O quarto capítulo da carreira de LeBron James

Luís Araújo

Em 2010, LeBron James resolveu ir para Miami Heat em busca do tão sonhado anel de campeão, algo que faltava em sua carreira até então. Quatro anos mais tarde, voltou ao Cleveland Cavaliers com a missão de comandar o time da terra natal a um título inédito. Desta vez, depois de outros quatro anos, ele resolveu assinar com o Los Angeles Lakers. O motivo para essa nova mudança de ares ainda não está lá muito claro. Tudo o que se sabe é que o acordo é no valor de US$ 153,3 milhões por quatro anos.

De acordo com a jornalista Ramona Shelburne, da ESPN norte-americana, LeBron teve um encontro no sábado com Magic Johnson. Nesta conversa, Magic expressou “senso de urgência para encontrar uma outra estrela para colocar ao lado de LeBron”. Só que o próprio LeBron tratou de tranquilizá-lo quanto a isso, garantindo que tomaria uma decisão para um prazo mais longo, sem ser influenciado por uma transação qualquer que pudesse ser feita na pressa, sob pressão.

Claro que não seria possível ter algum tipo de segurança sobre o que vai acontecer no futuro, mas essa é uma situação deixa os próximos capítulos desta história recém-iniciada especialmente incertos. O Lakers vai esperar mais um ano até Kawhi Leonard se tornar agente livre e poder chegar de graça a Los Angeles? Ou vai tentar fazer negócio com o San Antonio Spurs agora mesmo para tê-lo já na primeira temporada de contrato de LeBron, utilizando os jovens que ainda fazem parte do elenco como moedas de troca? E que tipo de mensagem podemos interpretar neste monte de contratos de um ano que estão sendo feitos após o anúncio da ida de LeBron ao Lakers?

Aliás, não é simplesmente que Magic Johnson e companhia têm emplacado esses contratos de um ano para rechear o elenco da temporada 2018/19. Há pelo menos duas contratações feitas nestes moldes que chamaram muito a atenção justamente por serem dois dos jogadores mais difíceis de se imaginar ao lado de LeBron: Lance Stephenson e Rajon Rondo. Além de terem como característica a necessidade de ter a bola nas mãos para render ofensivamente, os dois colecionaram desavenças com LeBron dentro de quadra ao longo dos últimos anos.

Vai saber como será essa convivência entre os três agora no mesmo time. Pode dar certo? Pode. Ron Artest também se deu bem com Kobe Bryant depois que os dois viraram companheiros. Mas, de qualquer jeito, essa história definitivamente dará um bom tempero a mais para a próxima temporada.

Até por esse mistério todo que existe em volta dos próximos passos que a franquia possa dar, é muito difícil imaginar o quanto LeBron pode estar distante de um título em sua nova equipe. Principalmente por estarmos em meio a uma dinastia do Golden State Warriors, que aparentemente ficou ainda mais poderoso com a adição de uma estrela do nível de DeMarcus Cousins — assunto que ainda será discutido em breve por aqui. De qualquer maneira, são quatro anos de contrato. O que dá ao Lakers uma tranquilidade maior para planejar os próximos passos. Justamente algo que o Cavs não teve nestes últimos anos.

Se for para considerar apenas os motivos relacionados ao basquete em si, é difícil entender as motivações por trás desta decisão de LeBron. Não só pela ida ao novo time em si, mas principalmente pelas condições em que isso aconteceu — um acordo de quatro anos com uma franquia que não vai aos playoffs desde 2013. O que importa mesmo é que essa escolha já foi feita. E ela só foi possível porque o Lakers se colocou em condição de fazer isso um dia se tornar viável.

A partir do momento em que assumiram o comando das coisas, Magic Johnson e Rob Pelinka nunca esconderam que o plano era limpar a folha salarial para poder perseguir grandes estrelas a partir de 2018. O que significava, em grande parte, corrigir decisões tomadas em 2016, quando contratos longos e gordos foram dados a Timofey Mozgov e Luol Deng. Não deu para consertar tudo, é verdade, tanto que Deng ainda faz parte do elenco. Mas Mozgov foi entregue ao Brooklyn Nets junto com D’Angelo Russell, que havia sido a segunda escolha do Draft de 2015. Na temporada passada, foi a vez de enviar Jordan Clarkson e Larry Nance a Cleveland em troca de expirantes.

Foi um processo que levantou dúvidas por vários momentos, mas que acabou recompensando quem escolheu uma determinada direção e se agarrou a ela, dando todos os passos que eram necessários para se chegar ao ponto em que desejava. Mas é bom que se reconheça que não foi só isso. Em que pese a campanha negativa da última temporada e uma certa inconsistência, Luke Walton e a molecada que teve à disposição mostraram coisas animadoras nos dois lados da quadra, sobretudo depois da pausa para o “All-Star Game”. Deu para ver doses de talento no grupo e um punhado de boas ideias do treinador.

Los Angeles pode ser o lugar mais incrível do mundo para se viver, mas LeBron não teria assinado por quatro anos se o time não tivesse espaço na folha salarial e não apresentasse condições minimamente atraentes para tornar essa experiência agradável. Não dá para ter ainda a menor ideia do quanto esse casamento dará certo e se o Lakers conseguirá voltar a ser campeão nestas próximas temporadas. O elenco de apoio ainda é cru sob diversos aspectos, a Conferência Oeste é extremamente competitiva e o Warriors arrumou uma nova grande motivação para defender seu lugar no topo da NBA.

Obstáculos não faltam. Mas é muito melhor pensar em superá-los quando se tem o melhor jogador do mundo à disposição. Um craque que não mostra sinais de declínio mesmo aos 33 anos — muito pelo contrário, aliás — e que não parece ter perdido o apetite por vitórias.

Tags: , , ,

COMPARTILHE