O que contam os brasileiros que já dividiram a quadra com Kobe Bryant?

Luís Araújo

O dia 26 de agosto de 2007 não representa uma data qualquer para a carreira de Murilo. Foi quando o pivô, que hoje defende o Bauru, teve Kobe Bryant como adversário dentro de quadra. Isso aconteceu no Pré-Olímpico das Américas, disputado em Las Vegas. Depois de ficarem com o terceiro lugar no Mundial do ano anterior, os Estados Unidos não só tiveram de participar da competição continental como contaram com força máxima. Era o começo do processo de redenção que recolocou o país no topo do basquete internacional.

O Brasil perdeu aquela partida por 113 a 76. Mas o que ficou mesmo na cabeça de Murilo foi a oportunidade de estar na mesma quadra que Kobe, que acertou seis arremessos em nove tentados e acabou fazendo 20 pontos em 20 minutos de ação.

“Foi uma honra muito grande. Foi um dos presentes que o basquete me deu. Joguei contra várias feras do basquete mundial como LeBron James, Allen Iverson, Jason Kidd, Steve Nash, mas eu acho que o Kobe, por tudo que ele representa, foi diferente. É um cara espetacular dentro de quadra. Para mim, está entre os cinco mais talentosos da história do basquete”, disse Murilo ao Triple-Double.

“Lembro que estávamos tomando 20 pontos, eu olhava pra ele e pensava: ‘Caramba é o Kobe Bryant aqui, jogando contra mim’. O respeito é muito grande, não só pelo atleta, mas pelo carisma que ele tem. Até hoje joga como uma facilidade tremenda”, completou o pivô.

Companheiro de Murilo em Bauru, o ala Alex também fazia parte da seleção brasileira naquele dia. Ele não chegou a cruzar com Kobe durante a trajetória rápida que teve pela NBA antes disso, por San Antonio Spurs e New Orleans Hornets, mas o reencontrou uns mais tarde em um amistoso contra os EUA em julho de 2012, na fase de preparação para as Olimpíadas de Londres.

“Enfrentar o Kobe foi um prazer imenso. É muito difícil marcar ele, tentar prever o que ele vai fazer é quase impossível. Em quadra ele faz um pouco de tudo. Tive o privilégio de enfrenta-lo na seleção e foi muito bacana. Eu sempre procuro melhorar meu jogo me espelhando nos melhores, vendo o que eles fazem, assistindo vídeos de jogos deles e tive a oportunidade de enfrentar o melhor jogador de uma era. Foi muito bom. Por tudo que ele representa no basquete. Um jogador muito competitivo, que não gosta de perder e faz de tudo para vencer”, afirmou Alex.

Fazer de tudo para não perder é uma característica que também aparece no discurso de Shamell. Natural da Califórnia, o ala jamais teve a chance de enfrentar Kobe, mas não esconde o quanto tem o craque do Los Angeles Lakers como modelo, seja no número da camisa que usa ou nos movimentos dentro de quadra. “Ele me influenciou sendo competitivo, um vencedor. Quem me conhece sabe que não gosto de perder nada. Mas ele também ensinou coisas sobre como jogar basquete, como o trabalho de pés e a inteligência de jogo”, contou.

“Foi muito legal nestes 20 anos assistir um cara dominante e fez muito pelo basquete no mundo inteiro, não só na NBA. É triste, mas estou bem animado para saber o que ele vai fazer fora do basquete e como uma pessoa tão competitiva vai levar essa energia para uma outra coisa”, concluiu o camisa 24 do Mogi das Cruzes.

Mas dá para dizer que nenhum outro atleta ligado ao basquete brasileiro, pelo menos dentre os que ainda estão em atividade, teve ligação maior com Kobe do que Marcelinho Huertas — considerando todo mundo, talvez Oscar Schmidt apareça no topo desta lista. Além dos confrontos em 2007 e em 2012 pela seleção brasileira diante dos EUA, os mesmos que Alex participou, o armador foi companheiro de time dele em Los Angeles durante essa última temporada do craque.

“Foi excepcional acompanhar isso de perto, ver o carinho que ele recebeu em todas as cidades por onde passamos, inclusive em lugares nos quais o Lakers nunca foi bem-vindo, como em Boston”, declarou Huertas, através de um vídeo divulgado pela sua assessoria de imprensa. “Mesmo assim, nesse dia único, parece que as pessoas deixaram o orgulho de lado e se renderam aos pés dele. Isso demonstra um pouco a grandeza dele e de tudo o que ele conquistou como jogador, não só em termos de resultado, mas também de admiração e respeito.”

Só que ele não é o único armador brasileiro envolvido neste último ato da carreira de Kobe, já que o Utah Jazz conta com Raulzinho, que classificou o acontecimento como “emoção única”. Nem dava para ser muito diferente. “Nunca imaginei que poderia viver isso”, ele admitiu.

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