um bom papel lutando contra bloqueios quando precisa correr atrás de alguém sem bola e ainda parece ser um bom reboteiro para a sua posição.


Goga Bitadze

Posição: pivô
Idade: 19 anos
Altura: 2,11m
Peso: 113 kg
De onde vem: Mega Bemax (Georgia)
Comparações que fazem por aí: Nenad Krstic, Jusuf Nurkic (nbadraft.net) / Jusuf Nurkic, Enes Kanter “que dá tocos”, Kyle O’Quinn (The Ringer)

O que dizem sobre ele:

Um pontuador muito habilidoso dentro do garrafão, capaz de chegar perto da cesta a partir do “pick and roll” ou mesmo cortando seu oponente em ações individuais, também com bom domínio do “post-up”. É ambidestro para finalizar. E o The Ringer o define como “o melhor fazedor de bloqueios desta safra de calouros”, o que diz muito sobre o potencial dele como peça para concluir o “pick and roll” e também para agir em “handoffs”, ajudando a criar espaço para seus companheiros no perímetro. Ainda há relatos animadores com relação ao que pode vir a ser dele como arremessador de longa distância na NBA. Não é algo que deve aparecer de imediato, mas há olheiros que confiam em um bom desempenho dele como chutador de “spot up” de três pontos em algum momento.

Na defesa, é considerado um ótimo reboteiro, além de um jogador inteligente e competitivo, que lê bem as ações e que entende o que precisa ser feito nas rotações. O problema é saber como o corpo vai reagir na NBA nestas horas, porque a mobilidade parece estar longe de ser um ponto forte. Por mais que exista um certo otimismo com relação ao desempenho dele marcando o “pick and roll” nos arredores do garrafão, a coisa muda totalmente de figura ao imaginá-lo no perímetro, tendo de encarar alas e armadores mais leves e mais rápidos longe da cesta.

Existe também uma preocupação com relação à tendência de acumular faltas, muito por causa da mania de morder facilmente fintas dos oponentes.


Romeo Langford

Posição: ala-armador
Idade: 19 anos
Altura: 1,98m
Peso: 95 kg
De onde vem: Indiana (NCAA)
Comparações que fazem por aí: Evan Turner (nbadraft.net) / Larry Hughes, Kentavious Caldwell-Pope, MarShon Brooks (The Ringer)

O que dizem sobre ele:

É um jogador rápido para sua posição, muito agressivo quando invade o garrafão para atacar a cesta e que sabe como absorver contato para cavar faltas. Foi armador quando era mais novo e carrega traços desta experiência até hoje. Não só porque parece muito mais confortável quando tem a bola nas mãos, mas porque assume com frequência esse papel de carregar a bola e atuar como facilitador. Langford até tem a visão de quadra e os passes como pontos elogiados em alguns relatos de olheiros, mas existe um consenso sobre a necessidade de melhora enquanto tomador de decisão. De acordo com o nbadraft.net, “ele tem como hábito tentar arremessos questionáveis com alguma frequência”.

No “post-up”, Langford sabe como tirar proveito de marcadores mais baixos para criar oportunidades de finalização. Mas quando ele não tem a bola nas mãos, alguns problemas aparecem. Primeiro porque ele ainda não é tão eficiente assim em cortes sem bola em direção à cesta. Mas também — e principalmente — por causa da deficiência nos chutes de distância. Na verdade, os lances livres também precisam de aprimoramento, especialmente para alguém que gosta tanto de cavar faltas quando busca a finalização.

O porte físico e a capacidade atlética o tornam uma peça animadora para se ter em quadra nas horas de encarar trocas de marcação a cada bloqueio dos oponentes. Mas também existe uma grande preocupação em torno do desempenho dele fora da bola. Seja por falta de atenção vez ou outra ao permitir que seu adversário se movimente com espaço, seja pela leitura lenta das ações ao seu redor.


Tyler Herro

Posição: ala-armador
Idade: 19 anos
Altura: 1,98m
Peso: 88 kg
De onde vem: Kentucky (NCAA)
Comparações que fazem por aí: Nik Stauskas, Joe Harris (nbadraft.net) / Devin Booker, CJ Miles, Courtney Lee (The Ringer)

O que dizem sobre ele:

Tem potencial para virar um bom arremessador de longa distância na NBA, mas alguns pontos ainda precisam ser corrigidos ao longo do tempo para que isso de fato se concretize. O The Ringer observa que ele tem um disparo rápido e é capaz de receber o passe e chutar de ângulos bem desafiadores. Mas o nbadraft.net ressalta que ele ainda apresenta alguma dificuldade no que diz respeito ao posicionamento dos pés quando acionado depois de receber bloqueios sem bola, o que acaba por comprometer o desempenho.

Herro tem se desenvolvido como finalizador a partir do drible, especialmente em “stepbacks”. É bom que ele esteja aprimorando essa capacidade de criar o próprio arremesso. Como isso vai se traduzir na NBA ao certo é uma incógnita, mas só de ele dominar isso em nível universitário já é um bom começo para daqui para frente. Os passes também são uma ferramenta elogiada nos relatos sobre ele.

Não é explosivo, e seu porte físico ainda levanta alguns questionamentos sobre como ele irá sobreviver na NBA. Em nível universitário, já mostrou dificuldade na defesa quando precisou contar com agilidade e deslocamento lateral. Diante de marcadores mais leves e mais rápidos, teve problemas constantemente. Do ponto de vista coletivo, no entanto, existe uma crença de que ele pode, sim, cumprir um bom papel.


Bol Bol

Posição: pivô
Idade: 19 anos
Altura: 2,18m
Peso: 95 kg
De onde vem: Oregon (NCAA)
Comparações que fazem por aí: Sam Perkins, Kristaps Porzingis (nbadraft.net) / Kristaps Porzings, Brook Lopez “atualmente”, Thon Maker

O que dizem sobre ele:

Muito alto, mas se move muito bem com a bola nas mãos para alguém do seu tamanho. Pode ser uma arma poderosa contra defensores em posição de desequilíbrio. Ele pode também ser uma ameaça em pontes aéreas, especialmente por saber usar a envergadura para pegar passes bem altos e finalizar. Também chama a atenção pelo potencial como arremessador de longa distância em situações de “catch and shoot”. Caso desenvolva a capacidade de fazer bloqueios, pode ser uma boa arma no “pick and pop”.

O problema passa justamente pelo porte físico. Ele parece muito franzino para fazer bloqueios e lutar por espaços. Bol também tem flashes interessantes como pontuador a partir do drible, até por saber se virar bem com a bola nas mãos, e com alguns movimentos para finalizar ao redor da cesta. Mas o corpo mais fraco em relação à maioria dos seus oponentes deve ser um obstáculo considerável para que ele consiga fazer tudo isso contra defesas estabelecidas.

A lista de pontos a serem desenvolvidos passa pela seleção de arremessos, muitas vezes pobre, e pela demora em reconhecer o que fazer no “post-up”. O desempenho defensivo e a falta de fundamentos neste lado da quadra também são características extremamente preocupantes.


Nickeil Alexander-Walker

Posição: ala-armador
Idade: 20 anos
Altura: 1,96m
Peso: 93 kg
De onde vem: Virginia Tech (NCAA)
Comparações que fazem por aí: Spencer Dinwiddie, Jordan Clarkson (nbadraft.net) / Shai Gilgeous-Alexander, Malcolm Brogdon, Tyler Johnson (The Ringer)

O que dizem sobre ele:

Um jogador que parece gostar muito de ter a bola nas mãos. É ambidestro para tentar dribles e para finalizar. Tem desenvolvido uma atuação cada vez mais interessante em situações de “pick and roll”, o que parece ser muito animador diante de algo que o The Ringer aponta: o passe a partir do drible talvez seja sua maior qualidade. Se algum companheiro estiver livre na zona morta enquanto ele estiver no controle da jogada, as chances de ele enxergar isso e fazer a bola chega lá são boas.

O problema é que ele se mostra um arremessador de longa distância ineficiente até agora. Isso pode mudar um dia? Talvez. Mas é algo que parece bem distante. A mecânica também não ajuda. Os olheiros a consideram um fator que atrapalha nesta história. E para complicar ainda mais o que pode ser da atuação ofensiva dele, a capacidade atlética não mais do que mediana pode atrapalhar suas tentativas de finalizar dentro do garrafão.

Esse tipo de limitação também atrapalha defensivamente. É provável que ele não consiga ficar na frente de um oponente mais leve e mais rápido, especialmente se cair diante dos mais explosivos armadores da NBA. Mas há relatos que elogiam seu grau de competitividade neste lado da quadra e que até destacam o seu tamanho como um fator que pode ser útil para um bom rendimento dele em diversos cenários.

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